A Batalha do Labirinto 



AGRADECIMENTOS..................................................................................................................6 
OS VOLUNTRIOS.....................................................................................................................7 


UM 
EU ENFRENTO LDERES DE TORCIDA............................................................................8 

DOIS 
O MUNDO INFERIOR ME PASSA UM TROTE...............................................................16 

TRS 
BRINCAMOS DE PEGA-PEGA COM ESCORPIES......................................................28 

QUATRO 
ANNABETH QUEBRA AS REGRAS..................................................................................38 

CINCO 
NICO COMPRA MC LANCHE FELIZ PARA OS MORTOS..........................................47 

SEIS 
NS ENCONTRAMOS O DEUS DE DUAS CARAS.......................................................53 

SETE 
TYSON LIDERA UMA FUGA DE PRESOS......................................................................60 

OITO 
NS VISITAMOS O CARA DEMNIO DO RANCHO..................................................67 

NOVE 
EU RECOLHO COC.............................................................................................................80 

DEZ 
NS JOGAMOS O DAME SHOW DA MORTE................................................................87 

ONZE 
EU ATEIO FOGO EM MIM MESMO..................................................................................98 

DOZE 
GANHO FRIAS PERMANENTES...................................................................................107 

TREZE 
NS CONTRATAMOS UM NOVO GUIA.......................................................................116 


CATORZE 
MEU IRMO DUELA COMIGO AT A MORTE..........................................................128 

QUINZE 
ROUBAMOS ALGUMAS ASAS LEVEMENTE USADAS...........................................137 

DEZESSEIS 
EU ABRO UM CAIXO.......................................................................................................147 

DEZESSETE 
O DEUS DESAPARECIDO FALA......................................................................................155 

DEZOITO 
GROVER CAUSA UMA DEBANDADA..........................................................................161 

DEZENOVE 
O CONSELHO FICA FENDIDO.........................................................................................170 

VINTE 
MINHA FESTA DE ANIVERSRIO TOMA UM RUMO SOMBRIO........................175 

PROPAGANDAS....................................................................................................................182 



AGRADECIMENTOS 


Esperamos que este trabalho seja de grande prstimo tanto aos inmeros fs da srie 
quanto a qualquer um que queira apenas uma distrao e tambm queles que tenham 
algum interesse sobre mitologia. 
Nem todos conseguem imaginar o esforo, o cansao e at as dificuldades na realizao 
de um projeto deste tipo, e por isso, muitas vezes ainda julgam a imperfeio do que 
fizemos. Mas esperamos que os leitores compreendam que os responsveis por cada 
etapa, apesar de serem amadores, foram competentes para entregar um trabalho o mais 
digno possvel ao texto original. Sendo assim, esperamos que todos prestigiem e sintam-
se satisfeitos com o resultado final. 
Aos tradutores/revisores, a realizao deste trabalho causou-lhes prazer, e ao mesmo 
tempo uma grande obstinao, por v-lo acabado o quanto antes. Tiveram que realiz-lo 
em um curto espao de tempo, alguns ficando acordados at tarde da noite na nsia de 
entregar antes do prazo estipulado e, assim, trazendo alegria a todos, alm de causar 
grande expectativa ao prximo captulo. E quando esse demorava um pouco mais, 
comeava aquela presso, um alvoroo de perguntas sobre o que poderia ter ocorrido 
para tal demora, mesmo o tradutor ainda estando dentro do prazo. Haja pacincia para 
tamanha presso... 
Como este projeto de traduo no  feito por profissionais da rea, pedimos desculpas 
por eventuais erros que possam ter escapado s revises que empreendemos. Desculpem 
por nossos vcios de leitura, os quais fazem com que no percebamos certos erros, 
mesmo aqueles bvios para os leitores. Por isso, fica nossa gratido pela compreenso 
de todos. 
Agradecemos aqueles que se voluntariaram, e por todas as sugestes que tanto 
contriburam para melhorar este trabalho. Agradecemos por suas crticas quanto  
traduo e reviso do livro, opinies caridosamente aceitas, que foram importantes para 
uma melhor compreenso e correo dos erros. 
Recebam nossas felicitaes e sinceros agradecimentos todos os que contriburam para 
a organizao, transcrio, traduo, reviso, enfim aqueles que cooperaram de alguma 
forma para o desenvolvimento de todas as etapas deste livro. 
Agradecimentos tambm ao Raul, por nos dar um espao para a realizao deste 
trabalho na mafia dos livros. 
 com enorme prazer que a mafia disponibiliza a traduo de mais um livro de Rick 
Riodan. Esperamos que os leitores se divirtam e se emocionem com as novas aventuras 
de Percy Jackson e os Olimpianos. 

Ningum poder jamais aperfeioar-se, se no tiver o mundo como mestre. A 
experincia se adquire na prtica. 
William Shakespeare 

Obrigado por acreditarem e confiarem em ns, . mafia dos livros . 

Belle. 


OS VOLUNTRIOS 


Agradeo  todos aqueles que participaram da traduo, reviso, estruturao, leitura 
final, entre outras funcionalidades diversas que desempenhamos para compor este livro 
de capa  contra-capa. 
Entre estes, destacam-se alguns nomes, aos quais devemos grande respeito e 
agradecimentos: 

Agradecemos aos nomes citados abaixo, aos voluntrios annimos e aos esquecidos. 

Organizao Responsvel: . mafia dos livros. 

Chefe de Traduo: Raul Nogueira Fernandes 

Organizao: Dudu e Felipe Vizentim 
Comando: Dudu e Felipe Vizentim 
Apoio  Organizao: Anderson e Pompeu 

Reviso Final: Mari Trindade 
Leitura Final: Mari Trindade 

Estruturao e Detalhes Finais: Raul Nogueira Fernandes 

Traduo: Felipe Vizentim Reviso: Anderson Almeida 
Raphel Pompeu Rosane Rodrigues 
Fernando Felipe Vizentim 
Lamec Luisa Oliveira 
Anderson Almeida Cibele Hamburg 
Pedro Cardim Bia Fuentes 
Iago Gabriel Oliveira 
Cariline Marstica Maria Isabellar 
Daniel Saldanha Mari Trindade 
Mariana Albuquerque 
Fabio Nadal 


UM 



EU ENFRENTO LDERES DE TORCIDA 

A ltima coisa que eu queria fazer nas minhas frias de vero era explodir outra escola. 
Mas ali eu estava segunda-feira de manh, na primeira semana de junho, sentado no 
carro da minha me em frente  Goode High School, na rua 81 Leste. 
Goode ficava em um grande edifcio de pedra avermelhada com vista para o East River. 
Um monte de BMW's e Lincoln Towns estava estacionado em frente. Olhando para o 
elegante arco de pedra, eu me perguntava quanto tempo levaria para que eu fosse 
expulso desse lugar. 
Apenas relaxe. Minha me no parecia relaxada.  apenas um tour de orientao. E 
lembre-se, querido, essa  a escola de Paul. Ento tente no... voc sabe. 
Destru-la? 
Sim. 
Paul Bayck, o namorado da minha me, estava em frente  escola, recebendo futuros 
alunos do primeiro ano conforme eles subiam os degraus. Com seu cabelo grisalho, 
roupas de brim, e jaqueta de couro, ele me lembrava um ator de TV, mas ele era apenas 
um professor de ingls. Ele conseguiu convencer a Goode High School a me aceitar 
para o primeiro ano, apesar do fato de eu ter sido expulso de todas as escolas que 
frequentei. Eu tentei avis-lo que no era uma boa ideia, mas ele no me deu ouvidos. 
Eu olhei para minha me. Voc no contou a ele a verdade sobre mim, no ? 
Ela tamborilou os dedos nervosamente no volante. Ela estava vestida para uma 
entrevista de empregoo seu melhor vestido azul e sapatos de salto alto. 
Pensei que deveramos esperar, ela admitiu. 
Assim no o assustamos. 
Tenho certeza que a orientao correr bem, Percy.  apenas uma manh. 
timo, resmunguei. Eu posso ser expulso antes de comear o ano letivo. 
Pense positivo. Amanh voc vai para o acampamento! Depois da orientao, voc tem 
seu encontro 
No  um encontro! protestei.  simplesmente Annabeth, me! Caramba! 
Ela est vindo do acampamento at aqui para encontrar voc. 
Bem, sim. 
Vocs vo ao cinema. 
. 
S vocs dois. 
Me! 
Ela ergueu suas mos desistindo, mas eu podia dizer que ela estava se esforando para 
no sorrir. Seria melhor voc entrar, querido. Vejo voc  noite. 
Eu estava prestes a sair do carro quando olhei para os degraus da escola. Paul Bayck 
estava cumprimentando uma menina com cabelos crespos vermelhos. Ela usava uma 
camiseta gren e jeans rotos decorados com desenhos de marca-texto. Quando ela se 
virou, eu peguei um vislumbre de seu rosto e os pelos em meu brao se arrepiaram. 
Percy? minha me perguntou. O que est errado? 
N-nada, gaguejei. A escola tem uma entrada lateral? 
Depois do bloco do lado direito. Por qu? 



Vejo voc mais tarde. 
Minha me comeou a dizer algo, mas eu sa do carro e corri, esperando que a menina 
ruiva no me visse. 
O que ela estava fazendo aqui? Nem mesmo a minha sorte poderia ser to ruim. 
, certo. Eu estava prestes a descobrir que minha sorte poderia ser muito pior. 


*** 

Entrar s escondidas na orientao no funcionou muito bem. Duas lderes de torcida 
em uniformes roxo e branco estavam de p na entrada lateral, esperando para emboscar 
calouros. 
Oi! Elas sorriram, o que eu presumi que seria a primeira e ltima vez que qualquer 
lder de torcida seria amigvel assim comigo. Uma delas era loira com frios olhos azuis. 
A outra era afro-americana com cabelo escuro encaracolado como o da Medusa (e 
acredite, eu sei do que estou falando). Ambas tinham seus nomes costurados em letra 
cursiva no uniforme, mas com minha dislexia, as palavras pareciam um espaguete sem 
sentido. 

Bem-vindo  Goode, disse a garota loira. Voc vai adorar aqui! 
Mas conforme ela me olhou de cima a baixo, a sua expresso disse algo mais como, 

Eca, quem  esse perdedor? 

A outra menina se aproximou desconfortavelmente de mim. Eu estudei a costura em seu 
uniforme e li Kelly. Ela cheirava como rosas e algo mais que reconheci das aulas de 
equitao no acampamentoo cheiro de cavalos recm lavados. Era um cheiro estranho 
para uma lder de torcida. Talvez ela tenha um cavalo ou algo assim. Enfim, ela ficou 
to perto que eu tive a sensao que ela iria tentar me empurrar pelas escadas. Qual  
seu nome, calo? 
Calo? 
Calouro. 
Uh, Percy. 
As meninas trocaram olhares. 
Oh, Percy Jackson, disse a loira. Ns estvamos esperando por voc. 
Isso enviou um tremendo arrepio Uh-oh pelas minhas costas. Elas estavam bloqueando 
a entrada, sorrindo de uma maneira no muito amigvel. Minha mo foi instintivamente 
em direo a meu bolso, onde guardo minha letal caneta esferogrfica, Contracorrente. 
Ento outra voz veio do interior do edifcio. Percy? Era Paul Bayck, em algum lugar 
no corredor. Eu nunca estive to feliz em ouvir sua voz. 
As lderes de torcida se afastaram. Eu estava to ansioso para passar por elas que 
acidentalmente dei uma joelhada na coxa de Kelly. 
Clang. 
Sua perna fez um som oco, metlico, como se eu tivesse batido num mastro de bandeira. 
Ei, ela murmurou. Cuidado, calo. 
Eu olhei para baixo, mas a perna dela parecia uma perna normal. Eu estava muito 
assustado para fazer perguntas. Eu deslizei para o corredor, as lderes de torcida rindo 
atrs de mim. 
A est voc! Paul me falou. Bem-vindo  Goode! 
Ei, Paulh, Sr. Bayck. Eu olhei para trs, mas as esquisitas lderes de torcida 
tinham desaparecido. 
Percy, voc parece que viu um fantasma. 
, h㗔 



Paul me deu palmadas nas costas. Oua, eu sei que voc est nervoso, mas no se 
preocupe. Ns temos uma poro de garotos com SDAH e dislexia aqui. Os professores 
sabem como ajudar. 
Eu quase quis rir. Como se apenas o SDAH e a dislexia fossem minhas maiores 
preocupaes. Quer dizer, eu sabia que Paul estava tentando ajudar, mas se eu contasse 
a ele a verdade sobre mim, ele pensaria que eu estava louco ou sairia correndo gritando. 
Aquelas lderes de torcida, por exemplo. Eu tinha um mau pressentimento sobre elas... 
Ento eu olhei para o fundo do corredor, e me lembrei que tinha outro problema. A 
garota ruiva que eu vira nos degraus da frente estava passando pela entrada principal. 
No me note, rezei. 
Ela me notou. Os olhos dela se arregalaram. 
Onde  a orientao? perguntei ao Paul. 
No ginsio. Por aqui. Mas 
Tchau. 
Percy? ele chamou, mas eu j estava correndo. 


*** 

Eu pensei que a tinha despistado. 
Um monte de garotos e garotas estava indo para o ginsio, e logo eu era apenas um 
entre os trezentos adolescentes de quatorze anos de idade enchendo as arquibancadas. 
Uma banda marcial tocou uma cano de luta fora do tom que soou como se algum 
estivesse batendo num saco de gatos com um taco de beisebol de metal. Garotos mais 
velhos, provavelmente estudantes membros do conselho estudantil, estavam de p na 
frente apresentando o uniforme da escola Goode e olhando para todos, Ei, ns somos o 
mximo. Professores circulavam em volta, sorrindo e apertando mos de alunos. As 
paredes do ginsio eram cobertas com cartazes roxos e brancos que diziam BEMVINDOS 
FUTUROS CALOUROS, A GOODE  LEGAL, SOMOS TODOS UMA 
FAMLIA, e vrios outros slogans alegres que me fizeram querer vomitar. 
Nenhum dos outros calouros parecia excitado por estar aqui, tambm. Quer dizer, vir  
orientao em junho, quando a escola sequer comea antes de setembro, no  legal. 
Mas na Goode, Preparamos para a excelncia cedo! Pelo menos isso  o que o 
panfleto dizia. 
A banda parou de tocar. Um cara em um terno de risca de giz foi at o microfone e 
comeou a falar, mas o som ecoou ao redor do ginsio, ento eu no fazia ideia sobre o 
que ele estava falando. Poderia ter sido um gargarejo. 
Algum agarrou meu ombro, O que voc est fazendo aqui? 
Era ela: meu pesadelo ruivo. 
Rachel Elizabeth Dare, eu disse. 
Seu queixo caiu como se ela no pudesse acreditar que eu tivesse a coragem de lembrar 

o nome dela. E voc  Percy alguma coisa. Eu no peguei seu nome inteiro em 
dezembro passado quando voc tentou me matar. 
Olha, eu no estavaeu no queria O que voc est fazendo aqui? 
O mesmo que voc, acho. Orientao. 
Voc mora em Nova York? 
O que, voc pensou que eu vivia na represa Hoover? 
Isso nunca me ocorreu. Sempre que eu pensava sobre ela (e eu no estou dizendo que eu 
pensava sobre ela; ela s atravessava minha mente de vez em quando, ok?), eu sempre 
imaginei que ela vivia na rea da represa Hoover, j que foi l que eu a conheci. 
Tnhamos gasto talvez dez minutos juntos, e nesse tempo eu acidentalmente a golpeara 

com minha espada, ela salvara a minha vida, e eu tinha fugido perseguido por um bando 
de mquinas de matar sobrenaturais. Voc sabe, um tpico encontro casual. 
Um cara atrs de ns sussurrou, Ei, calem a boca. As lderes de torcida esto falando! 
Oi, gente! uma garota borbulhou no microfone. Era a loira que eu vira na entrada. 
Meu nome  Tammi, e ela  tipo, Kelli. Kelli deu um mortal. 
Prxima a mim, Rachel ganiu como se algum tivesse enfiado um alfinete nela. Alguns 
garotos olharam e riram entre dentes, mas apenas Rachel encarou as lderes de torcida 
com horror. Tammi no pareceu notar o acesso. Ela comeou a falar sobre todas as 
atividades maravilhosas nas quais poderamos nos envolver durante nosso primeiro ano. 
Corra, Rachel me falou. Agora. 
Por qu? 
Rachel no explicou. Ela abriu caminho at a beirada da arquibancada, ignorando os 
professores de sobrancelhas franzidas e os garotos resmunges nos quais ela estava 
pisoteando. Eu hesitei. Tammi estava explicando como estvamos prestes a nos separar 
em pequenos grupos e fazer um tour pela escola. Kelli captou meu olhar e me deu um 
sorriso divertido, como se ela estivesse esperando para ver o que eu ia fazer. Iria parecer 
ruim se eu sasse logo agora. Paul Bayck estava l com o resto dos professores. Ele iria 
se perguntar o que estava errado. 
Ento pensei em Rachel Elizabeth Dare, e na habilidade especial que ela mostrara 
inverno passado na represa Hoover. Ela tinha sido capaz de ver um grupo de guardas de 
segurana que no eram guardas na verdade, que no eram sequer humanos. Com meu 
corao batendo, eu me levantei e a segui para fora do ginsio. 

*** 

Eu achei Rachel na sala de msica. Ela estava escondida atrs de um tambor na seo de 
percusso. 
Venha aqui! ela disse. Mantenha sua cabea baixa! 
Eu me senti muito bobo me escondendo atrs de um bando de bongs, mas me agachei 
ao lado dela. 
Elas te seguiram? Rachel perguntou. 
Voc quer dizer as lderes de torcida? 
Ela assentiu nervosamente. 
Eu acho que no, falei. O que so elas? O que voc viu? 
Seus olhos verdes brilhavam de medo. Ela tinha um bocado de sardas no rosto, o que 
me lembrava constelaes. Em sua camiseta gren estava escrito DEPARTAMENTO 
DE ARTE DE HARVAD. Voc... voc no iria acreditar em mim. 
Oh, sim, eu iria, prometi. Eu sei que voc pode ver atravs da Nvoa. 
A o qu? 
A Nvoa. ... bem,  como um vu que esconde a forma como as coisas realmente so. 
Alguns mortais nascem com a capacidade de ver atravs dela. Como voc. 
Ela me estudou atentamente. Voc fez isso na represa Hoover. Voc me chamou de 
mortal. Como se voc no fosse. 
Tive vontade de socar um bong. O que eu estava pensando? Eu jamais poderia 
explicar. Eu no deveria sequer tentar. 
Diga-me, ela implorou. Voc sabe o que isso significa. Todas essas coisas horrveis 
que eu vejo? 
Olhe, isso vai parecer estranho. Voc sabe alguma coisa sobre mitos gregos? 
Como... o Minotauro e a Hidra? 
, s tente no dizer esses nomes quando estou por perto, ok? 



E as Frias, ela disse, animando-se. E as sereias, e 
Ok! Eu olhei ao redor da sala de msica, certo de que Rachel ia fazer um bando de 
nojentos sedentos de sangue sarem das paredes; mas ns ainda estvamos sozinhos. 
Abaixo no corredor, eu ouvi uma multido de garotos e garotas saindo do ginsio. Eles 
estavam comeando o tour em grupos. Ns no tnhamos muito tempo para conversar. 
Todos esses monstros, falei, todos os deuses gregoseles so reais. 
Eu sabia! 
Eu teria ficado mais confortvel se ela me chamasse de mentiroso, mas Rachel 
demonstrava que eu s confirmara a sua pior suspeita. 
Voc no sabe o quanto tem sido difcil, ela disse. Durante anos eu pensei que estava 
enlouquecendo. Eu no podia dizer a ningum. Eu no podia Os olhos delas se 
estreitaram. Espere. Quem  voc? Quero dizer realmente? 
Eu no sou um monstro. 
Bem, eu sei disso. Eu poderia ver se voc fosse. Voc parece... voc. Mas voc no  
humano, ? 
Eu engoli em seco. Mesmo tendo trs anos para me habituar a quem eu era, eu nunca 
falara sobre isso com um mortal normal antes  quer dizer, exceto com minha me, 
mas ela j sabia. No sei por qu, mas arrisquei. 
Eu sou um meio-sangue, disse. Sou meio humano. 
E metade o qu? 
Bem a Tammi e Kelli entraram na sala de msica. As portas bateram e fecharam atrs 
delas. 
A est voc, Percy Jackson, Tammi falou.  hora da sua orientao. 


*** 

Elas so horrveis! Rachel arquejou. 
Tammi e Kelli ainda estavam vestindo o traje roxo e branco de lderes de torcida, 
segurando pompons da apresentao. 
Qual a aparncia real delas? perguntei, mas Rachel parecia atordoada demais para 
responder. 
Oh, esquea-a. Tammi me deu um sorriso brilhante e comeou a andar em nossa 
direo. Kelli ficou perto das portas, bloqueando a nossa sada. 
Elas nos cercaram. Eu sabia que ns teramos que lutar para sair, mas o sorriso de 
Tammi era to deslumbrante que me distraa. Seus olhos azuis eram lindos, e a forma 
como seus cabelos caiam sobre seus ombros... 
Percy, Rachel alertou. 
Eu disse algo realmente inteligente como, H? 
Tammi foi chegando mais perto. Ela ergueu seus pompons. 
Percy! A voz de Rachel parecia vir de um lugar distante. Acorde! 
Precisou de toda a minha fora de vontade, mas eu tirei minha caneta de dentro do meu 
bolso e a destampei. Contracorrente cresceu em uma espada de bronze com um metro 
de comprimento, sua lmina brilhando com uma tnue luz dourada. O sorriso de Tammi 
ficou desdenhoso. 
Ah, vamos l, ela protestou. Voc no precisa disso. Que tal um beijo em vez 
disso? 
Ela cheirava a rosas e pelo de animal limpoum cheiro estranho, mas de alguma forma 
intoxicante. 
Rachel beliscou meu brao, com fora. Percy, ela quer morder voc! Olhe para ela! 
Ela est com inveja, Tammi olhou para Kelli. Posso, senhora? 



Kelli ainda estava bloqueando a porta, lambendo seus lbios, faminta. V em frente, 
Tammi. Voc est indo bem. 
Tammi deu outro passo a frente, mas eu nivelei a ponta da minha espada em seu peito. 
Recue. 
Ela rosnou. Calouros, ela disse com nojo. Esta  nossa escola, meio-sangue. Ns nos 
alimentamos de quem ns escolhermos. 
Ento ela comeou a mudar. A cor foi drenada de seu rosto e braos. Sua pele se tornou 
branca como giz, seus olhos completamente vermelhos. Seus dentes cresceram em 
presas. 
Uma vampira! eu gaguejei. Ento notei suas pernas. Por baixo da sua saia de lder de 
torcida, sua perna esquerda era marrom e peluda com um casco de burro. Sua perna 
direita era moldada como uma perna humana, mas era feita de bronze. Hum, uma 
vampira com 
No mencione as pernas! Tammi cortou.  rude fazer piada! 
Ela avanou nas suas estranhas, incompatveis pernas. Ela parecia totalmente bizarra, 
especialmente com os pompons, mas eu no podia rirno encarando aqueles olhos 
vermelhos e presas afiadas. 
Uma vampira, voc disse? Kelli riu. Aquela lenda boba foi baseada em ns, seu 
idiota. Ns somos empousai, servas de Hcate. 
Mmmm. Tammi chegou mais perto de mim. Magia negra nos formou a partir de 
animais, bronze, e fantasma! Ns existimos para nos alimentarmos do sangue de jovens 
homens. Agora venha e me d aquele beijo! 
Ela arreganhou suas presas. Eu estava to paralisado que no pude me mexer, mas 
Rachel jogou um tambor na cabea da empousa. 
O demnio silvou e rebateu o tambor para longe. Ele foi rolando ao longo do corredor 
entre os suportes das partituras, suas molas batendo contra o couro. Rachel jogou um 
xilofone, mas o demnio s o jogou de lado tambm. 
Eu no costumo matar meninas, Tammi rosnou. Mas para voc, mortal, eu farei uma 
exceo. Sua viso  boa demais! 
Ela investiu contra Rachel. 
No! eu cortei com Contracorrente. Tammi tentou se desviar da minha lmina, mas eu 
a fatiei direto atravs do seu uniforme de lder de torcida, e com um grito horrvel ela 
explodiu em poeira sobre Rachel. 
Rachel tossiu. Ela parecia que acabara de ter um saco de farinha despejado sobre cabea 
dela. Que nojo! 
Monstros fazem isso, eu disse. Desculpe. 
Voc matou minha estagiria! Kelli gritou. Voc precisa de uma lio sobre esprito 
escolar, meio-sangue! 
Ento ela tambm comeou a mudar. Seu cabelo crespo se tornou chamas cintilantes. 
Seus olhos se tornaram vermelhos. Suas presas cresceram. Ela se voltou para ns, seu 
p de bronze e sua pata galopando desigualmente no cho da sala da banda. 
Eu sou a empousa mais velha, ela rosnou. Nenhum heri me derrotou em mil anos. 
? eu disse. Ento voc passou da hora! 
Kelli era muito mais rpida que Tammi. Ela se esquivou do meu primeiro golpe e rolou 
para a seo dos metais, derrubando uma fileira de trombones com um tremendo 
estrondo. Rachel saiu do caminho. Eu me coloquei entre ela e a empousa. Kelli nos 
circulou, os olhos dela indo de mim para a espada. 
Uma espada to bonita, ela falou. Que pena que est entre ns. 
Sua forma tremeluziualgumas vezes um demnio, outras uma bonita lder de torcida. 
Eu tentei manter minha mente focada, mas aquilo era realmente uma distrao. 



Pobre querido. Kelli riu. Voc nem sabe o que est acontecendo, sabe? Logo, seu 
lindo acampamentozinho estar em chamas, seus amigos sero escravos do Senhor do 
Tempo, e no h nada que voc possa fazer para impedir. Seria misericordioso terminar 
sua vida agora, antes que voc tenha que ver isso. 
Do corredor, eu ouvi vozes. Um grupo do tour estava se aproximando. Um homem 
estava dizendo alguma coisa sobre combinaes de armrios. 
Os olhos da empousa se iluminaram. Excelente! Estamos prestes a ter companhia! 
Ela pegou uma tuba e jogou em mim. Rachel e eu nos abaixamos. A tuba passou por 
cima de nossas cabeas e quebrou o vidro da janela. 
As vozes no corredor morreram. 
Percy! Kelli gritou, fingindo estar com medo, por que voc jogou aquilo? 
People were tromping down the hall now, coming in our direction. 
Fiquei muito surpreso para responder. Kelli pegou um stand de msica e golpeou uma 
fila de clarinetes e flautas. Cadeiras e instrumentos musicais caram no cho. 
Pare! falei. 
As pessoas estavam correndo pelo corredor agora, vindo em nossa direo. 
Hora de cumprimentar nossos visitantes! Kelli arreganhou suas presas e foi correndo 
para a porta. Eu fui atrs dela com Contracorrente. Eu tinha que impedi-la de machucar 
os mortais. 
Percy, no! Rachel gritou. Mas eu no percebi o que Kelli ia fazer at que fosse tarde 
demais. 
Kelli se arremessou abrindo as portas. Paul Bayck e um bando de calouros deram um 
passo pra trs em choque. Levantei minha espada. 
No ltimo segundo, a empousa se virou para mim como uma pobre vtima. Oh no, por 
favor! ela chorou. Eu no pude parar minha lmina. J estava em movimento. 
Pouco antes do bronze celestial atingi-la, Kelli explodiu em chamas como um coquetel 
molotov. Ondas de fogo espirraram sobre tudo. Eu nunca vira um monstro fazer aquilo 
antes, mas eu no tive tempo de pensar sobre isso. Eu voltei para dentro da sala da 
banda conforme as chamas engoliram a porta. 
Percy? Paul Bayck parecia completamente atordoado, olhando para mim atravs do 
fogo. O que voc fez? 
Garotos gritavam e corriam pelo corredor. O alarme de incndio disparou. Os regadores 
do teto ganharam vida. 
No caos, Rachel puxou a minha manga. Voc tem que sair daqui! 
Ela tinha razo. A escola estava em chamas e eu seria responsabilizado. Mortais no 
podem ver atravs da Nvoa corretamente. Para eles iria parecer que eu acabara de 
atacar uma indefesa lder de torcida na frente de um grupo de testemunhas. De forma 
alguma eu conseguiria explicar isso. Eu me afastei de Paul e corri para a janela 
quebrada da sala de msica. 

*** 

Eu irrompi para fora do beco na 81 leste e dei de cara com Annabeth. 
Ei, voc saiu mais cedo! ela riu, agarrando meus ombros para evitar que eu casse na 
rua. Olhe pra onde voc est indo, Cabea de Alga. 
Por meio segundo ela estava de bom humor e tudo estava bem. Ela estava vestindo 
jeans e uma camiseta laranja do Acampamento e seu colar de contas de argila. Seu 
cabelo loiro estava preso em um rabo de cavalo. Seus olhos cinzas brilhavam. Ela 
parecia que estava pronta para assistir a um filme, ter uma tarde legal saindo juntos. 


Ento Rachel Elizabeth Dare, ainda coberta de poeira de monstro, saiu do beco 
exigindo, gritando, Percy, espere! 
O sorriso de Annabeth derreteu. Ela encarou Rachel, e depois a escola. Pela primeira 
vez, ela pareceu notar a fumaa preta e o toque do alarme de incndio. 
Ela franziu as sobrancelhas para mim. O que voc fez desta vez? E quem  essa? 
Ah, RachelAnnabeth. AnnabethRachel. Hum, ela  uma amiga, eu acho. 
Eu no tinha certeza do que chamar Rachel. Quer dizer, eu mal a conhecia, mas depois 
de estar em duas situaes de vida ou morte juntos, eu no podia simplesmente dizer 
que era ningum. 
Oi, disse Rachel. Ento ela se virou para mim. Voc est muito encrencado. E voc 
ainda me deve uma explicao! 
Sirenes de carros de polcia soaram na FDR Drive. 
Percy, Annabeth disse friamente. Ns devemos ir. 
Eu quero saber mais sobre meio-sangues, Rachel insistiu. E monstros. E esta coisa 
sobre os deuses. Ela agarrou meu brao, tirando depressa um marcador permanente, e 
escreveu um nmero de telefone na minha mo. Voc vai me ligar e explicar, ok? 
Voc me deve isso. Agora v. 
Mas 
Eu vou inventar alguma estria, disse Rachel. Eu vou dizer a eles que no foi sua 
culpa. V! 
Ela correu de volta para a escola, deixando Annabeth e eu na rua. 
Annabeth me encarou por um segundo, ento se virou e correu. 
Ei! Corri atrs dela. Havia essas duas empousai, tentei explicar. Eram lderes de 
torcida, sabe, e elas disseram que o acampamento vai pegar fogo, e 
Voc disse a uma garota mortal sobre meio-sangues? 
Ela pode ver atravs da Nvoa. Ela viu os monstros antes de mim. 


Ento voc lhe disse a verdade? 
Ela me reconheceu da represa Hoover, ento 
Voc j a conhecia? 
Hum, do inverno passado. Mas srio, eu mal a conheo. 
Ela  bonitinha. 
E-eu nunca pensei sobre isso. 
Annabeth continuou andando em direo  York Avenue. 
Eu vou lidar com a escola, prometi ansioso para mudar o assunto. Honestamente, vai 
ficar tudo bem. 
Annabeth nem mesmo olhava pra mim. 
Eu acho que nossa tarde j era. Melhor tirarmos voc daqui, agora que a polcia ir sair 
a sua procura. 
Atrs de ns, a fumaa ondeava da Goode High School. Nas escuras colunas de cinzas, 
eu achei que quase pude ver um rosto um demnio com olhos vermelhos, rindo de 
mim. 
Seu lindo acampamentozinho em chamas, Kelli dissera. Seus amigos transformados em 
escravos do Senhor do Tempo. 


Voc est certa, eu falei para Annabeth, meu corao afundando. Ns temos que ir 
para o Acampamento Meio-Sangue. Agora. 



DOIS 



O MUNDO INFERIOR ME PASSA UM TROTE 

Nada completaria melhor a manh perfeita do que uma longa corrida de txi com uma 
garota irritada. 
Eu tentei falar com Annabeth, mas ela estava agindo como se eu tivesse batido na av 
dela. As nicas coisas que eu consegui descobrir foi que ela teve uma primavera 
infestada de monstros em So Francisco; ela voltara ao acampamento duas vezes desde 

o natal, mas no ia me contar por que (o que meio que me deixou curioso, porque ela 
sequer me dissera que estava em Nova York); e ela no tinha descoberto nada sobre o 
paradeiro de Nico di Angelo (longa histria). 
Alguma notcia de Luke? perguntei. 
Ela balanou a cabea. Eu sabia que era um assunto delicado pra ela. Annabeth sempre 
admirou Luke, o antigo conselheiro do chal de Hermes, que tinha nos trado e se 
juntado ao lorde Tit Cronos. Ela no admitiria isso, mas eu sabia que ela ainda gostava 
dele. Quando ns lutamos contra ele no Monte Tamalpais no ltimo inverno, ele tinha 
sobrevivido de algum jeito a uma queda de cinco metros de um penhasco. Agora, at 
onde eu sabia, ele ainda estava navegando seu barco infestado de monstros, enquanto 
Lorde Cronos estava se recompondo de sua mutilao, pedao por pedao, em um 
sarcfago de ouro, esperando at ter foras para desafiar os deuses olimpianos. No 
vocabulrio semideus ns chamamos isso de problema. 
Monte Tam ainda est lotado de monstros, Annabeth disse. Eu no arrisquei chegar 
muito perto, mas eu acho que Luke no est l. Acho que eu saberia se ele estivesse. 
Isso no fez eu me sentir muito melhor. E Grover? 
Ele est no acampamento, ela disse. Ns o veremos hoje. 
Ele teve alguma sorte? Digo, na busca por Pan? 
Annabeth tocou as contas em seu pescoo, do jeito que ela faz quando est preocupada. 
Voc vai ver, ela falou. Mas no explicou. 
Assim que passamos pelo Brooklin, eu usei o celular de Annabeth para ligar para minha 
me. Meio-sangues tentam no usar celulares se puderem evitar, pois falar ao celular  
como mandar uma mensagem aos monstros: Eu estou aqui! Por favor, me coma agora! 
Mas imaginei que esta ligao era importante. Eu deixei uma mensagem na nossa 
secretria tentando explicar o que tinha acontecido na Goode. Provavelmente eu no fiz 
um bom trabalho. Eu disse a minha me que estava bem, que ela no deveria se 
preocupar, mas que eu ia ficar no acampamento at as coisas se acalmarem. Tambm 
pedi a ela que dizesse ao Paul Bayck que eu sentia muito. 
Ns ficamos em silncio aps aquilo. A cidade passou por ns at que estvamos fora 
da via expressa, indo pelo norte de Long Island, passando por plantaes e vinhedos e 
barracas de frutas. 
Eu olhei para o nmero de celular que Rachel Elizabeth Dare tinha rabiscado na minha 
mo. Eu sabia que era loucura, mas pensei em ligar para ela. Talvez ela pudesse me 
ajudar a entender sobre o que aquela empousa estivera falando  o acampamento 
queimando, meus amigos aprisionados. E por que Kelli explodiu em chamas? 
Eu sabia que monstros nunca morriam de verdade. Eventualmente  talvez em 
semanas, meses ou anos  Kelli se reformaria a partir da fora primordial do Mundo 

Inferior. Mas ainda assim monstros no se deixavam destruir to facilmente. Se  que 
ela realmente fora destruda. 
O taxi saiu na estrada 25 A. Ns passamos pelas florestas ao longo de North Shore at 
que uma cordilheira baixa apareceu  nossa esquerda. Annabeth pediu ao motorista que 
parasse na estrada 3.141, na base da Colina Meio-Sangue. 
O motorista franziu a testa. No tem nada aqui, senhorita. Voc tem certeza que quer 
sair? 
Sim, por favor, Annabeth atirou um rolo de dinheiro mortal, e o taxista decidiu no 
discutir. 
Annabeth e eu subimos at o topo da colina. O jovem drago guardio estava 
cochilando, enrolado em torno do pinheiro, mas ele mexeu sua cabea conforme nos 
aproximvamos e deixou Annabeth acariciar seu queixo. Ele ronronava e dava 
piscadelas prazerosamente. 
Ei, Peleus, Annabeth disse. Mantendo tudo seguro? 
Da ltima vez que eu vira o drago ele estava com dois metros. Agora ele estava com 
pelo menos o dobro disso, e da grossura da prpria rvore. Acima de sua cabea, no 
galho mais baixo do pinheiro, o Velocino de Ouro reluzia, sua mgica protegendo as 
fronteiras do acampamento contra invases. O drago parecia relaxado, como se tudo 
estivesse bem. Abaixo de ns o Acampamento Meio-Sangue parecia pacfico  campos 
verdes, floresta, construes gregas brancas reluzentes. Uma casa de fazenda de quatro 
andares que chamvamos de Casa Grande situada altivamente no centro dos campos de 
morango. Ao norte, depois da praia, o estreito de Long Island brilhava  luz do sol. 
Ainda assim... algo parecia errado. Havia tenso no ar, como se a prpria colina 
estivesse prendendo a respirao, esperando algo ruim acontecer. 
Descemos o vale e encontramos o acampamento de vero em plena atividade. Grande 
parte dos campistas chegara na ltima sexta-feira, ento eu j me sentia deslocado. Os 
stiros estavam tocando suas flautas nos campos de morango, fazendo as plantas 
crescerem com mgica dos bosques. Campistas estavam tendo aulas de montaria, 
passando sobre as rvores em seus pgasos. Fumaa subia das fornalhas, e martelos 
retiniam enquanto garotos faziam suas prprias armas para Artes & Ofcios. 
Os times de Atena e Demeter estavam apostando uma corrida de bigas em torno da 
pista, e no lago de canoagem alguns campistas em um trirreme grego lutavam com uma 
serpente marinha grande e laranja. Um tpico dia no acampamento. 
Preciso falar com Clarisse, Annabeth disse. 
Eu olhei para ela como se ela tivesse acabado de dizer Eu preciso comer uma bota 
grande e fedorenta. 
Pra qu? 
Clarisse, do chal de Ares, era uma das pessoas de quem eu menos gostava. 
Ela era uma miservel e ingrata valentona. Seu pai, o deus da guerra, queria me matar. 
Ela tentava me massacrar regularmente. Fora isso ela era tima. 
Ns estamos trabalhando em algo, Annabeth disse. Vejo voc depois. 
Trabalhando em qu? 
Annabeth se voltou para o bosque. 
Vou falar para Quron que voc est aqui, ela disse. Ele vai querer falar com voc 
antes da audincia. 
Que audincia? 
Mas ela correu pelo caminho em direo ao campo de arco e flecha sem olhar para trs. 
, murmurei. Legal falar com voc tambm. 


*** 


Enquanto eu andava pelo acampamento, cumprimentei alguns amigos. Na estrada para a 
Casa Grande, Connor e Travis Stoll do chal de Hermes estavam fazendo ligao direta 
na caminhonete do acampamento. Silena Beauregard, conselheira do chal de Afrodite, 
acenou para mim de seu pgaso quando voou por mim. Eu procurei por Grover, mas 
no o vi. Finalmente eu chequei a arena de combates, aonde eu geralmente vou quando 
estou de mau humor. Praticar com a espada sempre me acalma. Talvez porque esgrima 
seja uma coisa que eu realmente consiga entender. Eu entrei no anfiteatro e meu corao 
quase parou. No meio da arena, de costas para mim, estava o maior co infernal que eu 
j tinha visto. 
Digo, eu j vi uns ces infernais bem grandes. Um do tamanho de um rinoceronte tentou 
me matar quando eu tinha doze anos. Mas este co era maior que um tanque. Eu no 
fazia ideia de como ele tinha passado pelas fronteiras mgicas do acampamento. Ele 
parecia em casa, deitado de barriga, rosnando contente enquanto mascava a cabea de 
um boneco de treino. Ele no havia me notado ainda, mas se eu fizesse barulho sabia 
que ele me perceberia. No havia tempo para buscar ajuda. Eu destampei 
Contracorrente. 
Yaaaaaah! ataquei. Eu levei a espada para baixo, nas enormes costas do monstro, 
quando, vindo do nada, outra espada bloqueou meu golpe. 


CLANG! 
O co infernal levantou as orelhas. WOOF! 
Eu pulei para trs e instintivamente ataquei o espadachim  um homem grisalho em 
uma armadura grega. Ele desviou meu ataque sem problemas. 
Calma a! ele disse. Trgua! 
WOOF! O latido do co sacudiu a arena. 
Isso  um co infernal! gritei. 
Ela  inofensiva, o homem falou. Esta  a Sra. OLeary. 


Eu pisquei. Sra. OLeary? 
Ao som de seu nome, o co infernal latiu novamente. Eu percebi que ela no estava 
brava. Ela estava excitada. Ela empurrou o encharcado, tremendamente mastigado 
boneco na direo do espadachim. 
Boa garota, o homem disse. Com sua mo livre ele agarrou a o boneco pelo pescoo e 


o atirou na direo das arquibancadas. Pegue o grego! Pegue o grego! 
Sra. OLeary foi atrs de sua presa e atirou-se no boneco, amassando sua armadura. Ela 
comeou a mastigar seu elmo. 
O homem sorriu contidamente. Ele estava com seus cinquenta anos, acho, com seu 
cabelo grisalho curto e barba grisalha feita. Ele estava em boa forma para um cara mais 
velho. Vestia uma cala de caminhada preta e trazia uma armadura de bronze por cima 
da camiseta do acampamento. Na base do seu pescoo estava uma marca estranha, uma 
mancha prpura parecida com uma marca de nascena ou uma tatuagem, mas antes que 
eu pudesse perceber o que era ele levantou as tiras de sua armadura e a marca 
desapareceu sob sua gola. 
Sra. OLeary  meu animal de estimao, ele explicou. Eu no podia deixar voc 
enfiar uma espada na anca dela, podia? Isso poderia t-la assustado. 
Quem  voc? 
Promete no me matar se eu abaixar a minha espada? 
Acho que sim. 
Ele guardou a espada e ergueu a mo. Quintus. 
Eu apertei sua mo. Era spera como uma lixa. 
Percy Jackson, falei. Desculpe por... Como voc, hum... 

Consegui um co infernal como animal de estimao? Longa histria, envolvendo 
muitas quase mortes e alguns brinquedos de morder gigantes. Alis, eu sou o novo 
instrutor de espada. Ajudando Quron enquanto o Sr. D est fora. 
Ah. Tentei no encarar enquanto a Sra. OLeary arrancava o escudo do boneco com o 
brao ainda atado e balanava como um frisbee. Espere, o Sr. D est fora? 
Sim, bem... tempos difceis. At Dioniso deve ajudar. Ele foi visitar alguns velhos 
amigos. Certificar-se de que eles esto do lado certo. Eu provavelmente no devo falar 
mais que isso. 
Se Dioniso estava fora, essa era a melhor notcia que eu tivera o dia todo. Ele s era 
diretor do acampamento porque Zeus o enviara pra c como punio por perseguir uma 
ninfa dos bosques proibida. Ele odiava os campistas e tentava fazer nossas vidas 
infelizes. Com ele fora o vero poderia realmente ser legal. Por outro lado, se Dioniso 
havia mexido seu traseiro e efetivamente comeado a ajudar os deuses recrutando contra 
a ameaa dos Tits, as coisas deviam estar muito ruins. 
Na minha esquerda, houve um alto BUMP. Seis engradados de madeira do tamanho de 
mesas de piquenique estavam empilhados, e eles estavam balanando. Sra. OLeary 
ergueu a cabea e avanou na direo das caixas. 
Calma, garota! Quintus disse. Esses no so pra voc. Ele a distraiu com o escudofrisbee 
de bronze. 
As caixas martelavam e sacudiam. Havia palavras impressas nas laterais, mas com 
minha dislexia eu levei alguns minutos para decifrar: 

RANCHO TRIPLO G 
FRGIL 
ESTE LADO PARA CIMA 


Ao longo da parte de baixo, em letras menores: ABRA COM CUIDADO. O RANCHO 
TRIPLO G NO SE RESPONSABILIZA POR DANOS PATRIMONIAIS, 
MULTILAOES OU MORTES EXCRUCIANTEMENTE DOLOROSAS. 
O que tem nas caixas? perguntei. 
Uma pequena surpresa, Quintus disse. Para o treinamento de amanh a noite. Vocs 
vo adorar. 
Hum, t bom, falei, apesar de no estar certo sobre a parte da morte excruciantemente 
dolorosa. 


Quintus jogou o escudo de bronze, e a Sra. OLeary se moveu pesadamente atrs dele. 
Vocs jovens precisam de mais desafios. No existiam acampamentos como este 
quando eu era um garoto. 
Voc... voc  um meio-sangue? No tive a inteno de parecer surpreso, mas eu 
nunca vira um semideus velho antes. 
Quintus riu baixo. Alguns de ns chegam  idade adulta, sabe. Nem todos ns somos 
objeto de terrveis profecias. 
Voc sabe sobre a minha profecia? 
Eu ouvi algumas coisas. 
Eu quis perguntar quais coisas, mas bem a Quron cavalgou pela arena. Percy, a est 
voc! 
Ele devia ter vindo da aula de arco e flecha. Ele tinha um arco e uma aljava sobre sua 
camiseta CENTAURO n1. Ele tinha cortado o cabelo e feito a barba para o vero, e 
sua metade inferior, que era um garanho branco, estava respingada com lama e grama. 



Vejo que voc conheceu nosso novo instrutor. O tom de Quron era leve, mas havia 
uma expresso inquietante em seus olhos. Quintus, voc se importa se eu pegar Percy 
emprestado? 
Nem um pouco, Mestre Quron. 
No h necessidade de me chamar de Mestre, Quron disse, apesar de ter soado 
lisonjeado. Venha Percy. Temos muito a discutir. 
Eu dei mais uma olhada na Sra. OLeary, que agora estava mastigando as pernas do 
boneco. 
Bem, at mais, falei para Quintus. Enquanto andvamos sussurrei para Quron, 
Quintus parece meio... 
Misterioso? Quron sugeriu. Difcil de ler? 
. 
Quron assentiu Um meio-sangue muito qualificado. timo espadachim, eu s 
desejaria entender... 
O que fosse que ele ia dizer, ele aparentemente mudou de ideia. Prioridades primeiro, 
Percy. Annabeth me disse que voc encontrou algumas empousai. 
. Eu contei sobre a luta na Goode, e como Kelli explodiu em chamas. 
Hum, Quron disse. Os mais poderosos podem fazer isso. Ela no morreu, Percy. Ela 
simplesmente escapou. No  bom que demnios estejam se agitando. 
O que elas estavam fazendo l? perguntei. Esperando por mim? 
Possivelmente. Quron franziu as sobrancelhas.  surpreendente que voc tenha 
sobrevivido. Os poderes delas para enganar... quase qualquer heri homem teria cado 
diante do feitio e sido devorado. 
Eu teria sido, admiti. Se no fosse por Rachel. 
Quiron assentiu. Irnico ser salvo por uma mortal, contudo estamos em dbito com ela. 
O que a empousa disse sobre um ataque ao acampamento... devemos falar mais sobre 
isso. Mas agora venha, devemos ir para a floresta. Grover vai querer voc l. 
Onde? 
Na audincia formal dele, Quron disse sombriamente. O Conselho dos Ancies de 
Casco Fendido est se reunindo para decidir o destino dele. 


*** 

Quron disse que precisvamos nos apressar, ento eu o deixei me dar uma carona em 
suas costas. Conforme passvamos pelos chals, eu dei uma olhada no refeitrio  um 
pavilho grego sem teto em uma colina com vista para o mar. Era a primeira vez que via 

o lugar desde o ltimo vero, e isso me trouxe memrias ruins. 
Quron precipitou-se para dentro da floresta. Ninfas espiaram para fora de suas rvores 
para nos ver passar. Grandes formas farfalharam nas sombras  monstros que 
estocvamos aqui como um desafio para os campistas. 
Eu achava que conhecia os bosques muito bem depois de jogar capture a bandeira aqui 
por dois veres, mas Quron pegou um caminho que eu no reconheci, atravs de um 
tnel de velhos salgueiros, por uma pequena queda dgua e para dentro de uma clareira 
coberta com flores selvagens. 
Um bando de stiros estava sentado em crculo na grama. Grover estava de p no meio, 
de frente para trs velhos, realmente gordos, stiros sentados em tronos topirios no 
formato de ramos de rosas. Eu nunca vira os trs velhos stiros antes, mas imaginei que 
eles deviam ser o Conselho dos Ancies de Casco Fendido. 
Grover parecia estar contando a eles uma histria. Ele torcia a barra da camiseta, 
deslocando seu peso nervosamente de um casco de bode para outro. Ele no tinha 

mudado muito desde o ltimo inverno, talvez porque stiros envelhecem na metade do 
tempo dos humanos. Sua acne reaparecera. Seus chifres tinham crescido um pouco de 
forma que apareciam entre seu cabelo cacheado. Percebi com um clique que agora eu 
era mais alto do que ele. 
Sentadas de um lado do crculo estavam Annabeth, outra garota que eu nunca vira antes, 
e Clarisse. Quron me deixou perto delas. 
O cabelo castanho pegajoso de Clarisse estava preso por uma bandana camuflada. Se 
possvel, ela parecia ainda maior, como se estivesse malhando. Ela olhou pra mim e 
murmurou, Moleque, o que deveria significar que ela estava de bom humor. 
Geralmente ela diz oi tentando me matar. 
Annabeth tinha um brao em volta da outra garota, que parecia ter estado chorando. Ela 
era pequena  delicada, acho que voc poderia chamar assim  com cabelo fino cor 
de mbar e uma face bonita, lfica. Ela vestia uma tnica verde e sandlias de tira, e 
estava secando seus olhos com um leno. Est indo terrivelmente, ela choramingou 
No, no, Annabeth afagou seus ombros. Ele vai ficar bem, Juniper. Annabeth 
olhou pra mim e moveu seus lbios formando as palavras namorada do Grover. 
Pelo menos acho que foi isso que ela disse, mas aquilo no fazia o menor sentido. 
Grover com uma namorada? Ento eu olhei para Juniper com mais ateno, e percebi 
que suas orelhas eram levemente pontudas. Seus olhos, ao invs de estarem vermelhos 
por chorar, estavam tingidos de verde, da cor de clorofila. Ela era uma ninfa do bosque 

 uma drade. 
Senhor Underwood! o membro do conselho  direita gritou, interrompendo o que 
Grover estava tentando dizer. O senhor espera seriamente que acreditemos nisso? 
M-mas Silenus, Grover gaguejou.  a verdade! 
O cara do Conselho, Silenus, virou para seus colegas e resmungou algo. Quron trotou 
at a frente e ficou em p prximo a eles. Lembrei que ele era um membro honorrio do 
conselho, mas nunca tinha pensado muito nisso. Os ancies no eram muito 
impressionantes. Eles me lembravam bodes de zoolgico  barrigas grandes, 
expresses sonolentas e olhos vidrados que no conseguiam ver alm de um punhado de 
rao para bode. Eu no sabia porque Grover estava to nervoso. 
Silenus puxou sua camisa plo amarela por cima da barriga e se ajustou em seu trono de 
roseira. Senhor Underwood, por seis mesesseis mesesestivemos ouvindo esses 
boatos escandalosos sobre voc ter ouvido o deus da natureza Pan falar. 
Mas eu ouvi. 
Mentiras! disse o ancio da esquerda. 
Agora, Maron, Quron disse. Pacincia. 
Pacincia, realmente! Maron falou. Eu estou com essa tolice at os chifres. Como se 
o deus da natureza fosse falar com... com ele. 
Juniper parecia querer socar o velho stiro, mas Annabeth e Clarisse a seguraram. 
Briga errada, mocinha, Clarisse murmurou. Espere. 
Eu no sabia o que me surpreendia mais: Clarisse evitando que algum brigasse, ou o 
fato que ela e Annabeth, que se odiavam, quase pareciam estar trabalhando juntas. 
Por seis meses, Silenus continuou, temos sido indulgentes, Senhor Underwood. 
Deixamos voc viajar. Permitimos que voc mantivesse sua licena de buscador. 
Esperamos voc trazer provas das suas ridculas alegaes. E o que voc achou em seis 
meses de busca? 
Eu s preciso de mais tempo, Grover pediu. 
Nada! o ancio no trono do meio replicou. Voc no achou nada. 
Mas, Leneus... 

Silenus levantou sua mo. Quron se inclinou e disse algo aos stiros. Os stiros no 
pareciam felizes. Eles resmungaram e discutiram entre eles, mas Quron disse mais 
alguma coisa, e Silenus suspirou. Ele assentiu relutantemente. 
Senhor Underwood, Silenus anunciou, ns lhe daremos mais uma chance. 
Grover se alegrou. Muito obrigado! 
Mais uma semana. 
O qu? Mas, senhor! Isso  impossvel! 
Mais uma semana, Senhor Underwood. E ento, se voc no conseguir provar suas 
alegaes, ser tempo de escolher outra carreira. Algo que se adapte aos seus talentos 
dramticos. Teatro de fantoches, talvez. Ou sapateado. 
Mas senhor, eu... eu no posso perder minha licena de buscador. Minha vida 
inteira... 
Esta reunio do Conselho est encerrada, Silenus disse. E agora nos deixe aproveitar 
nossa refeio do meio-dia! 
Os ancies bateram palmas, e vrias ninfas saram de suas rvores com travessas de 
vegetais, frutas, latas de alumnio, e outras delcias de bode. Os stiros saram do circulo 
e avanaram na comida. Grover se dirigiu desanimado at ns. Sua camiseta azul claro 
tinha um desenho de um stiro nela e escrito TEM CASCOS? 
Oi, Percy, ele disse, to deprimido que nem sequer se ofereceu para apertar minha 
mo. Correu tudo bem, hein? 
Esses bodes velhos! Juniper disse. Ah, Grover, eles no sabem o quanto voc 
tentou! 
Existe outra opo. Clarisse disse sombriamente. 
No, no! Juniper balanou a cabea. Grover, eu no vou deixar. 
Seu rosto estava plido. Eu... eu pensei sobre isso. Mas ns sequer sabemos aonde 
procurar. 
Do que vocs esto falando? perguntei. 
Ao longe, uma trombeta de concha soou. 
Annabeth franziu os lbios. Eu vou te explicar mais tarde, Percy. Melhor voltarmos 
aos chals. A inspeo est comeando. 


*** 

No parecia justo que eu tivesse inspeo de chal quando tinha acabado de chegar ao 
acampamento, mas era assim que funcionava. Toda tarde um dos conselheiros passava 
com um pergaminho com uma lista de checagem. O melhor chal ficava com o primeiro 
horrio de banho, o que significava gua quente garantida. O pior fazia trabalhos na 
cozinha aps o jantar. 
O meu problema: geralmente eu era o nico no chal de Poseidon, e eu no era 
exatamente o que se pode chamar de organizado. As harpias da limpeza s vinham no 
ltimo dia do vero, ento meu chal deveria estar como eu tinha deixado no inverno: os 
papis de doces e salgadinhos ainda no meu beliche, minha armadura do capture a 
bandeira jogada aos pedaos por todo o chal. 
Eu corri na direo da rea comum, onde os doze chals  um para cada deus 
olimpiano  formavam um U ao redor do gramado central. Os filhos de Demeter 
estavam varrendo o deles e fazendo flores crescerem nos vasos das janelas. S de estalar 
os dedos eles podiam fazer crescer madressilva em cima da porta e margaridas cobrirem 

o teto, o que era totalmente injusto. Eu no acho que eles alguma vez pegaram o ltimo 
lugar na inspeo. Os filhos de Hermes estavam correndo em pnico, escondendo roupa 

suja embaixo dos beliches e acusando um ao outro de roubo. Eles eram desajeitados, 
mas ainda tinham vantagem sobre mim. 
No chal de Afrodite, Silena Beauregard estava justamente saindo, checando itens no 
pergaminho de inspeo. Murmurei uma praga. Silena era legal, mas ela era manaca 
por limpeza, a pior inspetora. Ela gostava que as coisas fossem bonitas. Eu no fazia 
bonito. Eu quase podia sentir meus braos ficando pesados de tantos pratos que eu 
teria que lavar esta noite. 
O chal de Poseidon estava no final do lado masculino dos chals no lado direito do 
gramado. Era feito de pedras marinhas cinzas com conchas incrustadas, longo e baixo 
como um paiol, mas tinha janelas viradas para o mar, e sempre tinha uma boa brisa 
passando por elas. 
Eu voei para dentro, imaginando se poderia fazer um rpido trabalho de limpeza 
embaixo-da-cama como os caras de Hermes, ento eu vi meu meio-irmo Tyson 
varrendo o cho. 
Percy! ele gritou. Ele soltou a vassoura e correu at mim. Se voc nunca foi abraado 
por um ciclope entusiasmado vestido com um avental florido e luvas de borracha, eu te 
digo, vai te acordar rapidinho. 
Ei, Grando! eu disse. Opa, cuidado com as costelas. As costelas! 
Eu consegui sobreviver ao seu abrao se urso. Ele me colocou no cho, sorrindo 
loucamente, seu nico olho castanho cheio de excitao. Seus dentes estavam amarelos 
e tortos como sempre, e seu cabelo era um ninho de rato. Ele vestia jeans tamanho 
XXXL esfarrapado, e uma camisa de flanela rasgada por baixo do avental, mas ele 
ainda era um colrio para os olhos. Eu no o via por quase um ano, desde que ele foi 
trabalhar nas forjas dos Ciclopes no mar. 
Voc est bem? ele perguntou. No foi comido por monstros? 
Nem mesmo um pedacinho. Mostrei que ainda tinha dois braos e ambas as pernas, e 
Tyson aplaudiu feliz. 
Legal! ele disse. Agora podemos comer sanduches de manteiga de amendoim e 
montar peixes-pneis! Podemos lutar com monstros e ver Annabeth fazer coisas irem 
BOOM! 
Eu esperava que ele no quisesse dizer tudo ao mesmo tempo, mas eu disse a ele que 
absolutamente, ns teramos muita diverso neste vero. Eu no pude evitar sorrir, ele 
estava to animado com tudo. 
Mas primeiro, falei, temos que nos preocupar com a inspeo. Ns devemos... 
Ento eu olhei em volta e vi que Tyson tinha estado ocupado. O cho estava varrido. As 
camas dos beliches feitas. A fonte de gua salgada havia sido limpa de forma que o 
coral brilhava. Nos parapeitos das janelas, Tyson colocara vasos cheios de gua com 
anmonas do mar e estranhas plantas do fundo do mar que brilhavam, mais bonitas que 
qualquer buqu de flores que o chal de Demeter poderia fazer. 
Tyson, o chal est... timo! 
Ele sorriu. Voc viu os peixes-pneis? Eu os coloquei no teto! 
Um bando de miniaturas de cavalos-marinhos de bronze estava pendurado no teto, de 
forma que parecia que nadavam no ar. Eu no podia acreditar que Tyson, com suas 
mos enormes, pudesse fazer coisas to delicadas. Ento eu olhei para o meu beliche, e 
vi meu antigo escudo pendurado na parede. 
Voc consertou! 
O escudo tinha sido seriamente danificado no ltimo inverno em um ataque de 
mantcora. Mas agora estava perfeito novamente  sem um arranho. Todas as figuras 
de bronze, minhas aventuras com Tyson e Annabeth no Mar de Monstros estavam 
polidas e brilhando. 


Eu olhei para Tyson. No sabia como agradec-lo. 
Ento algum atrs de mim disse, Minha nossa. 
Silena Beauregard estava parada na porta com seu pergaminho de inspeo. Ela 
entrou no chal, deu uma volta rpida, ento ergueu as sobrancelhas para mim. 
Bem, eu tive minhas dvidas. Mas voc limpou tudo satisfatoriamente, Percy. Eu me 
lembrarei disso. Ela piscou pra mim e saiu. 
Tyson e eu passamos a tarde colocando o papo em dia, o que foi bom depois de uma 
manh sendo atacado por lderes de torcida demonacas. 
Ns fomos at a forja e ajudamos Beckendorf, do chal de Hefesto, no trabalho com 
metais. Tyson nos mostrou como ele aprendeu a confeccionar armas mgicas. Ele fez 
um machado de batalha de lmina dupla brilhante to rpido que at Beckendorf ficou 
impressionado. 
Enquanto trabalhava, Tyson nos contou sobre seu ano debaixo dgua. Seu olho se 
iluminou quando ele descreveu as forjas dos Ciclopes e o palcio de Poseidon, mas ele 
tambm nos contou o quo tensas as coisas estavam. Os antigos deuses do mar, os que 
comandavam durante a era dos Tits, estavam comeando uma guerra contra nosso pai. 
Quando Tyson partiu, batalhas aconteciam por todo o Atlntico. Ouvir isso me deixou 
ansioso, como se eu devesse estar ajudando, mas Tyson me assegurou que papai queria 
ns dois no acampamento. 
Muitas pessoas ms acima do mar tambm, Tyson disse. Podemos fazer elas irem 
BOOM! 
Depois das forjas, ficamos um tempo no lago de canoagem com Annabeth. Ela estava 
realmente feliz por ver Tyson, mas eu sabia que ela estava distrada. Ela no parava de 
olhar para a floresta, como se estivesse pensando no problema de Grover com o 
Conselho. Eu no podia culp-la. Grover no estava a vista, e eu me sentia realmente 
mal por ele. Achar o deus perdido Pan era seu objetivo na vida. 
Seu pai e seu tio desapareceram seguindo o mesmo sonho. No ltimo inverno, Grover 
ouvira uma voz em sua mente: Espero por voc  uma voz que ele tinha certeza 
pertencer a Pan  mas aparentemente sua busca levara a lugar nenhum. Se o conselho 
revogasse sua licena de buscador agora, ele ficaria arrasado. 
Qual  a outra opo? perguntei para Annabeth. A que Clarisse mencionou? 
Ela pegou uma pedra e arremessou no lago. Algo que Clarisse descobriu. Eu a ajudei 
um pouco durante esta primavera. Mas seria perigoso. Especialmente para Grover. 
O menino-bode me assusta, Tyson murmurou. Eu o encarei. Tyson tinha enfrentado 
touros flamejantes e monstros marinhos e canibais gigantes. Por que voc ficaria 
assustado com Grover? 
Cascos e chifres, Tyson balbuciou nervosamente. E pelo de bode faz meu nariz 
coar. 
E isso acabou encerrando nossa conversa sobre Grover. 

*** 

Antes do jantar, Tyson e eu fomos at a arena de esgrima. Quintus estava feliz em ter 
companhia. Ele ainda no me contou o que estava nas caixas, mas me ensinou alguns 
movimentos com a espada. O cara era bom. Ele lutava como algumas pessoas jogam 
xadrez  como se ele colocasse todos os movimentos juntos e voc no conseguia ver 

o padro at que ele desse o golpe final e ganhasse com a espada na sua garganta. 
Boa tentativa, ele me disse. Mas sua guarda est muito baixa. 
Ele investiu e eu bloqueei. 
Voc sempre foi um espadachim? perguntei. 

Ele desviou meu ataque pelo alto. Eu j fui muitas coisas. 
Ele golpeou e eu esquivei para o lado. A ala da sua armadura escorregou, e eu vi 
aquela marca em seu pescoo  a mancha roxa. Mas no era uma marca comum. Tinha 
uma forma definida  um pssaro com as asas dobradas, como uma codorna ou algo do 
tipo. 
O que  isso no seu pescoo? perguntei, o que provavelmente era uma pergunta rude, 
mas voc pode culpar minha SDAH. Eu tendo a despejar as coisas. 
Quintus perdeu o ritmo. Eu bati no cabo da sua espada e derrubei a lmina da mo dele. 
Ele esfregou os dedos. Ento arrumou a armadura para cobrir a marca. No era uma 
tatuagem, percebi. Era uma velha queimadura... como se ele tivesse sido marcado. 
Um lembrete. Ele pegou sua espada e forou um sorriso. Agora, vamos de novo? 
Ele me pressionou pra valer, no dando chance para mais perguntas. Enquanto 
lutvamos Tyson brincava com a Sra. OLeary, a qual ele chamou de pequena tot. 
Eles se divertiram lutando pelo escudo de bronze e brincando de Pegue o Grego. Ao pr 
do sol, Quintus no tinha uma gota de suor, o que parecia estranho; mas eu e Tyson 
estvamos quentes e fedendo, portanto fomos para o banho e nos preparamos para o 
jantar. 
Eu estava me sentindo bem. Era quase um dia normal no acampamento. Ento o jantar 
chegou, e todos os campistas se alinharam por chals e marcharam para o refeitrio. A 
maioria ignorou a fissura selada no cho de mrmore na entrada  uma cicatriz 
denteada de trs metros que no estava l no ltimo vero  mas eu fui cuidadoso ao 
passar por cima dela. 
Fenda grande, Tyson disse quando estvamos na nossa mesa Terremoto, talvez? 
No, eu disse. No foi um terremoto. 
Eu no estava certo se devia contar a ele. Era um segredo que s Grover, Annabeth e eu 
sabamos. Mas olhei para o grande olho de Tyson, eu sabia que no poderia esconder 
isso dele. 
Nico di Angelo, falei, abaixando a voz. Ele  um meio-sangue que trouxemos para o 
acampamento no ltimo vero. Ele, hum... ele me pediu para proteger sua irm em uma 
misso, e eu falhei. Ela morreu. Agora ele me culpa. 
Tyson franziu a testa. Ento ele fez uma fenda no cho? 
Esses esqueletos nos atacaram, eu disse. Nico disse a eles para irem embora, e o 
cho simplesmente se abriu e os engoliu. Nico... olhei em volta para ter certeza que 
ningum estava ouvindo. Nico  um filho de Hades. 
Tyson assentiu pensativamente. O deus do pessoal morto. 
. 
Ento esse garoto Nico se foi agora? 
Eu-eu acho. Eu procurei por ele na primavera. Annabeth tambm. Mas no tivemos 
sorte. Isso  segredo, Tyson. Ok? Se algum descobrir que ele  filho de Hades, ele 
ficar em perigo. Voc no pode contar nem para Quron. 
A profecia ruim, Tyson falou. Tits tentariam us-lo se soubessem. 
Eu o encarei. s vezes era fcil esquecer que apesar de ser grande e infantil, Tyson era 
bem esperto. Ele sabia que a prxima criana dos Trs Grandes deuses  Zeus, 
Poseidon e Hades  que chegasse aos dezesseis anos estava profetizada a salvar ou 
destruir o Monte Olimpo. A maioria assumia que era eu, mas se eu morresse antes dos 
dezesseis anos, ela poderia facilmente se aplicar a Nico. 
Exato, eu disse. Ento... 
Boca selada, Tyson prometeu. Como a fenda no cho. 


*** 


Tive problemas para dormir naquela noite. Deitei na cama ouvindo as ondas na praia, e 
as corujas e monstros no bosque. Estava com medo de ter pesadelos quando casse no 
sono. 
Veja bem, para meio-sangues, sonhos dificilmente so s sonhos. Recebemos 
mensagens. Vislumbramos coisas que esto acontecendo com nossos amigos ou 
inimigos. Algumas vezes vislumbramos at o passado ou o futuro. E no acampamento 
meus sonhos eram sempre mais frequentes e vvidos. 
Ento eu ainda estava acordado por volta da meia noite, olhando para o colcho do 
beliche acima de mim, quando percebi que havia uma luz estranha no quarto. A fonte de 
gua salgada estava brilhando. 
Eu atirei as cobertas e andei receosamente at a fonte. Vapor emergia da gua quente e 
salgada. Cores de arco-ris tremeluziam atravs do vapor, apesar de no haver nenhuma 
luz no quarto exceto pela lua l fora. Ento uma agradvel voz feminina falou do vapor: 

Por favor deposite um dracma. 

Olhei para Tyson, mas ele ainda estava roncando. Ele dormia to pesadamente quanto 
um elefante tranquilizado. 
Eu no sabia o que pensar. Eu nunca recebera uma mensagem de ris a cobrar antes. Um 
dracma dourado brilhou no fundo da fonte. Eu o peguei e joguei na nvoa. A moeda 
desapareceu. 
, ris, Deusa do arco-ris, sussurrei. Mostre-me... hum, o que for que voc precise 
me mostrar. 
A nvoa tremulou. Eu vi a negra margem de um rio. Tufos de neblina flutuavam pela 
gua escura. A costa cheia de pedras vulcnicas irregulares. Um jovem garoto se 
agachava no banco de areia, tratando uma fogueira. As chamas queimavam em uma cor 
azul no natural. Ento eu vi o rosto do garoto. Era Nico di Angelo. Ele jogava pedaos 
de papel no fogo  cartas de troca de Mythomagic, parte do jogo pelo qual ele tinha 
sido obcecado no inverno passado. 
Nico tinha apenas dez anos, talvez onze agora, mas ele parecia mais velho. Seu cabelo 
estava mais comprido. Estava desgrenhado e quase tocava seus ombros. Seus olhos 
estavam negros. Sua pele azeitonada havia se tornado mais plida. Ele vestia jeans preto 
rasgado e uma jaqueta de aviador, que era vrios nmeros maior, aberta sobre uma 
camiseta preta. Seu rosto estava sujo, seus olhos um pouco selvagens. Ele parecia um 
garoto que vivera nas ruas. 
Esperei que ele olhasse para mim. Sem dvida ele ficaria maluco de raiva, comearia a 
me acusar de ter deixado sua irm morrer. Mas ele no pareceu me notar. 
Fiquei quieto, sem atrever a me mexer. Se ele no enviara a mensagem de ris, ento 
quem? 
Nico jogou outra carta nas chamas azuis. Intil, ele resmungou. No posso acreditar 
que j gostei disso. 
Um jogo infantil, mestre, outra voz concordou. Parecia vir de perto do fogo, mas eu 
no podia ver quem estava falando. 
Nico olhou para o rio. Na margem mais distante havia uma praia de areia negra envolta 
em nevoeiro. Eu reconheci: o Mundo Inferior. Nico estava acampando na margem do 
Rio Styx. 
Eu falhei, Nico balbuciou. No h como traz-la de volta. 
A outra voz continuou em silncio. 
Nico virou com uma expresso duvidosa, H? Diga. 
Algo reluziu. Achei que fosse s o fogo. Ento percebi que tinha a forma de um homem 

 um punhado de fumaa azul, uma sombra. Se voc olhasse diretamente, ele no 

estava l. Mas se olhasse pelo canto do olho, poderia perceber seu formato. Um 
fantasma. 
Nunca foi feito, o fantasma disse. Mas talvez haja um jeito. 
Conte-me, Nico comandou. Seus olhos brilharam com uma luz ardente. 
Uma troca, o fantasma falou. Uma alma por outra. 
Eu ofereci! 
No a sua, o fantasma falou. Voc no pode oferecer a seu pai uma alma que 
eventualmente ele vai coletar de qualquer jeito. Nem ele estar ansioso pela morte de 
seu filho. Eu quero dizer uma alma que j deveria ter morrido. Algum que enganou a 
morte. 
O rosto de Nico se tornou sombrio. De novo no. Voc est falando em assassinato. 
Estou falando de justia, o fantasma disse. Vingana. 
Estes no so a mesma coisa. 
O fantasma riu secamente. Voc aprender diferente quando ficar mais velho. 
Nico fixou-se no fogo. Por que eu no posso ao menos convoc-la? Quero falar com 
ela. Ela... ela me ajudaria. 
Eu te ajudarei, o fantasma prometeu. Eu no te salvei tantas vezes? No te guiei pelo 
labirinto e te ensinei como usar seus poderes? Voc quer desforra por sua irm ou no? 
Eu no gostei do tom de voz do fantasma. Ele me lembrou de uma criana da minha 
antiga escola, um valento que costumava convencer outras crianas a fazer coisas 
estpidas, como roubar material de laboratrio e vandalizar o carro dos professores. O 
valento nunca teve problemas, mas colocou muitos garotos de suspenso. 
Nico se virou para o fogo de forma que o fantasma no pudesse v-lo, mas eu podia. 
Uma lgrima desceu pelo seu rosto. Muito bem. Voc tem um plano? 
Ah sim, o fantasma disse, soando muito satisfeito. Temos muitas estradas escuras 
para percorrer. Devemos comear... 
A imagem tremeluziu. Nico desapareceu. A voz feminina do vapor disse, Favor 
depositar um dracma para mais cinco minutos. 


No havia outra moeda na fonte. Eu apalpei meus bolsos, mas estava usando pijamas. 
Fui para a cabeceira para checar por trocados, mas a mensagem de ris j havia piscado, 
e o quarto ficou escuro novamente. A conexo tinha terminado. 
Fiquei parado no meio do chal, ouvindo o gorgolejar da gua na fonte salgada e as 
ondas do mar l fora. 
Nico estava vivo. Ele estava tentando trazer sua irm de volta dos mortos. E eu tinha a 
sensao de que sabia que alma ele queria para a troca  algum que tinha enganado a 
morte. Vingana. 
Nico di Angelo estava vindo atrs de mim. 




TRS 



BRINCAMOS DE PEGA-PEGA COM ESCORPIES 


Na manh seguinte, havia muita agitao no caf da manh. 
Aparentemente por volta das trs horas da manh um drakon etope fora visto nas 
fronteiras do acampamento. Eu estava to exausto que dormi mesmo com o barulho. As 
fronteiras mgicas mantiveram o monstro fora, mas ele rodeou as colinas,  procura de 
pontos fracos em nossas defesas, e no parecia ansioso para ir embora at que Lee 
Fletcher do chal de Apolo liderou alguns de seus irmos na perseguio. Depois de 
algumas dezenas de flechas enfiadas nas aberturas da couraa do drakon, ele captou a 
mensagem e se retirou. 
Ele ainda est l fora, Lee nos alertou durante os anncios. Vinte flechas em seu 
couro, e ns apenas o deixamos furioso. A coisa tinha mais de nove metros de 
comprimento e era verde brilhante. Seus olhos... ele estremeceu. 
Voc fez bem, Lee, Quron deu uma palmada em seu ombro. Todos fiquem em 
alerta, mas calmos. Isso j aconteceu antes. 
Sim, Quintus disse da ponta da mesa. E vai acontecer novamente. Com mais e mais 
frequncia. 
Os campistas murmuraram entre si. 
Todos sabiam dos rumores: Luke e seu exrcito de monstros estavam planejando uma 
invaso ao acampamento. A maioria de ns esperava que isso acontecesse neste vero, 
mas ningum sabia como ou quando. No ajudava em nada nossa frequncia estar 
baixa. Ns s tnhamos cerca de oitenta campistas. Trs anos atrs, quando eu comecei, 
havia bem mais de uma centena. Alguns morreram. Outros se juntaram a Luke. E alguns 
simplesmente desapareceram. 
Esse  um bom motivo para novos jogos de guerra, Quintus continuou, um brilho em 
seus olhos. Ns veremos como vocs se sairo hoje  noite. 
Sim... Quron disse. Bem, chega de anncios. Vamos abenoar essa refeio e 
comer. Ele ergueu sua taa. Aos deuses. 
Ns todos erguemos nossos copos e repetimos a beno. 
Tyson e eu levamos nossos pratos at o braseiro de bronze e raspamos uma poro de 
nossa comida para as chamas. Eu espero que os deuses gostem de torradas com passas e 
Froot Loops. 
Poseidon, eu disse. Ento murmurei, Me ajude com Nico, e Luke, e com o problema 
de Grover... 
Havia tanto com o que se preocupar que eu podia ter ficado l a manh toda, mas voltei 
para a mesa. 
Uma vez que todos estavam comendo, Quron e Grover vieram me visitar. Grover 
estava com os olhos turvos. Sua camisa estava do avesso. Ele deslizou seu prato para a 
mesa e afundou prximo a mim. 
Tyson se moveu desconfortavelmente. Eu vou... hum... polir meus peixes-pnei. Ele 
saiu desajeitadamente, deixando seu caf da manh pela metade. 
Quron tentou dar um sorriso. Ele provavelmente quis parecer tranquilizador, mas na 
sua forma de centauro ele se elevou sobre mim, lanando uma sombra sobre a mesa. 
Bem, Percy, como voc dormiu? 


H, bem. Eu imaginei por que ele perguntou isso. Seria possvel que ele soubesse algo 
sobre a estranha mensagem de ris que eu recebera? 
Eu trouxe Grover, Quron disse, porque pensei que vocs dois poderiam querer, ah, 
discutir assuntos. Agora se me derem licena, eu tenho algumas mensagens de ris para 
enviar. Verei vocs mais tarde. Ele deu um olhar significativo para Grover, e trotou 
para fora do pavilho. 
Sobre o que ele estava falando? perguntei a Grover. 
Grover mastigou seus ovos. Eu poderia dizer que ele estava distrado, porque ele 
mordeu os dentes do seu garfo e o mastigou tambm. Ele quer que voc me convena, 
ele resmungou. 
Algum mais deslizou para perto de mim no banco: Annabeth. 
Eu vou dizer sobre o que , disse ela. O Labirinto. 
Era difcil me concentrar no que ela estava dizendo, porque todo mundo no pavilho 
refeitrio estava nos olhando e sussurrando. E Annabeth estava bem ao meu lado. E eu 
quero dizer bem ao meu lado. 
Voc no deveria estar aqui, falei. 
Ns precisamos conversar, ela insistiu. 
Mas as regras... 
Ela sabia muito bem que os campistas no estavam autorizados a mudar de mesa. 
Stiros eram diferentes. Eles no eram realmente semideuses. Mas os meio-sangues 
tinham que se sentar  mesa de seus chals. Eu sequer sabia qual era a punio por 
trocar de mesas. Eu nunca vira isso acontecer. Se o Sr. D estivesse aqui, ele 
provavelmente j teria estrangulado Annabeth com videiras mgicas ou algo assim, mas 
Sr. D no estava aqui. Quron j havia deixado o pavilho. Quintus nos olhou e ergueu 
uma sobrancelha, mas no disse nada. 
Olha, disse Annabeth, Grover est com problemas. H apenas uma maneira que 
conseguimos pensar para ajud-lo.  o Labirinto. Isso  o que eu e Clarisse temos 
investigado. 
Eu mudei meu apoio, tentando pensar claramente. Voc quer dizer o labirinto onde 
mantinham o Minotauro, nos velhos tempos? 
Exatamente, disse Annabeth. 
Ento... ele no est mais debaixo do palcio do rei de Creta, eu supus. O Labirinto 
est debaixo de algum prdio na Amrica. 
Viu? S me levou alguns anos para perceber as coisas. Eu sabia que locais importantes 
se mudavam com a Civilizao Ocidental, como o Monte Olimpo estar sobre o Empire 
State, e a entrada do Mundo Inferior estar em Los Angeles. Eu estava me sentindo bem 
orgulhoso de mim mesmo. 
Annabeth rolou os olhos. Debaixo de um prdio? Por favor, Percy. O Labirinto  
enorme. No iria caber debaixo de uma nica cidade, muito menos de um nico prdio. 
Eu pensei sobre meu sonho de Nico no rio Styx. Ento... o labirinto faz parte do 
Mundo Inferior? 
No. Annabeth franziu a testa. Bem, pode haver passagens do labirinto para dentro 
do Mundo Inferior. No tenho certeza. Mas o Mundo Inferior  muito, muito para baixo. 
O labirinto est logo sob a superfcie do mundo mortal, como se fosse uma segunda 
pele. Ele tem crescido por milhares de anos, atando sua forma debaixo das cidades 
ocidentais, conectando tudo pelo subterrneo. Voc pode ir pra qualquer lugar pelo 
labirinto. 
Se voc no se perder, Grover murmurou. E morrer uma morte horrvel. 
Grover, tem que haver uma maneira, disse Annabeth. Tive a sensao que eles j 
tiveram essa conversa antes. Clarisse sobreviveu. 



Por pouco! disse Grover. E o outro cara 
Ele ficou louco. Ele no morreu. 
Ah, maravilha. O lbio inferior de Grover tremeu. Isso me faz sentir muito melhor. 
Uou, eu disse. Espere. O que  isso sobre Clarisse e o cara louco? 
Annabeth olhou de relance para a mesa de Ares. Clarisse estava nos observando como 
se ela soubesse do que estvamos falando, mas ela fixou os olhos em seu prato de caf 
da manh. 
Ano passado, Annabeth falou, abaixando sua voz, Clarisse foi em uma misso para 
Quron. 
Eu lembro, disse. Era secreta. 
Annabeth assentiu. Apesar do quo srio ela estava agindo, eu estava feliz por ela no 
estar mais brava comigo. E eu meio que gostei do fato de ela ter quebrado as regras para 
se sentar junto a mim. 
Era secreta, Annabeth concordou, porque ela encontrou Chris Rodriguez. 
O cara do Chal de Hermes? Eu me lembrei dele de dois anos atrs. Ns tnhamos 
escutado por acaso Chris Rodriguez a bordo do navio de Luke, o Princesa Andrmeda. 
Chris era um dos meio-sangues que abandonaram o acampamento e se juntaram ao 
exrcito Tit. 
, Annabeth disse. No vero passado ele simplesmente apareceu em Phoenix, 
Arizona, perto da casa da me de Clarisse. 
O que voc quer dizer com simplesmente apareceu? 
Ele estava vagando pelo deserto, a 49C, de armadura grega completa, balbuciando 
sobre fio. 
Fio, falei. 
Ele estava completamente louco. Clarisse o levou para a casa da me dela para que os 
mortais no o internassem. Ela tentou cuidar dele. Quron foi at l e o entrevistou, mas 
no foi muito bom. A nica coisa que tiraram dele foi: os homens de Luke estavam 
explorando o Labirinto. 
Eu tremi, embora no soubesse exatamente por qu. Pobre Chris... ele no tinha sido 
uma m pessoa. O que poderia t-lo deixado louco? Olhei para Grover, que estava 
mastigando o resto do seu garfo. 
Ok, perguntei. Por que eles estavam explorando o Labirinto? 
Ns no temos certeza, disse Annabeth. Foi por isso que Clarisse saiu em uma 
misso de explorao. Quron manteve as coisas em segredo porque ele no queria 
ningum em pnico. Ele me envolveu por que... bem, o labirinto sempre foi um dos 
meus temas favoritos. A arquitetura envolvida... A expresso dela se tornou um pouco 
sonhadora. O construtor, Ddalo, era um gnio. Mas o ponto  que o labirinto tem 
entradas por toda parte. Se Luke puder descobrir como navegar pelo labirinto, ele 
poderia mover seu exrcito com uma velocidade incrvel. 
Exceto que  um labirinto, certo? 
Cheio de armadilhas horrveis, Grover concordou. Becos sem sada. Iluses. 
Monstros psicticos. Monstros matadores de bodes. 
No se voc tivesse o fio de Ariadne, Annabeth disse. Nos velhos tempos, o fio de 
Ariadne guiou Teseu para fora do labirinto. Era um tipo de instrumento de navegao, 
inventado por Ddalo. E Chris Rodrigues estava balbuciando sobre fio. 
Ento Luke est tentando achar o fio de Ariadne, falei. Por qu? O que ele est 
planejando? 
Annabeth balanou a cabea. Eu no sei. Eu pensei que talvez ele quisesse invadir o 
acampamento pelo labirinto, mas isso no faz sentido. As entradas mais prximas que 
Clarisse achou eram em Manhattan, o que no ajudaria Luke a passar pelas nossas 



fronteiras. Clarisse explorou um pouco o caminho pelos tneis, mas... era muito 
perigoso. Ela escapou algumas vezes por pouco. Eu pesquisei tudo o que pude encontrar 
sobre Ddalo. Temo que no ajude muito. Eu no entendo o que exatamente Luke est 
planejando, mas de uma coisa eu sei: o Labirinto pode ser a chave para o problema de 
Grover. 
Eu pisquei. Voc acha que Pan est no subterrneo? 
Isso explicaria por que ele tem sido impossvel de encontrar. 
Grover estremeceu. Stiros odeiam ir para o subterrneo. Nenhum buscador sequer 
tentaria ir naquele lugar. Sem flores. Sem o brilho do sol. Sem cafeteria! 
Mas, Annabeth disse, o Labirinto pode lev-lo praticamente pra qualquer lugar. Ele 
l seus pensamentos. Ele foi desenhado para faz-lo de idiota, engan-lo e mat-lo, mas 
voc pode fazer o Labirinto trabalhar para voc... 
Ele pode lev-lo at o deus da natureza, falei. 
Eu no posso fazer isso. Grover abraou seu estmago. S pensar nisso me faz 
querer vomitar minha prataria. 
Grover, isso pode ser sua ltima chance, Annabeth disse. O conselho  firme. Uma 
semana ou voc aprende a sapatear! 
Na mesa principal, Quintus limpou sua garganta. Tive a sensao que ele no queria 
fazer uma cena, mas Annabeth estava realmente forando, sentando em minha mesa por 
tanto tempo. 
Ns conversaremos depois, Annabeth apertou meu brao um pouco forte demais. 
Convena-o, ok? 
Ela voltou para a mesa de Atena, ignorando todas as pessoas que estavam olhando para 
ela. 
Grover enterrou a cabea nas mos. Eu no posso fazer isso, Percy. Minha licena de 
buscador. Pan. Eu vou perder tudo. Eu terei que comear um teatro de fantoches. 
No diga isso! Ns vamos pensar em algo. 
Ele me olhou com os olhos cheios de lgrimas. Percy, voc  meu melhor amigo. Voc 
me viu no subterrneo. Naquela caverna do Ciclope. Voc realmente acha que eu 
poderia... 
Sua voz vacilou. Eu me lembrei do Mar de Monstros, onde ele estivera preso na caverna 
do Ciclope. Ele nunca gostou de lugares subterrneos para comear, mas agora Grover 
realmente os odiava. Ciclopes o deixavam arrepiado, tambm. At mesmo Tyson... 
Grover tentava esconder isso, mas Grover e eu meio que podamos ler as emoes um 
do outro por causa da conexo emptica entre ns. Eu sabia como ele se sentia. Grover 
estava aterrorizado por causa do grando. 
Eu tenho que ir, Grover disse lastimosamente. Juniper est me esperando.  algo 
bom ela achar covardes atraentes. 
Depois que fora embora, eu olhei para Quintus. Ele assentiu solenemente, como se ns 
estivssemos compartilhando algum segredo obscuro. Ento ele voltou a cortar sua 
salsicha com uma faca. 

*** 

Na parte da tarde, fui para os estbulos de pgasos para visitar meu amigo Blackjack. 
Ei, chefe! Ele saltou na sua cocheira, suas asas negras golpeando o ar. Voc me trouxe 
alguns cubos de acar? 


Voc sabe que eles no so bons para voc, Blackjack. 


, ento, voc trouxe alguns, hein? 


Eu sorri e dei a ele um punhado. Blackjack e eu nos conhecemos h um bom tempo. Eu 
meio que o salvei do navio de cruzeiro demonaco de Luke alguns anos atrs, e desde 
ento, ele insiste em me retribuir com favores. 
Ento temos algumas misses em vista? Blackjack perguntou. Eu estou pronto para 
voar, chefe! 

Eu dei uma palmada em seu nariz. No sei, cara. Todo mundo continua falando sobre 
labirintos subterrneos. 
Blackjack relinchou nervosamente. Nuh-uh. No para este cavalo! Voc no seria louco 

o suficiente para ir a qualquer labirinto, chefe. Seria? Voc vai acabar na fbrica de 
cola! 
Voc pode estar certo, Blackjack. Veremos. 
Blackjack mastigou seus cubos de acar. Ele agitou sua crina como se estivesse tendo 
um ataque apopltico de acar. Uau! Coisa boa! Bem, chefe, se voc criar juzo e 
quiser voar para algum lugar, basta dar um assobio. Ol Blackjack e seus amigos vo 
espantar algum pra voc! 

Eu disse a ele que ia manter isso em mente. Ento um grupo de jovens campistas entrou 
no estbulo para comear suas aulas de equitao, e eu decidi que era hora de sair. Tive 
um mau pressentimento que no iria ver Blackjack por um bom tempo. 

*** 

Naquela noite depois do jantar, Quintus nos tinha vestido em armaduras de combate 
como se estivssemos prontos para o capture a bandeira, mas o humor entre os 
campistas era muito mais srio. Em algum momento durante o dia os engradados na 
arena tinham desaparecido, e eu tive a sensao que o que quer que estivesse l tinha 
sido colocado na floresta. 
Certo, Quintus disse, em p na cabeceira da mesa de jantar. Aproximem-se. 
Ele estava vestido com couro preto e bronze. Na luz das tochas, seu cabelo cinza o fez 
parecer como um fantasma. Sra. O'Leary pulou alegremente em sua volta, procurando 
restos do jantar. 
Vocs estaro em duplas, Quintus anunciou. Quando todo mundo comeou a falar e 
tentar agarrar seus amigos, ele gritou: Que j foram escolhidas! 
AHHHHHHHHHHH! Todo mundo reclamou. 
Seu objetivo  simples: recolher os louros dourados sem morrer. A coroa est 
embalada em um pacote de seda, amarrado nas costas de um dos monstros. Existem seis 
monstros. Cada um tem um pacote de seda. Apenas um carrega os louros. Vocs 
precisam achar a coroa antes que as outras duplas. E,  claro... vocs tero que matar o 
monstro para obt-la, e ficar vivos. 
A multido comeou a murmurar entusiasmada. A tarefa pareceu bem simples. Ei, todos 
ns tnhamos matado monstros antes.  para isso que treinamos. 
Eu vou anunciar seus parceiros, disse Quintus. No haver negociao. Sem trocas. 
Sem reclamao. 
Aroooof! Sra. O'Leary enterrou sua cara em um prato de pizza. 
Quintus produziu um grande pergaminho e comeou a ler os nomes. Beckendorf iria 
com Silena Beauregard, com o que Beckendorf pareceu bem feliz. Os irmos Stoll, 
Travis e Connor, iriam juntos. Nenhuma surpresa. Eles faziam tudo juntos. Clarisse ia 
com Lee Fletcher do chal de Apolo  combate a curta e longa distncia combinados, 
eles seriam uma combinao difcil de bater. Quintus continuou lendo os nomes at que 
ele disse, Percy Jackson com Annabeth Chase. 
Legal, sorri para Annabeth. 


Sua armadura est torta, foi o nico comentrio dela, e ela arrumou as tiras para mim. 
Grover Underwood, disse Quintus, com Tyson. 
Grover quase pulou fora de sua pele de bode. Qu? M-mas... 
No, no, Tyson choramingou. Deve ser um engano. Garoto-bode... 
Sem reclamaes! Quintus ordenou. V com seu parceiro. Vocs tm dois minutos 
para se prepararem! 
Tyson e Grover olharam para mim suplicando. Eu tentei dar a eles um aceno 
encorajador, e gestos de que deviam avanar juntos. Tyson espirrou. Grover comeou a 
mastigar nervosamente seu basto de madeira. 
Eles ficaro bem, Annabeth disse. Venha. Vamos nos preocupar sobre como ns 
vamos nos manter vivos. 


*** 

Ainda havia luz quando ns entramos na floresta, mas as sombras das rvores fizeram 
parecer como meia-noite. Estava frio tambm, mesmo no vero. Annabeth e eu achamos 
pistas quase imediatamente  pegadas feitas por algo com um monte de pernas. 
Comeamos a seguir o rastro. 
Pulamos um afluente e ouvimos alguns galhos se quebrando nas proximidades. Ns 
agachamos atrs de uma rocha, mas eram s os irmos Stoll tropeando pela mata e 
praguejando. O pai deles era o deus dos ladres, mas eles eram furtivos como bfalos. 
Uma vez que os irmos Stoll passaram, ns fomos mais fundo no lado oeste da floresta 
onde os monstros eram mais selvagens. Ns estvamos parados sobre uma elevao em 
uma lagoa de pntano quando Annabeth ficou tensa. Aqui foi onde paramos de olhar. 
Levou um segundo para eu percebesse o que ela quis dizer. Inverno passado, quando 
desistimos de procur-lo, Grover, Annabeth e eu estvamos sobre essa rocha, e eu os 
convenci a no contar para Quron a verdade: que Nico era filho de Hades. Na poca 
pareceu a coisa certa a fazer. Eu queria proteger sua identidade. Eu queria ser o que o 
encontraria e queria acertar as coisas por causa do que aconteceu com a irm dele. 
Agora, seis meses depois, eu no tinha sequer chegado perto de encontr-lo. Isso deixou 
um gosto amargo em minha boca. 
Eu o vi noite passada, disse. 
Annabeth franziu suas sobrancelhas. O que voc quer dizer? 
Eu contei a ela sobre a mensagem de ris. Quando terminei, ela encarou as sombras da 
floresta. Ele est invocando os mortos? Isso no  bom. 
O fantasma estava dando a ele maus conselhos, falei. Dizendo-lhe para se vingar. 
... espritos nunca so bons conselheiros, eles tm seus prprios planos. Velhos 
rancores. E eles ressentem os vivos. 
Ele vir atrs de mim, disse. O esprito mencionou um labirinto. 
Ela assentiu. Isso resolve. Ns temos que entender o Labirinto. 
Talvez, eu disse desconfortavelmente. Mas quem mandou a mensagem de ris? Se 
Nico no sabia que eu estava l... 
Um galho quebrou na floresta. Folhas secas rasgaram. Algo grande estava se movendo 
nas rvores, logo atrs do cume. 
Isso no  os irmos Stoll, Annabeth sussurrou. 
Juntos sacamos nossas espadas. 


*** 


Chegamos ao Punho de Zeus, uma enorme pilha de pedras no meio da floresta oeste. 
Era um marco natural onde campistas se reuniam frequentemente em expedies de 
caa, mas agora no havia ningum por perto. 
L, Annabeth sussurrou. 
No, espere, eu disse. Atrs de ns. 
Isso era estranho. Rudos de corrida pareciam vir de vrias direes. Ns estvamos 
circulando os rochedos, nossas espadas prontas, quando algum bem atrs de ns disse, 
Oi. 
Ns nos viramos, e a ninfa da floresta Juniper ganiu. 
Abaixem suas armas! ela protestou. Drades no gostam de lminas afiadas, ok? 
Juniper, Annabeth exalou. O que voc est fazendo aqui? 
Eu moro aqui. 
Eu baixei minha espada. No rochedo? 
Ela apontou na direo da borda da clareira. No junpero. D. 
Isso fazia sentido, e eu me senti meio estpido. Eu vivi em torno de drades por anos, 
mas nunca realmente falei com elas. Eu sabia que elas no podiam ir muito longe de sua 
rvore, que era sua fonte de vida. Mas eu no sabia muito mais. 
Vocs esto ocupados? Juniper perguntou. 
Bem, disse, ns estamos no meio desse jogo contra um bando de monstros e estamos 
tentando no morrer. 
No estamos ocupados, Annabeth falou. O que est errado, Juniper? 
Juniper fungava. Ela esfregou sua manga de seda debaixo de seus olhos.  Grover. Ele 
parece to perturbado. O ano todo ele tem procurado por Pan. E a cada vez que ele 
volta,  pior. Eu pensei que talvez, a princpio, ele estivesse vendo outra rvore. 
No, Annabeth disse quando Juniper comeou a chorar. Tenho certeza que no  
isso. 
Ele teve uma queda por esse arbusto de mirtilo uma vez, Juniper disse tristemente. 
Juniper, Annabeth disse, Grover nunca olharia para outra rvore. Ele s est 
estressado por causa de sua licena de buscador. 
Ele no pode ir para o subterrneo! ela protestou. Vocs no podem deix-lo ir. 
Annabeth parecia desconfortvel. Pode ser a nica maneira de ajud-lo; se ns apenas 
soubssemos onde comear. 
Ah. Juniper limpou uma lgrima verde em sua bochecha. Sobre isso... 
Outro barulho na floresta, e Juniper gritou, Escondam-se! 
Antes que eu pudesse perguntar o porqu, ela fez poof e se transformou em uma nvoa 
verde. 
Annabeth e eu nos viramos. Saindo da floresta havia um brilhante inseto mbar, mais de 
trs metros de comprimento, com pinas denteadas, uma cauda blindada, e um ferro 
longo como minha espada. Um escorpio. Amarrado s suas costas estava um pacote de 
seda vermelho. 
Um de ns vai por trs dele, disse Annabeth, conforme a coisa tiniu para ns. Corta a 
cauda dele enquanto o outro o distrai pela frente. 
Eu o distraio, falei. Voc tem o bon da invisibilidade. 
Ela assentiu. Ns lutramos juntos tantas vezes que sabamos os movimentos um do 
outro. Podamos fazer isso, fcil. Mas tudo foi por gua abaixo quando outros dois 
escorpies surgiram da floresta. 
Trs? Annabeth disse. Isso no  possvel! A floresta inteira, e metade dos monstros 
vm at ns? 
Eu engoli em seco. Um, ns poderamos dar conta. Dois, com sorte. Trs? Duvido. 



Os escorpies correram em nossa direo, movimentando suas caudas farpadas como se 
tivessem vindo aqui s para nos matar. Annabeth e eu colocamos nossas costas contra o 
rochedo mais prximo. 
Escalamos? falei. 
No d tempo, ela disse. 
Ela tinha razo. Os escorpies j estavam nos cercando. Eles estavam to perto que eu 
podia ver suas bocas hediondas espumando, antecipando um delicioso suco gelado de 
semideuses. 
Cuidado! Annabeth defendeu um ferro com a parte plana de sua lmina. Eu 
apunhalei com Contracorrente, mas o escorpio saiu de alcance. Ns andamos pela 
lateral do rochedo, mas os escorpies nos seguiram. Eu ataquei outro, mas ir pela 
ofensiva era muito perigoso. Se eu fosse para o corpo, a cauda estocaria para baixo. Se 
eu fosse para a cauda, os ferres da coisa iriam vir dos dois lados e me agarrariam. Tudo 
que poderamos fazer era nos defender, e no seramos capazes de manter isso por 
muito tempo. 
Eu dei outro passo para a lateral, e de repente no havia mais nada atrs de mim. Havia 
uma fenda entre as duas maiores pedras, algo pelo qual eu passara um milho de vezes, 
mas... 
Aqui, eu disse. 
Annabeth cortou um escorpio ento olhou para mim como se eu fosse louco. A?  
muito estreito. 
Eu te dou cobertura. Vai! 
Ela mergulhou atrs de mim e comeou a se apertar entre as duas pedras. Ento ela 
ganiu e agarrou as tiras de minha armadura, e de repente eu estava dando cambalhotas 
em um poo que no estava ali um momento antes. Eu podia ver os escorpies acima de 
ns, o cu roxo noturno e as rvores, e ento o buraco fechou como uma lente de 
cmera, e ns estvamos em uma completa escurido. 
Nossa respirao ecoava contra a pedra. Estava frio e mido. Eu estava sentado em um 
cho irregular que parecia ser feito de tijolos. 
Eu levantei Contracorrente. O fraco brilho da espada era suficiente apenas para iluminar 

o rosto assustado de Annabeth e as paredes cheias de musgo em cada lado de ns. 
On-onde estamos? Annabeth disse. 
A salvo dos escorpies, de qualquer forma, tentei parecer calmo, mas eu estava 
entrando em pnico. A rachadura entre as pedras no poderia ter nos levado a uma 
caverna. Eu saberia se houvesse uma caverna aqui; eu tinha certeza disso. Era como se o 
cho tivesse aberto e nos engolido. Tudo o que eu pude pensar era na fissura no 
pavilho-refeitrio, onde aqueles esqueletos tinham sido consumidos no vero passado. 
Eu imaginei se a mesma coisa tinha acontecido conosco. 
Eu levantei novamente minha espada para iluminar. 
 uma longa sala, murmurei. 
Annabeth agarrou meu brao. No  uma sala,  um corredor. 
Ela tinha razo, a escurido parecia... vazia  nossa frente. Havia uma brisa calorosa, 
como nos tneis do metr, mas parecia mais velho, mais perigoso de alguma maneira. 
Eu comecei a andar, mas Annabeth me parou. No d outro passo, ela avisou. 
Precisamos achar a sada. 
Ela pareceu realmente assustada agora. 
Est tudo bem, prometi. Est bem  
Eu olhei para cima e percebi que no poderia ver de onde tnhamos cado. O teto era 
pedra slida. O corredor parecia esticar indefinidamente em ambas as direes. 

A mo de Annabeth escorregou para a minha. Sob circunstncias diferentes eu teria me 
sentido envergonhando, mas aqui no escuro eu estava feliz em saber onde ela estava. 
Era a nica coisa da qual eu tinha certeza. 
Dois passos para trs, ela aconselhou. 
Ns andamos para trs juntos como se estivssemos em um campo minado. 
Ok, ela disse. Me ajude a examinar as paredes. 
Pra qu? 
A marca de Ddalo, ela falou, como se isso devesse fazer sentido. 
Uh, ok. Que tipo de... 
Consegui! ela disse com alvio. Ela colocou sua mo na parede e pressionou contra 
uma pequena fissura, que comeou a brilhar em azul. Um smbolo grego apareceu: o 
antigo Delta grego. 
O telhado se abriu e ns vimos o cu noturno, estrelas brilhando. Estava bem mais 
escuro do que deveria. Uma escada de metal apareceu do lado do muro, subindo, e eu 
podia ouvir pessoas gritando nossos nomes. 
Percy! Annabeth! a voz de Tyson retumbava mais alta, mas outros estavam chamando 
tambm. 
Eu olhei nervosamente para Annabeth. E ento comeamos a escalar. 


*** 

Ns fizemos nosso caminho ao redor das rochas e corremos em direo a Clarisse e 
outros campistas que seguravam tochas. 
Onde vocs dois estiveram? Clarisse exigiu. 
Ns estivemos procurando por uma eternidade. 
Mas ns samos apenas por alguns minutos, eu disse. 
Quron veio trotando, seguido de Tyson e Grover. 
Percy! Tyson disse. Vocs esto bem? 
Estamos bem, falei. Ns camos em um buraco. 
Os outros me olhavam descrentes, e ento para Annabeth. 
Srio! falei. Havia trs escorpies atrs de ns, ento corremos e nos escondemos 
nas rochas. Mas ns s fomos por um minuto. 
Vocs estiveram ausentes por quase uma hora, Quron disse. O jogo acabou. 
, Grover murmurou. Ns teramos vencido, mas um Ciclope sentou em mim. 
Foi um acidente! Tyson protestou, e ento espirrou. 
Clarisse estava usando os louros dourados, mas ela nem se gabou sobre t-los ganhado, 


o que no era o estilo dela. Um buraco? disse ela suspeitamente. 
Annabeth respirou profundamente. Ela olhou ao redor para os outros campistas. 
Quron... talvez devssemos falar sobre isso na Casa Grande. 
Clarisse ofegou. Voc encontrou, no foi? 
Annabeth mordeu seu lbio. Eu... . Ns encontramos. 
Um punhado de campistas comeou a fazer perguntas, parecendo to confusos quanto 
eu, mas Quron levantou a mo para ter silncio. Esta noite no  a hora certa, e este 
no  o lugar certo. Ele encarou as pedras como se tivesse acabado de notar o quo 
perigosas elas eram. Todos vocs, voltem aos seus chals. Durmam um pouco. Uma 
partida bem jogada, mas o toque de recolher j passou! 
Houve um grande nmero de queixas e sussurros, mas os campistas se foram, 
conversando entre si e me olhando desconfiados. 
Isto explica muita coisa, Clarisse disse. Isto explica do que Luke est atrs. 
Esperem um segundo, falei. O que voc quer dizer? O que ns achamos? 

Annabeth se virou para mim, seus olhos escuros com preocupao. Uma entrada para o 
Labirinto. Uma rota de invaso diretamente no corao do acampamento. 



QUATRO 



ANNABETH QUEBRA AS REGRAS 

Quron insistiu que a gente conversasse sobre aquilo de manh, o que foi tipo: Ei,suas 
vidas esto em perigo mortal. Durmam bem! Foi difcil cair no sono, mas quando 
finalmente consegui, sonhei com uma priso. 
Eu vi um garoto em uma tnica grega e sandlias agachado sozinho em uma massiva 
sala de pedra. O teto era aberto para o cu da noite, mas as paredes tinham mais de seis 
metros altura e eram de mrmore polido, completamente suaves. Espalhados ao redor do 
quarto havia caixotes de madeira. Alguns estavam quebrados e espalhados, como se 
tivessem sido jogados l. Havia ferramentas de bronze espalhadas  um compasso, 
uma serra e vrias outras coisas que eu no consegui reconhecer. 
O garoto se encostou ao canto, tremendo de frio, ou medo. Ele fora jogado na lama. 
Suas pernas, braos e rosto foram arranhados como se ele tivesse sido arrastado com as 
caixas. 
Ento a porta dupla de madeira se abriu. Dois guardas vestidos com armaduras de 
bronze marcharam para dentro, segurando um velho entre eles. Eles jogaram o velho no 
cho, golpeando uma pilha. 
Pai! o garoto correu para ele. As roupas do homem estavam em farrapos. Seu cabelo 
estava raiado de cinza, e sua barba era longa e enrolada. Seu nariz fora quebrado. Seus 
lbios estavam ensanguentados. 
O garoto botou a cabea do homem em seus braos. O que eles fizeram com voc? 
Ento ele berrou para os guardas. Eu vou matar vocs! 
No haver nenhuma morte hoje, uma voz disse. 
Os guardas se moveram para o lado. Atrs deles estava um homem alto com tnica 
branca. Ele usava um pequeno crculo de ouro em sua cabea. Sua barba era pontuda 
como a lmina de uma lana. Seus olhos brilhavam cruis. Voc ajudou o ateniense a 
matar meu Minotauro, Ddalo. Voc virou minha prpria filha contra mim. 
Voc fez isso, Sua Majestade, sussurrou o homem. 
Um guarda deu um chute nas costelas do velho homem. Ele gritou em agonia. O jovem 
gritou, Pare! 
Voc ama tanto o seu labirinto, disse o rei, que eu decidi deixar voc aqui. Esta ser 
sua oficina. Faa-me novas maravilhas. Surpreenda-me. Todo labirinto precisa de um 
monstro. Voc ser o meu! 
Eu no tenho medo de voc, o velho gemeu. 

O rei sorriu friamente. Ele botou os olhos no garoto. Mas um homem se preocupa com 
seu filho, h? Desagrade-me, velho, e na prxima vez que meus guardas infligirem uma 
punio, ser nele! 
O rei saiu da sala com seus guardas, e as portas fecharam com uma batida, deixando o 
pai e o garoto sozinhos na escurido. 
O que devemos fazer? o garoto lamentou. Pai, eles vo te matar! 
O velho homem engoliu com dificuldade. Ele tentou sorrir, mas era uma viso horrenda 
com sua boca sangrando. 
Fique calmo, meu filho. Ele olhou para as estrelas E-eu vou achar um jeito. 
Uma barra baixou na porta com um fatal BOOM, e eu acordei suando frio. 


*** 


Eu continuava me sentindo trmulo de manh quando Quron convocou um conselho de 
guerra. Ns nos encontramos na arena de esgrima, o que eu achei bem estranho  
tentar discutir o destino do acampamento enquanto Sra. OLeary mastigava um iaque 
rosa de apertar feito de borracha em tamanho natural. 
Quron e Quintus estavam na frente da barraca de armas. Clarisse e Annabeth estavam 
sentadas ao lado uma da outra e lideravam as instrues. Tyson e Grover estavam 
sentados longe um do outro o mximo possvel. Tambm estavam presentes em volta da 
mesa: Juniper, a ninfa da floresta, Silena Beauregard, Travis e Connor Stoll, 
Beckendorf, Lee Flentcher, at Argo, nosso chefe de segurana com centenas de olhos. 
Aquilo foi como eu soube que era srio. Argo dificilmente aparecia, salvo se algo 
realmente grande estivesse acontecendo. O tempo todo que Annabeth falou, ele manteve 
seus cem olhos azuis nela to fixamente que seu corpo todo ficou injetado de sangue. 
Luke deve saber sobre a entrada do Labirinto, disse Annabeth. Ele sabia tudo sobre o 
acampamento. 
Eu pensei ter ouvido um pouco de orgulho em sua voz, como se ainda respeitasse o 
cara, mal como ele era. 
Juniper limpou sua garganta. Isso era o que eu estava tentando dizer a vocs a noite 
passada. A caverna est h muito tempo l. Luke costumava us-la. 
Silena Beauregard franziu as sobrancelhas. Voc sabia sobre a entrada do Labirinto, e 
no disse nada? 
O rosto de Juniper ficou verde. Eu no sabia que era importante. S uma caverna. Eu 
no gosto de velhas cavernas. 
Ela tem bom gosto, disse Grover. 
Eu no teria prestado nenhuma ateno salvo que... bem, era o Luke. Ela corou um 
pouco esverdeando. 
Grover bufou. Esquea o que eu disse sobre bom gosto 
Interessante, Quintus poliu a sua espada enquanto falava. E voc acredita que esse 
jovem rapaz, Luke, ousaria usar o labirinto como rota de invaso? 
Definitivamente, disse Clarisse Se ele pudesse colocar um exrcito de monstros 
dentro do Acampamento Meio-Sangue, simplesmente aparecer no meio da floresta sem 
se preocupar com as nossas fronteiras mgicas, nos no teramos chance. Ele nos 
venceria facilmente. Ele deve estar planejado isso h meses. 
Ele esteve mandando escoltas para dentro do labirinto, disse Annabeth. Ns sabemos 
porque... porque achamos uma. 
Chris Rodriguez, disse Quron. Ele deu a Quintus um olhar significativo. 
Ah, disse Quintus. Aquele que est... Sim, eu entendo. 
Aquele que est o qu? perguntei. 
Clarisse olhou fixamente para mim. O ponto  que Luke tem procurado por um jeito de 
navegar no labirinto. Ele tem procurando pela oficina de Ddalo. 
Eu me lembrei do sonho da noite passada  o velho homem ensanguentado em roupas 
esfarrapadas. O cara que criou o labirinto. 
Sim, disse Annabeth. O maior arquiteto, o maior inventor de todos os tempos. Se as 
lendas estiverem certas, sua oficina est no centro do labirinto. Ele  o nico que sabia 
como navegar no labirinto perfeitamente. Se Luke conseguir encontrar a oficina e 
convencer Ddalo a ajud-lo, Luke no se atrapalharia procurando por caminhos, ou 
arriscaria a perder seu exrcito nas armadilhas do Labirinto. Ele poderia navegar para 
onde quisesse  rapidamente e com segurana. Primeiro para o acampamento para se 
livrar de ns. Depois... para o Olimpo. 


A arena ficou quieta exceto pelo iaque de brinquedo da Sra. OLeary que fazia 

SQUEAK! SQUEAK! 

Finalmente Beckendorf colocou suas enormes mos em cima da mesa. Um minuto, 
Annabeth, voc disse convencer Ddalo? Ddalo no est morto? 
Quintus grunhiu. Eu esperaria que sim. Ele viveu, o qu, trs mil anos atrs? E mesmo 
que ele estivesse vivo, as antigas histrias no dizem que ele fugiu do Labirinto? 
Quron mexeu seus cascos inquietamente. Esse  o problema, meu querido Quintus. 
Ningum sabe. H rumores... bem, h vrios rumores perturbadores sobre Ddalo, mas 
um  que ele desapareceu dentro do labirinto no fim da sua vida. Ele pode ainda estar 
l. 
Eu pensei no velho homem que vira no meu sonho. Ele parecera to frgil que era difcil 
acreditar que ele havia durado mais uma semana, muito menos trs mil anos. 
Ns precisamos entrar, anunciou Annabeth. Ns precisamos encontrar a oficina 
antes de Luke. Se Ddalo est vivo, ns o convenceremos a nos ajudar, no Luke. Se o 
fio de Ariadne ainda existe, temos que ter certeza que nunca ir cair nas mos de Luke. 
Espere um momento, eu disse. Se ns estamos preocupados com um ataque, por que 
ns no simplesmente explodimos a entrada? Selamos o tnel? 
Excelente ideia! falou Grover. Eu vou pegar a dinamite! 
No  to fcil, idiota, disse Clarisse. Ns tentamos isso na entrada que achamos em 
Phoenix. No correu bem. 
Annabeth assentiu. O labirinto  arquitetura mgica, Percy. Precisaria de um poder 
enorme para selar mesmo uma das entradas. Em Phoenix, Clarisse ps a baixo um 
prdio inteiro com uma bola de demolio, e a entrada do labirinto s se deslocou 
alguns metros. O melhor que podemos fazer  evitar que Luke aprenda a navegar no 
labirinto. 
Ns poderamos lutar, disse Lee Fletcher. Ns agora sabemos onde  a entrada. Ns 
podemos formar uma linha defensiva e esperar por eles. Se um exrcito tentar invadir, 
vo nos encontrar esperando com nossos arcos. 
Ns certamente faremos uma defesa, disse Quron. Mas temo que Clarisse tenha 
razo. As fronteiras mgicas tm mantido o acampamento seguro por centenas de anos. 
Se Luke conseguir trazer um largo exrcito para dentro do acampamento, contornando 
nossas barreiras... ns talvez no tenhamos a fora para derrot-los. 
Ningum parecia realmente feliz com essas notcias. Quron normalmente tenta ser 
otimista. Se ele estava predizendo que no teramos fora para aguentar um ataque, isso 
no era bom. 
Ns temos que chegar  oficina de Ddalo primeiro, insistiu Annabeth. Achar o fio 
de Ariadne e impedir Luke de us-lo. 
Mas se ningum consegue navegar l, disse, que chances ns temos? 
Eu estive estudando arquitetura por anos, disse ela. Eu conheo o Labirinto de 
Ddalo melhor que ningum. 
Lendo sobre isso. 
Bem, sim. 
No  o suficiente. 
Tem que ser! 
No ! 
Voc vai me ajudar ou no? 
Eu percebi que todos observavam a mim e a Annabeth como se fosse uma partida de 
tnis. O brinquedo de apertar da Sra. OLeary fez EEK! quando ela arrancou a cabea 
rosa de borracha dele. 



Quron limpou a garganta. Prioridades primeiro. Ns precisamos de uma misso. 
Algum precisa entrar no labirinto, achar a oficina de Ddalo, e impedir Luke de usar o 
labirinto para invadir o acampamento. 
Ns todos sabemos quem deve liderar isso, disse Clarisse. Annabeth. 
Houve um murmrio de concordncia. Eu sabia que Annabeth estivera esperando sua 
prpria misso desde que era uma menina, mas ela parecia desconfortvel. 
Voc fez tanto quanto eu, Clarisse, ela disse. Voc deveria ir tambm. 
Clarisse balanou sua cabea, Eu no vou voltar l! 
Travis Stoll riu. No me diga que voc est com medo. Clarisse, amarelando? 
Clarisse se levantou, eu achei que ela iria pulverizar Travis, mas ela disse em uma voz 
trmula: Voc no entende nada, moleque. Eu nunca mais vou voltar l. Nunca! 
Ela saiu tempestivamente da arena. 
Travis olhou ao redor estupefato. Eu no tive a inteno... 
Quron ergueu sua mo. A pobre garota teve um ano difcil. Agora, todos concordam 
que Annabeth deve liderar a busca? 
Todos assentiram, menos Quintus. Ele cruzou seus braos e encarou a mesa, mas eu no 
estava certo se algum mais reparou. 
Muito bem, Quron se dirigiu a Annabeth. Minha querida,  sua vez de visitar o 
Orculo. Assumindo que voc retorne inteira, iremos discutir o que fazer a seguir. 


*** 

Esperar Annabeth foi mais difcil do que eu prprio visitar o Orculo. Eu j o escutara 
dizer profecias duas vezes antes. A primeira vez foi no empoeirado poro da Casa 
Grande, onde o esprito de Delfos dormia dentro do corpo de uma moa hippie 
mumificada. Na segunda vez o Orculo saiu para um pequeno passeio no bosque. Eu 
ainda tenho pesadelos sobre isso. 
Eu nunca me senti amedrontado pela presena do Orculo, mas eu ouvira as histrias: 
campistas que enlouqueceram, ou que tiveram vises to reais que morreram de medo. 
Eu andei pela arena, esperando. Sra. OLeary comeu seu lanche, que consistia em 
cinquenta quilos de carne moda e vrios biscoitos caninos do tamanho de tampas de 
lata de lixo. Eu me perguntei onde Quintus arranjava biscoitos caninos desse tamanho. 
Eu no achava que voc podia apenas entrar na seo de bichos de estimao e 
simplesmente colocar isso no seu carrinho de compra. 
Quron se aprofundara em uma conversa com Argo e Quintus. Parecia para mim que 
eles estavam discordando sobre alguma coisa. Quintus ficava sacudindo sua cabea. 
No outro lado da arena, Tyson e os irmos Stoll estavam apostando corrida com 
carruagens de bronze miniaturas que Tyson fizera de restos de armaduras. Eu desisti de 
andar e sai da arena. Olhei atravs dos campos para a janela do sto da Casa Grande, 
escura e quieta. Por que Annabeth estava demorando tanto? Eu estava certo que no 
levara tanto tempo para pegar minha misso. 
Percy, uma garota sussurrou. 
Juniper estava nos arbustos. Era estranho como ela quase ficava invisvel quando ela 
estava cercada por plantas. 
Ela sinalizou para mim urgentemente. Voc precisa saber: Luke no foi o nico que eu 
vi perto da caverna. 
O que voc quer dizer? 
Ela olhou para a arena. Eu estava tentando dizer algo, mas ele estava l. 
Quem? 
O professor de esgrima, ela disse. Ele estava andando ao redor das pedras. 



Meu estmago embrulhou. Quintus? Quando? 
Eu no sei: eu no presto ateno em datas. Uma semana atrs talvez, quando ele 
apareceu pela primeira vez. 
O que ele estava fazendo? Ele entrou l? 
E-eu no tenho certeza. Ele  assustador, Percy. Eu nem sequer o vi entrar na clareira. 
De repente ele estava ali. Voc tem que dizer ao Grover que isso  muito perigoso  
Juniper? Grover chamou de dentro da arena. Aonde voc foi? 
Juniper suspirou.  melhor eu ir. Apenas se lembre do que eu disse. No confie 
naquele homem! 
Ela correu para a arena. 
Eu olhei para a Grande casa, sentindo-me mais desconfortvel do que nunca. Se Quintus 
estava tramando algo... Eu precisava do conselho de Annabeth. Ela saberia o que fazer 
com as notcias de Juniper. Mas onde raios ela estava? Seja o que for que estivesse 
acontecendo no Orculo, no deveria demorar tanto. 
Finalmente no pude aguentar mais. 
Era contra as regras, mas, novamente, ningum estava vendo. Corri colina abaixo e 
cruzei os campos. 


*** 

A sala da frente da Casa Grande estava estranhamente quieta. Eu estava acostumado a 
ver Dioniso em frente  lareira, jogando cartas e comendo uvas e amolando stiros, mas 

o Sr. D ainda estava fora. 
Eu caminhei pelo corredor, tbuas rangiam debaixo dos meus ps. Quando cheguei  
base da escada, eu hesitei. Quatro andares acima haveria um pequeno alapo que 
levava ao sto. Annabeth estaria em algum lugar l em cima. Eu fiquei em silncio e 
atento. Mas o que ouvi no foi o que eu esperava. Soluos. E estava vindo de algum 
lugar abaixo de mim. 
Eu rastejei em torno da escada. A porta do poro estava aberta. Eu nem sabia que a 
Casa Grande tinha um poro. Eu espiei para dentro e vi duas figuras no canto mais 
afastado, sentados no meio de estoques de ambrosia e morango em conserva. Uma era 
Clarisse. A outra era um adolescente hispnico em calas camufladas esfarrapadas e 
com uma blusa preta suja. Seu cabelo estava gorduroso e opaco. Ele estava abraando 
seus ombros e soluando. Era Chris Rodrigues, o meio-sangue que fora trabalhar para 
Luke. 
Est tudo bem, Clarisse estava dizendo para ele. Tente um pouco mais de nctar. 
Voc  uma iluso, Mary! Chris se encolheu mais no canto, V-v embora. 
Meu nome no  Mary. A voz de Clarisse era gentil, mas muito triste. Eu nunca 
pensei que Clarisse pudesse falar desse jeito. Meu nome  Clarisse. Lembre-se. Por 
favor! 
Est escuro! gritou Chris. To escuro! 
Venha para fora, Clarisse sussurrou. A luz do sol ir te ajudar. 
Mil... mil caveiras. A terra continua curando-o. 
Chris, Clarisse pediu. Parecia que ela estava prestes a chorar. Voc tem que 
melhorar. Por favor. Sr. D vai voltar logo. Ele  especialista em loucura. S aguente 
firme. 
Os olhos de Chris pareciam os de um rato encurralado  selvagem e desesperado. 
No h sada, Mary. No h sada. 
Ento ele apanhou um vislumbre de mim e fez um som apavorante, estrangulado. O 
filho de Poseidon! Ele  horrvel! 

Eu recuei, esperando que Clarisse no tivesse me visto. Eu esperei que ela me atacasse e 
gritasse comigo, mas ela apenas continuou falando com Chris em uma voz triste, 
pedinte, tentando faz-lo beber mais nctar. Talvez ela tenha pensado que fazia parte da 
iluso de Chris, mas... Filho de Poseidon? Chris estivera olhando para mim, mas ainda 
assim porque eu tive a sensao que ele no falara sobre mim? 
E a ternura da Clarisse  nunca me ocorreu que ela poderia gostar de algum; mas a 
forma que ela disse o nome de Chris... Ela o conhecera antes dele mudar de lado. Ela o 
conhecia muito melhor do que eu percebia. E agora ele estava tremendo em um canto 
do poro, com medo de sair, e balbuciando sobre algum chamada Mary. No era 
surpreendente que Clarisse no quisesse nada com o Labirinto. O que acontecera com 
Chris l dentro? 
Eu ouvi um rangido em cima  como a porta do sto abrindo  e corri para a porta 
da frente. Eu precisava sair daquela casa. 

*** 

Minha querida, disse Quron. Voc conseguiu. 
Annabeth olhou para mim primeiro. Eu no podia dizer se ela estava tentando me 
alertar, ou se o olhar nos olhos dela era puro medo. Ento ela focou em Quintus. Eu 
ouvi a profecia. Eu vou liderar a busca para achar a oficina de Ddalo. 
Ningum comemorou. Quero dizer, ns todos gostvamos de Annabeth, e queramos 
que ela tivesse uma misso, mas essa era insanamente perigosa. Depois do que eu vira 
de Chris Rodriguez, eu nem queria pensar sobre Annabeth descendo para aquele 
estranho labirinto de novo. 
Quron raspou um casco no cho sujo. O que dizia exatamente a profecia, minha 
querida? As palavras so importantes. 
Annabeth respirou fundo. Eu, ah... bem, dizia, Do labirinto sem fim voc deve se 
profundar na escurido... 
Ns esperamos. 

O morto, o traidor, e o desaparecido se erguero. 

Grover se exaltou. O desaparecido! Tem que ser Pan! Isso  timo! 
Com o morto e o traidor, eu adicionei. No to timo. 
E? Quron perguntou. Qual  o resto? 
Pela mo do rei fantasma voc se erguer ou cair, disse Annabeth, O ato final da 
criana de Atena acontecer. 


Todos se olharam desconfortveis. Annabeth era filha de Atena, e ato final no soava 
muito bem. 
Ei... no devemos tirar concluses precipitadas, disse Silena. Annabeth no  a nica 
criana de Atena, certo? 
Mas quem  esse rei fantasma? Beckendorf perguntou. 
Ningum respondeu. Eu pensei na mensagem de ris em que eu vira Nico invocando 
espritos. Tive um mau pressentimento que a profecia estava conectada com isso. 
H mais linhas? Quron perguntou. A profecia no parece completa. 
Annabeth hesitou. Eu no me lembro exatamente. 
Quron ergueu uma sobrancelha. Annabeth era conhecida por sua memria. Ela nunca 
esquecia coisas que ela tinha ouvido. 
Annabeth se mexeu no seu banco. Alguma coisa sobre... Com o ltimo suspiro do 
heri ser destrudo. 


E? Quron perguntou. 



Ela continuou parada. Olha, o ponto  que eu tenho que entrar. Eu vou achar a oficina 
e impedir Luke. E... eu preciso de ajuda. Ela se virou para mim. Voc vir? 
Eu sequer hesitei. Estou dentro. 
Ela sorriu para mim pela primeira vez em dias, e isso fez tudo valer a pena. 
Grover, voc tambm? O deus da natureza est esperando. 
Grover pareceu esquecer o quanto ele odiava o subsolo. A linha sobre o desaparecido 
havia energizado-o completamente. Eu vou empacotar reciclveis extras para o 
lanche! 
E Tyson, disse Annabeth. Vou precisar de voc tambm. 
Oba! Hora de explodir coisas! Tyson bateu palmas com tanta fora que acordou a Sra. 
OLeary que estava cochilando no canto. 
Espere, Annabeth, disse Quron. Isto vai contra as leis antigas. A um heri  
permitido apenas dois companheiros. 
Eu preciso de todos eles, ela insistiu. Quron, isso  importante. 
Eu no sabia por que ela tinha tanta certeza, mas eu estava feliz por ela ter includo 
Tyson. Eu no podia me imaginar deixando ele para trs. Ele era grande e forte e timo 
entendendo coisas mecnicas. Diferente dos stiros, os ciclopes no tinham problema 
no subsolo. 
Annabeth, Quron mexeu sua cauda nervosamente. Considere bem. Voc estaria 
quebrando as leis antigas, e sempre existem consequncias. No ltimo inverno, cinco 
foram numa misso para salvar rtemis. Apenas trs voltaram. Pense nisso. Trs  um 
nmero sagrado. H trs parcas, trs frias, trs filhos olimpianos de Cronos.  um bom 
nmero forte que se sustenta contra muitos perigos. Quatro...  um risco. 
Annabeth respirou fundo. Eu sei. Mas ns precisamos. Por favor. 
Eu podia dizer que Quron no gostou disso. Quintus estava nos observando, como se 
estivesse tentando decidir qual de ns voltaria vivo. 
Quron suspirou. Muito bem. Vamos parar por aqui. Os membros da misso devem se 
preparar. Amanh ao amanhecer, enviaremos vocs para o Labirinto. 


*** 

Quintus me puxou de lado quando o conselho se dissolveu. 
Eu tenho um mau pressentimento sobre isso, ele me disse. 
Sra. OLeary veio para perto de ns, abanando sua cauda feliz. Ela jogou seu escudo 
aos meus ps, e eu o joguei para ela. Quintus assistiu ela correr atrs dele. Eu me 
lembrei do que Juniper dissera sobre ele ter ido explorar o Labirinto. Eu no confiava 
nele, mas quando ele olhou para mim, eu vi preocupao real em seus olhos. 
Eu no gosto da ideia de voc ir l embaixo, disse ele. Nenhum de vocs. Mas se 
vocs precisam, eu quero que voc se lembre de algo. O labirinto existe para confundir 
voc. Ele vai distra-lo.  perigoso para meio-sangues. Ns somos facilmente 
distrados. 
Voc j esteve l? 
H muito tempo. Sua voz falhou. Eu quase no escapei com a minha vida. A maioria 
que entra no tem essa sorte. 
Ele segurou meu ombro. Percy, mantenha sua mente focada no que mais importa. Se 
voc conseguir fazer isso, voc encontrar o caminho. E aqui, queria te dar isso. 
Ele me entregou um pequeno tubo prata. Era to frio que eu quase o larguei. 
Um apito? perguntei. 
Um apito de cachorro, disse Quintus. Para a Sra. OLeary. 
Hum, obrigado, mas  



Como isso ir funcionar no labirinto? Eu no tenho cem por cento de certeza que ir. 
Mas a Sra. OLeary  um co infernal. Ela pode aparecer quando chamada, no importa 
quo longe ela esteja. Eu me sentiria melhor se voc ficasse com isso. Se voc 
realmente precisar de ajudar, use isso; mas seja cuidadoso, o apito  feito de gelo 
stygiano. 
Gelo o qu? 
Do rio Styx. Muito difcil de quebrar. Muito delicado. Ele no pode derreter, mas ele 
vai se despedaar quando voc assopr-lo, ento voc s pode us-lo uma vez. 
Eu pensei em Luke, meu antigo inimigo. Antes de ir na minha primeira misso, Luke 
me deu um presente tambm  tnis mgicos que foram programados para me arrastar 
para a minha morte. Quintus parecia legal. To preocupado. E a Sra. OLeary gostava 
dele, o que devia contar para alguma coisa. Ela largou o escudo pegajoso aos meus ps 
e latiu excitadamente. 
Eu me senti envergonhado por ter sequer pensado em desconfiar de Quintus. Mas 
novamente, eu confiei em Luke uma vez. 
Obrigado, disse a Quintus. Coloquei o apito congelante no meu bolso, prometendo a 
mim mesmo que eu nunca o usaria, ento corri para encontrar Annabeth. 

*** 

Desde que entrara para o acampamento, eu nunca estivera dentro do chal de Atena. Era 
um prdio prata, nada extravagante, com planas cortinas brancas e uma coruja entalhada 
em pedra sobre a porta. Os olhos de nix da coruja pareciam me seguir enquanto eu me 
aproximava. 
Oi? chamei. 
Ningum respondeu. Eu entrei e respirei fundo. O lugar era uma oficina para crianas 
superdotadas. Os beliches estavam todos empurrados ao lado de uma parede como se 
dormir no fosse importante. A maior parte da sala estava cheia de bancadas e mesas e 
conjuntos de ferramentas e armas. No fundo da sala estava uma enorme biblioteca cheia 
de antigos pergaminhos, livros com capas de couro e brochuras. Havia uma mesa de 
desenho de arquiteto com um monte de rguas e transferidores, e alguns modelos 3-D 
de prdios. Enormes velhos mapas de guerra estavam afixados no teto. Conjuntos de 
armaduras estavam pendurados abaixo da janela, seus pratos de bronze brilhando no 
sol. 
Annabeth estava na parte de trs do cmodo, remexendo atravs de pergaminhos 
velhos. 
Toc, toc? falei. 
Ela virou com um arranque. Oh,... oi. No escutei voc. 
Voc est bem? 
Ela fechou a cara para os pergaminhos em suas mos. S tentando fazer uma pesquisa. 
O Labirinto de Ddalo  to grande. Nenhuma das histrias concorda em alguma coisa. 
Os mapas apenas levam de lugar nenhum para nenhum lugar. 
Eu pensei no que Quintus dissera, como o labirinto tenta distrair voc. Eu me perguntei 
se Annabeth j sabia disso. 
Ns vamos descobrir, prometi. 
Seu cabelo havia se soltado e estava suspenso em uma cortina emaranhada loira em 
volta do seu rosto. Seus olhos cinza pareciam quase pretos. 
Eu quis liderar uma misso desde que tinha sete anos, disse ela. 
Voc vai ser incrvel. 



Ela olhou para mim agradecida, mas ento olhou para baixo para todos os livros e 
pergaminhos que ela tirara das prateleiras. Eu estou preocupada, Percy. Talvez eu no 
devesse ter te chamado para fazer isso. Ou Tyson ou Grover. 
Ei, ns somos seus amigos. Nos no perderamos isso. 
Mas... Ela se interrompeu. 
O que ? perguntei A profecia? 
Tenho certeza que est tudo bem, ela disse em voz baixa 
O que era a ltima linha? 
Ento ela fez algo que realmente me surpreendeu. Ela piscou lgrimas e esticou os 
braos. 
Eu dei um passo a frente e a abracei. Borboletas comearam a se revirar no meu 
estmago. 
Ei, est... est tudo bem. Eu afaguei suas costas. 
Eu estava ciente de tudo no cmodo. Eu sentia como se pudesse ler a menor impresso 
em qualquer livro das prateleiras. O cabelo de Annabeth cheirava a sabonete de limo. 
Ela estava tremendo. 
Talvez Quron esteja certo, sussurrou ela. Eu estou quebrando as regras. Mas eu no 
sei mais o que fazer. Eu preciso de vocs trs. Apenas parece certo. 
Ento no se preocupe com isso, falei. Ns j tivemos muitos problemas antes, e ns 
resolvemos todos. 
Isto  diferente. Eu no quero que nada acontea com... nenhum de vocs. 
Atrs de mim, algum pigarreou. 
Era um dos meio-irmos de Annabeth, Malcom. O rosto dele estava vermelho brilhante. 
Hum, desculpa, disse ele. O treino de arco e flecha j comeou, Annabeth. Quron 
disse para vir achar voc. 
Eu me afastei de Annabeth. Ns s estvamos olhando mapas, eu disse 
estupidamente. 
Malcom olhou para mim. Ok. 
Diga a Quron que eu j vou estar l, disse Annabeth, e Malcom saiu apressado. 
Annabeth esfregou os olhos. V em frente, Percy.  melhor eu me preparar para o 
treino de arco e flecha. 
Eu assenti, sentindo-me mais confuso do que jamais me sentira na minha vida. Eu 
queria sair correndo do chal... mas de novo eu no o fiz. 
Annabeth? disse. Sobre sua profecia. A frase sobre o ltimo suspiro de um heri... 
Voc est imaginando qual heri? Eu no sei. 
No.  outra coisa. Eu estive pensando que a ltima frase normalmente rima com a 
anterior. Era alguma coisa sobre  terminava na palavra perdido? 
Annabeth olhou para os seus pergaminhos. Seria melhor voc ir, Percy. Prepare-se 
para a misso. Eu verei  verei voc de manh. 
Eu a deixei l, vendo os mapas que levavam de lugar nenhum para lugar nenhum; mas 
eu no podia afastar a sensao de que um de ns no voltaria dessa misso vivo. 




CINCO 



NICO COMPRA MC LANCHE FELIZ PARA OS MORTOS 

Pelo menos tive uma boa noite de sono antes da misso, certo? 
Errado. 
Naquela noite nos meus sonhos, eu estava na cabine do Princesa Andrmeda. As 
janelas estavam abertas sobre um mar iluminado pela lua. O vento frio balanava as 
cortinas de veludo. 
Luke se ajoelhava sobre um tapete persa em frente ao sarcfago dourado de Cronos. Na 
luz do luar, o cabelo loiro de Luke parecia puramente branco. Ele usava uma 
antiga tnica grega e uma himation branca, uma espcie de capa que descia pelos seus 
ombros. As roupas brancas o fizeram parecer atemporal e um pouco surreal, como um 
dos deuses menores no Monte Olimpo. A ltima vez que eu o vi, ele estivera quebrado e 
inconsciente depois de uma queda feia do Monte Tam. Agora ele parecia perfeitamente 
bem. Quase saudvel demais. 
Nossos espies relatam sucesso, meu senhor, disse ele. Acampamento Meio-Sangue 
est enviando uma misso, como o senhor previu. A nossa parte do acordo est quase 
completa. 
Excelente. A voz de Cronos no apenas falava como perfurava minha mente 
como um punhal. Era congelada com crueldade. Uma vez que tenhamos os meios para 
navegar, vou levar a vanguarda atravs eu mesmo. 


Luke fechou os olhos como se coletando seus pensamentos. Meu senhor, talvez 
seja muito cedo. Talvez Krios ou Hyperion devam liderar 
No. A voz era calma, mas absolutamente firme. Eu vou liderar. Mais um corao deve 
juntar-se  nossa causa, e isso ser suficiente. Finalmente eu me erguerei completo 
do Trtaro. 


Mas a forma, meu senhor... A voz de Luke comeou a tremer. 
Mostre-me sua espada, Luke Castellan. 
Um sobressalto passou por mim. Eu percebi que nunca ouvira o sobrenome de Luke 
antes. Isso nunca sequer tinha me ocorrido. 
Luke desembanhou sua espada. A lmina dupla de Mordecostas brilhou perversamente 


 metade ao, metade bronze celestial. Eu quase fui morto vrias vezes por essa 
espada. Era uma arma maligna, capaz de matar mortais e monstros. Era a nica lmina 
que eu realmente temia. 
Voc se comprometeu comigo, Cronos lembrou-o. Voc pegou essa espada como 
prova do seu juramento. 
Sim, meu senhor.  apenas que 

Voc queria poder. Eu lhe dei isso. Voc agora no pode ser ferido. Logo voc 
ir governar o mundo dos deuses e dos mortais. No deseja se vingar? Ver o Olimpo 
destrudo? 

Um arrepio correu atravs do corpo de Luke. Sim. 
O caixo brilhava, luz dourada enchia a sala. Ento prepare a fora de ataque. Logo 
que o acordo estiver fechado, devemos avanar. Primeiro, o Acampamento Meio-
Sangue ser reduzido a cinzas. Uma vez que os heris enfadonhos estejam eliminados, 
ns marcharemos para o Olimpo. 


Houve uma batida na porta da cabine. A luz do caixo sumiu. Luke se ergueu. Ele 
embainhou sua espada, ajustou suas roupas brancas, e respirou fundo. 
Entre. 
As portas se abriram. Duas dracaenae escorregaram para dentro  mulheres com 
troncos duplos de serpente em vez de pernas. Entre elas caminhava Kelli, a empousa 
lder de torcida da minha orientao de calouros. 
Ol, Luke, Kelli sorriu. Ela usava um vestido vermelho e estava incrvel, mas eu vira 
a sua verdadeira forma. Eu sabia o que ela estava escondendo: pernas desparelhadas, 
olhos vermelhos, presas e cabelo flamejante. 
O que  isso, demnio? A voz de Luke era fria. Eu lhe disse para no me perturbar. 
Kelli fez beicinho. Isso no  muito legal. Voc parece tenso. Que tal uma massagem 
nos ombros? 
Luke recuou um passo. Se voc tem algo a relatar, fale. Caso contrrio, saia! 
Eu no sei por que voc est to irritado estes dias. Voc costumava ser divertido para 
passar o tempo. 
Isso foi antes de ver o que voc fez com aquele garoto em Seattle. 
Oh, ele no significou nada para mim, disse Kelli. Somente um lanche, na verdade. 
Voc sabe que meu corao pertence a voc, Luke. 
Obrigado, mas no, obrigado. Agora relate ou saia. 
Kelli deu de ombros. timo. A equipe avanada est pronta, para sua surpresa. Ns 
podemos partir  Ela franziu as sobrancelhas. 
O que ? Luke perguntou. 
Uma presena, disse Kelli. Seus sentidos esto ficando entorpecidos, Luke. 
Estamos sendo vigiados. 
Ela examinou a cabine. Seus olhos focaram direto em mim. Seu rosto murchou como o 
de uma bruxa. Ela exps suas presas e atacou. 


*** 

Eu acordei com um baque, meu corao batendo. Eu podia jurar que as presas da 
empousa estavam a um centmetro da minha garganta. 
Tyson estava roncando no beliche prximo. O som me acalmou um pouco. Eu no sabia 
como Kelli podia ter me sentido em um sonho, mas eu ouvira mais do que queria saber. 
Um exrcito estava pronto. Cronos iria lider-lo pessoalmente. 
Tudo que eles precisavam era de uma maneira para navegar o Labirinto para que 
pudessem invadir e destruir o Acampamento Meio-Sangue, e Luke aparentemente 
pensava que isso iria acontecer muito em breve. 
Fiquei tentado a ir acordar Annabeth e dizer a ela, meio da noite ou no. Ento percebi 
que o quarto estava mais claro do que deveria estar. Um brilho azul esverdeado vinha 
da fonte de gua salgada, mais brilhante e urgente do que na noite anterior. Era quase 
como se a gua sussurrasse. 
Eu sa da cama e me aproximei. 
Nenhuma voz veio da gua desta vez, pedindo por um depsito. Eu tive a sensao de 
que a fonte estava esperando que eu fizesse o primeiro movimento. 
Eu provavelmente deveria ter voltado para a cama. Em vez disso eu pensei sobre o que 
eu vira noite passada  a estranha imagem de Nico na margem do rio Styx. 
Voc est tentando me dizer alguma coisa, falei. 
Nenhuma resposta da fonte. 
Tudo bem, disse. Me mostre Nico di Angelo. 



Eu nem sequer joguei uma moeda, mas desta vez no importava. Foi como se 
alguma outra fora tivesse controle da gua alm de ris, a deusa mensageira. 
A gua se agitou. Nico apareceu, mas ele j no estava mais no Mundo Inferior. Ele 
estava parado em um cemitrio sob um cu estrelado. Salgueiros gigantes se agitavam 
ao redor dele. 
Ele estava olhando alguns cavadores de cova trabalhando. Ouvi ps e vi terra voando 
para fora do buraco. Nico estava vestindo um casaco preto. A noite estava 
nebulosa. Estava quente e mido, e rs coaxavam. Uma grande sacola do Wal-Mart 
estava ao lado dos ps de Nico. 
Est profunda o suficiente? Nico perguntou. Ele soou irritado. 
Quase, meu senhor. Era o mesmo fantasma que eu vira antes com Nico, a indistinta 
imagem de um homem. Mas, meu senhor, eu lhe digo, isto  desnecessrio. Voc j 
tem a mim para aconselh-lo. 
Quero uma segunda opinio! Nico estalou os dedos, e a escavao parou. Duas 
figuras saram do buraco. No eram pessoas. Eram esqueletos em roupas esfarrapadas. 
Vocs esto dispensados, disse Nico. Obrigado. 
Os esqueletos desabaram em pilhas de ossos. 
Voc pode bem agradecer tambm s ps, o fantasma reclamou. Elas tm tanto 
crdito quanto. 
Nico o ignorou. Ele abriu sua sacola do Wal-Mart e puxou um pacote com doze Cocas. 
Ele abriu uma lata. No lugar de beber, ele despejou na cova. 
Deixe os mortos provarem novamente, ele murmurou. Deixe-os ressurgir e usufruir 
desta oferenda. Deixe-os lembrar. 
Ele derramou o resto das Cocas na cova e puxou um saco branco de papel decorado 
com desenhos animados. Eu no vira um desses em anos, mas eu reconheci  um Mc 
Lanche Feliz. 
Ele virou de cabea para baixo e jogou as batatas fritas e o hambrguer na vala. 
No meu tempo, usvamos sangue de animal, o fantasma resmungou.  
perfeitamente bom o suficiente. Eles no podem sentir a diferena. 
Eu vou trat-los com respeito, disse Nico. 
Pelo menos me deixe ficar com o brinquedo, o fantasma falou. 
Fique quieto! Nico ordenou. Ele esvaziou outra dzia de refrigerantes e mais trs Mc 
Lanche Feliz na vala, em seguida comeou a entoar um cntico em Grego Antigo. Eu 
entendi apenas algumas das palavras  coisas sobre os mortos e memrias e retornos 
do tmulo. Realmente coisas felizes. 
A cova comeou a borbulhar. Uma espuma marrom lquida subiu ao topo como se a 
coisa toda estivesse se enchendo de refrigerante. A neblina ficou mais espessa. As rs 
pararam de coaxar. Dezenas de figuras comearam a aparecer entre as lpides: 
azuladas, vagamente formas humanas. Nico havia convocado os mortos com coca 
e cheeseburgers. 
So muitos, disse o fantasma nervosamente. Voc no conhece seus prprios 
poderes. 
Eu tenho tudo sob controle, disse Nico, embora sua voz soasse frgil. Ele sacou sua 
espada  uma lmina curta feita de metal preto slido. Eu nunca vira nada parecido. 
No era bronze celestial ou ao. Ferro, talvez? A multido de sombras recuou  vista da 
espada. 
Um de cada vez, Nico ordenou. 
Uma nica figura flutuou a frente e se ajoelhou na piscina. Ele fazia barulho, sugando 
enquanto bebia. Suas mos fantasmagricas retiravam batatas fritas da piscina. 



Quando ele se levantou novamente, eu pude v-lo muito mais claramente  um 
adolescente em armadura grega. Ele tinha cabelo encaracolado e olhos verdes, um fecho 
em forma de concha em sua capa. 
Quem  voc? Nico disse. Fale. 
O jovem franziu a testa como se tentasse se lembrar. A ele falou em uma voz como 
papel seco e amassado: Eu sou Teseu. 


De jeito nenhum, pensei. Esse no pode ser o Teseu. Ele era apenas um garoto. Eu 
cresci ouvindo histrias sobre ele combatendo o Minotauro e outras coisas, mas 
eu sempre o imaginei como esse cara enorme e forte. O fantasma para o qual eu estava 
olhando no era forte ou alto. E ele no era mais velho do que eu era. 
Como posso recuperar a minha irm? Nico perguntou. 
Os olhos de Teseu estavam sem vida como vidro. No tente.  loucura. 
Apenas me diga! 
Meu padrasto morreu, Teseu se lembrou. Ele se atirou no mar porque pensou que eu 
morrera no Labirinto. Eu quis traz-lo de volta, mas no pude. 
O fantasma de Nico sibilou. Meu senhor, a troca de almas! Pergunte a ele sobre isso! 
Teseu endureceu. Essa voz. Eu conheo essa voz. 
No, voc no conhece, tolo! disse o fantasma. Responda s perguntas do mestre e 
nada mais! 
Eu conheo voc, Teseu insistiu, como se estivesse se esforando para recordar. 
Eu quero ouvir sobre a minha irm, disse Nico. Essa misso no Labirinto me ajudar 
a t-la de volta? 
Teseu estava olhando para o fantasma, mas aparentemente no conseguia v-lo. 
Lentamente, ele virou os olhos para Nico. O Labirinto  traioeiro. S h uma coisa 
que me fez ver atravs: o amor de uma mulher mortal. O fio era apenas parte da 
resposta. Foi a princesa que me guiou. 
No precisamos de nada disso, disse o fantasma. Eu irei gui-lo, meu 
senhor. Pergunte a ele se  verdade sobre uma troca de almas. Ele vai dizer. 
Uma alma por outra alma, perguntou Nico.  verdade? 
E-eu devo dizer que sim. Mas o espectro  
Apenas responda s perguntas, patife! disse o fantasma. 


De repente, em volta das bordas da piscina, os outros fantasmas ficaram inquietos. Eles 
se agitaram, sussurrando em tons nervosos. 
Eu quero ver minha irm! Nico exigiu. Onde est ela? 
Ele est vindo, disse medrosamente Teseu. Ele sentiu as suas convocaes. Ele vem 
vindo. 
Quem? Nico demandou. 
Ele vem para encontrar a fonte deste poder, disse Teseu. Voc deve nos libertar. 
A gua na minha fonte comeou a tremer, sussurrando com poder. Eu percebi que todo 


o chal estava tremendo. O rudo ficou mais alto. A imagem de Nico no cemitrio 
comeou a brilhar at que se tornou doloroso assistir. 
Pare, eu disse em voz alta. Pare! 
A fonte comeou a rachar. Tyson murmurou em seu sono e mudou de posio. Luz roxa 
irradiava horrivelmente, sombras fantasmagricas nas paredes do chal, como se os 
espectros estivessem fugindo para fora da fonte. 
Em desespero eu destampei Contracorrente e golpeei a fonte, partindo-a em dois. gua 
salgada se derramou por toda parte, e a grande pedra da fonte caiu e se espatifou em 
pedaos no cho. Tyson roncou e murmurou, mas continuou dormindo. 
Eu afundei no cho, com calafrios pelo que eu havia visto. Tyson me encontrou l de 
manh, ainda olhando para a os restos despedaados da fonte de gua salgada. 

*** 


Logo aps o amanhecer, o grupo da misso se reuniu no Punho de Zeus. Eu arrumei 
minha mochila  garrafas trmicas com nctar, ambrosia, saco de dormir, cordas, 
roupas, lanternas, e muitas baterias extras. Eu tinha Contracorrente no meu bolso. O 
mgico escudo/relgio de pulso que Tyson fizera para mim estava no meu pulso. 
Era uma manh clara. O nevoeiro tinha sumido e o cu estava azul. Os Campistas 
teriam suas aulas hoje, voando em pgasos e praticando arco e flecha e escalando o 
paredo de lava. Enquanto isso estaramos nos dirigindo ao subterrneo. 
Juniper e Grover estavam separados do grupo. Juniper estivera chorando 
novamente, mas ela estava tentando manter-se bem por Grover. Ela ficava mexendo nas 
roupas dele, endireitando seu bon e peles e tirando pelo de bode de sua camisa. Uma 
vez que no tnhamos ideia do que iramos encontrar, ele estava vestido como humano, 
com o bon para ocultar os seus chifres, e jeans, falsos ps, e tnis para esconder suas 
pernas de bode. 
Quron, Quintus, e a Sra. O'Leary estavam com os outros campistas que vieram nos 
desejar boa sorte, mas havia muita atividade para sentir como sendo uma despedida 
feliz. Uma dupla de tendas havia sido erguida nas rochas para o servio de guarda. 
Beckendorf e seus irmos estavam trabalhando em uma linha defensiva de cravos 
e trincheiras. Quron tinha decidido que precisvamos guardar a sada no labirinto todo 

o tempo, s por via das dvidas. 
Annabeth estava fazendo uma ltima verificao na sua mochila. Quando Tyson e eu 
chegamos perto, ela franziu a testa. Percy, voc est horrvel. 
Ele matou a fonte de gua noite passada, confidenciou Tyson. 
O qu? ela perguntou. 
Antes que eu pudesse explicar, Quron chegou trotando. Bem, parece que vocs 
esto prontos! 
Ele tentou soar otimista, mas eu podia dizer que ele estava ansioso. Eu no 
queria preocup-lo mais ainda, mas eu pensei sobre o sonho da ltima noite, e antes que 
eu pudesse mudar de ideia, falei, Ei, Quron, posso lhe pedir um favor enquanto eu 
estiver fora? 
Claro, meu garoto. 
J volto, gente. Eu indiquei o bosque. Quron ergueu uma sobrancelha, mas me 
seguiu de perto. 
Na noite passada, disse, eu sonhei com Luke e Cronos. Contei a ele os 
detalhes. A notcia pareceu pesar em seus ombros. 
Eu temia isso, disse Quron. Contra o meu pai, Cronos, no teramos chance em uma 
luta. 
Quron raramente chamava Cronos de seu pai. Quero dizer, todos ns sabamos que era 
verdade. Todo mundo no mundo grego  deus, monstro, ou Tit  era aparentado de 
alguma forma. Mas isso no era exatamente algo do qual Quron gostava de se gabar. 
Oh, meu pai  o todo-poderoso lorde Tit demonaco que quer destruir a Civilizao 
Ocidental. Eu quero ser exatamente como ele quando crescer! 
Voc sabe o que ele quis dizer sobre um acordo? perguntei. 
No tenho certeza, mas temo que eles procurem fazer um acordo com Ddalo. Se 

o velho inventor est realmente vivo, se ele no ficou louco pelos milnios no 
Labirinto... bem, Cronos pode encontrar maneiras de torcer qualquer um para sua 
vontade. 
No qualquer um, prometi. 

Quron conseguiu sorrir. No. Talvez no qualquer um. Mas, Percy, voc deve tomar 
cuidado. Eu tenho me preocupado h algum tempo que Cronos pode estar  procura de 
Ddalo por um motivo diferente, no apenas passagem pelo labirinto. 
O que mais ele poderia querer? 
Algo que Annabeth e eu estvamos conversando. Voc se lembra o que voc me 
contou sobre a sua primeira viagem ao Princesa Andrmeda, a primeira vez que voc 
viu o caixo dourado? 
Eu assenti. Luke estava falando sobre erguer Cronos, pedacinhos dele aparecendo no 
caixo cada vez que algum novo aderia a sua causa. 
E o que Luke disse que faria quando tivesse erguido Cronos completamente? 
Um calafrio desceu pela minha coluna. Ele disse que faria um novo corpo para Cronos, 
digno das forjas de Hefesto. 
Certamente, disse Quron. Ddalo foi o maior inventor do mundo. Ele criou o 
labirinto, mas muito mais. Autmatos, mquinas pensantes... E se Cronos desejar que 
Ddalo faa para ele uma nova forma? 
Isso foi um pensamento realmente agradvel. 
Temos que chegar primeiro no Ddalo, disse, e convenc-lo a no fazer. 
Quron encarou as rvores. Uma outra coisa que eu no compreendo... essa conversa 
sobre uma ltima alma se unindo  causa deles. Isto no soa nada bem. 
Mantive a minha boca fechada, mas me senti culpado. Eu tinha tomado a deciso de no 
contar a Quron sobre Nico ser um filho de Hades. A meno de almas, entretanto  E 
se Cronos souber sobre Nico? E se ele conseguir torn-lo mal? Foi quase o suficiente 
para me fazer querer contar a Quiron, mas no o fiz. Mas eu no estava certo se Quron 
poderia fazer algo sobre isso. Eu tinha que encontrar Nico eu mesmo. Tinha que 
explicar as coisas pra ele, faz-lo ouvir. 
No sei, eu disse finalmente. Mas, hum, algo que Juniper disse, talvez voc deva 
ouvir. Eu disse a ele como a ninfa das rvores tinha visto Quintus rondando as rochas. 
Quron endureceu a mandbula. Isso no me surpreende. 
Isso no  quer dizer que voc sabia? 
Percy, quando Quintus apareceu no acampamento oferecendo seus servios... bem, 
eu seria um tolo se no suspeitasse. 
Ento por que voc o deixou entrar? 
Porque s vezes  melhor ter algum que voc desconfia perto de voc, de modo que 
voc possa manter um olho nele. Ele pode ser exatamente o que ele diz: um meio-
sangue em busca de um lar. Certamente ele no tem feito nada abertamente que me faa 
questionar sua lealdade. Mas acredite em mim. Irei manter um olho  
Annabeth foi at ns, provavelmente curiosa por que estvamos demorando tanto. 
Percy, voc est pronto? 
Eu assenti. Minha mo escorregou para o meu bolso, onde pus o apito gelado que 
Quintus me dera. Eu olhei para frente e vi Quintus me observando atentamente. Ele 
levantou a mo em despedida. 
Nossos espies relatam sucesso, Luke dissera. No mesmo dia que decidimos enviar uma 
misso, Luke soubera sobre isso. 
Tome cuidado, Quron nos disse. E boa caada. 
Voc tambm, falei. 
Caminhamos para as rochas, onde Tyson e Grover estavam esperando. Eu encarei a 
rachadura entre os rochedos  a entrada que estava prestes a nos engolir. 
Bem, disse Grover nervosamente, adeus, luz do sol. 
Ol, rochas, Tyson concordou. 
E juntos, os quatro de ns desceram para as trevas. 



SEIS 



NS ENCONTRAMOS O DEUS DE DUAS CARAS 

Conseguimos andar uns trinta metros antes de estarmos irremediavelmente perdidos. 
O tnel no parecia nada similar ao que Annabeth e eu tnhamos tropeado antes. Agora 
era redondo como um esgoto, construdo de tijolos vermelhos com vos com barras de 
ferro de trs metros. Eu iluminei atravs de um dos vos por curiosidade, mas no pude 
ver nada. Ele se abria em infinita escurido. Pensei ter ouvido vozes do outro lado, mas 
podia ter sido apenas o vento frio. 
Annabeth tentou o seu melhor para guiar-nos. Ela teve essa ideia de que devamos nos 
ater  parede esquerda. 
Se mantivermos uma mo na parede da esquerda e segui-la, disse ela, devemos ser 
capazes de encontrar o nosso caminho de volta invertendo o curso. 
Infelizmente, logo que ela disse isso, a parede da esquerda desapareceu. Ns nos 
encontramos no meio de uma cmara circular com oito tneis, e no tnhamos ideia de 
como chegramos l. 
Hum, por qual caminho viemos? Grover disse nervosamente. 
Apenas d meia volta, Annabeth disse. 
Cada um de ns se virou para um tnel diferente. Foi ridculo. Nenhum de ns 
conseguia decidir que caminho levava de volta ao acampamento. 
Paredes da esquerda so ms, disse Tyson. Qual o caminho agora? 
Annabeth varreu a entrada dos oito tneis com a lanterna. No que eu podia dizer, elas 
eram idnticas. Por ali, disse ela. 
Como voc sabe? perguntei. 
Raciocnio dedutivo. 
Ento... voc est adivinhando. 
Apenas venha, ela falou. 
O tnel que ela escolhera se estreitou rapidamente. As paredes transformaram-se em 
cimento cinza, e o teto ficou to baixo que logo, logo tivemos que arquear as costas. 
Tyson foi forado a engatinhar. 
Grover hiperventilando era o mais alto rudo no labirinto. Eu no posso mais aguentar 
isso, ele sussurrou. J chegamos? 
Ns estamos aqui em baixo por talvez cinco minutos, Annabeth disse a ele. 
Foi mais do que isso, insistiu Grover. E por que Pan estaria aqui em baixo? Este  o 
oposto da natureza! 
Continuamos desordenadamente em frente. Bem quando tive certeza de que o tnel 
ficaria to estreito que iria nos espremer, ele se abriu numa enorme sala. Eu iluminei as 
paredes em volta com minha lanterna e disse, Uau. 
O cmodo todo era coberto de azulejos de mosaico. As figuras estavam encardidas e 
desbotadas, mas eu ainda podia ver as cores . 
vermelho, azul, verde, dourado. O mural 
mostrava os deuses olimpianos em um banquete. L estava o meu pai, Poseidon, com o 
seu tridente, segurando uvas para Dioniso transformar em vinho. Zeus estava festejando 
com stiros, e Hermes estava voando atravs do ar com suas sandlias aladas. As 
imagens eram lindas, mas no eram muito precisas. Eu tinha visto os deuses. Dioniso 
no era bonito assim, e o nariz de Hermes no era to grande. 



No meio da sala estava uma fonte com trs nveis. Parecia que no tinha gua na fonte 
h um longo tempo. 
Que lugar  este? murmurei. Parece  
Romano, Annabeth disse. Esses mosaicos so de dois mil anos atrs. 
Mas como eles podem ser romanos? Eu no era bom em histria antiga, mas eu tinha 
certeza de que o Imprio Romano nunca chegara to longe como Long Island. 
O labirinto  uma miscelnia, Annabeth falou. Eu te disse, est sempre em expanso, 
adicionando peas.  o nico trabalho de arquitetura que cresce por si mesmo. 
Voc faz soar como se estivesse vivo. 
Um barulho como um gemido ecoou do tnel em frente a ns. 
No vamos falar sobre isso estar vivo, Grover choramingou. Por favor? 
Tudo bem, disse Annabeth. Avanando. 
Descer o corredor com os sons ruins? Tyson disse. At mesmo ele parecia nervoso. 
, Annabeth falou. A arquitetura est ficando mais velha. Isso  um bom sinal. A 
oficina de Ddalo ser na parte mais antiga. 
Isso fazia sentido. Mas logo o labirinto estava brincando com a gente  andamos 
quinze metros e o tnel virou cimento de novo, com canos de bronze correndo pelos 
lados. As paredes foram grafitadas com spray. Lia-se em um letreiro de neon MOZ 
MANDA. 
Eu acho que isso no  romano, eu disse prestativamente. 
Annabeth respirou profundamente, ento seguiu em frente. 
A cada poucos passos os tneis espiralavam e se transformavam e se ramificavam. O 
piso abaixo de ns foi de cimento para lama para tijolos e tudo de novo. No havia 
qualquer sentido em nenhum deles. Ns tropeamos em uma adega estreita . 
vrias 
garrafas empoeiradas em prateleiras de madeira . 
como se estivssemos atravessando 


o poro de algum, s que no havia sada alguma acima de ns, s mais tneis. 
Depois o teto se transformou em tbuas de madeira, e eu podia ouvir vozes acima de 
ns e o barulho de pegadas, como se estivssemos caminhando sob algum tipo de bar. 
Era reconfortante ouvir pessoas, mas mais uma vez, no podamos chegar at elas. 
Estvamos presos aqui embaixo, sem sada. Ento ns encontramos nosso primeiro 
esqueleto. 
Ele estava vestido com roupas brancas, como uma espcie de uniforme. Um engradado 
de madeira com garrafas de vidro estava prximo a ele. 
Um leiteiro, Annabeth disse. 
O qu? perguntei. 
Eles costumavam entregar leite. 
, eu sei o que eles so, mas... isso era quando a minha me era pequena, tipo, h um 
milho de anos atrs. O que  que ele est fazendo aqui? 
Algumas pessoas se perdem por engano, Annabeth disse. Algumas vm explorar de 
propsito e nunca saem. H muito tempo atrs, os cretenses enviavam pessoas aqui 
como sacrifcios humanos. 
Grover engoliu. Ele est aqui embaixo h muito tempo. Ele apontou para as garrafas 
dos esqueletos, que estavam cobertas com poeira branca. Os dedos do esqueleto 
estavam arranhando a parede de tijolos, como se ele tivesse morrido tentando sair. 
S os ossos, disse Tyson. No se preocupe, garoto-bode. O leiteiro est morto. 
O leiteiro no me incomoda, Grover falou.  o cheiro. Monstros. Voc no consegue 
sentir? 
Tyson assentiu. Um monte de monstros. Mas o subterrneo cheira assim. Monstros e 
leiteiros mortos. 
Ah, bom, Grover choramingou. Pensei que talvez eu estivesse errado. 

Temos que ir mais fundo no labirinto, Annabeth disse. Tem de haver um caminho 
para o centro. 
Ela nos levou para a direita, depois para a esquerda, atravs de um corredor de ao 
inoxidvel como uma espcie de eixo de ar, e voltamos ao cmodo com azulejos 
romanos e a fonte. 
Desta vez, no estvamos sozinhos. 


*** 

O que eu vi primeiro foram seus rostos. Os dois. Eles saiam de ambos os lados da 
cabea dele, olhando sobre seus ombros, de forma que a cabea dele era muito mais 
ampla do que deveria ser, como uma espcie de tubaro-martelo. Olhando diretamente 
para ele, tudo que eu via eram duas orelhas sobrepostas e imagens-espelho de costeletas. 
Ele estava vestido como um porteiro de Nova York: um longo sobretudo preto, sapatos 
brilhantes, e um chapu preto alto que conseguiu de alguma forma ficar sobre sua 
cabea dupla. 
Bem, Annabeth? disse o rosto da esquerda. Depressa! 
No ligue para ele, falou o rosto da direita. Ele  terrivelmente rude. Por essa 
direo, senhorita. 
O queixo de Annabeth caiu. Uh... eu no... 
Tyson franziu as sobrancelhas. Esse homem engraado tem duas caras. 
O homem engraado tem ouvidos, sabe! a face da esquerda resmungou. Agora 
venha, senhorita. 
No, no, a face da direita disse. Nesta direo, senhorita. Fale comigo, por favor. 
O homem de duas caras observou Annabeth da melhor forma que podia pelo canto dos 
seus olhos. Era impossvel olhar para ele diretamente sem focar um lado ou outro. E de 
repente eu percebi que era isso que ele estava pedindo  ele queria que Annabeth 
escolhesse. 
Atrs dele estavam duas sadas, bloqueadas por portas de madeira com enormes 
cadeados de ferro. Eles no estiveram l na nossa primeira vez na sala. O porteiro de 
duas caras segurava uma chave prata, que ele continuava passando de sua mo esquerda 
para a sua mo direita. Imaginei se este era um lugar completamente diferente, mas o 
mural dos deuses parecia exatamente o mesmo. 
Atrs de ns, a porta pela qual entramos desapareceu, substituda por mais mosaicos. 
No poderamos voltar pelo caminho que viemos. 
As sadas esto fechadas, Annabeth disse. 
D! a face esquerda do homem disse. 
Aonde elas levam? ela perguntou. 
Uma provavelmente leva ao lugar que voc deseja ir, disse o rosto da direita 
animadoramente. A outra leva a uma morte certa. 
E-eu sei quem voc , Annabeth disse. 
Ah, voc  uma sabidinha! O rosto da esquerda zombou. Mas voc sabe que 
caminho escolher? Eu no tenho o dia todo. 
Por que vocs esto tentando me confundir? Annabeth perguntou. 
A face da direita sorriu. Voc est no comando agora, minha querida. Todas as 
decises esto em seus ombros. Isso  o que voc queria, no ? 
Eu  
Ns conhecemos voc, Annabeth, a face da esquerda disse. Sabemos com o que voc 
luta todos os dias. Sabemos das suas indecises. Voc ter que fazer sua escolha mais 
cedo ou mais tarde. E a escolha pode matar voc. 



Eu no sabia do que eles estavam falando, mas soou como se fosse mais do que uma 
escolha entre portas. 
A cor fugiu do rosto de Annabeth. No... Eu no  
Deixe-a em paz, disse. Quem  voc, afinal? 
Eu sou o seu melhor amigo, a face da direita disse. 
Eu sou o seu pior inimigo, a face da esquerda disse. 
Eu sou Jano, afirmaram ambas as faces em harmonia. Deus das portas. Comeos. 
Finais. Escolhas. 
Eu verei voc muito em breve, Perseu Jackson, disse a face da direita. Mas agora  a 
vez de Annabeth. Ele riu vertiginosamente. To divertido! 
Cale a boca! O rosto da esquerda disse. Isso  srio. Uma m escolha pode arruinar 
toda a sua vida. Pode matar voc e todos os seus amigos. Mas sem presso, Annabeth. 
Escolha! 
Com um repentino calafrio, eu me lembrei das palavras da profecia: O ato final da 
criana de Atena acontecer. 


No faa isso, disse. 
Eu receio que ela tenha de fazer, o rosto da direita disse alegremente. 
Annabeth umidificou seus lbios. Eu... eu escolho  
Antes que ela pudesse apontar para uma porta, uma brilhante luz inundou a sala. 
Jano levantou suas mos para cada lado de sua cabea para cobrir os olhos. Quando a 
luz sumiu, uma mulher estava em p na fonte. 
Ela era alta e elegante com longos cabelos da cor de chocolate, tranados com fitas de 
ouro. Ela usava um vestido branco simples, mas quando ela se movia, o tecido 
tremulava com cores como leo sobre a gua. 
Jano, disse ela, estamos causando problemas de novo? 
N-no, minha senhora! a face de Jano da direita gaguejou. 
Sim! O rosto da esquerda disse. 
Cale a boca! O rosto da direita disse. 
Com licena? a mulher pediu. 
No voc, minha senhora! Eu estava falando comigo mesmo. 
Entendo, disse a dama. Voc sabe muito bem que sua visita  prematura. A hora da 
garota ainda no chegou. Ento eu darei a voc uma escolha: deixar estes heris comigo 
ou irei transformar voc em uma porta e quebrar-te. 
Que tipo de porta? a face da esquerda perguntou. 
Cale a boca! o rosto da direita disse. 
Porque portas francesas so legais, a face da esquerda devaneou. Cheias de luz 
natural. 
Cale a boca! A face da direita se lamuriou. No voc, minha senhora! Claro que eu 
vou sair. Eu s estava me divertindo um pouco. Fazendo o meu trabalho. Oferecendo 
opes. 
Causando indeciso, a mulher corrigiu. Agora v! 
O rosto da esquerda murmurou, A autoridade da festa, ento ele levantou a sua chave 
prateada, inseriu no ar, e desapareceu. 
A mulher se voltou para ns, e medo se fechou em torno do meu corao. Seus olhos 
brilhavam com poder. Deixe estes heris comigo. Isso no parecia bom. Por um 
segundo, eu quase desejei que tivssemos tentado nossas chances com Jano. Mas ento 
a mulher sorriu. 
Vocs devem estar com fome, disse ela. Sentem comigo e falem. 



Ela acenou sua mo, e a antiga fonte romana comeou a funcionar. Jatos de gua clara 
pulverizaram o ar. Uma mesa de mrmore apareceu, carregada de bandejas com 
sanduches e jarros de limonada. 
Quem... quem  voc? perguntei. 
Sou Hera. A mulher sorriu. Rainha dos Cus. 


*** 

Eu havia visto Hera antes somente uma vez em um Conselho dos Deuses, mas eu no 
tinha prestado muita ateno nela. Na poca eu tinha sido cercado por um bando de 
outros deuses que discutiam se iam ou no me matar. 
Eu no me lembrava dela parecer to normal. Claro, os deuses esto normalmente com 
seis metros de altura quando esto no Olimpo, o que faz com que paream muito menos 
normais. Mas agora, Hera parecia uma me comum. 
Ela nos serviu sanduches e despejou limonada. 
Grover, querido, disse ela, use o seu guardanapo. No o coma. 
Sim, madame, disse Grover. 
Tyson, voc est desperdiando. Quer outro sanduche de manteiga de amendoim? 
Tyson abafou um arroto. Sim, senhora simptica. 
Rainha Hera, Annabeth disse. Eu no posso acreditar nisso. O que a senhora est 
fazendo no Labirinto? 
Hera sorriu. Ela agitou um dedo e o cabelo de Annabeth se penteou sozinho. Toda a 
sujeira e fuligem desapareceram do seu rosto. 
Eu vim para ver voc, naturalmente, disse a deusa. 
Grover e eu trocamos olhares nervosos. Normalmente, quando os deuses vm procurar 
por voc, no  pela bondade dos seus coraes.  porque querem alguma coisa. 
Ainda assim, isso no me manteve longe dos sanduches de peru e queijo suo e batatas 
fritas e limonada. Eu no tinha percebido como estava faminto. Tyson estava engolindo 
um sanduche de manteiga de amendoim aps o outro, e Grover estava amando a 
limonada, triturando o copo de isopor como se fosse casquinha de sorvete. 
Eu no achei  Annabeth vacilou. Bem, eu no achei que voc gostasse de heris. 
Hera sorriu indulgentemente. Por causa daquela pequena briga que tive com o 
Hrcules? Sinceramente, ganhei tanta m fama devido a um desentendimento. 
Voc no tentou mat-lo, tipo, um monte de vezes? Annabeth perguntou. 
Hera acenou sua mo desconsiderando. guas passadas, minha querida. Alm disso, 
ele foi um dos filhos do meu amado marido com outra mulher. Minha pacincia estava 
escassa, admito. Mas Zeus e eu tivemos algumas excelentes sesses de aconselhamento 
para casais desde ento. Expusemos nossos sentimentos e chegamos a um entendimento 


. 
principalmente depois daquele ltimo incidente. 
Voc quer dizer quando ele gerou Thalia? Eu supus, mas imediatamente desejei no 
ter feito. Assim que eu disse o nome da nossa amiga, a meio-sangue filha de Zeus, Hera 
voltou seus olhos para mim friamente. 
Percy Jackson, no ? Uma das... crianas de Poseidon. Tive a sensao de que ela 
estava pensando em outra palavra alm de crianas. Pelo que me lembro, eu votei em 
deixar voc viver no solstcio de inverno. Espero ter votado corretamente. 
Ela se virou para Annabeth com um sorriso ensolarado. De qualquer forma, eu 
certamente no desejo a voc nenhum mal, minha menina. Aprecio a dificuldade da sua 
misso. Especialmente quando voc tem que lidar com desordeiros como Jano. 
Annabeth baixou seu olhar. Por que ele estava aqui? Ele estava me deixando louca. 

Tentando, Hera concordou. Voc tem que entender, os deuses menores como Jano 
sempre foram frustrados pelas pequenas funes que desempenham no universo. 
Alguns, receio, tm pouco amor pelo Olimpo, e poderiam ser facilmente tentados a 
juntar-se  ascenso de meu pai. 
Seu pai? disse. Oh, certo. 
Eu tinha esquecido que Cronos era o pai de Hera tambm, assim como era pai de Zeus, 
Poseidon, e todos os deuses olimpianos mais velhos. Acho que isso fazia de Cronos 
meu av, mas o pensamento era to estranho que eu o coloquei para fora da minha 
mente. 
Temos de vigiar os deuses menores, disse Hera. Jano. Hcate. Morfeu. Eles fazem 
beicinho para o Olimpo, mas ainda  
Isso  o que Dioniso foi fazer, eu me lembrei. Ele foi verificar os deuses menores. 
De fato. Hera apontou para os mosaicos dos olimpianos. Voc v, em tempos de 
dificuldade, at mesmo os deuses podem perder a f. Eles comeam a colocar sua 
confiana nas coisas erradas. Eles param de olhar para o quadro geral e comeam a ser 
egostas. Mas eu sou a deusa do casamento, voc v. Estou acostumada com a 
perseverana. Voc tem que superar as disputas e o caos, e continuar acreditando. Voc 
tem que manter sempre os seus objetivos em mente. 
Quais so os seus objetivos? Annabeth perguntou. 
Ela sorriu. Manter minha famlia, os olimpianos, unidos, claro. No momento, a melhor 
forma com que posso fazer isso  ajudando voc. Zeus no me permite que eu interfira 
muito, receio. Mas uma vez a cada sculo ou assim, para uma misso com a qual me 
importo profundamente, ele me permite conceder um desejo. 
Um desejo? 
Antes que voc pea, deixe-me dar alguns conselhos, o que eu posso fazer de graa. Eu 
sei que voc procura Ddalo. Seu labirinto  um mistrio para mim como  para voc. 
Mas se quer saber o seu destino, eu visitaria meu filho Hefesto em sua forja. Ddalo foi 
um grande inventor, um mortal que Hefesto gostava. Nunca houve um mortal que 
Hefesto admirasse mais. Se algum iria manter contato com Ddalo e poderia dizer-lhe 

o seu destino,  Hefesto. 
Mas como vamos chegar l? Annabeth perguntou. Este  o meu desejo. Eu quero 
uma maneira de navegar pelo Labirinto. 
Hera pareceu desapontada. Que assim seja. Voc deseja por algo que, no entanto, j lhe 
foi dado. 
Eu no entendo. 
Os meios j esto dentro de seu alcance. Ela olhou pra mim. Percy sabe a resposta. 
Eu sei? 
Mas isso no  justo, Annabeth disse. Voc no est me dizendo o que ! 
Hera balanou a cabea. Possuir algo e ter a sabedoria para us-la... essas so duas 
coisas diferentes. Tenho certeza que sua me Atena concordaria. 
A sala tremeu com um trovo. Hera se ergueu. Essa  a minha deixa. Zeus est ficando 
impaciente. Pense no que eu disse, Annabeth. Procure por Hefesto. Voc ter que passar 
pelo rancho, imagino. Mas continue em frente. E use todos os meios  sua disposio, 
por mais comuns que eles possam parecer. 
Ela apontou para as duas portas e elas derreteram, revelando dois corredores idnticos, 
abertos e escuros. Uma ltima coisa, Annabeth. Eu adiei o dia da sua escolha, no o 
evitei. Em breve, como disse Jano, voc ter que tomar uma deciso. Adeus! 
Ela acenou uma mo e se transformou em fumaa branca. Assim como a comida, justo 
quando Tyson mordia um sanduche que virou neblina em sua boca. A fonte parou. A 

parede de mosaicos obscureceu e se tornou velha e desbotada novamente. A sala j no 
era qualquer lugar no qual voc iria querer fazer um piquenique. 
Annabeth bateu o p. Que tipo de ajuda foi essa? Aqui, tome um sanduche. Faa um 
desejo. Opa, eu no posso ajudar voc! Poof! 
Poof, Tyson concordou tristemente, olhando para o seu prato vazio. 
Bem, Grover suspirou, ela disse que Percy sabe a resposta.  alguma coisa. 
Todos eles olharam para mim. 
Mas eu no sei, disse. Eu no sei do que ela estava falando. 
Annabeth suspirou. Tudo bem. Ento, s teremos que continuar. 
Por qual caminho? perguntei. Eu realmente queria perguntar o que Hera quis dizer . 
sobre a escolha que Annabeth teria que fazer. Mas, em seguida, Grover e Tyson ficaram 
tensos. Eles se levantaram juntos como se tivessem ensaiado isso. Esquerda, ambos 
disseram. 
Annabeth franziu as sobrancelhas. Como vocs podem ter certeza? 
Porque algo vem da direita, disse Grover. 
Algo grande, Tyson concordou. Com pressa. 
Esquerda soa muito bem, decidi. Juntos, mergulhamos no escuro corredor. 




SETE 



TYSON LIDERA UMA FUGA DE PRESOS 

A boa notcia: o tnel da esquerda era contnuo, sem sadas laterais, desvios ou retornos. 
A m notcia; era um beco sem sada. Aps correr alguns metros, chegamos em uma 
enorme rocha que bloqueou completamente o nosso caminho. Atrs de ns, sons de 
passos arrastados e respirao pesada ecoavam no corredor. Algo  definitivamente 
no humano  estava no nosso encalo. 
Tyson, disse, voc pode  
Sim! Ele bateu seu ombro contra a rocha com tanta fora que o tnel todo tremeu. 
Poeira caiu do teto de pedra. 
Depressa! Grover disse. No coloque o teto abaixo, mas se apresse! 
A rocha finalmente cedeu com um barulho de triturao horrvel. Tyson a empurrou 
para uma pequena sala e ns atravessamos por trs dela. 
Feche a passagem! Annabeth disse. 
Ns todos fomos para o outro lado da rocha e empurramos. Seja o que for que estava 
nos perseguindo gemeu de frustrao conforme colocamos a rocha de volta na passagem 
selando o corredor. 
Ns o prendemos, falei. 
Ou nos prendemos, disse Grover. 
Eu girei. Estvamos em uma sala de seis metros quadrangular de cimento e a parede 
oposta era coberta com barras metlicas. Ns havamos entrado direto em uma cela. 


*** 

O que no Hades? Annabeth puxou as barras. Elas no se moveram. 
Atravs das barras podamos ver fileiras de celas em um anel em torno de um 
escuro ptio  pelo menos trs andares de portas de metal e passadios de metal. 
Uma priso, eu disse. Talvez Tyson possa quebrar  
Shh, disse Grover. Oua. 
Em algum lugar acima de ns, profundos soluos ecoavam atravs do edifcio. Havia 
um outro som tambm  uma voz rouca balbuciando algo que eu no podia entender. 
As palavras eram estranhas, como pedras em um copo de vidro. 
Que lngua  essa? sussurrei. 
O olho de Tyson se arregalou. No pode ser. 
O qu? perguntei. 
Ele agarrou duas barras na porta da nossa cela e as entortou o suficiente at para um 
Ciclope atravessar. 
Espere! Grover chamou. 
Mas Tyson no iria esperar. Corremos atrs dele. A priso era escura, apenas algumas 
luzes opacas fluorescentes cintilavam acima. 
Eu conheo este lugar, Annabeth me disse. Isto  Alcatraz. 
Voc quer dizer a ilha perto de So Francisco? 
Ela assentiu. Minha escola fez uma viagem de campo aqui.  como um museu. 



No parecia possvel que pudssemos ter sado do Labirinto do outro lado do pas, mas 
Annabeth esteve vivendo em So Francisco o ano todo, mantendo um olho no Monte 
Tamalpais atravs da baa. Ela provavelmente sabia do que ela estava falando. 
Pare, advertiu Grover. 
Mas Tyson continuou. Grover agarrou o brao dele e o puxou de volta com 
toda a sua fora. Pare, Tyson! ele sussurrou. Voc no consegue ver? 
Olhei para onde ele estava apontando, e meu estmago fez um salto mortal. Na sacada 
do segundo andar, no outro lado do ptio, estava um monstro mais horrvel do que 
qualquer coisa que eu j tinha visto antes. 
Era como uma espcie de centauro, com corpo de mulher da cintura para cima. Mas em 
vez da parte de baixo de um cavalo, tinha o corpo de um drago  de pelo menos 
seis metros de comprimento, preto e escamoso com enormes garras e uma cauda 
farpada. Suas pernas pareciam que estavam emaranhadas em videiras, mas ento 
percebi que eram cobras brotando, centenas de vboras se esforando em volta, 
procurando constantemente algo para morder. O cabelo da mulher tambm era feito de 
serpentes, como o da Medusa. Mais estranho de tudo, em torno de sua cintura, onde a 
parte mulher encontrava a parte drago, sua pele borbulhava e se transformava, 
ocasionalmente produzindo cabeas de animais  um lobo maligno, um urso, um leo, 
como se ela estivesse usando um cinto de criaturas mutantes. Tive a sensao que estava 
olhando para algo meio formado, um monstro to antigo que existia desde o incio dos 
tempos, antes das formas terem sido totalmente definidas. 
 ela, Tyson choramingou. 
Desam! Grover disse. 
Ns nos agachamos nas sombras, mas o monstro no estava prestando qualquer ateno 
em ns. Ela parecia estar falando com algum dentro de uma cela no segundo piso. Era 
de onde os soluos estavam vindo. A mulher-drago disse algo em seu estranho e 
estrondoso idioma. 
O que ela est dizendo? murmurei. O que  essa lngua? 
A lngua dos tempos antigos. Tyson tremeu. A que a Me Terra falou com os 
Tits e... suas outras crianas. Antes dos deuses. 
Voc entende isso? perguntei. Pode traduzir? 
Tyson fechou o olho e comeou a falar em uma horrvel, rouca imitao da voz da 
mulher. Voc vai trabalhar para o mestre ou sofrer. 
Annabeth estremeceu. Odeio quando ele faz isso. 
Como todos os Ciclopes, Tyson tem super audio e uma capacidade inigualvel 
para imitar vozes. Era quase como se ele entrasse em um transe quando falava em outras 
vozes. 
No servirei, Tyson disse em uma voz profunda e ferida. 
Ele mudou para a voz do monstro: Ento eu apreciarei a sua dor, Briares. Tyson 
vacilou quando disse aquele nome. Eu nunca ouvira ele romper um personagem quando 
estava imitando algum, mas ele soltou um som estrangulado. Ento ele continuou na 
voz do monstro. Se voc achou a sua primeira priso insuportvel, voc ainda no 
sentiu o verdadeiro tormento. Pense sobre isto at que eu retorne. 
A mulher-drago foi em direo  escadaria, vboras sibilando ao redor de suas pernas 
como uma saia de grama. Ela abriu asas que eu no notara antes  enormes asas 
malficas que ela mantinha dobradas em suas costas de drago. Ela saltou do passadio 
e voou sobre o ptio. Ns nos agachamos mais nas sombras. Um vento quente sulfuroso 
golpeou meu rosto quando o monstro voou acima. Ento ela desapareceu ao virar a 
esquina. 


H-h-horrvel, disse Grover. Eu nunca havia sentido um monstro que cheirava 
to forte. 
Pior pesadelo dos Ciclopes, Tyson murmurou. Kamp. 
Quem? perguntei. 
Tyson engoliu em seco. Todos os Ciclopes sabem sobre ela. Histrias sobre ela 
nos assustam quando somos bebs. Ela era o nosso carcereiro nos anos ruins. 
Annabeth assentiu. Eu me lembro agora. Quando os Tits governavam, eles 
aprisionaram as primeiras crianas de Gaia e Urano  os Ciclopes e os Hecatnquiros. 
Os Heca-o qu? perguntei. 
Os de Cem-Mos, disse ela. Eles os chamavam assim porque... bem, eles tinham 
uma centena de mos. Eles eram os irmos mais velhos dos Ciclopes. 
Muito poderosos, disse Tyson. Maravilhosos! To altos quanto o cu. To fortes que 
podiam quebrar montanhas! 
Legal, falei. Salvo se voc for uma montanha. 
Kamp era a carcereira, disse ele. Ela trabalhava para Cronos. Ela mantinha os 
nossos irmos aprisionados no Trtaro, torturava-os sempre, at que Zeus veio. Ele 
matou Kamp e libertou os Ciclopes e os de Cem-Mos para ajudar a combater os Tits 
na grande guerra. 
E agora Kamp est de volta, eu disse. 
Ruim, Tyson resumiu. 
Ento quem est naquela cela? perguntei. Voc disse um nome  
Briares! Tyson se animou. Ele  um de Cem-Mos. Eles so to altos quanto o cu e 
 
, falei. Eles quebram montanhas. 
Olhei para as celas acima de ns, imaginando como algo to alto quanto o cu poderia 
caber em uma pequena cela, e por que ele estava chorando. 
Eu acho que devemos dar uma olhada, Annabeth disse, antes que Kamp volte. 


*** 

 medida que nos aproximvamos da cela, o choro ficou mais alto. Quando vi pela 
primeira vez a criatura dentro, eu no tive certeza para o que eu estava olhando. Ele era 
do tamanho de um homem e sua pele era muito plida, da cor de leite. Ele usava uma 
tanga como uma grande fralda. Seus ps pareciam muito grandes para o seu corpo, com 
unhas rachadas e sujas, oito dedos em cada p. Mas a metade superior do corpo dele era 
a parte estranha. Ele fazia Jano parecer completamente normal. Do seu trax brotavam 
mais braos do que eu podia contar, em fileiras, por toda a volta do seu corpo. Os 
braos pareciam braos normais, mas havia tantos deles, todos emaranhados juntos, de 
forma que seu peito parecia uma garfada de espaguete que algum havia enrolado. 
Vrias de suas mos estavam cobrindo seu rosto enquanto ele soluava. 
Ou o cu no  to alto como costumava ser, murmurei, ou ele  baixo. 
Tyson no prestou nenhuma ateno. Ele caiu de joelhos. 
Briares! ele chamou. 
O soluar parou. 
Grandioso de Cem-Mos! disse Tyson. Ajude-nos! 
Briares olhou para cima. Seu rosto era comprido e triste, com um nariz torto e dentes 
ruins. Ele tinha olhos castanhos profundos  quero dizer completamente castanhos sem 
brancos ou pupilas negras, como olhos formados do barro. 
Corra enquanto pode, Ciclope, disse Briares miseravelmente. Eu no posso sequer 
me ajudar. 


Voc  um de Cem-Mos! Tyson insistiu. Voc pode fazer qualquer coisa! 
Briares limpou o nariz com cinco ou seis mos. Vrias outras estavam mexendo 
com pequenos pedaos de metal e madeira de uma cama quebrada, do jeito que 
Tyson sempre brincava com partes sobressalentes. Era incrvel de assistir. As mos 
pareciam ter uma mente prpria. Elas construram um barco de brinquedo com a 
madeira, ento o desmontaram to rpido quanto. Outras mos estavam arranhando o 
cho de cimento sem razo aparente. Outras estavam jogando pedra, papel, tesoura. 
Algumas outras estavam fazendo marionetes de cezinhos e patinhos nas sombras 
contra a parede. 
Eu no posso, Briares lastimou-se. Kamp voltou! Os Tits ressurgiro e nos atiraro 
no Trtaro. 
Coloque a sua cara corajosa! disse Tyson. 
Imediatamente o rosto de Briares se transformou em outra coisa. Os mesmos olhos 
castanhos, mas de outra forma feies totalmente diferentes. Ele tinha um nariz 
arrebitado, sobrancelhas arqueadas, e um sorriso estranho, como se ele estivesse 
tentando ser corajoso. Mas ento seu rosto voltou para o que tinha sido antes. 
Nada bom, disse ele. Minha cara assustada continua voltando. 
Como voc fez aquilo? perguntei. 
Annabeth me cutucou. No seja rude. Todos os de Cem-Mos tm cinqenta 
expresses diferentes. 
Deve ser difcil tirar uma foto para o anurio, falei. 
Tyson ainda estava fascinado. Vai ficar tudo bem, Briares! Vamos ajudar voc! Posso 
ter o seu autgrafo? 
Briares fungou. Voc tem cem canetas? 
Pessoal, Grover interrompeu. Temos que sair daqui. Kamp vai voltar. Ela vai nos 
sentir mais cedo ou mais tarde. 
Quebre as barras, Annabeth disse. 
Sim! Tyson disse, sorrindo com orgulho. Briares pode fazer isso. Ele  muito 
forte. Mais forte do que Ciclopes at! Olhe! 
Briares choramingou. Uma dzia de mos comeou a jogar adoleta, mas nenhuma delas 
fez qualquer tentativa de romper as barras. 
Se ele  to forte, eu disse, porque est preso na cadeia? 
Annabeth me cutucou nas costelas novamente. Ele est apavorado, ela sussurrou. 
Kamp o aprisionou no Trtaro por milhares de anos. Como voc se sentiria? 
O de Cem-Mos cobriu seu rosto de novo. 
Briares? Tyson perguntou. O que... o que est errado? Mostre-nos a sua 
grande fora! 
Tyson, Annabeth disse, acho melhor voc quebrar as barras. 
O sorriso de Tyson derreteu lentamente. 
Eu vou quebrar as barras, ele repetiu. Ele agarrou a porta da cela e a arrancou das 
dobradias como se fossem feitas de argila molhada. 
Vamos, Briares, Annabeth disse. Vamos tirar voc daqui. 
Ela estendeu sua mo. Por um segundo, o rosto do Briares se transformou para uma 
expresso esperanosa. Vrios dos seus braos se estenderam, mas o dobro bateu neles, 
afastando-os. 
Eu no posso, ele falou. Ela vai me punir. 
Est tudo bem, Annabeth prometeu. Voc lutou contra os Tits antes, e venceu, 
lembra? 
Eu me lembro da guerra. A face de Briares se metamorfoseou novamente  ergueu 
uma sobrancelha e fez beicinho. Sua face meditativa, acho. O raio abalou o 



mundo. Ns jogamos muitas rochas. Os Tits e os monstros quase ganharam. Agora 
eles esto ficando forte novamente. Kamp disse. 
No d ouvidos a ela, disse. Vamos! 
Ele no se moveu. Eu sabia que Grover estava certo. Ns no tnhamos muito 
tempo antes que Kamp voltasse. Mas eu no podia simplesmente deix-lo aqui. Tyson 
iria chorar por semanas. 
Um jogo de pedra, papel, tesoura, eu disse abruptamente. Se eu ganhar, voc vem 
conosco. Se eu perder, ns vamos deixar voc na cela. 
Annabeth me olhou como se eu fosse louco. 
O rosto do Briares se transformou em duvidoso. Eu sempre ganho pedra, papel, 
tesoura. 
Ento vamos l! Eu bati meu punho na palma de minha mo trs vezes. 
Briares fez o mesmo com todas as cem mos, o que soou como um 
exrcito marchando trs passos a frente. Ele veio com toda uma avalanche de 
rochas, um conjunto completo para sala de aula de tesouras, e papel suficiente para fazer 
uma frota de avies. 
Eu te disse, ele falou tristemente. Eu sempre  Seu rosto se transformou para 
confuso. O que  que voc fez? 
Uma arma, eu disse a ele, mostrando-lhe o meu dedo revlver.  um truque que Paul 
Bayck havia feito comigo, mas eu no ia contar isso a ele. Uma arma bate qualquer 
coisa. 
Isso no  justo. 
Eu no disse nada sobre justo. Kamp no vai ser justa se ns ficarmos por aqui. Ela 
vai culpar voc por destruir as barras. Agora vamos! 
Briares fungou. Semideuses so trapaceiros. Mas ele se ergueu lentamente e nos 
seguiu para fora da cela. 
Comecei a me sentir esperanoso. Tudo o que tnhamos que fazer era descer as escadas 
e encontrar a entrada do Labirinto. Mas ento Tyson congelou. 
No piso logo abaixo, Kamp estava rosnando para ns. 


*** 

Pelo outro caminho, eu disse. 
Ns fugimos pelo passadio. Desta vez Briares ficou feliz em nos seguir. Na verdade ele 
correu na frente, uma centena de mos se agitando em pnico. 
Atrs de ns, eu ouvi o som das asas gigantes quando Kamp ganhou o ar. Ela 
sibilou e rosnou na sua lngua milenar, mas eu no precisava de uma traduo para 
saber que ela estava planejando nos matar. 
Ns corremos escada abaixo, atravs de um corredor, e passamos um posto de guarda 

 que saia em outro bloco de celas da priso. 
Esquerda, Annabeth disse. Eu me lembro disto no tour. 
Ns irrompemos para fora e nos encontramos no ptio da priso, cercado por torres de 
segurana e arame farpado. Depois de estar no subterrneo por tanto tempo, a luz do 
dia quase me cegou. Turistas estavam andando em volta, tirando fotografias. O 
vento aoitava frio vindo da baa. No sul, So Francisco brilhava branca e linda, mas no 
norte, sobre a montanha Tamalpais, gigantescas nuvens de tempestade se agitavam. 
O cu todo parecia um cume negro rodopiando da montanha onde Atlas estava 
aprisionado, e onde o palcio Tit do Monte tris estava se erguendo novamente. Era 
difcil acreditar que os turistas no pudessem ver a tempestade sobrenatural se 
preparando, mas eles no deram nenhum indcio de que algo estava errado. 

Est ainda pior, Annabeth disse, olhando para o norte. As tempestades 
tm sido ruins o ano tudo, mas aquilo  
Continue correndo, Briares gemeu. Ela est atrs de ns! 
Corremos para a parte mais afastada do ptio, o mais longe possvel do bloco de celas. 
Kamp  muito grande para passar pelas portas, eu disse esperanoso. 
Ento a parede explodiu. 
Turistas gritavam enquanto Kamp surgia a partir da poeira e escombros, suas 
asas abertas to amplamente quanto o ptio. Ela estava segurando duas espadas  
longas cimitarras de bronze que brilhavam com uma estranha aura esverdeada, feixes 
de vapor em ebulio que cheirava azedo e quente mesmo do outro lado do ptio. 
Veneno! Grover ganiu. No deixe essas coisas tocarem em vocs, ou ... 
Ou ns vamos morrer? eu supus. 
Bem... depois de voc secar lentamente at virar poeira, sim. 
Vamos evitar as espadas, decidi. 
Briares, lute! Tyson instou. Cresa completamente! 
Em vez disso, Briares pareceu como se estivesse tentando encolher ainda mais. 
Ele parecia estar usando sua cara de terror absoluto. 
Kamp lampejou na nossa direo em suas pernas de drago, centenas de 
cobras deslizarando em torno de seu corpo. 
Por um segundo pensei em destampar Contracorrente e enfrent-la, mas meu corao 
foi parar na minha garganta. Ento Annabeth disse o que eu estava pensando: Corra. 
Este foi o fim do debate. No havia luta contra esta coisa. Corremos atravs do ptio da 
cadeia e para fora das portas da priso, o monstro bem atrs ns. Mortais gritavam e 
corriam. Sirenes de emergncia comearam a tocar. 
Chegamos ao cais justo quando um barco de tour estava descarregando. O novo grupo 
de visitantes congelou quando nos viram correndo em sua direo, seguidos por uma 
multido de turistas assustados, seguidos por... no sei o que eles viram atravs 
da Nvoa, mas no deve ter sido bom. 
O barco? Grover perguntou. 
Muito lento, disse Tyson. Voltar para o labirinto. nica chance. 
Precisamos de uma distrao, Annabeth falou. 
Tyson arrancou um poste metlico do cho. Eu vou distrair Kamp. 
Vocs corram adiante. 
Eu vou ajud-lo, falei. 
No, disse Tyson. Voc vai. Veneno vai machucar Ciclope. Muita dor. Mas 
no vai matar. 
Tem certeza? 
V, irmo. Eu encontro voc l dentro. 
Eu odiei a ideia. Eu quase perdera Tyson uma vez antes, e eu no queria sequer 
correr esse risco novamente. Mas no havia tempo para discutir, e eu no tinha nenhuma 
ideia melhor. 
Annabeth, Grover, e eu pegamos cada um uma das mos de Briares e o arrastamos para 
os estandes de admisso enquanto Tyson rugiu, baixou o seu poste, e atacou Kamp 
como um cavaleiro em combate. 
Ela olhava fixamente para Briares, mas Tyson atraiu sua ateno logo que ele a 
acertou no peito com o poste, empurrando-a de volta para a parede. Ela guinchou e 
cortou com suas espadas, fatiando o poste em pedacinhos. Veneno gotejava em poas ao 
redor dela, esquentando o cimento. 



Tyson pulou para trs enquanto o cabelo de Kamp aoitava e sibilava, e as vboras em 
torno de suas pernas lanaram suas lnguas em todas as direes. Um leo apareceu 
entre as faces meio-formadas da sua cintura e rugiu. 
Conforme corremos para os blocos de celas, a ltima coisa que vi foi Tyson erguer um 
estande de sorvetes Dippin Dots e arremess-lo em Kamp. Sorvete e 
veneno explodiram para todo lado, todas as pequenas serpentes no cabelo de Kamp 
pontilhadas de tutti-frutti. 
Ns nos arremessamos de volta para o ptio da priso. 
No posso fazer isso, Briares bufou. 
Tyson est arriscando a vida dele para ajudar voc! Eu gritei para ele. Voc vai fazer 
isso. 
Quando alcanamos a porta do bloco de celas, ouvi um rugido zangado. Eu olhei para 
trs e vi Tyson correndo em direo a ns a toda velocidade, Kamp atrs dele. Ela 
estava emplastada de sorvete e camisetas. Uma das cabeas de urso na cintura dela 
estava agora usando um par de culos de plstico tortos de Alcatraz. 
Depressa! Annabeth falou, como se eu precisasse que me dissessem isso. 
Ns finalmente encontramos a cela por onde havamos entrado, mas a parede de trs 
estava completamente lisa  sem sinal de uma rocha ou algo do tipo. 
Procure pela marca! Annabeth disse. 
Ali! Grover tocou um pequeno arranho, e ele se tornou um . 
grego. A 
marca de Ddalo brilhou azul, e o muro de pedras se abriu. 
Lento demais. Tyson estava vindo atravs do bloco de celas, as espadas de Kamp 
golpeando atrs dele. Ela estava atrs dele, fatiando indiscriminadamente pelas celas e 
paredes de pedra. 
Empurrei Briares para dentro do labirinto, em seguida Annabeth e Grover. 
Voc pode fazer isso! Eu disse para Tyson. Mas imediatamente eu soube que ele no 
conseguiria, Kamp estava ganhando. Ela levantou suas espadas. Eu precisava de uma 
distrao  algo grande. Bati no meu relgio de pulso e ele se transformou em um 
escudo de bronze. Desesperadamente, eu o joguei no rosto do monstro. 
SMACK! O escudo a atingiu no rosto e ela vacilou apenas o suficiente para Tyson 
passar por mim e mergulhar no labirinto. Eu estava bem atrs dele. 
Kamp atacou, mas ela estava muito atrasada. A porta de pedra se fechou e sua 
magia nos selou. Eu pude sentir todo o tnel tremer com Kamp esmurrando-o, rugindo 
furiosamente. Todavia ns no ficamos por perto para brincar de toc, toc com ela. 
Ns corremos para a escurido, e pela primeira vez (e ltima) eu estava feliz por estar 
de volta ao labirinto. 



OITO 



NS VISITAMOS O CARA DEMNIO DO RANCHO 

Ns finalmente paramos em uma sala cheia de cachoeiras. O cho era um grande 
poo, cercado por uma passarela de pedra escorregadia. A nossa volta, em todas as 
quatro paredes, gua caa de enormes canos. A gua vazava para dentro do poo, e 
mesmo quando iluminei com a lanterna, no consegui ver o fundo. 
Briares caiu contra a parede. Ele pegou gua com uma dzia de mos em concha e 
lavou o rosto. Este poo vai direto para o Trtaro, ele murmurou. Eu deveria pular e 
salv-los de encrenca. 
No fale dessa maneira, Annabeth disse a ele. Voc pode voltar para o 
acampamento conosco. Voc pode nos ajudar nos preparativos. Voc sabe mais sobre 
luta contra os Tits do que qualquer um. 
No tenho nada a oferecer, disse Briares. Eu perdi tudo. 
E quanto aos seus irmos? Tyson perguntou. Os outros dois devem ficar altos como 
montanhas! Podemos levar voc at eles. 
A expresso de Briares se transformou para algo ainda mais triste: luto. Eles no 
existem mais. Eles se extinguiram. 
As cachoeiras relampejaram. Tyson olhou para o poo e piscou lgrimas do seu olho. 
O que exatamente voc quer dizer, eles se extinguiram? perguntei. Eu pensei que 
monstros fossem imortais, como os deuses. 
Percy, disse Grover fracamente, mesmo a imortalidade tem limites. s vezes... s 
vezes monstros caem no esquecimento e perdem a vontade de permanecer imortais. 
Olhando para a face de Grover, eu me perguntei se ele estava pensando em Pan. Eu me 
lembrei de algo que a Medusa nos dissera uma vez: como suas irms, as outras 
duas grgonas, se foram e a deixaram sozinha. Depois, no ano passado, Apolo 
disse algo sobre o antigo deus Helios desaparecer e deix-lo com os deveres do deus do 
sol. Eu nunca pensara muito sobre isso, mas agora, olhando para Briares, eu percebi 
como seria terrvel ser to velho  milhares e milhares de anos  e totalmente 
sozinho. 
Tenho que ir, disse Briares. 
O exrcito de Cronos vai invadir o acampamento, disse Tyson. Precisamos de 
ajuda. 
Briares inclinou sua cabea. No posso, ciclope. 
Voc  forte. 
No sou mais. Briares se levantou. 
Ei, peguei um dos seus braos e o puxei de lado, onde o barulho da gua encobriria 
nossas palavras. Briares, precisamos de voc. Caso voc no tenha notado, Tyson 
acredita em voc. Ele arriscou a vida por voc. 
Eu contei a ele sobre tudo  o plano de invaso de Luke, a entrada do labirinto no 
acampamento, a oficina de Ddalo, o caixo dourado de Cronos. 
Briares apenas balanou a cabea. No posso, semideus. Eu no tenho um dedo 
revlver para ganhar este jogo. Para provar seu argumento, ele fez cem armas com os 
dedos. 
Talvez seja por isso que os monstros se extinguem, falei. Talvez no seja sobre o que 
os mortais acreditem. Talvez seja porque voc desistiu de si mesmo. 


Seus puros olhos castanhos me consideraram. Seu rosto se transformou em uma 
expresso que eu reconheci  vergonha. Ento ele se virou e correu corredor abaixo 
at se perder nas sombras. 
Tyson soluou. 
Est tudo bem, Grover bateu em seu ombro de forma hesitante, o que deve ter 
requerido toda a sua coragem. 
Tyson espirrou. No est tudo bem, garoto-bode. Ele era o meu heri. 
Eu queria fazer ele se sentir melhor, mas eu no estava certo do que dizer. 
Finalmente Annabeth se levantou e ps sua mochila no ombro. Vamos, rapazes. 
Este poo est me deixando nervosa. Vamos encontrar um lugar melhor para passar a 
noite. 


*** 

Acampamos em um corredor feito de enormes blocos de mrmore. Parecia que poderia 
ter sido parte de um tmulo grego, com vrias tochas de bronze fixadas nas paredes. 
Tinha que ser uma parte mais antiga do labirinto, e Annabeth decidiu que isto era um 
bom sinal. 
Devemos estar perto da oficina de Ddalo, disse ela. Descansem um pouco, 
todos. Vamos continuar pela manh. 
Como sabemos quando  de manh? Grover perguntou. 
S descansem, ela insistiu. 
Grover no precisou ouvir duas vezes. Ele puxou uma pilha de palha da sua mochila, 
comeu uma parte dela, fez uma almofada com o resto, e estava roncando em pouco 
tempo. Tyson demorou mais para dormir. Ele mexeu com alguns metais do seu kit de 
construo por um tempo, mas seja l o que for que ele estava fazendo, ele no estava 
feliz com isso. Ele continuava desmontando as peas. 
Eu sinto muito por ter perdido o escudo, disse a ele. Voc trabalhou to duro para 
consert-lo. 
Tyson olhou para cima. Seu olho injetado de chorar. No se preocupe, irmo. Voc me 
salvou. Voc no teria que ter feito isso se Briares tivesse ajudado. 
Ele s estava com medo, falei. Tenho certeza que ele vai superar. 
Ele no  forte, disse Tyson. Ele no  mais importante. 
Ele soltou um grande suspiro triste e, em seguida, fechou o olho. As peas metlicas 
caram da sua mo, ainda no montadas, e Tyson comeou a roncar. 
Tentei adormecer, mas no conseguia. Alguma coisa sobre ser perseguido por uma 
grande mulher-drago com espadas envenenadas tornou muito difcil relaxar. Eu peguei 
meu saco de dormir e o arrastei para perto de onde Annabeth estava sentada, vigiando. 
Sentei ao lado dela. 
Voc devia dormir, disse ela. 
No consigo. Voc est bem? 
Claro. Primeiro dia liderando a misso. Simplesmente timo. 
Ns vamos chegar l, disse. Vamos encontrar a oficina antes de Luke. 
Ela afastou o cabelo do rosto. Ela tinha uma mancha de sujeira no seu queixo, e eu 
imaginei como deve ter parecido quando era pequena, vagueando pelo pas com Thalia 
e Luke. Uma vez ela os salvara da manso do Ciclope quando tinha apenas sete anos. 
Mesmo quando ela parecia assustada, como agora, eu sabia que ela tinha muita 
coragem. 
Eu apenas queria que a misso fosse lgica, ela reclamou. Quer dizer, ns estamos 



viajando, mas no temos nenhuma ideia de onde vamos acabar. Como voc pode andar 
de Nova York at a Califrnia em um dia? 
Espao no  o mesmo no labirinto. 
Eu sei, eu sei.  s... Ela me olhou hesitante. Percy, eu estava me enganando. Todo 
aquele planejamento e leitura, eu no tenho a menor ideia para onde ns estamos indo. 
Voc est indo muito bem. Alm disso, ns nunca sabemos o que estamos fazendo. E 
sempre funciona. Lembra a ilha de Circe? 
Ela bufou. Voc foi um porquinho-da-ndia fofo. 
E Aqualndia, como voc conseguiu nos livrar daquele passeio? 
Eu nos livrei? Aquilo foi totalmente culpa sua! 
Viu? Vai ficar tudo bem. 


Ela sorriu, o que eu estava contente de ver, mas o sorriso desvaneceu rapidamente. 
Percy, o que Hera quis dizer quando ela disse que voc sabia o caminho para atravessar 


o labirinto? 
Eu no sei, admiti. Sinceramente. 
Voc me diria se soubesse? 
Claro. Talvez... 
Talvez o qu? 
Talvez se voc me dissesse a ltima linha da profecia, poderia ajudar. 
Annabeth tremeu. No aqui. No no escuro. 
E sobre a escolha que Jano mencionou? Hera disse  
Pare, Annabeth me bateu. Ento ela respirou instavelmente. Me desculpe, Percy. 
Estou estressada. Mas eu no... Eu preciso pensar sobre isso. 
Ns nos sentamos em silncio, ouvindo estranhos barulhos e gemidos no labirinto, o eco 
de pedras triturando juntas conforme os tneis mudavam, cresciam, e expandiam. O 
escuro me fez pensar sobre as vises que vira de Nico di Angelo, e de repente, percebi 
uma coisa. 
Nico est aqui em algum lugar, disse.  como ele desapareceu do acampamento. Ele 
encontrou o labirinto. Ento ele achou um caminho que o conduziu ainda mais longe  
at o Mundo Inferior. Mas agora ele est de volta ao labirinto. Ele est vindo atrs de 
mim. 
Annabeth ficou quieta por um longo tempo. Percy, eu espero que voc esteja errado. 
Mas se voc estiver certo... ela mirou sua lanterna, criando um crculo na parede de 
pedras. Tive a sensao de que ela estava pensando em sua profecia. Eu nunca a vira 
parecer to cansada. 
Que tal eu pegar o primeiro turno de vigia? falei. Eu acordo voc se alguma coisa 
acontecer. 
Annabeth me olhou como se quisesse protestar, mas ela apenas assentiu, deitou 
em seu saco de dormir, e fechou os olhos. 
*** 

Quando foi a minha vez de dormir, sonhei que estava de volta  priso do velho homem 
no Labirinto. 
Parecia mais como uma oficina agora. Mesas estavam cheias de instrumentos de 
medio. Uma forja queimava vermelho quente no canto. O garoto que eu vira no 
ltimo sonho estava carregando o fole, exceto que ele era mais alto agora, quase da 
minha idade. Um estranho instrumento afunilado estava anexado  forja da chamin, 
exalando fumaa e calor e canalizando-os atravs de um tubo no cho, prximo a um 
grande tampo bronze de bueiro. 


Era dia. O cu acima era azul, mas as paredes do labirinto produziam 
sombras profundas pela oficina. Depois de estar em tneis por tanto tempo, achei 
estranho que uma parte do labirinto pudesse ser aberta para o cu. De algum jeito aquilo 
fez o labirinto parecer um lugar ainda mais cruel. 
O velho homem parecia adoentado. Ele estava terrivelmente magro, suas mos calejadas 
e vermelhas de trabalhar. Cabelo branco cobria seus olhos, e sua tnica estava 
manchada com graxa. Ele estava inclinado sobre uma mesa, trabalhando em algum tipo 
de miscelnia de metal longo  como um tipo de cota de malha. Ele pegou um delicado 
anel de bronze e encaixou no lugar. 
Feito, ele anunciou. Est feito. 
Ele pegou o seu projeto. Estava to bonito, meu corao saltou  asas de metal 
construdas a partir de milhares de penas de bronze interligadas. Havia dois conjuntos. 
Um ainda estava sobre a mesa. Ddalo esticou a armao, e as asas expandiram seis 
metros. Parte de mim sabia que aquilo nunca poderia voar. Era muito pesado, e no 
havia como sair do cho. Mas o trabalho artesanal era incrvel. Penas de metal captavam 
a luz e refletiam trinta diferentes tonalidades de dourado. 
O rapaz deixou o fole e correu para ver. Ele sorriu, apesar do fato de estar sujo e suado. 
Pai, voc  um gnio! 
O velho homem sorriu. Diga-me algo que eu no saiba, caro. Agora se apresse. 
Vai demorar pelo menos uma hora para afix-las. Venha. 
Voc primeiro, caro disse. 
O velho homem protestou, mas caro insistiu. O senhor fez isso, pai. Voc deveria ter a 
honra de us-las primeiro. 
O rapaz atou um arns de couro no trax de seu pai, como um equipamento de 
alpinismo, com tiras que corriam dos ombros at os pulsos. Ento ele comeou a fixar 
as asas, usando uma vasilha de metal que parecia um enorme revlver de cola-quente. 
O composto de cera deve segurar por vrias horas, disse Ddalo nervosamente 
enquanto seu filho trabalhava. Mas temos que deix-la fixar primeiro. E faramos bem 
em evitar voar muito alto ou muito baixo. O mar molharia a cera  
E o calor do sol poderia solt-las, o menino acabou. Sim, pai. Ns conversamos 
sobre isso um milho de vezes! 
Cuidado nunca  demais. 
Tenho total confiana nas suas invenes, pai! Ningum jamais foi to 
inteligente como voc. 
Os olhos do velho homem brilharam. Era bvio que ele amava seu filho mais do que 
qualquer coisa no mundo. Agora vou colocar as suas asas, e dar s minhas chance para 
fixar adequadamente. Venha! 
Estava indo devagar. As mos do homem velho se atrapalhavam com as tiras. Ele tinha 
dificuldade em manter as asas em posio enquanto as selava. Suas prprias asas de 
metal pareciam pesar-lhe para baixo, atrapalhando enquanto ele tentava trabalhar. 
Muito lento, o velho homem murmurou. Eu sou muito lento. 
Tome o seu tempo, pai, o menino disse. Os guardas no viro at  

BOOM! 

As portas da oficina tremeram. Ddalo as tinha barrado por dentro com uma tora de 
madeira, mas ainda elas sacudiam nas dobradias. 
Depressa! caro disse. 


BOOM! BOOM! 

Algo pesado batia nas portas. A braadeira deteve, mas uma rachadura apareceu na 
porta da esquerda. 


Ddalo trabalhava furiosamente. Uma gota de cera quente caiu sobre o ombro de caro. 
O rapaz estremeceu, mas no gritou. Quando a sua asa esquerda estava selada nas tiras, 
Ddalo comeou a trabalhar na direita. 
Precisamos de mais tempo, Ddalo murmurou. Eles esto muito adiantados! 
Ns precisamos de mais tempo para o selamento aguentar. 
Vai ficar tudo bem, disse caro quando seu pai terminou a asa direita. Me ajude com 


o bueiro  
CRASH! As portas arrebentaram e a cabea de um arete de bronze emergiu atravs da 
fenda. Machados desobstruram o restante, e dois guardas armados entraram na sala, 
seguidos pelo rei com coroa de ouro e barba em forma de lana. 
Bem, bem, disse o rei com um sorriso cruel. Vai a algum lugar? 
Ddalo e seu filho congelaram, suas asas metlicas brilhando em suas costas. 
Estamos indo embora, Minos, disse o velho homem. 
Rei Minos abafou uma risada. Eu estava curioso para ver at onde voc chegaria com 
este pequeno projeto antes que eu frustrasse as suas esperanas. Devo dizer que estou 
impressionado. 
O rei admirou suas asas. Vocs se parecem frangos de metal, ele decidiu. Talvez 
devssemos depen-los e fazer uma sopa. 
Os guardas riram estupidamente. 
Frangos de metal, um repetiu. Sopa. 
Calem-se, disse o rei. Ento ele se virou novamente para Ddalo. Voc deixou a 
minha filha escapar, velho. Voc levou minha esposa  loucura. Voc matou o 
meu monstro e me fez ser motivo de piada no Mediterrneo. Voc nunca ir escapar! 
caro agarrou o revlver de cera e atirou no rei, que recuou surpreso. Os guardas se 
apressaram a frente, mas ambos receberam um jato de cera quente na cara. 
A abertura! caro gritou para seu pai. 
Peguem-nos! ordenou o Rei Minos. 
Juntos, o velho homem e seu filho abriram a tampa do bueiro, e uma coluna de ar 
quente explodiu do cho. O rei assistiu, incrdulo, enquanto inventor e filho se 
lanavam para o cu em suas asas bronze, transportados pela corrente de ar. 
Atire neles! o rei gritou, mas seus guardas no tinham trazido arcos. Um 
jogou sua espada em desespero, mas Ddalo e caro j estavam fora de alcance. Eles 
voaram acima do labirinto e do palcio do rei, ento zuniram pela cidade de Knossos e 
passaram pelo litoral rochoso de Creta. 
caro riu. Livre, Pai! Voc fez isso. 
O rapaz abriu suas asas totalmente e subiu com o vento. 
Espere! Ddalo chamou. Tenha cuidado! 
Mas caro j estava sobre o mar aberto, mirando o norte e se 
deliciando na boa sorte deles. Ele subiu e assustou uma guia para fora da sua trajetria 
de vo, ento mergulhou em direo ao mar como se tivesse nascido para voar, saindo 
do mergulho no ltimo segundo. Suas sandlias roaram as ondas. 
Pare com isso! Ddalo chamou. Mas o vento levou sua voz para longe. Seu 
filho estava bbado na sua prpria liberdade. 
O velho homem lutava para acompanhar, planando desajeitadamente atrs de seu 
filho. Foram quilmetros desde Creta, ao longo do mar profundo, quando caro olhou 
para trs e viu a expresso preocupada de seu pai. 
caro sorriu. No se preocupe, pai! Voc  um gnio! Eu confio no seu trabalho  
A primeira pena de metal se soltou de suas asas e rodopiou para longe. 



Depois outra. caro oscilou em pleno ar. De repente ele estava soltando penas de bronze, 
que rodopiavam para longe dele como um bando de pssaros assustados. 
caro! seu pai gritou. Plane! Estenda as asas. Fique o mais estvel possvel! 
Mas caro movimentou seus braos, desesperadamente tentando voltar ao controle. 
A asa esquerda se foi primeiro  flutuando para longe das correias. 
Pai! caro gritou. E ento ele caiu, as asas despojadas para longe, at que ele era 
apenas um menino usando um arns e uma tnica branca, seus braos estendidos 
em uma intil tentativa de planar. 
Eu acordei com um tranco, sentindo como se estivesse caindo. O corredor estava escuro. 
Com os constantes gemidos do labirinto, eu pensei que podia ouvir o angustiado 
grito de Ddalo chamando o nome do seu filho, enquanto caro, sua nica alegria, 
mergulhava em direo ao mar, mais de noventa metros abaixo. 


*** 

No havia manh no labirinto, mas uma vez que todos acordaram e tomaram um 
fabuloso caf da manh com barras de granola e suco de caixa, continuamos a viajar. Eu 
no mencionei o meu sonho. Algo sobre ele tinha realmente me apavorado, e eu no 
achava necessrio que os outros soubessem disso. 
Os velhos tneis de pedra mudaram para sujeira com vigas de cedro, como uma mina de 
ouro ou algo assim. Annabeth comeou a ficar agitada. 
Isso no est certo, disse ela. Deveria ser pedra ainda. 
Viemos para uma caverna onde estalactites estavam penduradas baixas no teto. 
No centro do cho de terra estava uma cova retangular, como um tmulo. 
Grover se arrepiou. Aqui cheira como o Mundo Inferior. 
Ento eu vi algo brilhar na beira da fenda  um papel de embrulho. Eu iluminei a fenda 
com minha lanterna e vi um cheeseburger comido pela metade flutuando na imundice. 
Nico, falei. Ele estava convocando os mortos de novo. 
Tyson choramingou. Fantasmas estiveram aqui. Eu no gosto de fantasmas. 
Ns temos que encontr-lo. No sei porqu, mas estar de p na borda daquela cova 
me deu uma sensao de urgncia. Nico estava perto, eu podia sentir. Eu no poderia 
deix-lo perambulando por aqui, sozinho exceto pelos mortos. Eu comecei a correr. 
Percy! Annabeth chamou. 
Eu mergulhei em um tnel e vi luz a frente. Quando Annabeth, Tyson, e Grover me 
alcanaram, eu estava olhando para a luz do dia atravs de um conjunto de barras acima 
da minha cabea. Ns estvamos sob uma grade de ao feita com canos de metal. Eu 
podia ver rvores e o cu azul. 
Onde estamos? indaguei. 
Ento uma sombra passou pela grade e uma vaca olhou para mim. Ela parecia uma vaca 
normal salvo pela cor estranha  vermelho brilhante, como uma cereja. Eu no sabia 
que vacas vinham nessas cores. 
A vaca mugiu, ps uma pata tentativamente nas barras, ento se afastou. 
 uma guarda de rebanho, disse Grover. 
Uma o qu? perguntei. 
Eles as colocam nas porteiras dos ranchos para que as vacas no saiam. Elas no 
podem andar sobre elas. 
Como voc sabe disso? 
Grover bufou indignado. Acredite em mim, se voc tivesse cascos, voc saberia sobre 
guarda de rebanho. Elas so irritantes! 



Eu me virei para Annabeth. Hera no disse algo sobre um rancho? Ns precisamos 
checar isso. Nico pode estar l. 
Ela hesitou. Tudo bem. Mas como samos? 
Tyson resolveu esse problema ao bater na guarda de rebanho com as duas mos. Ela 
estalou e saiu voando para fora do campo de viso. Ouvimos um CLANG! e um Moo! 
Tyson ficou vermelho. 
Desculpe, vaca! ele gritou. 
Ento ele nos deu um impulso para fora do tnel. 
Ns estvamos em um rancho, tudo bem. Colinas ondulantes se estendiam at o 
horizonte, pontilhadas com carvalhos e cactos e rochas. A cerca de arame farpado corria 
do porto para qualquer direo. Vacas cor de cereja vagueavam em volta, pastando 
pela grama. 
Gado vermelho, Annabeth disse. O gado do sol. 
O qu? perguntei. 
Elas so consagradas para Apolo. 
Vacas sagradas? 
Exatamente. Mas o que elas esto fazendo  
Espere, disse Grover. Oua. 
Inicialmente tudo parecia tranquilo... mas ento eu ouvi: os distantes latidos de ces. O 
som ficou mais alto. Ento a vegetao rasteira farfalhou, e dois ces apareceram. Mas 
no eram dois ces. Era um co com duas cabeas. Parecia um galgo ingls, longo e 
sinuoso e marrom lustroso, mas o seu pescoo dividia-se em duas cabeas, ambas 
mordendo e rosnando e de forma geral no muito felizes em nos ver. 
Mau cachorro Jano! Tyson gritou. 
Arf! Grover disse a ele, e levantou a mo em saudao. 
O cachorro de duas cabeas mostrou seus dentes. Acho que no estava impressionado 
que Grover pudesse falar animals. Ento o seu dono se arrastou para fora do bosque, 
e eu percebi que o co era o menor dos nossos problemas. 
Ele era um cara grande com cabelo branco, um chapu de caubi de palha, e uma barba 
branca emaranhada  como uma espcie de Pai Tempo, se Pai Tempo fosse caipira e 
totalmente musculoso. Ele estava vestindo jeans, uma camiseta NO MEXA COM O 
TEXAS, e uma jaqueta de brim com as mangas arrancadas de forma que dava pra ver 
seus msculos. Em seu bceps direito havia uma tatuagem de espadas cruzadas. Ele 
segurava um porrete de madeira do tamanho de uma ogiva nuclear, com espinhos de 
quinze centmetros na ponta da coisa. 
Quieto, Ortros, disse ao co. 
O co rosnou para ns mais uma vez, s para tornar claros seus sentimentos, em seguida 
circulou de volta para os ps do dono. O homem nos olhou de cima em baixo, mantendo 


o seu porrete pronto. 
O que temos aqui? indagou. Ladres de gado? 
S viajantes, Annabeth disse. Estamos em uma misso. 
O olho do homem se contraiu. Meio-sangue, ? 
Eu comecei a dizer, Como voc sabe  
Mas Annabeth ps sua mo no meu brao. Eu sou Annabeth, filha de Atena. Este  
Percy, filho de Poseidon. Grover o stiro. Tyson o  
Ciclope, o homem terminou. Sim, eu posso ver isso. Ele olhou pra mim 
ameaadoramente. 
E eu conheo meio-sangues porque eu sou um, filhinho. Sou Eurytion, o 
vaqueiro aqui deste rancho. Filho de Ares. Voc veio atravs do labirinto como o outro, 
eu presumo. 

Outro? perguntei. Voc quer dizer Nico di Angelo? 
Recebemos uma leva de visitantes do Labirinto, disse Eurytion sombriamente. 
Poucos partem. 
Uau, falei. Eu me sinto bem-vindo. 
O vaqueiro olhou para trs como se algum estivesse olhando. Ento ele abaixou a voz. 
Eu s vou dizer isso uma vez, semideuses. Voltem para o labirinto agora. Antes que 
seja tarde demais. 
No voltaremos, Annabeth insistiu. No at vermos esse outro semideus. Por favor. 
Eurytion grunhiu. Ento voc me deixa sem escolha, moa. Tenho que levar vocs para 


o chefe. 
*** 

Eu no sentia como se fssemos refns ou algo assim. Eurytion caminhou ao nosso lado 
com o seu porrete no ombro. Ortros, o cachorro de duas cabeas, rosnou bastante e 
cheirou as pernas de Grover e disparou para os arbustos de vez em quando para 
perseguir animais, mas Eurytion o mantinha mais ou menos sob controle. 
Descemos por um caminho de terra que parecia nunca terminar. Devia estar perto dos 
cem graus, o que era um choque depois de So Francisco. Calor tremeluzia do cho. 
Insetos zumbiam nas rvores. Antes que tivssemos ido muito longe, eu estava suando 
como um louco. Moscas nos cercavam. Vrias vezes vamos um curral cheio de vacas 
vermelhas ou mesmo animais ainda mais estranhos. Uma hora passamos um curral onde 
a cerca era revestida de amianto. No interior, uma manada de cavalos que exalava fogo 
circulava. O feno no seu cocho estava em fogo. O terreno fumegava em torno das suas 
patas, mas os cavalos pareciam bem mansos. Um grande garanho olhou para mim e 
relinchou, colunas de chamas vermelhas ondeavam para fora de seus focinhos. Imaginei 
se machucava suas narinas. 
Eles so pra qu? perguntei. 
Eurytion fez uma carranca. Ns criamos animais para vrios clientes. Apolo, Diomedes 
e... outros. 
Como quem? 
Sem mais perguntas. 
Finalmente saimos do bosque. Encarrapitada numa colina acima de ns estava uma 
grande casa de fazenda  toda de pedra branca e madeira e grandes janelas. 
Parece uma Frank Lloyd Wright! Annabeth disse. 
Acho que ela estava falando de alguma coisa arquitetnica. Para mim s parecia o tipo 
de local onde poucos semideuses poderiam se meter em uma tremenda encrenca. Ns 
subimos at o morro. 
No quebrem as regras, alertou Eurytion enquanto caminhvamos para o alpendre. 
Sem lutas. Sem sacar armas. E no faam qualquer comentrio sobre a aparncia do 
chefe. 
Por qu? perguntei. Como ele se parece? 
Antes que Eurytion pudesse responder, uma nova voz disse, Bem vindo ao Rancho G 
Triplo. 
O homem na varanda tinha uma cabea normal, o que foi um alvio. Seu rosto 
estava encharcado e moreno por causa dos anos no sol. Ele tinha cabelo preto gorduroso 
e um fino bigode preto como os viles em filmes antigos. Ele sorriu para ns, mas o 
sorriso no era amigvel; mais divertido, como Oh cara, mais pessoas para torturar! 
No considerei aquilo muito tempo, porque ento eu notei seu corpo... ou corpos. Ele 
tinha trs deles. Agora voc pode achar que eu teria me acostumado com anatomias 


estranhas aps Jano e Briares, mas esse cara era trs pessoas completas. Seu pescoo 
conectava com o trax do meio normalmente, mas ele tinha mais dois trax, um para 
cada lado, conectados nos ombros, com poucos centmetros entre eles. Seu brao 
esquerdo crescia do seu peito esquerdo, o mesmo no lado direito, de modo que ele tinha 
dois braos, mas quatro axilas, se isso faz algum sentido. Os peitos todos conectavam 
em um enorme tronco, com duas pernas normais, mas muito musculosas, e ele vestia o 
par de Levis mais largo que eu j vira. Cada um de seus peitos usava uma cor camisa 
ocidental de cor diferente  verde, amarelo, vermelho, como um semforo. Imaginei 
como ele vestia o trax do meio, uma vez que esse no tinha braos. 
O vaqueiro Eurytion me cutucou. Diga ol para o Sr. Geryon. 
Ol, eu disse. Belo trax  h, rancho! Belo rancho voc tem. 
Antes que o homem de trs corpos pudesse responder, Nico di Angelo saiu das portas 
de vidro para o alpendre. Geryon, no vou esperar por  
Ele congelou quando nos viu. Ento sacou sua espada. A lmina era justamente como 
eu vira no meu sonho; curta, afiada, e escura como meia-noite. 
Geryon rosnou quando viu isso. Guarde isso, Sr. di Angelo. Eu no terei meus 
convidados se matando. 
Mas   
Percy Jackson, Geryon disse. Annabeth Chase. E um par de seus amigos monstros. 
Sim, eu sei. 
Amigos monstros? Grover disse indignadamente. 
Esse homem est vestindo trs camisas, disse Tyson, como se tivesse acabado de 
perceber isso. 
Eles deixaram minha irm morrer! a voz de Nico tremia de raiva. Eles esto aqui 
para me matar! 
Nico, no estamos aqui para matar voc. Levantei minhas mos. O que aconteceu 
com Bianca foi  
No fale o nome dela! Voc no  digno sequer de falar sobre ela! 
Espere um minuto, Annabeth apontou para Geryon. Como voc sabe os 
nosso nomes? 
O homem de trs corpos piscou. Faz parte do meu negcio me manter 
informado, querida. Todo mundo aparece no rancho de tempos em tempos. Todo mundo 
precisa de algo do velho Geryon. Agora, Sr. di Angelo, ponha essa horrvel espada para 
longe antes que eu mande Eurytion tom-la de voc. 
Eurytion suspirou, mas ele levantou seu porrete cravado de espinhos. Aos seus ps, 
Ortros rosnou. Nico hesitou. Ele parecia mais plido e magro do que na mensagem de 
ris. Imaginei se ele tinha comido nas ltimas semanas. Suas roupas pretas estavam 
empoeiradas de viajar no labirinto, e os seus olhos escuros estavam cheios de dio. 
Ele era muito jovem para parecer to zangado. Eu ainda me lembrava dele como o 
pequeno garoto alegre que brincava com cartes Mythomagic. 
Relutantemente, ele embainhou sua espada. Se voc chegar perto de mim, Percy, vou 
convocar ajuda. Voc no quer conhecer meus subordinados, eu garanto. 
Eu acredito em voc, eu disse. 
Geryon bateu no ombro de Nico. Pronto, ns todos nos comportamos bem. Agora 
venham, pessoal. Vamos dar um passeio pelo rancho. 

*** 

Geryon tinha um tipo de carrinho  como um desses trens infantis que te levam para 
passeios em jardins zoolgicos. Era pintado em preto e branco em um padro bovino. O 



carro do condutor tinha um conjunto de longos chifres preso ao cap, e a buzina 
soava como um berrante. Achei que talvez fosse assim que ele torturava as pessoas. 
Ele as envergonhava at a morte passeando no mugido-mvel. Nico se sentou bem 
atrs, provavelmente para poder manter um olho em ns. 
Eurytion subiu prximo a ele com seu porrete espinhoso e puxou seu chapu de 
boiadeiro sobre os olhos como se fosse tirar um cochilo. Ortros saltou no banco da 
frente ao lado de Geryon e comeou a ladrar feliz em duas diferentes harmonias. 
Annabeth, Tyson, Grover, e eu ficamos nos dois carros do meio. 
Temos uma grande operao! Geryon alardeou enquanto o mugido-mvel balanava 
em frente. Cavalos e rebanho na maioria, mas tambm todos os tipos de variedades 
exticas, tambm. 
Fomos ao longo de uma colina, e Annabeth arquejou. Hippalektryons? Pensei que 
estivessem extintos! 
Na base do morro estava uma pastagem cercada com arame com uma dzia dos animais 
mais estranhos que eu j vira. Cada um tinha a metade da frente de cavalo e a metade de 
trs era um galo. Suas patas traseiras eram enormes garras amarelas. Tinham caudas 
emplumadas e asas vermelhas. Enquanto eu olhava, dois deles comearam uma briga 
por uma pilha de sementes. Eles erguerem as asas um para o outro at que o menor 
galopou para longe, suas pernas traseiras de pssaro pulando ao caminhar. 
Pneis-galo, disse Tyson espantado. Eles pem ovos? 
Uma vez por ano! Geryon sorriu no espelho retrovisor. Muito procurado para 
omeletes! 
Isso  horrvel! Annabeth disse. Eles devem ser uma espcie em perigo de extino! 
Geryon acenou sua mo. Ouro  ouro, querida. E voc ainda no provou 
os omeletes. 
Isso no  certo, Grover murmurou, mas Geryon apenas se manteve narrando o tour. 
Agora, aqui, disse ele, ns temos nossos cavalos-que-exalam-fogo, os quais 
vocs devem ter visto no caminho. Eles so criados para a guerra, naturalmente. 
Que guerra? perguntei. 
Geryon sorriu astutamente. Oh, qualquer uma que vier. E mais alm, naturalmente, as 
nossas vacas vermelhas premiadas. 
Claro o suficiente, centenas de vacas-cor-de-cereja do rebanho estavam pastando do 
lado da colina. 
Tantas, disse Grover. 
Sim, bem, Apolo est muito ocupado para v-las, Geryon explicou, ento ele 
subcontrata para ns. Ns as criamos vigorosamente por que h muita demanda. 
Para qu? perguntei. 
Geryon levantou uma sobrancelha. Carne, claro! Exrcitos tm de comer. 
Voc mata as vacas sagradas do deus do sol para hambrguer de carne? Grover disse. 
Isso  contra as leis antigas! 
Oh, no fique nervoso, stiro. Eles so apenas animais. 
Apenas animais! 
Sim, e se Apolo se importasse, tenho certeza que ele nos diria. 
Se ele soubesse, murmurei. 
Nico se sentou mais a frente. Eu no ligo para nada disso, Geryon. Temos negcios a 
discutir, e isso no faz parte! 
Tudo a seu tempo, Sr. di Angelo. Olhe por aqui, alguns de meus jogos exticos. 
O prximo campo era rodeado de arame farpado. Toda a rea estava lotada de 
escorpies gigantes. 



Rancho Triplo G, falei, lembrando de repente. Sua marca estava nas caixas no 
acampamento. Quintus arranjou os escorpies com voc. 
Quintus... Geryon pensou. Cabelo cinza curto, musculoso, espadachim? 
. 
Nunca ouvi falar dele, disse Geryon. Agora, aqui esto meus estbulos 
premiados! Vocs precisam v-los. 
Eu no precisei v-los, porque logo que estvamos a trezentos metros de distncia eu 
comecei a sentir o cheiro deles. Perto das margens de um rio verde havia um estbulo 
do tamanho de um campo de futebol. Cocheiras se alinhavam de um dos lados. Cerca de 
cem cavalos estavam na imundcie  e quando digo imundice, eu quero dizer coc de 
cavalo. Foi a coisa mais repugnante que eu j tinha visto, como se uma nevasca de coc 
tivesse vindo e despejado mais de um metro da coisa durante a noite. Os cavalos 
estavam realmente nojentos por vadearem por ali, e os estbulos estavam to ruins 
quanto. Voc no acreditaria em como cheirava  pior que os barcos de lixo no East 
River. 
Mesmo Nico engasgou. O que  isso? 
Meus estbulos! Geryon disse. Bem, na verdade eles pertencem a Aegas, mas 
ns cuidamos deles por uma pequena taxa mensal. Eles no so adorveis? 
Eles so nojentos! Annabeth disse. 
Um monte de coc, observou Tyson. 
Como voc pode manter animais desse jeito? Grover lastimou. 
Vocs esto todos me dando nos nervos, disse Geryon. Esses so cavaloscomedores-
de-carne, v? Eles gostam dessas condies. 
Alm disso, voc  muito muquirana pra mandar limp-los, Eurytion murmurou 
debaixo do seu chapu. 
Quieto! Geryon cortou. Tudo bem, talvez os estbulos sejam um desafio para limpar. 
Talvez eles me deixem enjoado quando o vento sopra pro lado errado. Mas e da? Meus 
clientes continuam me pagando bem. 
Que clientes? exigi. 
Ah, voc ficaria surpreso com quantas pessoas pagariam por um cavalo-comedor-decarne. 
Eles do excelentes trituradores de lixo. Maravilhosa maneira de amedrontar 
seus inimigos. timos em festas de aniversrio! Ns os alugamos o tempo todo. 
Voc  um monstro, Annabeth decidiu. 
Geryon parou o mugido-mvel e se virou para olhar pra ela. O que me entregou? 
Foram os trs corpos? 
Voc tem que deixar estes animais irem, disse Grover. Isso no  certo! 
E os clientes de quem vocs falam, Annabeth falou. Voc trabalha para 
Cronos, no ? Voc est suprindo seu exrcito com cavalos, alimento, seja o que for 
que eles precisem. 
Geryon deu de os ombros, o que foi muito estranho, pois ele tinha trs conjuntos 
de ombros. Parecia que ele estava fazendo a onda toda sozinho. Eu trabalho para 
qualquer um com ouro, jovenzinha. Eu sou um empresrio. E eu vendo a eles qualquer 
coisa que eu tenha a oferecer. 
Ele desceu do mugido-mvel e caminhou para os estbulos como se estivesse 
desfrutando o ar fresco. Teria sido uma bela vista, com o rio e as rvores e colinas e tal, 
exceto pelo atoleiro de imundice de cavalo. 
Nico saiu da parte de trs do carro e se lanou at Geryon. O vaqueiro Eurytion no 
estava to adormecido quanto parecia. Ele avaliou o peso do seu porrete e foi atrs de 
Nico. 
Eu vim aqui para negociar, Geryon, disse Nico. "E voc no me respondeu. 



Mmm. Geryon analisou um cacto. Seu brao esquerdo se esticou e coou seu peito do 
meio. Sim, voc ter um acordo, tudo bem. 
Meu fantasma me disse que voc poderia ajudar. Ele disse que voc poderia nos guiar 
at a alma de que precisamos. 
Espere um segundo, falei. Achei que eu era a alma que voc queria. 
Nico me olhou como se eu fosse louco. Voc? Por que eu iria querer voc? A alma de 
Bianca vale milhares da sua! Agora, voc pode me ajudar, Geryon, ou no? 
Ah, imagino que possa, disse o fazendeiro. Seu amigo fantasma, a propsito, onde 
est ele? 
Nico parecia desconfortvel. Ele no pode aparecer em pleno dia.  difcil para 
ele. Mas ele est em algum lugar por a. 
Geryon sorriu. Tenho certeza. Minos gosta de desaparecer quando as coisas 
ficam... difceis. 
Minos? Eu me lembrava do homem que vira nos meus sonhos, com a coroa de ouro, 
a barba pontuda e os cruis olhos. Voc quer dizer aquele rei maligno? Esse o 
fantasma que tem lhe dado conselhos? 
No  da sua conta, Percy! Nico se voltou para Geryon. E o que voc quer dizer 
sobre coisas ficando difceis? 
O homem de trs corpos suspirou. Bem, voc v, Nico  eu posso te chamar de 
Nico? 
No. 
Voc v, Nico, Luke Castellan est oferecendo muito dinheiro por meio-sangues. 
Especialmente meio-sangues poderosos. E tenho certeza que quando ele descobrir seu 
segredinho, quem voc realmente , ele vai pagar muito, muito bem. 
Nico sacou sua espada, mas Eurytion a golpeou para fora de sua mo. Antes que 
eu pudesse levantar, Ortros avanou no meu peito e rosnou, suas faces a centmetros da 
minha. 
Eu ficaria no vago, todos vocs, advertiu Geryon. Ou Ortros cortar a garganta do 
Sr. Jackson. Agora, Eurytion, seja gentil, segure Nico. 
O vaqueiro cuspiu na grama. Tenho que fazer isso? 
Sim, idiota! 
Eurytion pareceu aborrecido, mas ele envolveu um enorme brao em volta de Nico e 


o levantou como um lutador. 
Pegue a espada, tambm, disse Geryon com repugnncia. No h nada que eu deteste 
mais que ao do Styx. 
Eurytion pegou a espada, tomando cuidado para no tocar na lmina. 
Agora, Geryon falou alegremente, tivemos o tour. Vamos voltar para a casa, 
almoar, e enviar uma mensagem de ris aos nossos amigos do exrcito Tit. 
Seu demnio! Annabeth gritou. 
Geryon sorriu para ela. No se preocupe, minha cara. Depois de ter entregado o Sr. 
di Angelo, voc e seus amigos podem ir. Eu no interfiro em misses. Alm disso, 
fui bem pago para dar a vocs passagem segura, o que no inclui, temo, o Sr. di 
Angelo. 
Pago por quem? Annabeth disse. O que voc quer dizer? 
No importa, querida. Vamos embora, vamos? 
Espere! falei, e Ortros rosnou. Fiquei perfeitamente parado para que ele no rasgasse 
a minha garganta. Geryon, voc disse que  um homem de negcios. Faa um acordo 
comigo. 
Geryon estreitou os olhos. Que tipo de acordo? Voc tem ouro? 
Eu tenho algo melhor. Uma troca. 

Mas Sr. Jackson, voc no tem nada. 
Voc poderia faz-lo limpar os estbulos, sugeriu Eurytion inocentemente. 
Eu farei isso! disse. Se eu falhar, voc fica com todos ns. Pode negociar todos ns 
com Luke por ouro. 
Se os cavalos no comerem voc, Geryon observou. 
De qualquer forma, voc obtm os meus amigos, falei. Mas se eu tiver xito, voc 
tem que deixar todos ns irmos, incluindo Nico. 
No! Nico gritou. No me faa favores, Percy. Eu no quero sua ajuda! 
Geryon riu. Percy Jackson, aqueles estbulos no tm sido limpos em mil anos... mas  
verdade que eu poderia vender mais espao nas cocheiras se todo aquele coc for 
retirado. 
Ento o que tem a perder? 
O fazendeiro hesitou. Tudo bem, eu vou aceitar sua oferta, mas voc tem que 
faz-lo at o pr do sol. Se voc falhar, seus amigos sero vendidos, e eu ficarei rico. 
Fechado. 
Ele assentiu. Ficarei com seus amigos, de volta para a casa. Ns vamos esperar por 
voc l. 
Eurytion me deu um olhar engraado. Poderia ter sido simpatia. Ele assobiou, 
e o co pulou de cima de mim para o colo de Annabeth. Ela ganiu. Eu sabia que Tyson e 
Grover nunca tentariam algo enquanto Annabeth estivesse refm. 
Eu sa do vago e fixei os olhos nela. 
Espero que saiba o que est fazendo, disse ela calmamente. 
Espero que sim, tambm. 
Geryon foi para trs do volante. Eurytion rebocou Nico para o banco de trs. 
Pr do sol, lembrou-me Geryon. Sem atraso. 
Ele riu de mim mais uma vez, soou a sua buzina berrante, e o mugido-mvel se 
deslocou ruidosamente trilha abaixo. 




NOVE 



EU RECOLHO COC 


Eu perdi as esperanas quando vi os dentes dos cavalos. 


Conforme chegava mais perto da cerca, segurei minha camiseta sobre o meu nariz para 
bloquear o cheiro. Um garanho andou pelo esterco e relinchou bravo para mim. Ele 
mostrou os dentes, que eram pontudos como os de um urso. 
Tentei falar com ele na minha mente. Eu posso fazer isso com a maioria dos cavalos. 
Oi, falei para ele. Eu vou limpar seu estbulo. Isso no vai ser demais? 
Sim! Disse o cavalo. Venha para dentro! Comer voc! Meio-sangue apetitoso! 
Mas eu sou filho de Poseidon, protestei. Ele criou os cavalos. 
Geralmente isso me d tratamento VIP no mundo equino, mas no desta vez. 
Sim! Disse o cavalo entusiasticamente. Poseidon pode vir tambm! Vamos comer vocs 
dois! Frutos do mar! 
Frutos do mar! Os outros cavalos concordaram enquanto andavam pelo campo. Moscas 
zumbiam por toda parte, e o calor do dia no melhorava o cheiro. Eu tive a idia de que 
poderia cumprir este desafio, pois me lembrava de como Hrcules havia feito isso. Ele 
canalizou um rio para os estbulos e os limpou dessa maneira. Calculei que talvez 
pudesse controlar a gua. Mas se eu no conseguisse chegar perto dos cavalos sem ser 
devorado, isso seria um problema. E o rio estava colina abaixo, bem mais longe do que 
eu tinha percebido, quase um quilmetro de distncia. O problema do coc parecia bem 
maior de perto. Peguei uma p enferrujada e joguei um pouco pra fora da cerca. timo. 
Apenas mais quatro bilhes de ps para terminar. 
O sol j estava baixando. Eu tinha no mximo algumas horas. Decidi que o rio era 
minha nica esperana. Pelo menos seria mais fcil pensar na margem do rio do que ali. 
Eu comecei a descer a colina. 


*** 

Quando cheguei ao rio, encontrei uma garota esperando por mim. Ela usava jeans e uma 
camiseta verde e seu longo cabelo castanho estava tranado com algas do rio. Ela tinha 
um olhar severo. Seus braos estavam cruzados. 
Ah no, voc no vai, ela disse. 
Eu a encarei. Voc  uma niade? 
Ela girou os olhos.  claro! 
Mas voc fala. E est fora da gua. 
O qu, voc acha que no podemos agir como humanos se quisermos? 
Eu nunca pensara sobre isso. Eu meio que me senti estpido, contudo, pois sempre vi 
muitas niades no acampamento, e elas nunca fizeram nada alm de dar risadinhas e 
acenar pra mim do fundo do lago. 
Olhe, eu disse. Eu s vim pedir  
Eu sei quem voc , ela disse. E sei o que voc quer. E a resposta  no! Eu no terei 
meu rio usado de novo para lavar aquele estbulo imundo! 
Mas  
Ah, me poupe, garoto dos oceanos. Vocs tipos dos deuses do oceano sempre acham 
que so muuuuuito mais importandes do que um pequeno rio, no ? Bem, deixe eu te 



falar, esta niade no vai se deixar levar s por que seu papai  Poseidon. Aqui  
territrio de gua doce, senhor. O ltimo cara que me pediu esse favor  ah, e ele era 
bem mais atraente que voc, alis  ele me convenceu, e foi o pior erro que eu j 
cometi! Voc faz ideia do que aquele monte de estrume faz com o meu ecossistema? Eu 
pareo uma planta de tratamento de esgoto pra voc? Meus peixes morrero. Eu nunca 
tirarei o esterco das minhas plantas. Ficarei doente por anos. NO, OBRIGADA! 
O jeito que ela falou me lembrou minha amiga mortal, Rachel Elizabeth Dare  como 
se ela estivesse me batendo com as palavras. Eu no podia culpar a niade. Agora que 
pensei sobre isso, eu ficaria furioso se jogassem quatro toneladas de estrume na minha 
casa. Mas mesmo assim... 
Meus amigos esto em perigo disse a ela. 
Ah, que pena! Mas no  problema meu. E voc no vai arruinar meu rio. 
Ela parecia que estava pronta para uma luta. Seus punhos estavam serrados, mas pensei 
ter ouvido um leve vacilo em sua voz. De repende percebi que apesar de sua atitude 
irritada, ela tinha medo de mim. Ela provavelmente pensou que eu lutaria com ela pelo 
controle do rio, e ela estava preocupada que poderia perder. 
O pensamento me entristeceu. Eu me senti um valento, um filho de Poseidon 
usufruindo de sua influncia por a. 
Eu sentei num toco de rvore. T bem, voc venceu. 
A niade pareceu surpresa. Srio? 
Eu no vou lutar com voc.  o seu rio. 
Ela relaxou os ombros. Ah. Ah, bom. Digo  bom pra voc! 
Mas meus amigos e eu seremos vendidos aos Tits se eu no limpar aqueles estbulos 
at o pr do sol. E eu no sei como. 
O rio borbulhou alegremente. Uma cobra deslizou e submergiu. Finalmente a niade 
suspirou. 
Vou lhe contar um segredo, filho do deus do mar. Pegue um pouco de terra. 
O qu? 
Voc me ouviu. 
Eu me agachei e peguei um punhado de terra do Texas. Estava seca e preta e manchada 
com pedaos de rochas brancas... No, alguma coisa alm de rochas. 
So conchas, a niade disse. Conchas marinhas petrificadas. Milhes de anos atrs, 
antes mesmo do tempo dos deuses, quando apenas Gaia e Urano reinavam, esta terra 
estava embaixo da gua. Era parte do mar. 
De repente vi o que ela queria dizer. Havia pequenos pedaos de antigos ourios do mar 
na minha mo, conchas de moluscos. At o limo das rochas continha impresses de 
conchas marinhas embutidas nele. 
Ok, falei. Que bem isso me traz? 
Voc no  to diferente de mim, semideus. Mesmo quando estou fora dgua, a gua 
est em mim.  minha fonte de vida. Ela deu um passo atrs, ps um p na gua e 
sorriu. Espero que voc encontre um meio de resgatar seus amigos. 
E com isso ela se transformou em gua e se misturou com o rio. 


*** 

O sol estava tocando as colinas quando cheguei de volta ao estbulo. Algum deve ter 
passado l e alimentado os cavalos, pois eles estavam dilacerando enormes carcaas de 
animal. No pude dizer que tipo de animal, e eu realmente no queria saber. Se era 
impossvel os estbulos ficarem mais nojentos, cinquenta cavalos devorando carne crua 
deram conta disso. 


Frutos do mar! Um deles pensou quando me viu. Chega mais! Ainda estamos com 
fome! 
O que eu deveria fazer? Eu no podia usar o rio. E o fato de que este lugar estivera 
debaixo da gua um milho de anos atrs no me ajudava muito agora. Eu olhei para a 
pequena concha calcificada na minha mo, depois para o monte de estrume. 
Frustrado, atirei a concha no coc. Estava para virar de costas para os cavalos quando 
ouvi um barulho. 
PFFFFFFFFFT! Como um balo vazando. 
Olhei para baixo onde eu havia atirado a concha. Um pequeno fio de gua escorria para 
fora do estrume. 
Sem essa, balbuciei. 
Hesitando, dei um passo para acerca. Fique maior, falei para o ponto de gua. 
SPOOOOOOSH! 
gua jorrou um metro no ar e continuou a borbulhar. Era impossvel, mas estava l. 
Dois cavalos vieram checar. Um ps a boca na fonte e se encolheu. 
Eca! Ele disse. Salgada! 
Era gua do mar no meio de um rancho do Texas. Peguei mais uma mo cheia de lama e 
recolhi algumas conchas. Eu no sabia exatamente o que estava fazendo, mas corri pela 
extenso do estbulo, atirando conchas nas pilhas de esterco. Onde quer que as conchas 
cassem, uma nascente de gua salgada aparecia. 
Pare! Os cavalos choravam. Carne  bom! Banhos so ruins! 
Ento percebi que a gua no estava escorrendo para fora do estbulo e descendo a 
colina como deveria fazer. Elas simplesmente efervesciam em volta da fonte e 
afundavam no cho, levando o estrume consigo. O coc de cavalo dissolvia na gua 
salgada, deixando a normal e velha lama. 
Mais! gritei. 
Havia uma sensao estranha nas minhas entranhas, e as fontes de gua explodiram 
como o maior lava jato do mundo. gua salgada disparou a seis metros de altura. Os 
cavalos enlouqueceram correndo de um lado para o outro conforme os jatos borrifavam 
em todas as direes. Montanhas de coc comearam a derreter como gelo. 
A sensao estranha ficou mais intensa, dolorosa at, mas havia algo incrvel em ver 
toda aquela gua salgada. Eu fizera aquilo. Eu trouxera o oceano para esta encosta. 
Pare, senhor! Um cavalo chorou. Pare, por favor! 
A gua corria por todo lugar agora. Os cavalos estavam molhados, e alguns estavam em 
pnico e escorregando na lama. O coc se foi completamente, toneladas dele dissolvidas 
na terra, e a gua agora estava comeando a empoar, saindo do estbulo, formando 
uma centena de pequenos fluxos de gua at o rio. 
Pare, eu disse para a gua. 
Nada aconteceu. A dor nas entranhas estava se consolidando. Se eu no parasse os 
gisers logo, a gua salgada iria correr para o rio e envenenar as plantas e peixes. 
Pare! eu concentrei todo o meu poder em controlar a fora do mar. De repente os 
gisers pararam. Eu ca de joelhos, exausto.  minha frente estava um estbulo 
brilhando de limpo, um campo de lama salgada e cinquenta cavalos que haviam sido 
lavados to bem que seus couros cintilavam. At os pedaos de carne entre seus dentes 
haviam sido lavados. 
Ns no vamos com-lo, senhor! Os cavalos se lamentaram. Por favor, senhor! Chega 
de banhos salgados! 
Com uma condio, falei. Vocs s comero o que lhes for dado por seus donos a 
partir de hoje. Nada de pessoas. Ou eu voltarei com mais conchas do mar. 


Eles relincharam e me fizeram um monte de promessas de que seriam bons cavalos 
carnvoros de agora em diante, mas eu no fiquei para conversar. O sol estava se pondo. 
Eu me virei e a toda velocidade em direo a casa do rancho. 

*** 

Eu senti cheiro de churrasco antes de alcanar a casa, o que me deixou ainda mais 
louco, pois eu realmente adoro churrasco. 
A varanda estava preparada para uma festa. Serpentina e bales enfeitavam a grade. 
Geryon estava virando hambrgueres num grande fogo de churrasco feito em um 
tambor de leo. Eurytion descansava numa mesa de piquenique, cortando as unhas com 
uma faca. O cachorro de duas cabeas farejava as costelas e hambrgueres que estavam 
fritando na grelha. E ento vi meus amigos: Tyson, Grover, Annabeth, e Nico todos 
jogados num canto, amarrados como animais de rodeio, amordaados e com os pulsos e 
calcanhares amarrados juntos. 
Solte-os! gritei, ainda sem flego por subir correndo os degraus. Eu limpei os 
estbulos! 
Geryon se virou. Ele usava um avental em cada peito, com uma palavra em cada, de 
forma que juntos formavam: BEIJEOCHEF. Limpou, agora? Como conseguiu? 
Eu estava bem impaciente, mas contei a ele. 
Ele assentiu aprovando. Muito engenhoso. Seria melhor se voc tivesse envenenado 
aquela niade maldita, mas tudo bem. 
Solte meus amigos, disse. Tnhamos um acordo. 
Ah, eu estive pensando sobre isso. O problema , se eu os soltar, no serei pago. 
Voc prometeu! 
Geryon fez tsc, tsc. Mas voc me fez jurar pelo rio Styx? No, no fez. Ento no  
obrigatrio. Quando se trata de negcios, criana, voc deve sempre fazer um juramento 
que vincule. 
Puxei minha espada. Ortros rugiu. Uma das cabeas se abaixou at perto da orelha de 
Grover e ps os dentes  mostra. 
Eurytion, falou Geryon, o garoto est comeando a me irritar. Mate-o. 
Eurytion me estudou. Eu no gostava das minhas chances contra ele e aquele porrete 
enorme. 
Mate-o voc mesmo, Eurytion falou. 
Geryon ergueu as sobrancelhas. Como ? 
Voc me ouviu, Eurytion resmungou. Voc fica me mandando fazer o seu trabalho 
sujo. Voc se mete em brigas sem motivo, e estou ficando cansado de morrer por voc. 
Voc quer lugar com o garoto, faa voc mesmo. 
Era a coisa mais anti-Ares que eu j ouvira um filho de Ares dizer. 
Geryon largou sua esptula. Voc ousa me desafiar? Eu devia despedi-lo agora 
mesmo! 
E quem cuidaria do seu rebanho? Ortros, junto. 
O cachorro parou imediatamente de grunhir para Grover e foi se sentar aos ps do 
vaqueiro. 
Certo! Geryon rosnou. Cuido de voc mais tarde, depois que o garoto estiver 
morto! 
Ele pegou duas facas entalhadas e as jogou em mim. Desviei uma com minha espada. A 
outra cravou na mesa de piquenique a uma polegada da mo de Eurytion. 



Fui ao ataque. Geryon defendeu meu primeiro ataque com um par de pinas vermelhas e 
quentes e investiu contra meu rosto com um garfo de churrasco. Entrei em sua segunda 
investida e o apunhalei direto no peito do meio. 
Aghhh! ele caiu de joelhos. Eu esperei que ele se desintegrasse do modo como 
monstros normalmente fazem. Mas ele apenas fez uma careta e comeou a se levantar. 
A ferida sob seu avental de chef comeou a cicatrizar. 
Bela tentativa filho, ele disse. O negcio , eu tenho trs coraes. O perfeito sistema 
de apoio. 
Ele virou a churrasqueira e brasas espirraram para todos os lados. Uma passou prxima 
do rosto de Annabeth, e ela soltou um grito abafado. Tyson lutou contra suas cordas, 
mas mesmo sua fora no era suficiente para romp-las. Eu tinha que acabar com essa 
luta antes que meus amigos se machucassem. 
Golpeei Geryon em seu peito da esquerda, mas ele apenas riu. Atingi seu estmago da 
direita. No fez bem algum. Eu poderia muito bem estar espetando a espada em um 
ursinho de pelcia por toda a reao que ele mostrava. 
Trs coraes. O sistema perfeito de apoio. Atacando um de cada vez no resolveria... 
Eu corri para a casa. 
Covarde! ele gritou. Volte e morra descentemente! 
As paredes da sala de estar eram decoradas com um monte de trofus de caa horrendos 


 veados empalhados e cabeas de drago, um estojo de armas, um mostrurio de 
espadas, e um arco com uma aljava. 
Geryon atirou seu garfo de churrasco, e ele bateu na parede bem perto da minha cabea. 
Ele sacou duas espadas do mostrurio. Sua cabea vai parar ali, Jackson! Perto do urso 
pardo! 
Eu tive uma ideia maluca. Larguei Contracorrente e peguei o arco na parede. Eu era o 
pior arqueiro do mundo. No conseguia acertar os alvos no acampamento, muito menos 
um olho de touro. Mas eu no tinha escolha. No podia vencer esta luta com uma 
espada. Rezei para rtemis e Apolo, os gmeos arqueiros, esperando que tivessem 
piedade de mim uma vez. Por favor, gente. Apenas um disparo. Por favor. 
Encaixei a flecha. 
Geryon riu. Seu imbecil! Uma flecha no  melhor do que uma espada. 
Ele ergueu suas espadas e atacou. Mergulhei para o lado. Antes que ele pudesse se virar, 
disparei minha flecha no lado de seu peito direito. Eu ouvi THUMP, THUMP, THUMP, 
conforme a flecha passava diretamente por cada um dos seus troncos e saia voando do 
outro lado, cravando-se na cabea do urso pardo. 
Geryon largou suas espadas. Ele se virou e me encarou. Voc no pode atirar. Eles me 
disseram que voc no podia... 
Seu rosto tornou-se uma sombra verde e doentia. Ele caiu de joelhos e comeou a 
desintegrar-se em areia, at que tudo o que sobrou foram trs aventais de cozinha e um 
par de botas de vaqueiro supergrandes. 
*** 

Eu desamarrei meus amigos. Eurytion no tentou me impedir. Depois eu armei a 
churrasqueira e joguei a comida nas chamas como uma oferenda a rtemis e Apolo. 
Valeu, caras, falei. Eu lhes devo uma. 
O cu trovejou ao longe, ento imaginei que os hambrgueres cheiravam ok. 
Viva pro Percy! disse Tyson. 
Podemos amarrar esse vaqueiro agora? disse Nico. 
! Grover concordou. E aquele co quase me matou! 



Eu olhei para Eurytion, que ainda estava sentado relaxado na mesa de piquenique. 
Ortros estava com ambas as cabeas apoiadas nos joelhos do vaqueiro. 
Quanto vai demorar para Geryon se reformar? perguntei a ele. 
Eurytion deu de ombros. Cem anos? Ele no  daqueles que se reformam rpido, 
graas aos deuses. Voc me fez um favor. 
Voc disse que j morreu por ele antes, lembrei. Como? 
Eu tenho trabalhado para aquele cretino por milhares de anos. Comecei como um 
meio-sangue regular, mas aceitei a imortalidade quando meu pai a ofereceu. Pior erro da 
minha vida. Agora estou preso neste rancho. No posso sair. No posso desistir. Apenas 
cuido das vacas e luto as lutas de Geryon. Estamos meio que amarrados um ao outro. 
Talvez voc possa mudar as coisas, falei. 
Eurytion estreitou os olhos. Como? 
Seja bom com os animais. Cuide deles. Pare de vend-los por comida. E pare de 
negociar com os Tits. 
Eurytion pensou sobre isso. Isso seria legal. 
Traga os animais para o seu lado, e eles vo ajud-lo. E talvez quando Geryon voltar 
ele trabalhe para voc. 
Eurytion sorriu largamente. Agora, com isso eu conseguiria viver. 
Voc no vai tentar nos impedir de sair? 
Imagina, no. 
Annabeth esfregou seus pulsos machucados. Ela ainda olhava Eurytion suspeitamente. 
Seu chefe disse que algum pagou para nos deixar passar. Quem? 
O vaqueiro deu de ombros. Talvez ele tenha dito isso s para enganar vocs. 
E quanto aos Tits? perguntei. Vocs j os informaram por mensagem de ris sobre 
Nico? 
No. Geryon estava esperando at o fim do churrasco. Eles no sabem sobre ele. 
Nico olhava fixo para mim. Eu no sabia muito bem o que fazer com ele. Duvidava que 
ele concordasse em vir conosco. Por outro lado, no podia simplesmente deix-lo 
vagueando por a sozinho. 
Voc poderia esperar aqui enquanto terminamos nossa misso, falei a ele. Seria 
seguro. 
Seguro? Nico disse. Por que voc se importa se eu estou seguro? Voc deixou que 
minha irm morresse. 
Nico, Annabeth disse, no foi culpa do Percy. E Geryon no estava mentindo sobre 
Cronos querer capturar voc. Se ele soubesse quem voc , ele faria de tudo para t-lo 
do lado dele. 
Eu no estou do lado de ningum. E no tenho medo. 
Voc deveria ter, Annabeth disse. Sua irm no iria querer  
Se voc se importasse com minha irm, me ajudaria a traz-la de volta! 
Uma alma por outra alma? disse. 
Sim! 
Mas se voc no quer minha alma  
Eu no estou explicando nada pra voc! Ele piscou lgrimas para fora de seus olhos. 
E eu vou traz-la de volta. 
Bianca no iria querer ser trazida de volta, eu disse. No desse jeito 
Voc no a conhecia! ele gritou. Como voc sabe o que ela iria querer? 
Eu olhei para as chamas na churrasqueira. Eu pensei na frase da profecia de Annabeth: 
Pela mo do rei fantasma voc se erguer ou cair. Tinha que ser Minos, e eu tinha que 
convencer Nico a no ouvi-lo. Vamos perguntar para a Bianca. 
O cu pareceu escurecer de repente. 



Eu tentei, disse Nico miseravelmente. Ela no vai responder. 
Tente de novo. Tenho a sensao que ela vai responder comigo aqui. 
Por que ela iria? 
Porque ela tem me enviado mensagens de ris, eu disse, de repente com certeza disso. 
Ela tem tentando me avisar sobre o que voc est fazendo, para que eu possa proteglo. 
Nico balanou a cabea. Isso  impossvel. 
Um jeito de descobrir. Voc disse que no tem medo. Eu me virei para Eurytion. 
Ns vamos precisar de um buraco, como uma sepultura. E comida e bebida. 
Percy, Annabeth avisou. Eu no acho que seja uma boa  
T bem, disse Nico. Eu vou tentar. 
Eurytion coou a barba. H um buraco cavado para um tanque sptico. Ns podemos 
us-lo. Garoto Ciclope, pegue minha caixa de gelo na cozinha. Espero que a morta goste 
de cerveja. 




DEZ 



NS JOGAMOS O GAME SHOW DA MORTE 

Ns fizemos nossas invocaes aps anoitecer, em um fosso de seis metros em frente ao 
tanque sptico. O tanque era amarelo luminoso, com uma cara sorridente e letras 
vermelhas pintadas no lado. DESCARGA FELIZ S/A. Meio que no combinava com o 
estado de esprito de invocar os mortos. 
A lua estava cheia. Nuvens prateadas se espalhavam pelo cu. 
Minos j deveria estar aqui, disse Nico, fazendo uma carranca. Est totalmente 
escuro. 
Talvez ele tenha se perdido, falei esperanoso. 
Nico colocou cerveja e o churrasco dentro da cova, ento comeou a entoar um cntico 
em grego antigo. Imediatamente os insetos no bosque pararam de chilrear. Em meu 
bolso, o apito canino de gelo stygiano comeou a ficar mais frio, congelando contra o 
lado da minha perna. 


Faa ele parar, Tyson sussurrou para mim. 
Parte de mim concordou. Aquilo no era natural. O ar da noite era gelado e ameaador. 
Mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa os primeiros espritos apareceram. 
Uma nevoa sulfurosa surgiu sobre a terra. Sombras comearam a ficar mais densas e 
ganhar forma humana. Uma sombra azul vagueou para extremidade da cova e ajoelhou-
se para beber. 
Impeam-no! disse Nico, momentaneamente parando de entoar o cntico. Somente 
Bianca pode tomar! 
Saquei Contracorrente. Os fantasmas recuaram com um coletivo assobio a vista da 
minha lmina de bronze celestial. Mas era tarde para parar o primeiro esprito. Ele j 
havia se solidificado na forma de um homem barbudo com um manto branco. Um 
crculo de ouro coroava sua cabea, e mesmo em morte seus olhos estavam vivos de 
malcia. 
Minos! Nico disse. O que voc est fazendo? 
Minhas desculpas, mestre, o fantasma disse, embora no soasse muito arrependido. 
O sacrifcio parecia to bom, eu no pude resistir. Ele examinou suas prprias mos e 
sorriu.  bom olhar para mim mesmo novamente. Quase na minha forma slida 
Voc esta rompendo o ritual! Nico protestou. Saia 
Os espritos dos mortos comearam a brilhar perigosamente, e Nico teve que comear a 
cantar novamente para mant-los acuados. 
Sim, faa direito, mestre, Minos disse com diverso. Continue cantando. Eu s vim 
proteg-lo desses mentirosos que enganariam voc. 
Ele se virou para mim como se eu fosse algum tipo de barata. Percy Jackson... sim, 
sim. Os filhos de Poseidon no melhoraram com os passar dos sculos, melhoraram? 
Eu queria soc-lo, mas imaginei que meu punho passaria direto por sua cara. Ns 
estamos procurando Bianca Di Angelo, falei. Cai fora. 
O fantasma riu. Sei que voc matou meu minotauro uma vez com suas mos nuas. Mas 
coisas piores o esperam no labirinto. Voc realmente acha que Ddalo o ajudar? 



Os outros espritos comearam a se agitar. Annabeth puxou sua faca e me ajudou a 
mant-los afastados da cova. Grover ficou to nervoso que se agarrou ao ombro de 
Tyson. 
Ddalo no se importa com vocs, meio-sangues, Minos advertiu. Vocs no podem 
confiar nele. Ele  velho alm da conta, e astuto. Ele est amargo de culpa pelo 
assassinato e  amaldioado pelos deuses. 
Culpa pelo assassinato? perguntei. Quem ele matou? 
No mude de assunto! o fantasma rosnou. Voc est impedindo Nico. Voc tenta 
convenc-lo a desistir de sua meta. Eu faria dele um lorde! 
Basta, Minos, Nico ordenou. 
O fantasma zombou. Mestre, eles so seus inimigos. Voc no deve escut-los! Deixe-
me proteg-lo. Irei deix-los loucos, como fiz com os outros. 
Outros? Annabeth ofegou. Voc fez aquilo com Chris Rodriguez? Ento era voc? 
O Labirinto  minha propriedade, o fantasma disse, no de Ddalo! Os que invadem 
merecem a loucura. 
V embora, Minos! Nico exigiu. Eu quero ver minha irm! 
O fantasma engoliu sua raiva. Como quiser, mestre. Mas eu o alerto. Voc no pode 
confiar nesses heris. 
Com isso, ele desapareceu em nvoa. 
Os outros espritos avanaram, mas eu e Annabeth os contivemos. 
Bianca, aparea! Nico entoou. Ele comeou a cantar rpido, e os espritos se 
mexeram inquietos. 
A qualquer momento agora, murmurou Grover. 
Ento uma luz prateada chamejou entre as rvores  um esprito que parecia mais 
luminoso e forte que os outros. Ele se aproximou, e algo me disse que o deixasse passar. 
Ele se ajoelhou e bebeu um gole da cova. Quando se ergueu, era a forma 
fantasmagrica de Bianca Di Angelo. 
O canto de Nico vacilou. Eu abaixei minha espada. Os outros espritos comearam a se 
aglomerar, mas Bianca ergueu seus braos e eles recuaram para as rvores. 
Ol, Percy, ela disse. 
Ela parecia a mesma que quando viva: uma boina verde de lado em seu grosso cabelo 
preto, olhos escuros e pele azeitonada como a do irmo dela. Ela vestia uma jaqueta 
prateada, a vestimenta das caadoras de rtemis. Um arco pendia por cima de seu 
ombro. Ela sorriu fracamente, e sua forma chamejou. 
Bianca, falei. Minha voz estava grossa. Eu me senti culpado pela morte dela por 
muito tempo, mais v-la na minha frente era cinco vezes pior, como se sua morte fosse 
fresca e recente. Eu me lembrei de ter procurado nos destroos do gigante guerreiro de 
bronze que ela tinha sacrificado a vida para derrotar, e de no ter achado nenhum sinal 
dela. 
Eu sinto muito, disse. 
Voc no tem pelo que se desculpar, Percy. Eu fiz minha escolha. Eu no me 
arrependo. 
Bianca! Nico tropeou a frente, como se tivesse acabado de sair de um torpor. 
Ela se virou para seu irmo. Sua expresso estava triste, como se ela tivesse temido esse 
momento. Ol, Nico. Voc ficou to alto. 
Por que voc no me respondeu mais cedo? ele lastimou. Eu venho tentando h 
meses! 
Eu tinha esperanas que voc desistisse. 
Desistisse? Ele soou magoado. Como voc pode dizer isso? Estou tentando salvar 
voc! 



Voc no pode, Nico. No faa isso. Percy est certo. 
No! Ele deixou voc morrer! Ele no  seu amigo. 
Bianca levantou uma mo como se fosse tocar o rosto do irmo, mas ela era feita de 
nvoa. Sua mo evaporou quando se aproximou de pele viva. 
Voc deve me ouvir, ela disse. Guardar rancor  perigoso para as crianas de Hades. 
 nosso defeito mortal. Voc deve perdo-lo. Voc tem que prometer isso. 
Eu no posso. Nunca. 
Percy tem estado preocupado com voc, Nico. Ele pode ajudar. Eu o deixei ver o que 
voc estava fazendo, esperando que ele achasse voc. 
Ento era voc, falei. Voc enviou as mensagens de ris. 
Por que voc est ajudando a ele e no a mim? Nico gritou. No  justo! 
Voc est perto da verdade agora, Bianca disse a ele. No  com Percy que voc 
deve estar zangado, Nico.  comigo. 
No. 
Voc est zangado porque eu deixei voc para me tornar uma caadora de rtemis. 
Voc est zangado porque eu morri e o deixei sozinho. Eu sinto por isso, Nico. Eu 
realmente sinto. Mas voc deve superar a raiva. E parar de culpar o Percy por minhas 
escolhas. Isso ser a sua runa. 
Ela est certa, Annabeth interrompeu. Cronos est se erguendo, Nico. Ele vai 
manipular quem ele puder para se unir a causa dele. 
Eu no me ligo para Cronos, Nico disse. Eu apenas quero minha irm de volta. 
Voc no pode ter isso, Nico. Bianca disse a ele gentilmente. 
Eu sou filho de Hades! Eu posso. 
No tente, ela disse. Se voc me ama, no... 
A voz dela vacilou. Os espritos comearam a se aglomerar de novo ao nosso redor, e 
pareciam agitados. Suas sombras se deslocaram. Suas vozes sussurravam, PERIGO! 
O Trtaro se agita, Bianca disse. O seu poder chama a ateno de Cronos. Os mortos 
precisam retornar ao Mundo Inferior. No  seguro permanecermos. 
Espere, Nico disse. Por favor   
Adeus, Nico Bianca disse. Eu te amo. Lembre-se do que eu disse. 
Sua forma tremulou e os fantasmas desapareceram, deixando-nos sozinhos com uma 
cova, um tanque sptico Descarga Feliz, e uma lua cheia impassvel. 


*** 

Nenhum de ns estava ansioso para viajar aquela noite, ento decidimos esperar at de 
manh. Grover e eu nos ajeitamos nos sofs de couro na sala de estar de Geryon, que 
estava mais confortvel que um saco de dormir no labirinto; mas isso no fez meus 
pesadelos melhorarem. 
Sonhei que estava com Luke, andando por um palcio escuro no topo do monte Tam. 
Era realmente uma edificao agora  no a iluso meio-terminada que eu vira inverno 
passado. Fogo verde queimava em braseiros ao longo das paredes. O piso era feito de 
mrmore preto polido. Um vento frio soprava pelo corredor, e sobre ns, pelo teto 
aberto, o cu se agitava com nuvens de tempestade cinza. 
Luke estava vestido para batalha. Ele usava cala camuflada, uma camiseta branca, e 
um peitoral de bronze, mas sua espada, Mordecostas, no estava ao seu lado  somente 
uma bainha vazia. Ns caminhamos por um grande ptio onde dzias de guerreiros e 
dracaena estavam se preparando para a guerra. Quando eles o viram os semideuses se 
ergueram prestando ateno. Eles batiam suas espadas contra seus escudos. 
Esssst na hora, meu senhor? uma dracaena perguntou. 


Logo, Luke prometeu. Continue seu trabalho. 
Meu senhor, disse uma voz atrs dele. Kelly, a empousa estava sorrindo para ele. Ela 
usava um vestido azul esta noite, e parecia terrivelmente bonita. Seus olhos 
tremeluziam  s vezes castanho-escuro, s vezes puro vermelho. Seu cabelo tranado 
para trs parecia captar a luz das tochas, como se quisesse entrar em chamas. 
Meu corao martelava. Eu esperei que Kelli me visse, para me afugentar do sonho 
como ela havia feito antes, mas desta vez ela pareceu no me notar. 
Voc tem um visitante, ela disse a Luke. Ela deu um passo para o lado, e mesmo 
Luke pareceu atordoado com o que viu. 
O monstro Kamp avanou na direo dele. Suas cobras assobiavam ao redor de suas 
pernas. As cabeas de animais cresciam em sua cintura. Suas espadas estavam de 
prontido, pingando veneno, e com suas asas de morcego estendidas, ela ocupava todo 

o corredor 
Voc. A voz de Luke saiu um pouco trmula. Eu disse para voc ficar em Alcatraz. 
As plpebras de Kamp piscaram lateralmente como as de um rptil. Ela falou naquele 
estrondoso idioma estranho, mas desta vez eu entendi, em algum lugar no fundo da 
minha mente: Eu vim para servir. D-me vingana. 
Voc  uma carcereira, Luke disse. Seu trabalho  
Eu os terei mortos. Ningum escapa de mim. 

Luke hesitou. Uma linha de suor escorreu pelo lado de seu rosto. Muito bem, ele 
disse. Voc ir conosco. Voc pode levar o fio de Adriane.  uma posio de grande 
honra. 
Kamp sibilou para as estrelas. Ela embainhou suas espadas e se virou, triturando o 
cho com suas enormes pernas de drago. 
Ns devamos ter deixado essa a no Trtaro, Luke resmungou. Ela  muito catica. 
Muito poderosa. 
Kelly riu suavemente. Voc no devia temer o poder Luke. Use-o! 
Quanto mais cedo partimos, melhor, Luke disse. Eu quero acabar com isso logo. 
Aww, Kelli condoeu-se, correndo um dedo pelo brao dele. Voc acha desagradvel 
destruir seu velho acampamento? 
Eu no disse isso. 
Voc est repensando sua, ah, parte especial? 
O rosto de Luke ficou petrificado. Eu sei o meu dever. 
Isso  bom, o demnio disse. Nossa fora de ataque  suficiente, voc acha? Ou 
devo chamar a me Hecate para ajudar? 
Ns temos mais que suficiente, disse Luke severamente. O acordo est quase 
completo. Tudo que preciso agora  negociar passagem livre pela arena. 
Mmm, Kelli disse. Isso deve ser interessante. Eu odiaria ver sua linda cabea fincada 
em um espeto caso voc falhe. 
No falharei. E voc, demnio, no tem outras coisas para fazer? 
Ah, sim. Kelli sorriu. Estou levando desespero para os seus inimigos bisbilhoteiros. 
Estou fazendo isto neste momento. 
Ela virou seus olhos diretamente na minha direo, exps suas garras, e rompeu meu 
sonho. 
De repente eu estava em um lugar diferente. 
Eu estava de p no topo de uma torre de pedra, olhando penhascos rochosos e o oceano 
abaixo. O velho homem Ddalo estava curvado em cima de uma mesa de trabalho, 
lutando com um tipo de instrumento de navegao, parecido com um enorme compasso. 
Ele parecia anos mais velho do que quando eu o vira pela ltima vez. Ele se inclinou e 



suas mos estavam nodosas. Ele praguejou em grego antigo e piscou como se no 
pudesse ver o seu trabalho, embora fosse um dia ensolarado. 
Tio! uma voz chamou. 


Um menino sorridente com a idade de Nico veio, pulando os degraus carregando uma 
caixa de madeira. 
Ol, Perdix, o velho homem falou, embora o seu tom soasse frio. J terminou seu 
projeto? 
Sim, tio. Foi fcil! 
Ddalo fez uma carranca. Fcil? O problema de mover gua morro acima sem uma 
bomba era fcil? 
Ah, sim! Olhe! 
O menino esvaziou sua caixa e revistou no meio de suas tranqueiras. Ele veio com uma 
tira de papiro e mostrou para o velho inventor alguns diagramas e notas. Eles no 
fizeram sentido algum para mim, mas Ddalo assentiu de m vontade. 
Sim. Nada mal. 
O rei amou isso, Perdix disse. Ele disse que eu poderia ser mais inteligente que 
voc! 
Ele falou isso? 
Mas eu no acreditei nisso. Eu sou to agradecido por minha me ter me enviado para 
estudar com voc! Eu quero saber tudo o que voc sabe. 
Sim, Ddalo murmurou. Assim quando eu morrer, voc pode tomar meu lugar, no 
? 
Os olhos do garoto se arregalaram. Oh no, tio! Mas eu tenho pensado... por que um 
homem tem que morrer, de qualquer maneira? 
O inventor franziu a testa.  assim que as coisas so, menino. Tudo morre menos os 
deuses. 
Mas por qu? o garoto insistiu. E se voc pudesse capturar o animus, a alma em 
outra forma... bem, voc me falou sobre seus autmatos, tio. Touros, guias, drages, 
cavalos de bronze. Por que no uma forma humana de bronze? 
No, meu garoto, Ddalo disse bruscamente. Voc  ingnuo. Tal coisa  
impossvel. 
Eu no acho, Perdix insistiu. Com o uso de um pouco de mgica 
Mgica? Bah! 


Sim, tio! Magia e mecnica juntos  com um pouco de trabalho, algum poderia 
fazer um corpo que pareceria exatamente humano, s que melhor. Eu fiz algumas 
anotaes. 
Ele deu ao velho homem um pergaminho grosso. Ddalo desfraldou aquilo. Ele leu por 
um longo tempo. Seus olhos se estreitaram. Ele olhou para o menino, ento enrolou o 
pergaminho e limpou sua garganta. Isso nunca funcionaria, meu garoto. Quando voc 
for mais velho, voc ver. 
Posso consertar aquele astrolbio, ento, tio? Suas juntas esto inchando novamente? 
O velho cerrou a mandbula. No. Obrigado. Agora porque voc no vai passear por 
a? 
Perdix parecia no notar a raiva do velho homem. Ele pegou um besouro de bronze de 
suas coisas e correu at a extremidade da torre. Um peitoril baixo circundava a beira, 
vindo s at os joelhos do menino. O vento era forte. 
Volte, eu quis dizer a ele. Mas a minha voz no saia. 
Perdix lanou o besouro para o cu. Ele abriu suas asas e zumbiu para longe. Perdix riu 
com prazer. 



Mais esperto que eu, Ddalo murmurou, baixo demais para que o garoto pudesse 
ouvir. 
 verdade que seu filho morreu voando, tio? Eu ouvi que voc fez asas enormes para 
ele, mas elas falharam. 
As mos de Ddalo se fecharam. Tomar o meu lugar, ele murmurou. 
O vento chicoteava ao redor do menino, arrastando suas roupas, fazendo ondular seus 
cabelos. 
Eu gostaria de voar, Perdix disse. Eu faria minhas prprias asas que no falhariam. 
Voc acha que eu consigo? 
Talvez fosse um sonho dentro de um sonho, mas de repente eu imaginei o deus de duas 
caras, Jano, tremeluzindo no ar perto de Ddalo, sorrindo enquanto ele lanava uma 
chave prateada de uma mo para a outra. Escolha, ele sussurrou para o velho inventor. 
Escolha. 
Ddalo pegou outro objeto dentre as coisas do menino. Os velhos olhos do inventor 
estavam vermelhos de raiva. 
Perdix, ele gritou. Pegue. 
Ele lanou um besouro de bronze na direo do menino. Encantado, Perdix tentou 
pegar, mas o lanamento era muito longo. O besouro voou em direo ao cu, e Perdix 
se esticou um pouco demais. O vento o pegou. 
De alguma maneira ele conseguiu agarrar ao peitoril da torre com os dedos enquanto ele 
caia. Tio! ele gritou. Me ajude! 
O rosto do homem velho era uma mscara. Ele no se moveu de onde estava. 
V em frente, Perdix. Ddalo disse suavemente. Faa suas prprias asas. Mas seja 
rpido. 
Tio! o menino gritou quando perdeu o apoio. Ele caiu na direo do mar. Por um 
momento houve um silncio mortal. O deus Jano cintilou e desapareceu. Ento um 
trovo sacudiu o cu. Uma voz dura de mulher ecoou acima: Voc pagar o preo por 
isso, Ddalo. 
Eu j ouvira aquela voz antes. Era da me de Annabeth: Atena. 
Ddalo fez uma carranca para os cus. Eu sempre a honrei, Me. Eu sacrifiquei tudo 
para viver do seu modo. 


O menino tinha minha bno tambm. E voc o matou. Por isso, voc deve pagar. 

Eu paguei e paguei! Ddalo rosnou. Eu perdi tudo. Eu sofrerei no Mundo Inferior, 
sem dvida. Mas nesse meio tempo.... 
Ele pegou o pergaminho do menino, estudou por um momento, e o deslizou para dentro 
de sua manga. 
Voc no entende, Atena disse friamente. Voc pagar agora e para sempre. 
De repente Ddalo desmoronou em agonia. Eu senti o que ele sentiu. Uma dor que 
queimava se fechando ao redor do meu pescoo, como um colar muito quente  
cortando minha respirao, fazendo tudo ficar preto. 


*** 

Eu acordei na escurido, minhas mos apertando minha garganta. 
Percy? Grover chamou do outro sof. Voc est bem? 
Eu estabilizei minha respirao. No sabia como responder. Eu acabara de ver o cara 
que estvamos procurando, Ddalo, matar o prprio sobrinho. Como eu poderia estar 
bem? A televiso estava ligada. Luz azul tremeluzia pelo quarto. 
Que  que horas so? resmunguei. 



Duas da manh, Grover disse. Eu no consegui dormir. Estava assistindo o Nature 
Channel. Ele choramingou. Saudades da Juniper. 
Eu esfreguei o sono para fora dos meus olhos. , bem... voc a ver novamente em 
breve. 
Grover sacudiu a cabea tristemente. Sabe que dia  hoje Percy? Eu acabei de ver na 
tv.  13 de junho. Faz sete dias que deixamos o acampamento. 
O qu? falei. Isso no pode estar certo. 
O tempo passa mais rpido no labirinto, Grover me lembrou. A primeira vez que 
voc e Annabeth desceram vocs pensaram que se passaram apenas alguns minutos, 
certo? Mas foi uma hora. 
Ah, eu disse. Certo. Ento caiu minha ficha sobre o que ele estava falando, e senti 
minha garganta queimar novamente. Seu prazo final com o Conselho dos Ancies do 
Casco Fendido. 
Grover colocou a ponta do controle remoto na boca e mastigou. 
Estou sem tempo, ele disse com a boca cheia de plstico. Assim que eu voltar eles 
vo tirar minha licena de buscador. Nunca me permitiro sair novamente. 
Ns iremos falar com eles, prometi. Faremos com que eles te deem mais tempo. 
Grover engoliu. Eles nunca concordaro com isso. O mundo est morrendo, Percy. O 
que voc fez hoje  salvando os animais do rancho do Geryon  aquilo foi incrvel. 
E-eu gostaria de ser mais como voc. 
Ei, falei. No diga isso. Voc  to heri quanto  
No, eu no sou. Eu continuo tentando, mas... ele suspirou. Percy, eu no posso 
voltar ao acampamento sem ter achado Pan. Eu simplesmente no posso. Voc entende 
isso, no entende? Eu no posso encarar Juniper se eu falhar. No posso nem mesmo 
me encarar. 
Sua voz soava to infeliz que doa ouvir. Ns passamos por muita coisa juntos, mas eu 
nunca o vi to pra baixo. 
Ns vamos pensar em alguma coisa, disse. Voc no falhou, voc  o menino-bode 
campeo, certo? Juniper sabe disso. Eu tambm. 
Grover fechou os olhos. Menino-bode campeo, ele murmurou abatidamente. 
Muito tempo depois que ele cochilou, eu ainda estava assistindo a luz azul do Nature 
Channel iluminar os trofus de cabea empalhada da parede de Geryon. 


*** 

Na manh seguinte ns andamos at a guarda de gado e dissemos adeus. 
Nico, voc poderia vir conosco, eu disse bruscamente. Acho que estava pensando 
sobre meu sonho, e como o jovem menino Perdix me lembrava Nico. 
Ele balanou a cabea. Eu no acredito que algum tenha dormido bem na casa do 
demnio do rancho, mas Nico parecia pior que os outros. Seus olhos estavam vermelhos 
e seu rosto plido. Ele estava embrulhado em um roupo preto que devia ter pertencido 
a Geryon, pois era trs vezes maior mesmo para um homem adulto. 
Preciso de tempo para pensar. Os olhos dele no encontravam os meus, mas eu podia 
dizer pelo seu tom que ele ainda estava zangado. O fato de sua irm ter sado do 
submundo por mim e no por ele no foi bem aceito por ele. 
Nico, disse Annabeth. Bianca quer somente que voc fique bem. 
Ela colocou a mo no ombro dele, mais ele saiu em direo  casa da fazenda. Podia ser 
minha imaginao, mas a nvoa da manh parecia se apegar a ele conforme ele andava. 
Estou preocupada com ele, Annabeth me falou. Se ele comear a falar com o 
fantasma de Minos de novo 


Ele ficar bem, Eurytion prometeu. O vaqueiro tinha se limpado bem. Ele estava 
usando uma cala jeans nova e uma camiseta Western limpa e ele tinha at aparado a 
barba. Ele estava usando as botas de Geryon. O menino pode ficar aqui e organizar 
seus pensamentos pelo tempo que precisar. Ele estar seguro, eu prometo. 
E voc? perguntei 
Eurytion coou sob um dos queixos de Orthos, ento sob o outro. As coisas vo andar 
um pouco diferente aqui no rancho de agora em diante. Sem mais carne de gado 
sagrado. Eu estou pensando em empadas de soja. E eu vou ajudar esses cavalos 
carnvoros. Talvez eu pudesse me inscrever no prximo rodeio. 
Essa ideia me fez estremecer. Bem. Boa sorte. 
. Eurytion cuspiu na grama. Creio que vocs vo procurar a oficina de Ddalo 
agora? 
Os olhos de Annabeth se iluminaram. Voc pode nos ajudar? 
Eurytion estudou o gado, e percebi que o assunto da oficina de Ddalo o deixou 
desconfortvel. Eu no sei onde fica, mas Hefesto provavelmente sabe. 
Foi isso que Hera disse, Annabeth concordou. Mas como acharemos Hefesto? 
Eurytion puxou algo de debaixo do colarinho da camisa. Era um colar  um disco 
prateado liso em uma corrente prateada. O disco tinha uma depresso no meio, como 
uma impresso digital do polegar. Ele entregou a Annabeth. 
Hefesto vem aqui de tempos em tempos, Eurytion disse. Estuda os animais e tal para 
poder fazer cpias autmatas de bronze. Vez passada, eu, hum, fiz um favor a ele. Uma 
pequena pea que ele queria aplicar em meu pai, Ares, e Afrodite. Ele me deu essa 
corrente em gratido. Disse que se eu alguma vez precisasse ach-lo, o disco me 
conduziria s forjas dele. Mas s uma vez. 
E voc est dando para mim? Annabeth perguntou. 
Eurytion ruborizou. Eu no preciso ver as forjas, senhorita. Tenho o bastante para 
fazer aqui. Apenas aperte o boto e voc estar no caminho. 
Annabeth apertou o boto e o disco pareceu ganhar vida. Surgiram oito pernas 
metlicas. Annabeth gritou e derrubou aquilo no cho, o que confundiu Eurytion. 
Aranha! ela gritou. 
Ela tem, hum, um pouco de pavor de aranhas, Grover explicou. Aquele velho rancor 
entre Atena e Aracne. 
Ah. Eurytion pareceu embaraado. Desculpe, senhorita. 
A aranha passou pela guarda de gado e desapareceu entre as barras. 
Rpido, eu disse. Aquela coisa no vai esperar por ns. 
Annabeth no estava ansiosa para segui-la, mas no tnhamos muita escolha. Ns 
dissemos adeus a Eurytion, Tyson tirou a guarda de gado de cima do buraco, e ns 
pulamos de volta ao labirinto. 

*** 

Eu desejava ter posto a aranha numa coleira. Ela correu pelos tneis to rpido, que na 
maior parte do tempo eu no pude nem mesmo v-la. Se no fosse pela audio 
excelente de Tyson e Grover, ns nunca teramos sabido pra onde ela estava indo. 
Ns descemos correndo por um tnel de mrmore, ento nos arremessamos para a 
esquerda e quase camos em um abismo. Tyson me agarrou e me puxou pra trs antes 
que eu pudesse cair. O tnel continuou  nossa frente, mas no havia cho por uns trinta 
metros, s a escurido escancarada e uma srie de hastes de ferro pendiam do teto. A 
aranha mecnica estava a meio caminho, balanando de barra em barra atirando teias de 
metal. 


Barras, Annabeth disse. Eu sou muito boa nisso. 
Ela saltou sobre a primeira barra e comeou a se balanar de um lado pro outro. Ela 
tinha pavor de aranhas minsculas, mas no de despencar para a morte de uma barra. 
Vai entender. 
Annabeth chegou do lado oposto e correu atrs da aranha. Eu a segui. Quando 
atravessei, olhei para trs e vi Tyson carregando Grover nas costas. O grando fez o 
percurso em trs balanos, o que foi uma coisa boa j que, no momento que ele pousou, 
a ltima barra quebrou com o seu peso. 
Ns continuamos a nos mover e passamos por um esqueleto amassado no tnel. Ele 
usava os restos de uma camisa, calas compridas, e uma gravata. A aranha no diminuiu 
a velocidade. Eu deslizei numa pilha de fragmentos de madeira, mas quando os iluminei 
percebi que eram lpis  centenas deles, todos quebrados pela metade. O tnel se abriu 
para uma grande sala. Uma luz ardente nos atingiu. Quando meus olhos se ajustaram, a 
primeira coisa que notei foram os esqueletos. Dzias cobriam o cho ao nosso redor. 
Alguns eram antigos e esbranquiados. Outros eram mais recentes, mais inteiros. Eles 
no cheiravam to mal quanto os estbulos de Geryon, mas chegavam perto. 
Ento eu vi o monstro. Ela se levantou de um estrado resplandecente no lado oposto da 
sala. Ela tinha o corpo de um grande leo e a cabea de uma mulher. Ela teria sido 
bonita, mas o cabelo dela estava amarrado para trs em um coque apertado e ela usava 
muita maquiagem, tanto que ela me lembrava minha professora de coro do terceiro ano. 
Ela tinha um distintivo azul fixado no trax que me levou um momento para ler. ESTE 
MONSTRO FOI CLASSIFICADO COMO EXEMPLAR! 
Tyson choramingou. Esfinge. 
Eu sabia exatamente porque ele estava assustado. Quando ele era pequeno, Tyson foi 
atacado pelas patas de uma Esfinge e desapareceu. 
Annabeth foi adiante, mas a esfinge rugiu, mostrava os caninos no seu de outra forma 
rosto humano. Barras caram sobre ambas as sadas do tnel, atrs de ns e  frente. 
Imediatamente o rugido do mostro se transformou em um sorriso radiante. 
Bem vindos, sortudos concorrentes! ela anunciou. Se preparem para jogar... 
RESPONDA AO ENIGMA! 
Aplausos ensaiados soaram do teto, como se houvesse alto-falantes invisveis. 
Refletores brotaram ao redor do quarto e refletiram o estrado, jogando todo o resplendor 
da discoteca em cima dos esqueletos no cho. 
Prmios fabulosos! falou a Esfinge. Passe no teste, e poder avanar! Falhe, e eu te 
comerei! Quem vai ser o nosso participante? 
Annabeth agarrou meu brao. Deixe comigo, ela sussurrou. Eu sei o que ela vai 
perguntar. 
Eu no discuti muito. Eu no queria que Annabeth fosse devorada por um monstro, mas 
pensei que se a Esfinge fosse perguntar enigmas, Annabeth era a melhor de ns para 
tentar. Ela pisou adiante e avanou para o pdio do competidor, que tinha arqueado 
sobre ele um esqueleto em uniforme escolar. Ela tirou o esqueleto do caminho, e ele 
caiu ruidosamente no cho. 
Desculpe, Annabeth disse a ele. 
Bem vinda, Annabeth Chase! o monstro falou, embora Annabeth no tenha dito seu 
nome. Voc est pronta para o seu teste? 
Sim, ela falou. Pergunte o seu enigma. 
Vinte enigmas, na verdade! a esfinge falou alegremente. 
O qu? Mas nos velhos tempos 
Ah, ns elevamos os nossos padres! Para passar voc tem que mostrar conhecimento 
em todos os vinte. Isso no  timo? 



Aplausos tocavam de tempos em tempos como algum virando uma torneira. 
Annabeth olhou nervosamente para mim. Eu lhe dei um aceno encorajador. 
Certo, ela disse a Esfinge. Eu estou pronta. 
Os tambores tocaram acima. Os olhos da esfinge brilharam de excitao. Qual  a 
capital da Bulgria? 
Annabeth franziu o cenho. Por um terrvel momento, eu pensei que ela estava 
empacada. 
Sofia, ela disse, mas 
Correto! Mais aplausos ensaiados. A Esfinge sorriu to selvagemente que seus 
caninos apareceram. Por favor, no se esquea de marcar sua resposta claramente na 
sua folha de teste com um lpis preto nmero dois. 
O qu? Annabeth parecia aturdida. Ento uma folha de teste apareceu no pdio  sua 
frente junto com um lpis afiado. 
Preste ateno na bola que voc assinalar e fique dentro do crculo, a esfinge disse. 
Se voc tiver que apagar, apague completamente ou a mquina no vai conseguir ler as 
suas respostas. 
Que mquina? Annabeth perguntou. 
A esfinge apontou com sua pata. Em cima do refletor estava uma caixa de bronze com 
um monte de engrenagens e alavancas e uma grande letra H na lateral, a marca de 
Hefesto. 
Agora, disse a Esfinge, a prxima questo 
Espere um segundo, Annabeth protestou. O que aconteceu com O que caminha com 
quatro pernas de manh? 
Perdo? A esfinge disse, claramente aborrecida agora. 
O enigma sobre o homem. Ele caminha em quatro pernas de manh, como um beb, 
duas pernas ao entardecer, como um adulto, e trs pernas ao anoitecer, como um velho 
com uma bengala. Esse  o enigma que voc costumava perguntar. 
Exatamente porque eu mudei o teste! a Esfinge exclamou. Voc j sabia a resposta. 
Agora a segunda questo, qual  a raiz quadrada de dezesseis? 
Quatro, Annabeth disse, mas 
Correto! Qual presidente dos Estados Unidos assinou a Proclamao de 
Emancipao? 
Abranhan Lincoln, mas 
Correto! Enigma nmero quatro. Quanto 
Espere a! Annabeth gritou. 
Eu queria falar para ela parar de reclamar. Ela estava indo bem! Ela deveria somente 
responder as questes para podermos ir. 
Isso no so enigmas, Annabeth disse 
O que voc quer dizer? a esfinge vociferou. Claro que so. Esse teste  
especialmente projetado 
Isso  um monte de fatos estpidos e aleatrios, Annabeth insistiu. Os enigmas 
devem fazer voc pensar. 
Pensar? a esfinge fez uma carranca. Como  que eu deveria testar se voc sabe 
pensar? Isso  ridculo! Agora, quanta fora  requerida 
Pare! Annabeth insistiu. Esse  um teste estpido. 
H, Annabeth, Grover se intrometeu nervosamente. Talvez voc devesse, voc sabe, 
terminar primeiro e reclamar depois? 
Eu sou uma filha de Atena, ela insistiu. E isso  um insulto a minha inteligncia. Eu 
no vou responder essas questes. 



Parte de mim estava impressionada por ela se impor daquela forma. Mas parte de mim 
pensou que o orgulho dela ia matar todos ns. 
Os refletores resplandeceram. Os olhos da esfinge faiscaram puro preto. 
Ento, minha querida, o monstro disse calmamente. Se voc no passar, voc 
falhar. E como ns no permitimos que crianas fiquem para trs voc ser 
DEVORADA! 
A Esfinge exps suas presas, que brilhavam como ao inoxidvel. Ela pulou para o 
pdio. 
No! Tyson atacou. Ele odeia quando as pessoas ameaam Annabeth, mas no pude 
acreditar que ele estava sendo to valente, especialmente quando ele teve uma 
experincia to ruim com uma esfinge antes. 
Ele agarrou a esfinge no ar e eles colidiram de lado com uma pilha de ossos. Isso deu 
tempo para Annabeth recobrar seu senso e puxar sua faca. Tyson se ergueu, sua 
camiseta em frangalhos. A Esfinge rosnou, procurando por uma abertura. 
Eu saquei Contracorrente e me coloquei na frente de Annabeth. 
Fique invisvel, eu disse a ela. 
Eu posso lutar! 
No! Eu gritei. A Esfinge est atrs de voc! Deixe-nos usar isso. 
Como que para provar o meu ponto, a Esfinge empurrou Tyson para o lado e tentou 
passar por mim. Grover a cutucou no olho com o osso da perna de algum. Ela 
guinchou de dor. Annabeth colocou o seu bon e desapareceu. A esfinge se lanou 
exatamente onde Annabeth estivera, mas suas patas s encontraram o vazio. 
No  justo! a esfinge se lamentou. Trapaceira! 
Com Annabeth fora de vista, a esfinge se virou para mim. Eu ergui minha espada, mas 
antes que eu pudesse golpear, Tyson arrancou a mquina do monstro do cho e a jogou 
na cabea da Esfinge, acabando com seu penteado. A mquina caiu aos pedaos em 
volta dela. 
Minha mquina classificadora! ela chorou. Eu no posso ser exemplar sem a 
pontuao do meu teste! 
As barras se ergueram nas sadas. Todos ns samos para o tnel distante. Eu s podia 
esperar que Annabeth estivesse fazendo o mesmo. 
A esfinge comeou a nos seguir, mas Grover pegou sua flauta e comeou a tocar. De 
repente os lpis se lembraram que eles costumavam ser partes de rvores. Eles se 
enroscaram nas patas da Esfinge, razes e folhas cresceram e comearam a se prender ao 
redor das pernas do monstro. A Esfinge os rasgou, mais isso nos deu tempo suficiente. 
Tyson puxou Grover para o tnel, e as barras bateram se fechando atrs de ns. 
Annabeth! Gritei. 
Aqui! Ela disse, bem ao meu lado. Continue se movendo! 
Ns corremos pelos tneis escuros, ouvindo o rugido da Esfinge atrs de ns conforme 
ela reclamava dos testes que ela teria que corrigir a mo. 




ONZE 



EU ATEIO FOGO EM MIM MESMO 

Eu achei que tnhamos perdido a aranha at que Tyson ouviu um fraco barulho de 
cliques. Ns fizemos algumas curvas, recuamos algumas vezes, e finalmente 
encontramos a aranha batendo a sua pequena cabea numa porta de metal. 
A porta parecia um daqueles antigos alapes de submarinos  oval, cheia de rebites 
de metal nas beiradas e uma argola como maaneta. Onde devia estar o portal havia uma 
enorme placa de lato, esverdeada pelo tempo, com um ta grego inscrito no meio. 
Ns nos entreolhamos. 
Prontos para conhecer Hefesto? perguntou Grover, nervoso. 
No, admiti. 
Sim! disse Tyson feliz, e ele girou a argola. 
Assim que a porta abriu, a aranha entrou rapidamente, com Tyson logo atrs. O resto de 
ns seguiu logo atrs, no to ansiosos. 
A sala era enorme. Parecia uma oficina mecnica, com vrios elevadores hidrulicos. 
Alguns tinham carros, mas outros tinham as coisas mais estranhas: um hyppaelektryon 
de bronze sem sua cabea de cavalo e com vrios arames saindo de seu rabo de galo, um 
leo de metal que parecia ligado a um carregador de bateria, e uma carruagem grega 
feita inteiramente de chamas. 
Projetos menores cobriam outras mesas bagunadas. Ferramentas estavam penduradas 
ao longo da parede. Cada uma tinha seu esboo numa placa de madeira pendurada, mas 
nada parecia estar no lugar correto. O martelo estava no lugar da chave de fenda. O 
grampeador onde a serra deveria estar. 
Sob o elevador hidrulico mais prximo, que erguia um Toyota Corolla 98, um par de 
pernas se estendia  a metade de baixo de um homenzarro em calas cinzas surradas e 
sapatos maiores que os de Tyson. Uma perna estava num suporte metlico. 
A aranha foi direto para debaixo do carro, e os sons de clique pararam. 
Bem, bem, ressoou uma voz profunda vinda debaixo do Corolla. O que temos aqui? 
O mecnico empurrou o carrinho para fora e se sentou. Eu j tinha visto Hefesto uma 
vez antes, brevemente no Olimpo, ento pensei que estaria preparado, mas sua 
aparncia me fez engasgar. 
Acho que ele havia se limpado quando eu o vi no Olimpo, ou usado magia para fazer 
sua forma parecer menos horrvel. Aqui em sua prpria oficina, ele aparentemente no 
ligava para sua aparncia. Ele usava um macaco sujo de leo e graxa. Hefesto estava 
bordado no bolso do peito. Sua perna rangia e estalava no suporte de metal enquanto ele 
levantava, e seu ombro esquerdo era mais baixo que o direito, ento ele parecia estar 
inclinado mesmo quando estava ereto. Sua cabea era deformada e torta. Era 
permanentemente carrancudo. Sua barba preta fumegava e chiava. De vez em quando 
irrompia uma chama em seu bigode e depois sumia. Suas mos eram do tamanho de 
luvas de beisebol, mas ele manuseou a aranha com uma habilidade impressionante. Ele 
a desmontou em dois segundos e depois a remontou. 
Assim, ele balbuciou para si mesmo. Bem melhor. 
A aranha se sacudiu feliz em sua mo, lanou uma teia metlica no teto, e foi embora 
balanando. 
Hefesto olhou ameaador para ns. Eu no os fiz, fiz? 


Hum, Annabeth disse. No, senhor. 
Bom, ele se queixou. O acabamento est pssimo. 
Ele estudou Annabeth e eu. Meio-sangues, ele grunhiu. Poderiam ser autmatos, 
claro, mas provavelmente no. 
Ns j nos vimos, senhor, eu disse a ele. 
Ah, j? o deus perguntou distraidamente. Tive a sensao de que isso no faria 
diferena. Ele s estava tentando descobrir como funcionava minha mandbula, se havia 
articulaes, uma alavanca ou algo do gnero. Bom, se eu no o esmaguei da primeira 
vez, provavelmente no terei que fazer isso agora. 
Ele olhou para Grover e franziu as sobrancelhas. Stiro. Ento ele viu Tyson e seus 
olhos, cintilaram. Bem, um Ciclope. Bom, bom. O que voc est fazendo viajando com 
esse grupo? 
Hum... disse Tyson, olhando admirado para o deus. 
Sim, bem dito, Hefesto concordou. Ento,  bom haver uma boa razo para vocs me 
perturbarem. A suspenso deste Corolla no  fcil, sabe. 
Senhor, Annabeth disse hesitante, ns estamos procurando por Ddalo. Ns 
pensamos 
Ddalo? O deus rugiu. Vocs querem aquele velho miservel? Vocs ousam 
procur-lo! 
A barba dele pegou fogo e seus olhos incandesceram. 
H, sim, senhor, por favor, Annabeth disse. 
Humpf. Esto perdendo tempo. Ele franziu a testa para algo em sua mesa de trabalho 
e mancou at l. Ele pegou algumas molas e peas metlicas e as remendou. Em alguns 
segundos ele estava segurando um falco de bronze e prata. Ele abriu suas asas 
metlicas, piscou seus olhos obsidianos e voou pela sala. 
Tyson riu e aplaudiu. O pssaro pousou no ombro de Tyson e beliscou sua orelha 
afetuosamente. 
Hefesto observou com ateno. A carranca do deus no mudou, mas pensei ter visto um 
brilho em seus olhos. Eu sinto que voc tem algo a me dizer, Ciclope. 
O sorriso de Tyson desapareceu. S-sim, senhor. Ns encontramos um de Cem-Mos. 
Hefesto assentiu, sem demonstrar surpresa. Briares? 
Sim. Ele... ele estava apavorado. Ele no nos ajudou. 
E isso te incomodou. 
Sim! a voz de Tyson vacilou. Briares devia ser forte! Ele  mais velho e maior que 
os Ciclopes. Mas ele fugiu. 
Hefesto grunhiu. Houve um tempo em que eu admirava os de Cem-Mos. Nos tempos 
da primeira guerra. Mas pessoas, monstros e at mesmo deuses mudam, meu jovem 
Ciclope. Voc no pode confiar neles. Veja minha adorvel me, Hera. Voc a 
conheceu, no foi? Ela vai sorrir pra voc e falar quo importante a famlia , no ? 
Isso no a impediu de me atirar para fora do Monte Olimpo quando viu minha cara 
feia. 


Mas eu pensei que Zeus tivesse feito isso com voc, eu disse. 
Hefesto limpou a garganta e cuspiu numa escarradeira de bronze. Ele estalou os dedos e 


o falco-rob voou de volta para a mesa. 
Minha me gosta de contar essa verso da estria, ele resmungou. Isso a torna mais 
adorvel, no torna? Jogando a culpa toda no meu pai. A verdade  que minha me 
gosta de famlias, mas um certo tipo de famlia. Famlias perfeitas. Ela deu uma olhada 
em mim e... bem, eu no sou nenhuma maravilha, sou? 
Ele puxou uma pena das costas do falco, e o autmato se desmontou completamente. 

Acredite em mim, jovem Ciclope, Hefesto disse, voc no pode confiar nos outros. 
Voc s pode confiar no trabalho de suas prprias mos. 
Parecia um jeito muito solitrio de se viver. Alm do que, eu no confiava muito no 
trabalho de Hefesto. Uma vez em Denver, suas aranhas metlicas quase mataram 
Annabeth e eu. E ano passado, foi uma esttua defeituosa de Talos que custou a vida de 
Bianca  mais um dos pequenos projetos de Hefesto. 
Ele focou em mim e estreitou os olhos, como se estivesse lendo meus pensamentos. 
Ah, este aqui no gosta de mim, ele meditou. Sem problema, estou acostumado com 
isso. O que voc pediria a mim, pequeno semideus? 
Ns falamos para voc, eu disse. Temos que achar Ddalo. H este cara, Luke, que 
est trabalhando para Cronos. Ele est procurando um jeito de navegar pelo labirinto 
para poder invadir nosso acampamento. Se ns no acharmos Ddalo antes  
E eu j disse a voc, garoto. Procurar por Ddalo  uma perda de tempo. Ele no vai 
ajud-los. 
Por que no?. 
Hefesto deu de ombros. Alguns de ns somos jogados do alto de montanhas. Alguns 
de ns... o jeito como aprendemos a no confiar nas pessoas  mais doloroso. Pea-me 
ouro. Ou uma espada chamejante. Ou um corcel mgico. Isso eu posso lhe dar 
facilmente. Mas um caminho at Ddalo? Este  um favor muito caro. 
Sabe onde ele est, ento, Annabeth pressionou. 
No  sensato procurar por ele, garota. 
Minha me diz que a procura  a essncia da sabedoria. 
Hefesto apertou os olhos. Quem  sua me, afinal? 
Atena. 
Imaginei. Ele suspirou. Boa deusa, a Atena. Uma pena que ela tenha se 
comprometido a nunca se casar. Est bem, meio-sangue. Eu posso dizer o que vocs 
querem saber. Mas h um preo. Preciso que me faam um favor. 
Diga, disse Annabeth. 
Hefesto realmente gargalhou  um som estrondoso como um fogo sendo alimentado. 
Vocs, heris, ele disse, sempre fazendo promessas apressadas. Que reconfortante. 
Ele apertou um boto em sua bancada, e venezianas metlicas se abriram ao longo da 
parede. Ou era uma janela enorme ou uma TV tela grande, eu no pude discernir. 
Estvamos olhando para uma montanha cinza rodeada de florestas. Deve ter sido um 
vulco, pois saia fumaa do seu cume. 
Uma das minhas forjas, Hefesto falou. Eu tenho muitas, mas costumava ser a minha 
favorita. 
 o Monte Sta. Helena, disse Grover. timas florestas em volta. 
Voc j esteve l? perguntei. 
Procurando por... voc sabe, Pan. 
Espere, Annabeth falou, olhando para Hefesto. Voc disse que costumava ser a sua 
favorita. O que aconteceu? 
Hefesto coou sua barba latente. Bom,  onde o monstro Tfon est preso, voc sabe. 
Costumava ser sob o Monte Etna, mas quando nos mudamos para a Amrica, sua fora 
se fixou sob o Monte Sta. Helena. Excelente fonte de fogo, mas  meio perigoso. 
Sempre h uma chance de ele escapar. Muitas erupes esses dias, sempre ativo. Ele 
est inquieto com a rebelio dos Tits. 
O que voc quer que a gente faa? eu disse. Lute contra ele? 
Hefesto bufou. Seria suicdio. Os prprios deuses fugiam de Tifon quando ele estava 
livre. No, reze para que nunca tenha que v-lo, muito menos lutar com ele. Mas 
ultimamente eu tenho sentido intrusos na montanha. Algum ou alguma coisa est 



usando minha forja. Quando eu vou l, est vazia, mas posso dizer que est sendo 
usada. Eles percebem que estou chegando e somem. Mandei meus autmatos 
investigarem, mas eles no retornaram. Algo... antigo est l. Maligno. Quero saber 
quem ousa invadir meu territrio, e se eles pretendem soltar Tfon. 

Voc quer que a gente descubra quem , falei. 
Positivo, Hefesto disse. Vo l. Eles provavelmente no percebero vocs chegando. 
Vocs no so deuses. 
Fico feliz por voc ter notado, murmurei. 
Vo e descubram o que puderem, Hefesto disse. Relatem tudo a mim, e eu direi a 
vocs o que precisam saber sobre Ddalo. 
Certo, Annabeth disse. Como chegamos l? 
Hefesto bateu palmas. A aranha desceu balanando pelas vigas. Annabeth recuou 
quando a aranha pousou no p dela. 
Minha criao vai mostrar a vocs o caminho, Hefesto disse. No  muito longe pelo 
Labirinto. E tentem ficar vivos, ok? Humanos so muito mais frgeis que autmatos. 

*** 

Estvamos indo bem at chegarmos nas razes das rvores. A aranha correu por elas, e 
ns acompanhamos, mas a ns vimos um tnel escavado na terra, envolto em razes. 
Grover estacou. 
O que foi? perguntei. 
Ele no se mexeu. Ele encarou boquiaberto o tnel escuro. Seu cabelo enrolado 
farfalhou ao vento. 
Vamos! disse Annabeth. Temos que continuar. 
Este  o caminho, disse ele receoso.  este. 
Que caminho? perguntei. Voc quer dizer... at Pan? 
Grover se virou para Tyson. Voc no sente? 
Lama, Tyson disse. E plantas. 
Sim! Este  o caminho. Tenho certeza disso! 
Mais  frente, a aranha estava cada vez mais longe pelo corredor de pedra. Mais alguns 
segundos e a perderamos. 
Ns voltaremos, Annabeth prometeu. Quando estivermos voltando ao Hefesto. 
O tnel ter desaparecido at l, Grover disse. Eu tenho que segui-lo. Uma porta 
como esta no permanecer aberta! 
Mas no podemos, Annabeth disse. A forja! 
Grover a olhou, cabisbaixo. Eu tenho que ir, Annabeth. Voc no entende? 
Ela parecia desesperada, como se no estivesse entendendo nada. A aranha estava quase 
fora de viso. Mas eu pensei sobre minha conversa com Grover na noite passada e vi o 
que tnhamos que fazer. 
Vamos nos separar, falei. 
No! Annabeth disse.  muito perigoso. Como vamos nos encontrar de novo? E 
Grover no pode ir sozinho. 
Tyson ps sua mo no ombro de Grover. E-eu vou com ele. 
Eu no podia acreditar que tinha ouvido aquilo. Tyson, voc tem certeza? 
O grando assentiu. Garoto-bode precisa de ajuda. Ns vamos achar o deus. Eu no 
sou como Hefesto. Eu confio nos amigos. 
Grover respirou fundo. Percy, ns vamos nos encontrar de novo. Ainda temos a 
conexo emptica. Eu apenas... tenho que ir. 



Eu no o culpei. Esse era o objetivo da vida dele. Se ele no achasse Pan nesta viagem, 

o Conselho jamais daria outra chance a ele. 
Espero que voc esteja certo, falei. 
Eu sei que estou. Eu nunca o vira soar to confiante sobre alguma coisa, exceto que 
enchilada de queijo era melhor que enchilada de frango. 
Se cuida, falei pra ele. Ento olhei para Tyson. Ele engoliu um soluo e me deu um 
abrao que quase fez meus olhos saltarem das rbitas. 
Depois ele e Grover desapareceram no tnel das razes da rvore, sumindo no escuro. 
Isso  ruim, Annabeth disse. Separar  uma ideia muito, muito ruim. 
Ns vamos v-los de novo, eu disse, tentando parecer confiante. Agora vamos. A 
aranha est escapando! 
*** 

No fomos muito longe at o tnel comear a esquentar. 
As paredes cintilavam. O ar fazia parecer como se estivssemos andando dentro de um 
forno. O tnel descia e eu pude ouvir um barulho alto, como um rio de metal. A aranha 
deslizou por ele, com Annabeth logo atrs. 
Ei, espera a, eu chamei por ela. 
Ela olhou de volta pra mim. Sim? 
Uma coisa que Hefesto disse l atrs... sobre Atena. 
Ela prometeu nunca se casar, Annabeth disse. Como rtemis e Hstia. Ela  uma das 
deusas donzelas. 
Eu pisquei. Eu nunca tinha ouvido falar isso sobre Atena antes. Mas ento 
Como ela pode ter filhos semideuses? 
Fiz que sim. Eu provavelmente estava ficando vermelho, mas felizmente estava to 
quente que Annabeth nem notou. 
Percy, voc sabe como Atena nasceu? 
Ela surgiu da cabea de Zeus em uma armadura de batalha completa ou algo assim. 
Exatamente. Ela no nasceu do jeito normal. Ela literalmente nasceu de pensamentos. 
Seus filhos nascem do mesmo jeito. Quando Atena se apaixona por um mortal,  
puramente intelectual, como ela amou Odisseu nas histrias antigas.  um encontro de 
mentes. Ela diria que  o jeito mais puro de amor. 
Ento seu pai e Atena... ento voc no... 
Eu fui uma criana-crebro, ela disse. Literalmente. Filhos de Atena surgem dos 
pensamentos divinos de nossa me e da ingenuidade mortal de nosso pai. Supostamente 
ns somos como um presente, uma beno de Atena para os homens que ela favorece. 
Mas 
Percy, a aranha est indo embora. Voc quer mesmo que eu explique os detalhes de 
como eu nasci? 
Hum... no. T tudo bem. 
Ela sorriu. Eu pensei que no. Ento ela correu adiante. Eu a segui, mas no tinha 
certeza se olharia para Annabeth de novo do mesmo jeito. Decidi que algumas coisas 
so melhores quando permanecem como mistrios. 
O barulho aumentou. Aps oitocentos metros ou mais, ns samos numa caverna do 
tamanho de um estdio de futebol americano. Nossa aranha guia parou e se enrolou at 
virar uma bola. Ns havamos chegado  forja de Hefesto. 
No havia cho, apenas lava borbulhando centenas de metros abaixo. Ficamos no cume 
de uma rocha que circundava a caverna. Uma rede de pontes metlicas atravessava a 
caverna. No centro havia uma plataforma gigante com todos os tipos de mquinas, 



caldeires, fornos e a maior bigorna que eu j havia visto  um bloco de metal do 
tamanho de uma casa. Criaturas se mexiam pela plataforma  vrias formas estranhas e 
escuras, mas estavam muito longe para vermos detalhes. 
Annabeth pegou a aranha de metal e ps no bolso. Eu posso fazer isso. Espere aqui. 
Espere! eu disse, mas antes que pudesse discutir ela ps seu bon dos Yankees e ficou 
invisvel. 
Eu no ousei cham-la, mas no gostei da ideia de ela se aproximar da forja sozinha. Se 
aquelas coisas podiam sentir um deus chegando, ser que Annabeth estaria segura? 
Olhei de volta para o tnel do Labirinto. J sentia falta de Grover e Tyson. Finalmente 
decidi que no podia ficar parado. Andei pela borda exterior do rio de lava, torcendo 
para que eu tivesse um ngulo melhor pra ver o que estava acontecendo no meio. 
O calor era terrvel. O rancho de Geryon era um paraso de inverno comparado a isto. 
Em pouco tempo eu estava encharcado de suor. Meus olhos ardiam com a fumaa. Eu 
continuei, tentando ficar longe da beirada, at achar meu caminho bloqueado por um 
carrinho com rodas de metal, como aqueles que tinham em minas. Eu levantei a lona e 
vi que ele estava meio cheio com pedaos de metal. Eu estava para me espremer e 
passar quando ouvi vozes vindas l da frente, provavelmente de um tnel lateral. 
Trazer pra c? um perguntou. 
, outro disse. O filme est quase pronto. 
Eu entrei em pnico. No tinha tempo pra voltar. No tinha lugar para me esconder 
alm do... carrinho. Subi no carrinho e me cobri com a lona, esperando que ningum 
tivesse me visto. Passei minha mo em Contracorrente, s para o caso de precisar lutar. 
O carrinho balanou para frente. 
Oh, uma voz rude disse. Isto pesa uma tonelada. 
 bronze celestial, disse o outro Voc esperava o qu? 
Eu fui puxado pelo caminho. Fizemos uma curva, e pelo barulho das rodas de metal 
ecoando eu achei que tnhamos passado por um tnel e entrado numa sala menor. 
Felizmente eu no estava a ponto de ser despejado num recipiente de fundio. Se eles 
comeassem a me tombar, eu teria que lutar para abrir meu caminho rpido. Eu ouvi 
muitas conversas, vozes que no pareciam humanas  algo entre um latido de foca e 
um rugido de cachorro. Havia outros sons tambm  como um projetor de filmes 
antigo e uma voz fina narrando. 
Apenas coloquem l atrs, uma nova voz ordenou do outro lado da sala. Agora, 
filhotes, queiram assistir o filme. Tero tempo para perguntar depois. 
As vozes diminuram e eu pude ouvir o filme. 
Conforme um demnio marinho amadurece, o narrador disse, mudanas acontecem no 
corpo do monstro. Voc deve perceber suas presas crescerem e um desejo repentino de 
devorar humanos. Essas mudanas so perfeitamente normais e acontecem a todos os 
jovens monstros. 


Rosnados excitados encheram a sala. O professor  eu pensei que devia ser um 
professor  disse aos garotos para ficarem quietos, e o filme continuou. Eu no entendi 
a maior parte dele, e no ousei olhar. O filme continuou a falar sobre crescimento e 
problemas de acne causados pelo trabalho nas forjas, e higiene adequada das nadadeiras 
e enfim, acabou. 
Agora, filhotes, o instrutor disse, qual  o nome certo de nossa espcie? 
Demnios marinhos! um deles latiu. 
No. Mais algum? 
Telequines! outro monstro gritou. 
Muito bem, disse o instrutor. E por que estamos aqui? 
Vingana! vrios gritaram. 



Sim, sim, mas por qu? 
Zeus  mau! um monstro disse. Ele nos jogou no Trtaro s porque usamos magia. 
De fato, o instrutor falou. Depois de termos feito as melhores armas dos deuses. O 
tridente de Poseidon, por exemplo. E  claro  ns fizemos a melhor arma dos Tits! 
No entanto, Zeus nos dispensou e se aliou queles Ciclopes desastrados.  por isso que 
estamos nos apossando da forja do usurpador Hefesto. E em breve controlaremos as 
fornalhas submarinas, nossa casa ancestral. 
Eu peguei minha caneta-espada. Essas coisas rosnantes haviam criado o tridente de 
Poseidon? Do que eles estavam falando? Eu nunca ouvira falar de um telequine. 
E ento, crianas, o instrutor continuou, a quem ns servimos? 
Cronos! eles gritaram. 
E quando vocs crescerem e forem grandes telequines, faro armas para o exrcito? 
Sim! 
Excelente. Agora, ns trouxemos alguns pedaos de metal para vocs praticarem. 
Vamos ver o quo engenhosos vocs so. 
Houve movimentos agitados e vozes excitadas ao redor do carrinho. Eu me preparei 
para desencapar Contracorrente. A lona foi jogada para trs. Eu pulei, minha espada 
ganhou vida em minhas mos, e eu me vi encarando um monte de... cachorros. 
Bom, suas caras eram de cachorro, de qualquer jeito, com focinhos pretos, olhos 
castanhos, e orelhas pontudas. Seus corpos eram lisos e pretos como mamferos 
marinhos, com pernas atarracadas que eram metade nadadeira, metade p, e mos 
humanas com garras afiadas. Se voc misturar um garoto, um pinscher Doberman, e um 
leo marinho, voc vai ter algo parecido com o que eu estava olhando. 
Um semideus! um rosnou. 
Comam-no! gritou outro. 
Mas isso foi tudo que conseguiram dizer antes que eu tivesse golpeado em um amplo 
arco com Contracorrente e vaporizado por completo a fileira da frente de monstros. 
Para trs! eu gritei para o resto, tentando parecer feroz. Atrs deles estava o instrutor 


 um telequine de dois metros de altura com presas de Dobermann rosnando para mim. 
Fiz o mximo que pude para encar-lo. 
Lio nova, classe, anunciei. A maioria dos monstros vai vaporizar quando fatiado 
por uma espada de bronze celestial. Essa mudana  perfeitamente normal, e vai 
acontecer com vocs agora mesmo se vocs no RECUAREM! 
Para a minha surpresa, funcionou. Os monstros recuaram, mas havia pelo menos vinte 
deles. Meu fator medo no ia durar muito. 
Eu pulei do carrinho, gritei, CLASSE DISPENSADA! e corri para a sada. 
Os monstros me atacaram, latindo e rosnando. Eu esperava que eles no pudessem 
correr muito com aquelas pernas atarracadas e nadadeiras, mas eles gingavam muito 
bem. Graas aos deuses havia uma porta no tnel que ia para a caverna principal. Eu a 
bati com fora e virei a argola para tranc-la, mas duvidava que isso iria segur-los por 
muito tempo. 
Eu no sabia o que fazer. Annabeth estava l fora em algum lugar, invisvel. Nossas 
chances de uma misso de reconhecimento discreta j eram. Eu corri at a plataforma 
no centro do rio de lava. 
*** 

Annabeth! gritei. 
Shhh! uma mo invisvel tampou minha boca, e me puxou para trs de um caldeiro 
de bronze. Voc quer nos matar? 



Eu achei sua cabea e tirei seu bon dos Yankees. Ela surgiu na minha frente, 
carrancuda, seu rosto coberto com cinzas e fuligem. Percy, qual  o seu problema? 
Ns vamos ter companhia! Eu expliquei rapidamente sobre a aula de orientao para 
monstros. Seus olhos se arregalaram. 
Ento  isso que eles so, ela disse. Telequines, eu deveria saber. E eles esto 
fazendo... bem, veja. 
Ns espreitamos por cima do caldeiro. No centro da plataforma havia quatro demnios 
marinhos, mas estes estavam completamente crescidos, pelo menos dois metros e meio 
de altura. Suas peles negras brilhavam na luz do fogo conforme trabalhavam, fascas 
voando enquanto eles se revezavam em bater num pedao de metal quente e brilhante. 
A lmina est quase completa, um disse. Precisa de outro resfriamento em sangue 
para fundir os metais. 
Positivo, o segundo disse. Deve ficar ainda mais afiada do que antes. 
O que  isso? eu sussurrei. 
Annabeth balanou a cabea. Eles ficam falando sobre metais fundidos. Eu imagino  
 
Eles estavam falando da maior arma dos Tits, eu disse. E eles... eles disseram que 
fizeram o Tridente do meu pai. 
Os telequines traram os deuses, Annabeth disse. Eles estavam usando magia negra. 
Eu no sei o qu, exatamente, mas Zeus os baniu para o Trtaro. 
Com Cronos. 
Ela assentiu. Ns temos que sair daqui  
Mal ela disse isso e a porta para a sala de aula explodiu e pequenos telequines saram. 
Eles tropeavam uns nos outros, tentando descobrir um modo de atacar. 
Ponha seu bon de novo, eu disse. Saia! 
O qu? ela guinchou. No! Eu no vou deixar voc! 
Eu tenho um plano. Vou distra-los. Voc pode usar a aranha de metal  talvez ela a 
leve de volta a Hefesto. Voc tem que dizer a ele o que est acontecendo. 
Mas voc vai ser morto! 
Eu vou ficar bem. Alm disso, no temos escolha. 
Annabeth me olhou como se fosse me bater. E ento ela fez algo que me surpreendeu 
ainda mais. Ela me beijou (). 
Se cuida, cabea de alga. Ela ps o bon e saiu. 
Eu provavelmente teria ficado sentado l o dia todo, olhando para o rio de lava e 
tentando lembrar qual era o meu nome, mas os demnios marinhos me levaram de volta 
para a realidade. 
Ali! um gritou. A classe inteira de telequines subiu na ponte e vieram me atacar. Eu 
corri para o meio da plataforma, surpreendendo os quatro demnios marinhos mais 
velhos de um jeito que eles largaram a lmina vermelha-quente. Tinha dois metros de 
comprimento e era curvada como uma lua crescente. Eu j tinha visto vrias coisas 
aterrorizantes, mas essa coisa-seja-l-o-que-for inacabada me assustou ainda mais. 
Os demnios marinhos mais velhos se recuperaram da surpresa rapidamente. Havia 
quatro rampas saindo da plataforma, e antes que eu pudesse correr para qualquer 
direo, cada um deles bloqueou uma sada. 
O mais alto rosnou. O que temos aqui? Um filho de Poseidon? 
Sim, o outro rugiu.Eu posso sentir o cheiro do mar em seu sangue. 
Eu ergui Contracorrente. Meu corao estava disparado. 
Derrube um de ns, semideus, o terceiro demnio disse, e o resto de ns o far em 
pedaos. Seu pai nos traiu. Ele aceitou nosso presente e no disse nada enquanto ramos 
jogados no abismo. Ns o veremos ser feito em pedaos. Ele e os outros Olimpianos. 



Eu desejei ter um plano. Desejei no ter mentido para Annabeth. Eu quis que ela se 
safasse, e esperei que ela fosse sensata e fizesse isso. Mas agora me parecia que este 
seria o lugar em que eu morreria. Sem profecias para mim. Eu seria devastado no 
corao de um vulco por um bando de caras lees-marinhos com caras-de-cachorro. Os 
jovens telequines estavam na plataforma agora, rosnando e esperando para ver o que os 
quatro mais velhos fariam comigo. 
Senti algo queimando na lateral da minha perna. O apito de gelo em meu bolso estava 
ficando mais gelado. Se houve um momento em que precisei de ajuda, agora era a hora. 
Mas eu hesitei. Eu no confiava no presente de Quintus. 
Antes que eu pudesse me decidir, o mais alto falou, Vejamos quo forte ele . Vejamos 
quanto tempo leva para ele queimar. 
Ele pegou um pouco de lava da fornalha mais prxima. Isso fez seus dedos flamejarem, 
mas aquilo no pareceu incomod-lo nem um pouco. Os outros trs telequines mais 
velhos fizeram o mesmo. O primeiro atirou um pouco de pedra fundida em mim e 
minhas calas pegaram fogo. Outros dois acertaram meu peito. Eu soltei minha espada 
aterrorizado e bati nas minhas roupas. O fogo estava me engolfando. Estranhamente, 
ficou apenas morno no comeo, mas estava ficando mais quente a cada momento. 
A natureza de seu pai o protege, um disse. Torna voc difcil de queimar, mas no 
impossvel, jovenzinho. No impossvel. 
Eles atiraram mais lava em mim, e me lembro de gritar. Meu corpo inteiro estava 
pegando fogo. A dor era pior do que qualquer coisa que eu tivesse sentido. Eu estava 
sendo consumido. Ca no cho de metal e ouvi os pequenos telequines uivando com 
prazer. 
Ento me lembrei da voz da niade no rancho: A gua est em mim. 
Eu precisava do mar. Senti um solavanco no estmago, mas no havia nada por perto 
que me ajudasse. Nenhuma torneira ou rio. Nem mesmo uma concha marinha 
petrificada. E tambm, da ltima vez que eu liberei meus poderes no estbulo, houve 
aquele momento terrvel em que quase perdi o controle. 
Eu no tinha escolha. Chamei o mar. Alcancei dentro de mim e me lembrei das ondas e 
das correntes, do poder infinito do oceano. E eu o libertei com um grito horrendo. 
Depois, eu nunca pude descrever o que aconteceu. Uma exploso, uma onda tremenda, 
um turbilho de poder ao mesmo tempo me pegando e me explodindo debaixo de lava. 
Fogo e gua colidiram, vapor superaquecido, e eu fui atirado para cima do centro do 
vulco numa exploso gigantesca, apenas uma parte dos destroos liberados por 
milhes de toneladas de presso. A ltima coisa de que me lembro antes de perder a 
conscincia foi voar, voar to alto que Zeus jamais me perdoaria, e ento comear a 
cair, fumaa e fogo e gua fluindo de mim. Eu era um cometa indo na direo da terra. 



DOZE 



GANHO FRIAS PERMANENTES 

Acordei me sentindo como se ainda estivesse em fogo. Minha pele ferida. Minha 
garganta to seca quanto areia. 
Vi um cu azul e rvores acima de mim. Ouvia uma fonte borbulhando, e senti o cheiro 
de junperos e cedros e vrias outras plantas com odores doces. Ouvia ondas tambm, 
gentilmente batendo nas pedras do litoral. Imaginei se eu estava morto, mas eu sabia 
melhor. Eu estivera na Terra dos Mortos, e l no tinha nenhum cu azul. 
Tentei me sentar. Meus msculos pareciam que estavam desmanchando. 
Fique parado, disse uma voz de garota. Voc est muito fraco para se levantar. 
Ela ps um pano mido na minha testa. Uma colher de bronze entrou por minha boca, 
derramando um lquido nela. A bebida acalmou minha garganta, e deixou um leve gosto 
de chocolate quente. Nctar dos deuses. Ento o rosto da garota apareceu sobre mim. 
Ela tinha olhos amendoados, e cabelos cor de caramelo tranados sobre um ombro. Ela 
devia ter uns... quinze? Dezesseis? Era difcil dizer. Ela tinha um daqueles rostos que 
pareciam atemporais. Ela comeou a cantar e minha dor desapareceu. Ela estava 
fazendo algum tipo de mgica. Eu podia sentir sua msica entrar por minha pele, 
curando e reparando meu crebro. 
Quem? pestanejei. 
Shh, meu valente, ela disse. Descanse e melhore. Nenhum perigo o alcanar aqui. 
Eu sou Calypso. 


*** 

Quando acordei de novo, estava numa caverna, mas at onde eu sabia sobre cavernas, 
eu j estivera em piores. O teto brilhava com formaes de cristais de diferentes cores 

 branco e lils e verde, como se eu estivesse dentro daqueles geodes cortados que se 
veem em lojinhas de souvenir. Estava deitado numa cama confortvel, forrada com 
lenis de algodo e com travesseiros de plumas. A caverna era dividida em sees por 
cortinas de seda brancas. Contra uma das paredes havia um grande tear e uma harpa. 
Contra a outra havia uma pilha de prateleiras com jarras de compotas de frutas. Ervas 
secas pendiam do teto: alecrim, tomilho, e muitas outras. Minha me saberia nomear 
todas elas. 
Havia uma lareira construda na parede da caverna, e um caldeiro borbulhando nas 
chamas. Tinha um cheiro timo, como carne assada. 
Levantei-me tentando ignorar a dor latejante na minha cabea. Olhei para meus braos, 
certo que eles estariam terrivelmente mutilados, mas eles pareciam bem. Um pouco 
mais vermelhos que de costume, mas no estava mal. Eu estava vestindo uma camiseta 
branca de algodo e uma cala de cordo tambm de algodo que no eram minhas. 
Meus ps estavam descalos. Em um momento de pnico, perguntei-me o que havia 
acontecido com Contracorrente, mas apalpei meu bolso e l estava a minha caneta, 
exatamente onde ela sempre reaparecia. 
No s a espada, mas o apito de gelo stygiano estava de volta ao meu bolso tambm. De 
algum modo ele havia me seguido. No que isso tenha me acalmado. 

Com dificuldade, fiquei de p. O cho de pedra estava congelando sob os meus ps. Eu 
me virei e me encontrei olhando para um grande espelho de bronze. 
Santo Poseidon, murmurei. Parecia que eu tinha eliminado dez quilos que eu no 
podia ter me dado ao luxo de perder. Meu cabelo estava um ninho de rato. Estava 
chamuscado nas beiradas como a barba de Hefesto. Se eu visse esse rosto em algum 
em uma interseco da rodovia pedindo dinheiro, eu trataria de trancar as portas do 
carro. 
Eu desviei os olhos do espelho. A entrada da caverna era a minha esquerda. Eu segui na 
direo da luz do dia. 
A caverna dava para um campo verde. A esquerda havia um bosque com rvores de 
cedro e a direita um grande jardim. Quatro fontes borbulhavam na campina, cada uma 
jorrando gua de tubos em stiros de pedra. Mais a frente, o gramado descia de encontro 
s pedras da praia. As ondas de um lago batiam contra as pedras. Eu podia dizer que era 
um lago porque... bem, eu simplesmente podia. gua fresca. Sem sal. O sol brilhava na 
gua, e o cu era de um azul lmpido. Parecia um paraso, o que imediatamente me 
deixou nervoso. Voc lida com coisas mitolgicas por alguns anos, voc aprende que 
parasos geralmente so lugares onde voc  morto. 
A garota com os cabelos caramelo tranados, a que dissera que seu nome era Calypso, 
estava em p na praia, conversando com algum. Eu no conseguia v-lo muito bem, 
por causa da luz difusa que a luz do sol provocava na gua, mas eles pareciam estar 
discutindo. Tentei me lembrar o que eu sabia sobre Calypso dos velhos mitos. Eu j 
ouvira o nome antes, mas... no conseguia me lembrar. Ela era um monstro? Ela armava 
ciladas para heris e os matava? Mas se ela era m, por que eu ainda estava vivo? 
Eu andei at ela lentamente, porque minhas pernas ainda estavam duras. Quando a 
grama virou cascalho, eu olhei para baixo para manter meu equilbrio, e quando levantei 
a cabea, a garota estava sozinha. Ela vestia um vestido sem mangas grego com um 
decote bordado a ouro. Ela limpou os olhos, como se estivesse chorando. 
Bem, disse ela, tentando forar um sorriso, o dorminhoco finalmente acordou. 
Com quem voc estava falando? Minha voz parecia a de um sapo que passara um 
tempo num micro-ondas. 
Ah, s um mensageiro, disse ela. Como se sente? 
Por quanto tempo fiquei dormindo? 
Tempo, pensou Calypso. Tempo  sempre difcil aqui. Eu honestamente no sei, 
Percy. 
Voc sabe meu nome? 
Voc fala dormindo. 
Senti meu rosto ficar vermelho. . J me... hum, falaram isso antes. 
Sim. Quem  Annabeth? 
Ah, bem. Uma amiga. Estvamos juntos quando  espera, como eu cheguei aqui? 
Onde eu estou? 
Calypso ergueu a mo e passou seus dedos por meus cabelos bagunados. Eu dei um 
passo pra trs, nervosamente. 
Desculpe-me, disse ela. Eu tinha me acostumado a cuidar de voc. Quanto a como 
voc chegou aqui, voc caiu do cu. Voc aterrissou na gua, bem ali. Ela apontou 
para a praia. No sei como voc sobreviveu. A gua pareceu amortecer a sua queda. 
Quanto a onde voc est, voc est em Ogygia. 
Ela pronunciou como -jee-jee-. 
Fica perto do Monte St. Helena? Perguntei, porque minha geografia  horrvel. 
Calypso riu. Era uma risada curta e reprimida, como se ela tivesse me achado muito 
engraado, mas no quisesse me envergonhar. Ela era uma graa quando ria. 



No  perto de nada, meu valente, disse ela. Ogygia  a minha ilha fantasma. Ela 

existe por si mesma, em qualquer lugar e em lugar nenhum. Voc pode se curar aqui em 

segurana. No tema. 

Mas meus amigos  
Annabeth, ela falou. E Grover e Tyson? 
Sim! eu disse. Eu tenho que encontr-los. Eles esto em perigo. 
Ela tocou meu rosto, e eu no me afastei desta vez. Descanse primeiro. Voc no  til 
para seus amigos at estar curado. 
Assim que ela falou isso, percebi como estava cansado. Voc no ... no  uma 
feiticeira malvada, ? 
Ela sorriu timidamente. Por que voc acharia isso? 
Bem, eu conheci Circe uma vez, e ela tambm tinha uma bela ilha. Exceto por ela 
gostar de transformar homens em porquinhos da ndia. 
Calypso deu aquela risada de novo. Eu prometo que no irei transform-lo em um 
porquinho da ndia. 
Nem em nada mais? 
Eu no sou uma feiticeira malvada, disse Calypso. E eu no sou sua inimiga, meu 
valente. Agora descanse. Seus olhos j esto fechando. 
Ela estava certa. Meus joelhos bambearam, e eu teria me estatelado de cara no cascalho 
se Calypso no tivesse me pego. Seu cabelo cheirava a baunilha. Ela era muito forte, ou 
talvez eu estivesse muito fraco e magro. Ela me levou de volta para um banco 
acolchoado na fonte, e me ajudou a deitar. 
Descanse, ordenou ela. E eu adormeci com o som das fontes e o cheiro de baunilha e 
junpero. 


*** 

Quando acordei j era noite, mas eu no tinha certeza se era a mesma noite, ou muitas 
outras noites depois. Estava na cama na caverna, mas eu me levantei e me envolvi com 
um roupo e sai andando para fora. As estrelas estavam brilhantes  milhares delas, do 
jeito que voc s v no interior. Eu podia distinguir todas as constelaes que Annabeth 
me ensinara: Capricrnio, Pgaso, Sagitrio. E l, perto do horizonte norte, havia uma 
nova constelao: a Caadora, um tributo a uma amiga nossa que tinha morrido no 
ltimo inverno. 
Percy, o que voc v? 
Trouxe meus olhos de volta para a terra. Por mais incrveis que as estrelas fossem, 
Calypso brilhava duas vezes mais. Quero dizer, eu vira a deusa do amor em pessoa, 
Afrodite, e eu nunca diria isso em voz alta, ou ela me transformaria em cinzas, mas pelo 
meu dinheiro, Calypso era muito mais bonita, porque ela simplesmente parecia to 
natural, como se ela no tentasse ser bonita e sequer se preocupasse com isso. Ela 
simplesmente era. Com seu cabelo tranado e seu vestido branco, ela parecia brilhar na 
luz da lua. Ela segurava uma pequena planta nas mos. Suas flores eram prateadas e 
delicadas. 
S estava olhando para... eu me encontrei olhando para o seu rosto. H... esqueci. 
Ela riu gentilmente. Bem, j que voc est de p, poderia me ajudar a plantar isto. 


Ela me entregou a planta, que tinha um pouco de terra e razes na base. As flores 
brilharam assim que as segurei. Calypso pegou sua esptula de jardinagem e me guiou 
para o limite do jardim, onde ela comeou a cavar. 
Essa  a enlace lunar, Calypso explicou. Ela s pode ser plantada a noite. 
Eu observei a luz prateada brilhar em volta das ptalas. O que ela faz? 
Faz? ela pensou. Ela no faz absolutamente nada, acho. Ela vive, ela d luz, fornece 
beleza. Ela tem que fazer algo mais? 
Acho que no, falei. 
Ela pegou a planta, e nossas mos se tocaram. Seus dedos eram mornos. Ela plantou a 
enlace lunar e deu um passo atrs, examinando seu trabalho. Amo meu jardim. 
 incrvel, concordei. Quero dizer, eu no era exatamente o tipo jardineiro, mas 
Calypso tinha arbustos cobertos por seis diferentes tipos de rosas, cercas cobertas por 
madressilvas, fileiras de videiras cheias de uvas verdes e roxas que fariam Dioniso 
sentar e implorar. 
L em casa, eu disse, minha me sempre quis um jardim. 
Por que ela no plantou um? 
Bem, vivemos em Manhattan. Em um apartamento. 
Manhattan? Apartamento? 
Eu olhei pra ela. Voc no sabe do que eu estou falando, n? 
Receio que no. No saio de Ogygia faz... um bom tempo. Calypso franziu a testa. 
Isso  triste. Hermes me visita de tempos em tempos. Ele me diz que o mundo l fora 
tem mudado muito. No achei que tivesse mudado a ponto de no se poder ter jardins. 
Por que voc no tem sado de sua ilha? 
Ela olhou para baixo.  o meu castigo. 
Por qu? O que voc fez? 
Eu? Nada. Mas receio que meu pai tenha feito muito. Seu nome  Atlas. 
O nome mandou um arrepio pela minha espinha. Eu conhecera o tit Atlas no ltimo 
inverno, e no foi um tempo feliz. Ele tentou matar quase todo mundo com quem eu me 
importava. 
Ainda assim, falei hesitante, no  justo punir voc pelo o que seu pai fez. Eu 
conheci outra filha de Atlas. Seu nome era Zo. Ela era uma das pessoas mais corajosas 
que j conheci. 
Calypso me observou por um bom tempo. Seus olhos estavam tristes. 
O que foi? perguntei. 
Voc  voc j est curado, meu valente? Voc acha que estar pronto para partir em 
breve? 
O qu? perguntei. Eu no sei. Movi minhas pernas. Elas ainda estavam duras. Eu j 
estava ficando tonto por ficar em p por tanto tempo. Voc quer que eu v? 
Eu... Sua voz falhou. Eu o verei de manh. Durma bem. 
Ela correu na direo da praia. Eu estava muito confuso para fazer algo alm de olhar 
at v-la desaparecer na escurido. 


*** 

Eu no sei exatamente quanto tempo passou. Como Calypso disse, era difcil 
acompanhar o tempo na ilha. Eu sabia que deveria estar indo. No mnimo meus amigos 
estariam preocupados. Na pior das hipteses, eles poderiam estar em srios perigos. Eu 
nem ao menos sabia se Annabeth tinha sado do vulco. Tentei usar minha conexo 
emptica com Grover muitas vezes, mas no conseguia fazer contato. Eu odiava no 
saber se eles estavam bem. 


Por outro lado, eu realmente estava fraco. Eu no conseguia me manter em p mais do 
que algumas horas. Seja o que for que eu tenha feito no Monte Sta. Helena havia me 
drenado mais do que eu imaginava. 
Eu no me sentia como um prisioneiro ou algo assim. Lembrei-me do Ltus Hotel e 
Cassino em Vegas, onde eu fora seduzido pelo incrvel mundo de jogos at quase me 
esquecer de tudo que mais me importava. Mas a ilha de Ogygia no era nada parecida 
com aquilo. Eu pensava em Annabeth, Grover e Tyson constantemente. Eu me 
lembrava exatamente por que eu precisava partir. Eu apenas... no conseguia. E havia a 
prpria Calypso. 
Ela nunca falava muito sobre si mesma, mas aquilo somente me fez querer saber mais. 
Eu sentava no bosque, tomando nctar, e tentava me concentrar nas flores ou nas nuvens 
ou nos reflexos no lago, mas na verdade eu estava observando Calypso enquanto ela 
trabalhava, o modo como ela colocava seus cabelos sobre um ombro, e a pequena 
mecha que caia em seu rosto quando ela se ajoelhava para cavar o jardim. De vez em 
quando ela erguia sua mo e pssaros voavam das rvores e pousavam em seu brao  
pardais, periquitos, pombas. Ela dizia a eles bom dia, perguntava como eles estavam 
indo com o ninho e eles piavam por um tempo, depois voavam alegremente. Os olhos 
de Calypso brilhavam. Ela olhava para mim e trocvamos um sorriso, mas quase 
imediatamente ela mudava para aquela triste expresso de novo, e ia embora. Eu no 
entendia o que a incomodava. 
Uma noite, estvamos jantando juntos na praia. Criados invisveis tinham trazido  
mesa carne assada e cidra de ma, o que pode no parecer grande coisa, mas isso  
porque voc ainda no provou. Eu sequer notara os criados invisveis quando eu 
cheguei  ilha, mas depois de um tempo, comecei a notar as camas sendo feitas por elas 
mesmas, comida cozinhando sozinha, roupas sendo lavadas e dobradas por mos 
invisveis. 
De qualquer jeito, Calypso e eu estvamos sentados jantando, e ela parecia linda a luz 
do candelabro. Eu estava contando sobre Nova York e o Acampamento Meio-Sangue, e 
depois comecei a falar sobre a vez em que Grover tinha comido uma ma enquanto 
brincvamos de fazer embaixadinhas com ela. Ela riu, mostrando seu incrvel sorriso, e 
nossos olhos se encontraram. Ela baixou os olhos no mesmo instante. 
A est de novo, falei. 
O qu? 
Voc continua fugindo, como se tentasse no se divertir. 
Ela manteve os olhos em seu copo de cidra. Como eu disse, Percy, eu fui castigada. 
Amaldioada, voc poderia dizer. 
Como? Me conte, eu quero ajudar. 
No diga isso. Por favor, no diga isso. 
Me conte qual  o seu castigo. 
Ela cobriu seu bife comido pela metade com um guardanapo, e imediatamente os 
criados invisveis desapareceram com o prato. Percy, esta ilha, Ogygia,  meu lar, meu 
lugar de nascimento. Mas tambm  a minha priso. Estou sob... priso domiciliar, acho 
que voc poderia chamar assim. Eu nunca irei visitar essa Manhattan que voc fala. Ou 
qualquer outro lugar. Estou sozinha aqui. 
Porque seu pai era Atlas. 
Ela assentiu. Os deuses no confiam em seus inimigos. E esto certos. Eu no 
reclamaria. Algumas prises no so nem de perto to boas como a minha. 
Mas no  justo, eu disse. S porque vocs so parentes, no quer dizer que voc 
esteja do lado dele. Esta outra filha que eu conheci, Zo Nightshade  ela lutou contra 
ele. Ela no foi aprisionada. 


Mas, Percy, disse Calypso gentilmente. Eu o apoiei na primeira guerra. Ele  meu 
pai. 
O qu? Mas os Tits, eles so do mal! 
So? Todos eles? Sempre? ela franziu os lbios. Diga-me, Percy. Eu no desejo 
discutir com voc. Mas voc apia os deuses por que eles so bons, ou por que eles so 
a sua famlia? 
Eu no respondi. Ela tinha um bom argumento. No inverno passado, depois que 
Annabeth e eu salvamos o Olimpo, os deuses tiveram uma discusso sobre se deviam ou 
no me matar. Aquilo no fora exatamente legal. Mas ainda assim, eu sentia que os 
apoiava porque Poseidon era meu pai. 
Talvez eu estivesse errada na guerra, disse Calypso. E justia seja feita, os deuses me 
trataram bem. Eles me visitam regularmente. Eles me trazem notcias do mundo l fora. 
Mas eles podem ir embora. Eu no posso. 
Voc no tem nenhum amigo? perguntei. Quero dizer... no poderia algum viver 
aqui com voc?  um bom lugar. 
Uma lgrima rolou por sua bochecha. Eu... eu prometi a mim mesma que no falaria 
sobre isso. Mas 
Ela foi interrompida por um estrondo em algum lugar do lago. Um brilho apareceu no 
horizonte. Brilhava cada vez mais, at eu que eu pude ver uma coluna de fogo 
movendo-se pela superfcie da gua, vindo ao nosso encontro. 
Eu me levantei e procurei por minha espada. O que  isso? 
Calypso suspirou. Um visitante. 
Quando a coluna de fogo chegou na praia, Calypso ficou de p e curvou-se 
formalmente. As chamas se dissiparam, e parado a nossa frente havia um alto homem 
em um macaco cinza e um suporte de metal na perna, sua barba e cabelos fumegando. 
Senhor Hefesto, disse Calypso. Que rara honra. 
O Deus do Fogo grunhiu. Calypso. Linda como sempre. Voc nos daria licena, por 
favor, minha querida? Preciso conversar com nosso jovem Percy Jackson. 


*** 

Hefesto sentou-se atrapalhadamente na mesa de jantar e pediu uma Pepsi. O criado 
invisvel lhe trouxe uma, repentinamente a abriu, e derramou refrigerante por toda a 
roupa do deus. Hefesto rugiu e amaldioou e mandou a lata para longe. 
Criados estpidos, resmungou. Bons autmatos,  disso que ela precisa. Eles nunca 
falham! 
Hefesto, eu disse. O que est acontecendo? Annabeth 
Ela est bem, ele disse. Menina engenhosa. Encontrou seu caminho de volta, e me 
contou a histria toda. Ela est bem preocupada, sabe. 
Voc no a disse a ela que eu estou bem? 
No cabe a mim dizer, disse Hefesto. Todos pensam que voc est morto. Eu tinha 
que ter certeza de que voc vai voltar antes de comear a dizer a todos onde voc 
estava. 
O que voc quer dizer? eu disse.  claro que eu vou voltar! 
Hefesto me estudou ctico. Ele tirou algo de seu bolso  um disco de metal do 
tamanho de um iPod. Ele clicou em um boto e o aparelho se transformou em uma 
pequena TV de bronze. A tela mostrava uma sequncia de notcias do Monte Sta. 
Helena, um imenso penacho de fogo e cinzas vagueando para o cu. 
Ainda incertas sobre novas erupes, o jornalista dizia, autoridades ordenaram a 
evacuao de quase meio milho de pessoas por precauo. Nesse meio tempo, cinzas 


tm cado alm do Rio Tahoe e Vancouver, e toda a rea do Monte Sta Helena est 
fechada para trfego em um raio de mais de cem quilmetros. Apesar de nenhuma 
morte ter sido reportada, danos menores e doenas incluem 

Hefesto desligou o aparelho. Voc causou uma bela exploso. 
Eu fitei a tela dourada vazia. Meio milho de pessoas evacuadas? Danos? Doenas? O 
que eu tinha feito? 
Os telequines se dispersaram, o deus me disse. Alguns foram vaporizados. Alguns 
fugiram, sem dvida. Eu no acho que eles vo usar minha forja to cedo. Por outro 
lado, nem eu usarei. A exploso fez Tfon agitar-se em seu sono. Teremos que esperar e 
ver  
Eu no poderia libert-lo, poderia? Quero dizer, eu no tenho esse poder todo. 
O deus grunhiu. No tem esse poder todo, ? Poderia ter me convencido. Voc  o 
filho do Senhor dos Terremotos, rapaz. Voc no conhece sua prpria fora. 
Esta era a ltima coisa que eu queria que ele dizesse. Eu no pude me controlar naquela 
montanha. Eu liberei tanta energia que quase vaporizei a mim mesmo, drenando toda a 
vida de mim. Agora eu descubro que quase destru o noroeste dos EUA, e quase acordei 

o monstro mais terrvel j aprisionado pelos deuses. Talvez eu fosse perigoso demais. 
Talvez fosse mais seguro para os meus amigos pensar que eu estava morto. 
E quanto a Grover e Tyson? perguntei. 
Hefesto balanou sua cabea. Temo no ter o que dizer. Acho que o labirinto os 
deteve. 
Ento o que eu devo fazer? 
Hefesto estremeceu. Jamais pea conselho a um velho aleijado, rapaz. Mas te direi isto. 
Voc conheceu minha esposa? 
Afrodite. 
Essa mesma. Uma pessoa cheia de artimanhas, rapaz. Seja cuidadoso com o amor. Ele 
vai entortar o seu crebro e deixar voc pensando que o em cima  embaixo e que o 
certo  errado. 
Lembrei-me de meu encontro com Afrodite, no banco de trs de um Cadillac branco no 
deserto inverno passado. Ela me dissera que tinha um interesse especial em mim, e que 
dificultaria as coisas pra mim no departamento amoroso, s porque ela gostava de mim. 
Isto faz parte do plano dela? perguntei. Ela me colocou aqui? 
Possivelmente. Difcil de dizer, tratando-se dela. Mas se voc decidir deixar este lugar 
 e eu no digo o que  certo ou errado  ento eu prometo a voc uma resposta para 
a sua pergunta. Eu prometi a voc o caminho para Ddalo. Bem, agora o negcio  o 
seguinte. No tem nada a ver com o fio de Ariadne. No realmente. Claro, o fio 
funciona.  disso que o exrcito dos Tits ir atrs. Mas a melhor forma atravs do 
labirinto... Teseu teve a ajuda da princesa. E a princesa era uma mortal normal. Nem 
uma gota de sangue divino nela. Mas ela era esperta, e ela podia ver, rapaz. Podia ver 
muito claramente. Ento o que estou dizendo  acho que voc sabe como navegar pelo 
labirinto. 
Finalmente a ficha caiu. Por que eu no tinha visto isso antes? Hera estivera certa. A 
resposta estava debaixo do meu nariz o tempo todo. 
, falei. , eu sei. 
Ento voc precisa decidir se voc vai ou no embora. 
Eu... eu queria dizer sim.  claro que queria ir. Mas as palavras ficaram presas na 
minha garganta. Eu me vi olhando para o lago, e de repente a ideia de ir embora pareceu 
muito difcil. 
No decida ainda, advertiu Hefesto. Espere at o amanhecer. O amanhecer  um bom 
momento para decises. 

Ser que Ddalo vai nos ajudar? perguntei. Digo, se ele der a Luke um modo de 
navegar pelo Labirinto, estamos mortos. Eu tive sonhos sobre... Ddalo matando seu 
sobrinho. Ele se tornou amargo e furioso e  
No  fcil ser um inventor brilhante, trovejou Hefesto. Sempre sozinho. Sempre 
mal compreendido. Fcil ficar amargo, cometer erros horrveis.  mais difcil trabalhar 
com pessoas do que com mquinas. E quando voc quebra uma pessoa, ela no pode ser 
consertada. 
Hefesto secou os ltimos pingos de Pepsi de sua roupa. 
Ddalo comeou muito bem. Ele ajudou a princesa Ariadne e Teseu porque ele sentiu 
pena deles. Ele tentou fazer uma boa ao. E tudo na vida dele comeou a dar errado 
por causa disso. Isso foi justo? O deus deu de ombros. No sei se Ddalo vai ajudar 
voc, rapaz, mas no julgue algum at ter estado em sua forja e trabalhado com seu 
martelo, n? 
Eu... eu vou tentar. 
Hefesto se levantou. Adeus, rapaz. Voc fez bem, destruindo os telequines. Eu sempre 
me lembrarei de voc por isso. 
Soou bem definitivo, aquele adeus. Depois ele irrompeu em uma coluna de chamas, e o 
fogo se moveu pela gua, voltando para o mundo l fora. 

*** 

Eu caminhei pela praia por vrias horas. Quando finalmente voltei ao bosque, era muito 
tarde, talvez quatro ou cinco da manh, mas Calypso ainda estava no jardim, cuidando 
das flores  luz das estrelas. Sua enlace lunar brilhava prateada, e as outras plantas 
respondiam  magia, brilhando em vermelho e amarelo e azul. 
Ele ordenou que voc retornasse, Calypso adivinhou. 
Bem, no ordenou. Ele me deu uma escolha. 
Seus olhos encontraram os meus. Eu prometi que no iria oferecer. 
Oferecer o qu? 
Para que voc fique. 
Ficar, eu disse. Tipo... pra sempre? 
Voc seria imortal nesta ilha, ela disse quietamente. Voc nunca envelheceria ou 
morreria. Voc poderia deixar a luta para os outros, Percy Jackson. Voc poderia 
escapar da sua profecia. 
Eu a fitei, atnito. Fcil assim? 
Ela assentiu. Fcil assim. 
Mas... meus amigos. 
Calypso se levantou e pegou minha mo. Seu toque lanou uma corrente de calor pelo 
meu corpo. Voc me perguntou sobre a minha maldio, Percy. Eu no queria lhe 
contar. A verdade  que os deuses me enviam companhia de tempos em tempos. A cada 
mil anos, ou algo assim, eles permitem que um heri se banhe no meu litoral, algum 
que precise da minha ajuda. Eu cuido e me torno amiga dele, mas nunca  por acaso. As 
Parcas se certificam de que o tipo de heri que eles mandam... 
Sua voz falhou, e ela teve que parar. 
Eu segurei sua mo firmemente. O qu? O que eu fiz para deix-la triste? 
Elas enviam uma pessoa que nunca possa ficar, ela sussurrou. Que nunca possa 
aceitar minha oferta de companhia por mais do que um curto perodo. Eles me enviam 
um heri que eu no possa ajudar... s o tipo de pessoa por quem eu no possa evitar me 
apaixonar. 



A noite estava quieta exceto pelo borbulhar das fontes e das ondas batendo nas pedras. 
Demorou muito para eu entender o que ela estava dizendo. 
Eu? perguntei. 
Se voc pudesse ver seu rosto. Ela reprimiu um sorriso, embora seus olhos ainda 
estivessem molhados. Claro que  voc. 
 por isso que voc esteve fugindo este tempo todo? 
Eu tentei tanto. Mas no consegui. As Parcas so cruis. Elas enviaram voc a mim, 
meu valente, sabendo que voc partiria meu corao. 
Mas... eu s... quero dizer, eu sou s eu. 
Chega, Calypso prometeu. Eu disse a mim mesma que eu sequer falaria sobre isto. 
Eu deixaria voc ir sem sequer oferecer. Mas eu no posso. Eu acho que as Parcas 
sabiam disso tambm. Voc poderia ficar comigo, Percy. Temo que voc s possa me 
ajudar desse modo. 
Eu fitei o horizonte. Os primeiros raios vermelhos do amanhecer estavam surgindo no 
cu. Eu poderia ficar aqui para sempre, desaparecer da face da Terra. Eu poderia viver 
com Calypso, com criados invisveis atendendo meus pedidos. Poderamos plantar 
flores no jardim e falar com pssaros cantores e caminhar pela praia sob cus 
perfeitamente azuis. Sem guerra. Sem profecia. Sem escolhas de lados. 
No posso, disse a ela. 
Ela olhou para baixo tristemente. 
Eu jamais faria nada para machucar voc, falei, mas meus amigos precisam de mim. 
Eu sei como posso ajud-los agora. Eu tenho que voltar. 
Ela pegou uma flor de seu jardim  um ramo da enlace lunar prateada. Seu brilho 
desapareceu conforme o sol aparecia. O amanhecer  um bom momento para decises, 
Hefesto dissera. Calypso colocou a flor no bolso da minha camiseta. 
Ela ficou na ponta dos ps e me deu um beijo na testa, como uma beno. 
Ento venha para a praia, meu heri. E ns lhe mostraremos o caminho. 


*** 

A jangada tinha trs metros de toras amarradas junto com um poste como mastro e uma 
simples vela de linho branca. No parecia como se estivesse em condies de navegar 
pelo mar, ou pelo lago. 
Isto o levar para onde voc desejar, Calypso me prometeu.  bem seguro. 
Eu peguei a mo dela, mas ela a deixou escorregar da minha. 
Talvez eu possa visitar voc, eu disse. 
Ela balanou sua cabea. Nem um homem jamais encontra Ogygia duas vezes, Percy. 
Quando voc se for, eu jamais o verei de novo. V, por favor, sua voz falhou. As 
Parcas so cruis, Percy. Apenas se lembre de mim. Ento um pequeno trao do seu 
sorriso retornou. Plante um jardim em Manhattan por mim, sim? 
Eu prometo. Eu entrei na jangada. Imediatamente ela comeou a se afastar do litoral. 
Enquanto eu navegava pelo lago eu me dei conta de que as Parcas eram realmente 
cruis. Elas enviaram a Calypso algum que ela no poderia evitar amar. Mas isso era 
uma via de mo dupla. Pelo resto de minha vida eu estaria pensando nela. Ela sempre 
seria meu maior e se. 
Em alguns minutos a ilha de Ogygia ficou perdida na neblina. Eu estava navegando 
sozinho sobre a gua na direo do pr do sol. 
Ento eu disse  jangada o que fazer. Eu disse o nico lugar que pude pensar, pois 
precisava de conforto e amigos. 
Acampamento Meio-Sangue, falei. Me leve pra casa. 



TREZE 



NS CONTRATAMOS UM NOVO GUIA 

Horas depois, minha jangada foi levada at o Acampamento Meio-Sangue. Como eu 
cheguei l, no fao ideia. Em algum ponto a gua do lago simplesmente mudou para 
gua salgada. O familiar contorno da costa de Long Island apareceu  frente, e um 
amigvel casal de grandes tubares brancos veio a tona e me guiou at a praia. 
Quando eu atraquei, o acampamento parecia deserto. Era fim de tarde, mas a classe de 
arco e flecha estava vazia. A parede de escalada soltava lava e balanava por conta 
prpria. Pavilho: nada. Chals: todos desocupados. Ento eu vi fumaa subindo do 
anfiteatro. Era muito cedo para a fogueira, e no achei que eles estavam assando 
marshmallows. Corri para l. 
Antes mesmo de chegar l ouvi Quron fazendo um anncio. Quando entendi o que ele 
estava dizendo, eu empaquei no lugar. 
 assumimos que ele est morto, Quron disse. Depois de um silncio to longo,  
improvvel que nossas preces sero atendidas. Eu pedi  sua melhor amiga sobrevivente 
que fizesse as honras finais. 
Eu fui para a parte de trs do anfiteatro. Ningum me notou. Todos eles estavam 
olhando adiante, assistindo Annabeth pegar um longo pano de sepultamento de seda 
verde, com um tridente bordado, e jogar nas chamas. Eles estavam queimando minha 
mortalha. 
Annabeth voltou a olhar para a platia. Ela parecia horrvel. Seus olhos estavam 
inchados de tanto chorar, mas ela conseguiu dizer, Ele foi provavelmente o amigo mais 
valente que eu j tive. Ele... Ento ela me viu. Seu rosto ficou vermelho sangue. Ele 
est bem ali! 
Cabeas se viraram. Pessoas ofegaram. 
Percy! Beckendorf sorriu. Um grupo de outras crianas se aglomerou ao meu redor e 
me deram tapinhas nas costas. Ouvi algumas maldies do chal de Ares, mas Clarisse 
s rolou os olhos, como se ela no acreditasse que eu tive a cara de pau de sobreviver. 
Quron se aproximou e todos abriram caminho para ele. 
Bem, ele suspirou com um bvio alvio. Eu no acredito que j tenha ficado to feliz 
em ver um campista retornar. Mas voc precisa me contar  
ONDE VOC ESTAVA? Annabeth me interrompeu, empurrando os outros 
campistas para o lado. Eu pensei que ela ia me esmurrar, mas ao invs disso ela me deu 
um abrao to forte que quase quebrou minhas costelas. Os outros campistas ficaram em 
silncio. Annabeth pareceu perceber que estava fazendo uma cena e se afastou. Eu  
ns pensamos que voc estava morto, Cabea de Alga! 
Sinto muito, falei. Eu me perdi. 
SE PERDEU? Ela gritou. Duas semanas, Percy? Em que mundo  
Annabeth, Quron interrompeu. Talvez devssemos discutir isto em algum lugar 
mais reservado, no acha? O resto de vocs, de volta para suas atividades normais! 
Sem nos esperar protestar, ele apanhou facilmente Annabeth e a mim como se fssemos 
gatinhos, nos atirou em cima de suas costas, e galopou para a Casa Grande. 

*** 


Eu no contei a eles a histria inteira. No conseguia me forar a falar sobre Calipso. Eu 
expliquei como causei a exploso no Monte Sta. Helena e fui jogado para fora do 
vulco. Contei como fui abandonado em uma ilha. Ento Hefesto me achou e me disse 
que eu poderia sair dali. Uma jangada mgica me trouxera de volta para o 
acampamento. 
Isso tudo era verdade, mas enquanto falava eu sentia minhas palmas suando. 
Voc se foi por duas semanas. A voz de Annabeth agora estava estabilizada, mas ela 
ainda parecia abalada. Quando ouvi a exploso pensei  
Eu sei, falei. Me desculpe. Mas eu descobri como se mover atravs do Labirinto. Eu 
falei com Hefesto. 
Ele lhe disse a resposta? 
Bem, ele meio que falou que eu j sabia. E eu sei. Agora eu entendo. 
Eu lhes falei minha ideia. 
O queixo de Annabeth caiu. Percy, isso  loucura! 
Quron se ajeitou em sua cadeira de rodas e acariciou sua barba. H precedentes, de 
qualquer modo. Teseu teve a ajuda de Ariadne. Harriet Tubman, filha de Hermes, usou 
vrios mortais em sua Ferrovia Subterrnea s por essa razo. 
Mas essa  a minha misso, Annabeth falou. Eu preciso liderar isto. 
Quron parecia desconfortvel. Minha querida, esta  a sua misso. Mas voc precisa 
de ajuda. 
E isso  para ajudar? Por favor!  errado.  covardia.   
 difcil admitir que precisamos da ajuda de uma mortal, falei. Mas  verdade. 
Annabeth me fuzilou. Voc  a pessoa mais irritante que eu j encontrei! E saiu 
tempestuosamente da sala. 
Eu fiquei olhando para a porta. Senti vontade de bater em algo. Isso  por ser o amigo 
mais valente que ela j teve. 
Ela se acalmar, Quron prometeu. Ela  ciumenta, meu garoto. 
Isso  estpido. Ela no ... no  como... 
Quron riu. Dificilmente importa. Annabeth  muito territorialista quando se trata de 
seus amigos, caso voc no tenha notado. Ela estava bem preocupada com voc. E 
agora que voc est de volta, acho que ela suspeita onde voc foi abandonado. 
Encontrei seus olhos, e soube que Quron tinha adivinhado sobre Calypso. Era difcil 
esconder qualquer coisa de um cara que vinha treinando heris por trs mil anos. Ele j 
viu de tudo. 
Ns no questionaremos suas escolhas, Quron disse. Voc voltou. Isto  o que 
importa. 
Diga isso para Annabeth. 
Quron sorriu. Pela manh Argos levar vocs dois para Manhattan. Voc deve passar 
na sua me, Percy. Ela est... compreensivamente perturbada. 
Meu corao perdeu uma batida. Durante todo o tempo na ilha de Calypso, eu nunca 
pensei como minha me estaria se sentindo. Ela pensaria que eu estava morto. Ela 
ficaria devastada. O que havia de errado comigo por nunca ter considerado aquilo? 
Quron, eu disse, e quanto a Grover e Tyson? Voc acha  
Eu no sei, meu garoto. Quron contemplou a lareira vazia. Juniper est muito aflita. 
Todos os seus ramos esto ficando amarelos. O Conselho dos Ancies do Casco 
Fendido revogou a licena de Grover in absentia. Assumindo que ele volte vivo, eles o 
foraro a um exilo vergonhoso. Ele suspirou. Grover e Tyson so cheios de recursos, 
porm. Ns ainda temos esperana. 
Eu no devia ter deixado os dois irem. 



Grover tem seu prprio destino, e Tyson foi bravo em segui-lo. Voc saberia se Grover 
estivesse em perigo mortal, no acha? 
Eu suponho. A conexo emptica. Mas  
Tem mais uma coisa que eu deveria contar a voc, Percy, ele disse. Na verdade, duas 
coisas desagradveis. 
timo. 
Chris Rodriguez, nosso convidado... 
Eu lembrei o que tinha visto no poro, Clarisse tentando falar com ele enquanto ele 
balbuciava sobre o Labirinto. Ele est morto? 
Ainda no, Quron disse severamente. Mas ele piorou muito. Ele est na enfermaria 
agora, muito fraco para se mover. Eu tive que ordenar  Clarisse que voltasse ao seu 
horrio regular, pois ela estava ao lado de sua cama constantemente. Ele no responde a 
nada. No come nem bebe. Nenhum dos meus remdios ajuda. Ele simplesmente perdeu 
a vontade de viver. 
Eu estremeci. Apesar de todos os desentendimentos que tivera com Clarisse, eu me senti 
pssimo por ela. Ela tentou tanto ajud-lo. E agora que eu estivera no Labirinto, pude 
entender porque foi to fcil para o fantasma de Minos levar Chris a loucura. Se eu 
estivesse vagando por l sozinho, sem meus amigos para ajudar, eu nunca conseguiria 
sair. 
Eu sinto muito em te dizer, Quron continuou, a outra novidade  ainda menos 
agradvel. Quintus desapareceu. 
Desapareceu? Como? 
Trs noites atrs ele deslizou para dentro do Labirinto. Juniper o viu indo. Parece que 
voc estava certo sobre ele. 
Ele  um espio do Luke. Eu havia contado a Quron sobre o Rancho Triplo G  
como Quintus havia comprado os escorpies l e Geryon estava abastecendo o exrcito 
de Cronos. No pode ser coincidncia. 
Quron suspirou fortemente. Tantas traies. Eu esperava que Quintus se provasse um 
amigo. Isso significa que meu julgamento foi ruim. 
E quanto a Sra. O'Leary? perguntei. 
O co infernal ainda est na arena. No deixa ningum se aproximar. Eu no tive 
corao para coloc-la em uma jaula... ou destru-la. 
Quintus no iria deix-la assim. 
Como eu disse, Percy, ns estvamos errados sobre ele. Agora, voc deve se preparar 
para a manh. Voc e Annabeth ainda tem muito que fazer. 
Eu o deixei em sua cadeira de rodas, fitando tristemente a lareira. Eu imaginei quantas 
vezes ele ficou sentou ali, esperando por heris que nunca voltaram. 


*** 

Antes do jantar eu parei na arena de esgrima. Na mosca, a Sra. O'Leary estava enrolada 
como um enorme monte preto e peludo no meio do estdio, mascando as orelhas da 
cabea de um boneco guerreiro. 
Quando ela me viu, latiu e veio saltando na minha direo. Achei que fosse virar 
refeio. Eu s tive tempo pra dizer, Ei! antes que ela me fizesse rolar e comeasse a 
lamber minha cara. Normalmente, sendo filho de Poseidon e tal, s fico molhado 
quando quero, mas aparentemente meus poderes no se estendem a saliva de cachorro, 
pois eu levei um belo de um banho. 
Ei, garota! gritei. No consigo respirar! Saia de cima! 


Em algum momento consegui tir-la de cima de mim. Cocei suas orelhas e achei para 
ela um biscoito canino extra-gigante. 
Onde est seu dono? perguntei a ela. Como ele pde simplesmente te deixar aqui, 
hum? 
Ela choramingou como se quisesse saber disso tambm. Eu estava pronto para acreditar 
que Quintus era um inimigo, mas ainda no conseguia entender porque ele deixou a Sra. 
O'Leary para trs. Se havia alguma coisa que eu tinha certeza, era que ele realmente se 
importava com o seu megaco. 
Eu estava pensando sobre isso e tirando a baba de cachorro da minha cara quando uma 
voz de garota disse, Voc tem sorte que ela no arrancou a sua cabea fora. 
Clarisse estava do outro lado da arena com sua espada e escudo. Vim aqui para praticar 
ontem, resmungou. O co tentou me mastigar. 
Ela  inteligente, eu disse. 
Engraadinho. 
Ela veio para perto de ns. Sra. O'Leary rosnou, mas eu bati levemente em sua cabea e 
a tranquilizei. 
Co infernal estpido, Clarisse disse. No vai me impedir de treinar. 
Eu ouvi sobre o Chris, falei. Sinto muito. 
Clarisse fez um crculo em volta da arena. Quando ela foi pra cima do boneco mais 
prximo, ela atacou cruelmente, cortando sua cabea fora em um nico golpe e 
perfurando o estmago com a espada. Ela retirou a espada e continuou andando. 
, bem. s vezes as coisas do errado. Sua voz estava trmula. Heris se machucam. 
Eles... eles morrem, e os monstros simplesmente continuam voltando. 
Ela apanhou uma lana e a lanou atravs da arena. Ela entrou bem entre os olhos do 
capacete de um boneco. 
Ela chamou Chris de heri, como se ele nunca tivesse ido para o lado dos Tits. Isso me 
lembrou como Annabeth s vezes falava de Luke. Decidi no falar sobre isso. 
Chris foi corajoso, eu disse. Espero que ele fique melhor. 
Ela olhou para mim como se eu fosse seu prximo alvo. A Sra. O'Leary rosnou. 
Me faa um favor, Clarisse me falou. 
Sim, claro. 
Se voc achar Ddalo, no confie nele. No pea ajuda a ele. S o mate. 
Clarisse  
Porque algum faria algo como o Labirinto, Percy? Essa pessoa  m. Claramente m. 
Por um segundo ela me lembrou Eurytion, o vaqueiro, seu muito mais velho meio 
irmo. Ela tinha o mesmo olhar duro em seus olhos, como se tivesse sido usada nos 
ltimos dois mil anos e estivesse ficando cansada disso. Ela embainhou sua espada. O 
tempo de praticar acabou. A partir de agora, vai ser de verdade. 


*** 

Naquela noite eu dormi em meu prprio beliche, e pela primeira vez desde a ilha de 
Calypso, os sonhos me encontraram. 
Eu estava no tribunal de um rei  uma grande cmara branca com colunas de mrmore 
e um trono de madeira. Sentado nele havia um cara rechonchudo com cabelo ruivo 
encaracolado e uma coroa de louros. Ao seu lado estavam de p trs garotas que 
pareciam serem suas filhas. Todas tinham o mesmo cabelo ruivo e usavam tnicas 
azuis. 
As portas rangeram ao abrir e um arauto anunciou, Minos, Rei de Creta! 


Eu enrijeci, mas o homem no trono simplesmente sorriu para suas filhas. Mal posso 
esperar para ver a expresso em seu rosto. 
Minos, a prpria assombrao real, entrou na sala. Ele era to alto e srio que fazia o 
outro rei parecer tolo. A barba pontuda de Minos tinha ficado cinza. Ele parecia mais 
magro desde a ltima vez que eu sonhara com ele, e suas sandlias tinham respingos de 
lama, mas o mesmo brilho cruel estava em seus olhos. 
Ele se curvou duramente para o homem no trono. Rei Ccalo. Soube que voc resolveu 
meu pequeno enigma? 
Ccalo sorriu. Dificilmente pequeno, Minos. Especialmente quando voc anunciou 
pelo mundo que estava disposto a pagar mil talentos de ouro para a pessoa que pudesse 
resolv-lo. A oferta  verdadeira? 
Minos bateu palmas. Dois guardas enormes entraram, lutando para carregar uma grande 
arca de madeira. Eles a colocaram aos ps de Ccalo, e a abriram. Pilhas de barras de 
ouro brilharam. Aquilo devia valer um gazilho de dlares. 
Ccalo assobiou apreciativamente. Voc deve ter falido seu reino para dar tal 
recompensa, meu amigo. 
Isso no lhe diz respeito. 
Ccalo deu de ombros. O enigma  muito simples, na verdade. Um de meus 
conselheiros o resolveu. 
Pai, uma das garotas alertou. Ela parecia ser a mais velha  um pouco mais alta do 
que suas irms. 
Ccalo a ignorou. Ele pegou uma concha marinha em espiral das dobras de sua tnica. 
Um fio prateado havia sido passado por ela, de forma que ela estava pendurada como 
um pingente gigante em um colar. 
Minos deu um passo  frente e pegou a concha. Um de seus conselheiros, voc disse? 
Como ele passou o fio sem quebrar a concha? 
Ele usou uma formiga, se voc consegue imaginar isto. Amarrou um fio de seda  
pequena criatura e a persuadiu a atravessar a concha colocando mel do outro lado. 
Homem engenhoso, Minos disse. 
Ah, realmente. O tutor de minhas filhas. Elas o adoram. 
Os olhos de Minos ficaram frios. Eu teria cuidado no seu lugar. 
Eu quis avisar Ccalo: No confie nesse cara! Coloque-o no calabouo junto com 
alguns lees comedores de gente ou algo assim! Mas o rei ruivo s riu. No se 
preocupe, Minos. Minhas filhas so sbias para suas idades. Agora, sobre meu ouro  
Sim, Minos disse. Mas veja bem, o ouro  para o homem que resolveu o enigma. E 
pode haver s um homem capaz disso. Voc est abrigando Ddalo. 
Ccalo se mexeu desconfortavelmente em seu trono. Como voc sabe o nome dele? 
Ele  um ladro, Minos disse. Uma vez ele trabalhou em minha corte, Ccalo. Ele 
virou minha prpria filha contra mim. Ele ajudou um usurpador a me fazer de bobo em 
meu prprio palcio. E ento ele escapou da justia. Eu venho procurando por ele h 
dez anos. 
Eu nunca soube de nada disto. Mas eu ofereci ao homem minha proteo. Ele tem sido 


o mais til  
Eu ofereo a voc uma escolha, Minos disse. Entregue o fugitivo a mim, e este ouro 
 seu. Ou arrisque-se fazendo de mim seu inimigo. Voc no quer Creta como sua 
inimiga. 
Ccalo empalideceu. Achei estpido ele parecer to assustado no meio de sua prpria 
sala do trono. Ele devia ter chamado seu exrcito ou algo assim. Minos s tinha dois 
guardas. Mas Ccalo simplesmente ficou sentado l suando em seu trono. 
Pai, sua filha mais velha falou, voc no pode  

Silncio, Aelia. Ccalo enrolou sua barba. Ele olhou de novo para o ouro brilhante. 
Isso me mortifica, Minos. Os deuses no amam um homem que quebra seu juramento 
de hospitalidade. 
Os deuses no amam os que abrigam criminosos tambm. 
Ccalo assentiu. Muito bem. Voc ter seu homem atrs das grades. 
Pai! Aelia disse novamente. Ento ela se recuperou, e mudou sua voz para um tom 
doce. Ao-ao menos nos deixe divertir nosso visitante primeiro. Aps sua longa viagem, 
ele deve ser tratado com um banho quente, roupas novas, e uma refeio decente. Eu 
ficaria honrada em preparar o banho eu mesma. 
Ela sorriu lindamente para Minos, e o velho rei grunhiu. Suponho que um banho no 
seria ruim. Ele olhou para Ccalo. Eu o verei no jantar, meu senhor. Com o 
prisioneiro. 
Por aqui, Vossa Majestade, disse Aelia. Ela e suas irms conduziram Minos para fora 
da cmara. 
Eu os segui para dentro de uma cmara de banho decorada com azulejos em mosaico. 
Vapor enchia o ar. Uma torneira enchia a banheira de gua quente. Aelia e suas irms 
encheram-na com ptalas de rosa e algo que deveria ser o Sr. Bolha da Grcia Antiga, 
pois logo a gua ficou coberta de espuma multicolorida. As garotas se viraram quando 
Minos largou sua tnica e entrou no banho. 
Ahh. Ele sorriu. Um banho excelente. Obrigado, minhas queridas. A viagem foi 
realmente longa. 
Voc tem perseguido sua presa por dez anos, meu senhor? Aelia perguntou, batendo 
suas pestanas. Voc deve ser muito persistente. 
Eu nunca esqueo uma dvida. Minos sorriu. Seu pai foi sbio em concordar com as 
minhas exigncias. 
Oh, certamente, meu senhor. Aelia disse. Eu achei que ela estava pesando a mo na 
bajulao, mas o velho estava engolindo tudo. As irms de Aelia gotejaram leo 
aromtico em cima da cabea do rei. 
Sabe, meu senhor, Aelia falou, Ddalo achou que voc viria. Ele achou que o enigma 
era uma armadilha, mas no resistiu em resolv-lo. 
Minos franziu a testa. Ddalo falou de mim para vocs? 
Sim, meu senhor. 
Ele  um homem mau, princesa. Minha prpria filha caiu em seu feitio. No d 
ouvidos a ele. 
Ele  um gnio, Aelia disse. E ele acredita que uma mulher  to inteligente quanto 
um homem. Ele foi o primeiro a nos ensinar como se tivssemos mente prpria. Talvez 
sua filha pensasse da mesma maneira. 
Minos tentou se sentar, mas as irms de Aelia o empurraram de volta para dentro da 
gua. Aelia foi para trs dele. Ela segurava trs minsculos orbes em sua palma. 
Primeiro achei que fossem contas de banho. Mas ela as lanou dentro da gua e as 
contas espalharam linhas de bronze que comearam a se enrolar em torno do rei, atando 
seus tornozelos, colocando seus pulsos um de cada lado, circulando seu pescoo. 
Embora eu odiasse Minos, aquilo era horrvel de se ver. Ele bateu e gritou, mas as 
garotas eram muito mais fortes. Logo ele estava desamparado, deitado na banheira com 
seu queixo encostando-se na gua. As linhas de bronze ainda estavam tecendo em volta 
dele como um casulo, apertando seu corpo. 
O que vocs querem? Minos exigiu. Por que fazem isso? 
Aelia sorriu. Ddalo tem sido gentil conosco, Vossa Majestade. E eu no gosto de voc 
ameaando nosso pai. 



Fale para Ddalo, Minos rosnou. Fale para ele que eu o caarei at depois da morte! 
Se houver justia no Mundo Inferior, minha alma o assombrar pela eternidade! 
Palavras valentes, Vossa Majestade, Aelia disse. Eu lhe desejo sorte buscando sua 
justia no Mundo Inferior. 
E com isso, os fios de bronze se enrolaram em volta do rosto de Minos, fazendo dele 
uma mmia de bronze. 
A porta do banho foi aberta. Ddalo entrou, carregando uma mala de viagem. 
Ele havia aparado seu cabelo curto. Sua barba era de um branco puro. Ele parecia frgil 
e triste, mas ele se abaixou e tocou a testa da mmia. Os fios se desenrolaram e 
assentaram no fundo da banheira. No havia nada dentro deles. Era como se o Rei 
Minos simplesmente tivesse sido dissolvido. 
Uma morte indolor, Ddalo meditou. Mais do que ele merecia. Obrigado, minhas 
princesas. 
Aelia o abraou. Voc no pode ficar aqui, professor. Quando nosso pai descobrir  
Sim, Ddalo disse. Receio ter colocado vocs em encrenca. 
Oh, no se preocupe conosco. Papai ficar feliz o suficiente pegando o ouro daquele 
velho homem. E Creta  bem longe daqui. Mas ele o culpar pela morte de Minos. Voc 
precisa fugir para um lugar seguro. 
Um lugar seguro, o velho homem repetiu. Durante anos eu fugi de reino em reino, 
procurando por um lugar seguro. Temo que Minos tenha dito a verdade. A morte no o 
impedir de procurar por mim. No h lugar abaixo do sol que poder me abrigar, uma 
vez que este crime se torne pblico. 
Ento para onde voc ir? Aelia falou. 
Um lugar que jurei nunca mais entrar, Ddalo disse. Minha priso ser meu nico 
santurio. 
Eu no entendo, Aelia disse. 
 melhor que voc no entenda. 
Mas e o Mundo Inferior? uma das irms perguntou. Um terrvel julgamento espera 
por voc! Todo homem tem que morrer. 
Talvez, Ddalo disse. Ento ele tirou um pergaminho de sua bolsa de viagem  o 
mesmo pergaminho que eu vira em meu ltimo sonho, com as anotaes de seu 
sobrinho. Ou talvez no. 
Ele deu um tapinha no ombro de Aelia, ento a abenoou e a suas irms. Ele olhou mais 
uma vez para os fios acobreados refletindo no fundo da banheira. Ache-me se puder, 
rei dos fantasmas. 
Ele se virou para a parede de mosaicos e tocou um azulejo. Uma marca brilhante 
apareceu  um Delta Grego  e a parede deslizou para o lado. As princesas ofegaram. 
Voc nunca nos contou sobre passagens secretas! Aelia disse. Voc tem estado 
ocupado. 
O Labirinto tem estado ocupado, Ddalo corrigiu. No tentem me seguir, minhas 
queridas, se vocs do valor  suas sanidades. 


*** 

Meu sonho mudou. Eu estava em uma cmara de pedra no subterrneo. Luke e outro 
guerreiro meio-sangue estavam estudando um mapa com uma lanterna. 
Luke amaldioou. Isso deveria ter sido a ltima volta. Ele amassou o mapa e o lanou 
para trs. 
Senhor! seu companheiro protestou. 
Mapas so inteis aqui, Luke disse. No se preocupe, eu o acharei. 



Senhor,  verdade que quanto maior o grupo  
 maior a chance de se perder? Sim,  verdade. Por que acha que s mandamos 
exploradores sozinhos para comear? Mas no se preocupe. Assim que tivermos o fio 
poderemos conduzir a vanguarda por aqui. 
Mas como conseguiremos o fio? 
Luke ficou de p, flexionando os dedos. Ah, Quintus vir nos ajudar. Tudo o que 
temos de fazer  alcanar a arena, e isso na juno. Impossvel ir para qualquer lugar 
sem passar por l.  por isso que precisamos ter uma trgua com o seu chefe. Ns s 
temos que ficar vivos at  
Senhor! uma nova voz veio pelo corredor. Outro garoto em armadura grega correu 
adiante, carregando uma tocha. A dracanae achou um meio-sangue! 
Luke franziu as sobrancelhas. Sozinho? Viajando pelo labirinto? 
Sim, senhor!  melhor voc vir rpido. Eles esto na cmara ao lado. Eles o 
encurralaram. 
Quem  ele? 
Ningum que eu tenha visto antes, senhor. 
Luke assentiu. Uma bno de Cronos. Este meio-sangue pode ser de grande ajuda. 
Venham! 
Eles correram pelo corredor abaixo, e eu acordei com um sobressalto, encarando a 
escurido. Um meio-sangue sozinho, viajando pelo labirinto. Demorei um longo tempo 
para pegar no sono de novo. 


*** 

Na manh seguinte me assegurei de que Sra. O'Leary tinha biscoitos caninos 
suficientes. Eu pedi a Beckendorf que ficasse de olho nela, e ele no pareceu muito feliz 
com isso. Ento eu caminhei at a Colina Meio-Sangue e encontrei Annabeth e Argos 
na estrada. 
Annabeth e eu no falamos muito na van. Argos nunca falava, provavelmente porque 
ele tinha olhos por todo o seu corpo, incluindo  assim eu tinha ouvido  na ponta de 
sua lngua, e ele no gostava de mostrar aquilo. 
Annabeth parecia enjoada, como se tivesse dormido ainda pior do que eu. 
Sonhos ruins? perguntei por fim. 
Ela balanou a cabea. Uma mensagem de ris de Eurytion. 
Eurytion! Tem algo de errado com Nico? 
Ele deixou o rancho na noite passada, voltando para o labirinto. Nico tinha ido embora 
antes dele acordar. Orthos seguiu seu rastro at a guarda de gado. Eurytion disse que 
ouviu Nico falando sozinho nas ltimas noites. S que agora ele acha que Nico estava 
falando com o fantasma de novo, Minos. 
Ele est em perigo, eu disse. 
No me diga. Minos  um dos juzes dos mortos, mas ele  tremendamente rancoroso. 
Eu no sei o que ele quer com Nico, mas  
Isso no  o que eu quis dizer, eu disse. Eu tive um sonho esta noite... Eu falei para 
ela sobre Luke, como ele havia mencionado Quintus, e como seus homens haviam 
achado um meio-sangue sozinho no labirinto. 
Annabeth apertou a mandbula. Isso  muito, muito ruim. 
Ento o que faremos? 
Ela ergueu uma sobrancelha. Bem,  uma coisa boa voc ter um plano para nos guiar, 
hum? 



*** 


Era sbado, e o trfico estava pesado indo para a cidade. Chegamos ao apartamento de 
minha me l pelo meio-dia. Quando atendeu a porta, ela me deu um abrao que era s 
um pouco menos forte do que um co infernal pulando em cima de voc. 
Eu falei para eles que voc estava bem, minha me disse, mas ela soou como se o 
peso do cu tive sido tirado de seus ombros  e acredite em mim, eu sei em primeira 
mo como  a sensao. 
Ela nos sentou  mesa da cozinha e insistiu em nos alimentar com seus especiais 
biscoitos azuis com pedacinhos de chocolate enquanto ns a colocvamos a par da 
misso. Como sempre, eu tentei amaciar as partes assustadoras (que eram quase todas), 
mas de alguma forma isso s fazia com que parecessem ainda mais perigosas. 
Quando cheguei na parte de Geryon e dos estbulos, minha me fingiu que estava indo 
me estrangular. Eu no consigo faz-lo limpar seu quarto, mas ele limpa toneladas de 
esterco de cavalo dos estbulos de um monstro qualquer? 
Annabeth riu. Era a primeira vez que eu ouvia sua risada em um longo tempo, e aquilo 
foi legal de se ouvir. 
Ento, minha me disse quando eu acabei de contar a histria, voc destruiu a Ilha 
de Alcatraz, fez o Monte Sta. Helena explodir, e desabrigou meio milho de pessoas, 
mas pelo menos voc est seguro. Esta  minha me, sempre olhando pelo lado bom 
das coisas. 
, concordei.  basicamente isso. 
Eu queria que Paul estivesse aqui, ela disse, um pouco para si mesma. Ele queria 
falar com voc. 
Ah, certo. A escola. 
Tanta coisa havia acontecido que eu quase esquecera sobre a orientao de ensino 
mdio na Goode  o fato de que eu tinha deixado a sala da banda em chamas, e que o 
namorado de minha me me vira pela ltima vez pulando uma janela como um fugitivo. 
O que voc disse a ele? perguntei. 
Minha me balanou a cabea. O que eu poderia dizer? Ele sabe que h algo diferente 
com voc, Percy. Ele  um homem esperto. Ele acredita que voc no  uma pessoa 
ruim. Ele no sabe o que est acontecendo, mas a escola est pressionando. Afinal, ele 
te admitiu l. Ele precisa convenc-los de que o fogo no foi sua culpa. E como voc 
fugiu, as coisas parecem ruins. 
Annabeth estava me estudando. Ela parecia bem compreensiva. Eu sabia que ela 
estivera em situaes semelhantes. Nunca  fcil para um meio-sangue no mundo 
mortal. 
Eu vou falar com ele, prometi. Depois que acabarmos a misso. Eu at contarei a ele 
a verdade se voc quiser. 
Minha me ps a mo em meu ombro. Voc faria isso? 
Bem, sim. Quer dizer, ele vai pensar que somos malucos. 
Ele j pensa isso. 
Ento no h nada a perder. 
Obrigada, Percy. Eu falarei pra ele que voc estar em casa... Ela franziu as 
sobrancelhas. Quando? O que vai acontecer agora? 
Annabeth quebrou seu biscoito ao meio. Percy tem esse plano. 
Relutantemente contei a minha me. 
Ela assentiu devagar. Isso parece muito perigoso. Mas pode funcionar. 
Voc tem as mesmas habilidades, no tem? perguntei. Voc pode ver atravs da 
Nvoa. 



Minha me suspirou. No tanto agora. Quando eu era mais nova era fcil. Mas sim, eu 
sempre fui capaz de ver mais do que era bom pra mim. Essa foi uma das coisas que 
despertou a ateno do seu pai, quando nos encontramos pela primeira vez. S tomem 
cuidado. Prometam que ficaro a salvo. 
Ns tentaremos, Sra. Jackson, Annabeth disse. Mas manter seu filho seguro  uma 
grande responsabilidade. Ela cruzou seus braos e olhou para fora da janela da 
cozinha. Eu peguei meu guardanapo e tentei no dizer nada. 
Minha me franziu a testa. O que est acontecendo com vocs dois? Vocs estiveram 
brigando? 
Nenhum de ns falou nada. 
Compreendo, minha me disse, e imaginei se ela poderia ver mais do que apenas 
atravs da Nvoa. Parecia que ela entendia o que estava acontecendo entre mim e 
Annabeth, mas eu tinha certeza que no entendia. Bem, lembrem-se, disse, Grover e 
Tyson esto contando com vocs dois. 
Eu sei, Annabeth e eu dissemos ao mesmo tempo, o que me deixou ainda mais 
envergonhado. 
Minha me sorriu. Percy, o telefone funcionar melhor no corredor. Boa sorte. 
Eu fiquei aliviado em sair da cozinha, embora estivesse nervoso sobre o que eu estava 
prestes a fazer. Fui ao telefone para fazer a chamada. O nmero tinha desaparecido de 
minha mo h muito tempo atrs, mas sem problema. Sem querer, eu tinha decorado. 

*** 

Ns marcamos um encontro na Times Square. Ns achamos Rachel Elizabeth Dare na 
frente da Marquise Marriott, e ela estava completamente pintada de ouro. 
Quero dizer, seu rosto, seu cabelo, suas roupas  tudo. Ela parecia que fora tocada pelo 
Rei Midas. Ela estava parada como uma esttua junto com outros cinco garotos pintados 
em tons metlicos  cobre, bronze, prata. Eles estavam congelados em diferentes poses 
enquanto os turistas passavam apressados ou paravam para olh-las. Alguns transeuntes 
jogavam dinheiro no tablado que estava na calada. 
O letreiro aos ps de Rachel dizia, ARTE URBANA PARA CRIANAS, DOAES 
SO APRECIADAS. 
Annabeth e eu ficamos em p ali pelo que pareceram cinco minutos, olhando para 
Rachel, mas se ela nos notou, no demonstrou. Ela no se mexia ou mesmo piscava pelo 
que eu podia ver. Por causa do SDAH e tudo o mais, eu no conseguiria fazer aquilo. 
Ficar imvel por tanto tempo me deixaria louco. Era estranho ver Rachel em ouro 
tambm. Ela parecia a esttua de algum famoso, uma atriz ou algo assim. S seus 
olhos estavam no costumeiro verde. 
Talvez se ns a empurrarmos, Annabeth sugeriu. 
Eu achei que isso era um pouco maldoso, mas Rachel no respondeu. Depois de alguns 
minutos, um garoto em prata caminhou do estande de txi do hotel, onde estivera dando 
um tempo. Ele parou em uma pose como se estivesse palestrando para a multido, bem 
ao lado de Rachel. Rachel descongelou e saiu do tablado. 
Oi, Percy. Ela sorriu. Bem na hora! Vamos tomar um caf. 
Ns andamos at um lugar chamado Java Moose na West 43rd. Rachel pediu um 
Expresso Extreme, o tipo de coisa que Grover gostaria. Annabeth e eu pegamos 
smoothies de frutas e sentamos em uma mesa bem embaixo do alce estufado. Ningum 
sequer olhou duas vezes para Rachel em seu vestido dourado. 
Ento, ela disse,  Annabell, certo? 
Annabeth, Annabeth corrigiu. Voc sempre se veste de dourado? 


Nem sempre, Rachel disse. Ns estamos arrecadando dinheiro para o nosso grupo. 
Somos voluntrios de projetos de arte para crianas do primrio, pois eles esto 
cortando as artes das escolas, voc sabia? Ns fazemos isso uma vez por ms, ganhando 
mais ou menos quinhentos dlares em uma semana boa. Mas eu acho que vocs no 
querem falar sobre isso. Voc  meio-sangue, tambm? 
Shhh! Annabeth disse olhando em volta. Que tal anunciar isso para o mundo? 
Ok. Rachel levantou e disse realmente alto, Ei, todo mundo! Estes dois no so 
humanos! Eles so meio deuses Gregos! 
Ningum sequer olhou em volta. Rachel deu de ombros e sentou. Eles no parecem se 
preocupar. 
Isso no  engraado, Annabeth disse. Isso no  uma piada, garota mortal. 
Ei, vocs duas, falei. S fiquem calmas. 
Eu estou calma, Rachel insistiu. Toda vez que estou perto de voc, algum monstro 
nos ataca. Porque eu ficaria nervosa? 
Olhe, falei. Eu realmente sinto muito sobre a sala de msica. Eu espero que eles no 
tenham te expulsado ou algo parecido. 


Nah. Eles me perguntaram um monte de coisas sobre voc. Eu me fiz de boba. 
Foi difcil? Annabeth questionou. 
Ok, parem! eu intervim. Rachel, ns temos um problema. E precisamos da sua 
ajuda. 
Rachel estreitou seus olhos para Annabeth. Voc precisa da minha ajuda? 
Annabeth mexeu o canudo de seu smoothie. Sim, ela disse de repente. Talvez. 
Eu falei para Rachel sobre o Labirinto, e como precisvamos encontrar Ddalo. Eu 
contei a ela o que tinha acontecido nas ltimas vezes que havamos estado l. 
Ento vocs querem que eu guie vocs, ela disse. Por um lugar onde eu nunca 
estive. 
Voc pode ver atravs da Nvoa, eu disse. Como Ariadne. Estou apostando que 
consegue ver o caminho certo. O Labirinto no conseguir enganar voc to fcil. 
E se voc estiver errado? 
Ento vamos nos perder. De qualquer jeito, ser perigoso. Muito, muito perigoso. 
Eu posso morrer? 
Sim. 
Achei que monstros no se importavam com mortais. Aquela sua espada  
, eu disse. Bronze celestial no machuca mortais. Muitos monstros vo ignor-la. 
Mas Luke... ele no se importa. Ele usar mortais, semideuses, monstros, qualquer 
coisa. E matar qualquer um que ficar no seu caminho. 
Cara legal, Rachel disse. 
Ele est sob a influncia de um Tit, Annabeth disse defensivamente. Ele tem sido 
enganado. 
Rachel olhou de um para outro. Ok, ela disse. Estou dentro. 
Eu pisquei. No havia imaginado que seria to fcil. Voc tem certeza? 
Ei, meu vero tem sido chato. Essa  a melhor oferta que recebi at agora. Ento o que 
eu devo procurar? 
Ns temos que achar uma entrada para o Labirinto, Annabeth disse. H uma entrada 
no Acampamento Meio-Sangue, mas voc no pode ir l.  alm dos limites para os 
mortais. 
Ela disse mortais como se fosse uma terrvel condio, mas Rachel simplesmente 
assentiu. Ok. Com o que uma entrada do Labirinto se parece? 



Pode ser qualquer coisa, Annabeth disse. Um pedao de parede. Um pedregulho. 
Uma porta. Um bueiro. Mas teria a marca de Ddalo nele. Um Delta Grego, brilhando 
em azul. 
Como isto? Rachel desenhou o smbolo do Delta com gua na nossa mesa. 
 isto, Annabeth disse. Voc sabe Grego? 
No, Rachel disse. Ela tirou uma grande escova de cabelo de plstico azul de seu 
bolso e comeou a escovar o dourado de seu cabelo. Me deixe trocar de roupa.  
melhor virem comigo at o Marriott. 
Por qu? Annabeth disse. 
Porque h uma entrada no poro do hotel, onde guardamos nossas fantasias. Ela tem a 
marca de Ddalo. 




CATORZE 



MEU IRMO DUELA COMIGO AT A MORTE 

A porta de metal estava meio escondida atrs de uma cesta da lavanderia cheia de 
toalhas sujas do hotel. Eu no vi nada de estranho nisso, mas Rachel me mostrou onde 
olhar, e reconheci o smbolo apagado cravado no metal. 
No tem sido usada h um bom tempo, disse Annabeth 
Eu tentei abrir a porta uma vez, disse Rachel, s por curiosidade. S que a ferrugem 
a emperrou. 
No. Annabeth adiantou-se. S precisa do toque de um meio sangue. 
Como dito, no momento em que Annabeth ps sua mo na marca, ela brilhou com um 
tom azulado. A porta de metal abriu rangendo, revelando uma escada escura que descia. 
Uau. Rachel parecia calma, mas eu no consegui dizer se ela estava fingindo ou no. 
Ela tinha trocado para uma camiseta rota do Museu de Arte Moderna e seu usual jeans 
colorido com canetinha, sua escova de cabelo de plstico azul saindo do seu bolso. Seu 
cabelo vermelho estava preso pra trs, mas ainda tinha manchas de ouro nele, e traos 
de purpurina dourada no rosto. Ento... depois de voc? 
Voc  a guia, Annabeth disse com uma educao fingida. Guie. 
A escada levava a um largo tnel de tijolos. Estava to escuro que eu no conseguia ver 
dois passos  frente, mas Annabeth e eu tnhamos pegado lanternas. Logo que as 
ligamos, Rachel gritou. 
Um esqueleto sorria pra ns. No era humano. Para comear, era enorme  no mnimo 
trs metros de altura. Ele tinha sido esticado, acorrentado pelos pulsos e tornozelos 
formando um tipo de X gigante no meio do tnel. Mas o que realmente me deu arrepios 
foi a grande rbita vazia no centro de seu crnio. 
Um ciclope, disse Annabeth.  muito velho. No ... ningum que a gente conhea. 
No era Tyson, foi o que ela quis dizer. Mas isso no fez com que eu me sentisse muito 
melhor. Ainda sentia como se ele tivesse sido colocado aqui como um aviso. O que quer 
que pudesse matar um ciclope adulto, eu no queria conhecer. 
Rachel engoliu em seco. Voc tem um amigo que  um ciclope? 
Tyson, eu disse. Meu meio irmo. 
Seu meio irmo. 
Esperamos encontr-lo aqui, eu disse. E Grover. Ele  um stiro. 
Ah. Sua voz era baixa. Ento  melhor continuarmos andando. 
Ela passou por baixo do brao esquerdo do esqueleto, e continuou caminhando. 
Annabeth e eu trocamos olhares. Ela deu de ombro. Seguimos Rachel para o labirinto. 
Depois de quinze metros chegamos num cruzamento.  frente o tnel de tijolo 
continuava.  direita, as paredes eram feitas de placas de mrmore antigo.  esquerda, 


o tnel estava sujo e havia razes de rvores. 
Apontei para esquerda. Esse meio que parece com o tnel que Grover e Tyson 
pegaram. 
Annabeth franziu as sobrancelhas. , mas a arquitetura do que est  direita  estas 
pedras gastas   mais provvel que leve a uma parte antiga do labirinto, na direo da 
oficina de Ddalo. 
Precisamos seguir reto, disse Rachel. 
Annabeth e eu olhamos pra ela. 

Essa  escolha menos provvel, disse Annabeth. 
Vocs no veem? Rachel perguntou. Olhem para o cho. 
Eu no vi nada alm de tijolos bem desgastados e lama. 
Tem uma claridade l, insistiu Rachel. Bem fraca. Mas adiante  o caminho certo. 
Para a esquerda, mais  frente no tnel, as razes daquela rvore se movem como 
antenas. No gosto disso. Para a direita, h uma armadilha a seis metros abaixo. 
Buracos nas paredes, talvez para lanas. No acho que deveramos arriscar. 
Eu no vi nada do que ela estava descrevendo, mas assenti. Ok, adiante. 
Voc acredita nela? perguntou Annabeth. 
Sim, eu disse. Voc no? 
Annabeth me olhou como se quisesse discutir, mas ela acenou para Rachel seguir em 
frente. Juntos seguimos pelo corredor de tijolos. Ele girou e mudou, mas no havia mais 
tneis laterais. Parecamos estar descendo, aprofundando cada vez mais no subsolo. 
Sem armadilhas? perguntei ansioso. 
Nenhuma. Rachel franziu as sobrancelhas. Deveria ser to fcil assim? 
No sei, eu disse. Nunca foi antes. 
Ento, Rachel, disse Annabeth, de onde voc , exatamente? 
Soou como se ela perguntasse, De que planeta voc ? Mas Rachel no pareceu 
ofendida. 
Brooklin, disse ela. 
Seus pais no vo ficar preocupados por voc estar fora to tarde? 
Rachel suspirou. No muito. Eu poderia ficar fora por uma semana, e eles nem 
notariam. 
Por que no? Dessa vez Annabeth no pareceu sarcstica. Ter problemas com os pais 
era algo que ela entendia. 
Antes que Rachel pudesse responder, houve um barulho de algo rangendo a nossa 
frente, como grandes portas se abrindo. 
O que foi isso? Annabeth perguntou. 
No sei, respondeu Rachel. Dobradias de metal. 
Ah, ajudou muito. Quero dizer, o que  isso? 
Ento ouvi pesados passos fazendo o corredor tremer  vindo ao nosso encontro. 
Correr? perguntei. 
Correr, Rachel concordou. 
Viramos e fugimos pelo caminho que viemos, mas no percorremos seis metros antes 
de nos deparamos com velhas amigas. Duas dracaenae  mulheres cobras em 
armaduras gregas  ergueram seus dardos na altura dos nossos peitos. Parada entre elas 
estava Kelli, a empousa lder de torcida. 
Ora, ora, disse Kelli. 
Eu destampei Contracorrente, e Annabeth puxou sua faca; mas antes que minha espada 
mudasse da forma de caneta, Kelli apontou para Rachel. Sua mo transformou-se numa 
garra e virou Rachel, segurando-a firme com suas garras em seu pescoo. 
Levando sua mortalzinha de estimao para uma caminhada? Kelli me perguntou. 
So coisinhas to frgeis. To fceis de quebrar! 
Atrs de ns, os passos ficavam mais prximos. Uma grande forma apareceu na luz  
um Lestrigo de dois metros e meio com olhos vermelhos e presas. 
O gigante lambeu os beios quando nos viu. Posso com-los? 
No, Kelli disse. Seu mestre vai querer estes. Eles providenciaro um grande duelo 
para diverso. Ela sorriu pra mim. Agora marchando, meio-sangues. Ou todos 
morrero aqui, comeando pela garota mortal. 



*** 


Era bem o meu pior pesadelo. E acredite em mim, eu j tive muitos pesadelos. 
Estvamos marchando tnel abaixo, escoltados pelas dracaenae, com Kelli e o gigante 
logo atrs, para o caso de tentarmos fugir por ali. Ningum pareceu se preocupar com a 
ideia de fugirmos pela frente. Aquela era a direo que eles queriam que ns fssemos. 
Um pouco  frente eu podia ver portas de bronze. Elas tinham uns trs metros de altura, 
atravessadas por um par de espadas cruzadas. Detrs delas, vinha um rugido abafado, 
como o de uma multido. 
Ah, ssssssim, disse a mulher cobra  minha esquerda. Com o nosssso anfitrio, 
vocsss ssssero muito popularesssssss. 
Eu nunca tive a chance de olhar uma dracaenae muito de perto antes, e no estava 
muito animado por ter a oportunidade. Ela teria um rosto bonito, exceto pela lngua 
bifurcada e os olhos amarelos, com pupilas no formato de fendas negras. Ela vestia uma 
armadura de bronze que terminava na cintura. Abaixo, onde suas pernas deveriam estar, 
havia dois troncos macios de cobra, listrados de verde e bronze. Ela se movia com uma 
combinao de andar e rastejar, como se ela estivesse em esquis vivos. 
Quem  o seu anfitrio? perguntei. 
Ela sibilou, o que deve ter sido uma risada. Ah. Voc vai desssscobrir. Voc ficar 
furiossssssssso. Ele  sssssseu irmo, afinal. 
Meu o qu? Imediatamente pensei em Tyson, mas isso era impossvel. Do que ela 
estava falando? 
O gigante nos empurrou passando por ns e abriu a porta. Ele pegou Annabeth pela 
blusa e disse, Voc fica aqui. 
Ei! ela protestou, mas o cara era duas vezes maior do que ela e j tinha confiscado sua 
faca e minha espada. 
Kelli riu. Ela ainda estava com as garras no pescoo de Rachel. V, Percy. Divirta-nos. 
Ficaremos aqui com seus amigos para garantir que voc se comporte. 
Olhei para Rachel. Sinto muito. Eu vou tirar voc dessa. 
Ela assentiu o mximo que pde com um demnio na sua garganta. Isso seria bom. 
A dracaenae me empurrou porta  dentro com a ponta do dardo, e eu pisei no cho de 
uma arena. 


*** 

Acho que essa no era a maior arena em que j estive, mas parecia bem espaosa 
considerando que o lugar todo era no subterrneo. O cho sujo era circular, grande o 
suficiente para voc dirigir um carro pela beira, se o mantivesse bem rente. No centro da 
arena, uma luta estava acontecendo entre um gigante e um centauro. O centauro parecia 
estar em pnico. Ele galopava ao redor de seu inimigo, usando espada e escudo, 
enquanto o gigante segurava um dardo do tamanho de um poste de telefone e a multido 
aplaudia. 
A primeira fileira de cadeiras ficava a trs metros e meio acima do cho. Bancos de 
rochas planas envolviam todo o lugar, e todos os assentos estavam ocupados. Tinha 
gigantes, dracaenae, semideuses, telequines, e coisas mais esquisitas: demnios com 
asas de morcego e criaturas que pareciam metade humana e a outra metade voc 
nomeava  pssaro, rptil, inseto, mamfero. 
Mas as coisas mais arrepiantes eram as caveiras. A arena estava cheia delas. Elas 
rodeavam a borda da grade. Pilhas de um metro delas decoravam os espaos entre os 
bancos. Elas sorriam dos picos atrs da arquibancada e estavam penduradas em 


correntes do teto, como candelabros horrveis. Algumas delas pareciam muito velhas  
nada alm de ossos velhos esbranquiados. Outras pareciam mais novas. Eu no vou 
descrev-las. Acredite em mim, voc no ia querer que eu fizesse isso. 
No meio de tudo isso, exposto orgulhosamente no lado da parede do espectador, havia 
algo que no fez sentido pra mim  um estandarte verde com um tridente de Poseidon 
no centro. O que aquilo estava fazendo num lugar horrvel como esse? 
Sobre o estandarte, sentado num lugar de honra, estava um velho inimigo. 
Luke, eu disse. 
Eu no tinha certeza se ele podia me escutar com todo o barulho da multido, mas ele 
sorriu friamente. Ele estava de calas camufladas, uma camiseta branca, com uma 
couraa de bronze no peito, igual ao que eu vira no meu sonho. Mas ele ainda no 
estava com sua espada, o que eu achei estranho. Ao seu lado estava o maior gigante que 
eu j tinha visto, muito maior do que o que estava lutando na arena com o centauro. O 
gigante perto de Luke devia ter uns quatro metros e meio de altura, facilmente, e era to 
grande que ocupava trs lugares. Ele vestia s uma sunga de linho, como o traje de 
sum. Sua pele era vermelha escura e tatuada com desenhos de ondas azuis. Achei que 
ele devia ser o novo guarda-costas de Luke ou algo assim. 
Houve um grito no cho da arena, e eu pulei pra trs assim que o centauro caiu na terra 
ao meu lado. 
Ele encontrou meus olhos suplicando. Ajuda! 
Eu procurei por minha espada, mas fora tomada de mim e no tinha reaparecido em meu 
bolso ainda. 
O centauro lutou para se levantar, enquanto o gigante se aproximava, seu dardo 
preparado. 
Uma grande garra agarrou meu ombro. Ssse voc valoriza asss vidasss de seusss 
amigosss, minha guarda dracaenae disse, voc no interferir. Essssa no  a ssssua 
luta. Essspere a ssssua vez. 
O centauro no conseguia levantar. Uma de suas pernas estava quebrada. O gigante 
colocou seu p enorme no peito do centauro e ergueu seu dardo. Ele olhava para Luke. 
A platia gritava, MORTE! MORTE! 
Luke no fez nada, mas o cara tatuado do sum sentado ao seu lado se levantou. Ele 
sorria para o centauro que choramingava, Por favor! No! 
Ento o cara do sum fechou a mo, e fez o sinal polegar para baixo. 
Fechei meus olhos enquanto o gigante gladiador estocava com o seu dardo. Quando 
olhei de novo, o centauro se fora, desintegrado em cinzas. Tudo o que sobrou foi um 
nico casco, que o gigante pegou como um trofu e mostrou  platia. Ela rugia 
aprovando. 
Um porto abriu no lado oposto do estdio, por onde o gigante saiu marchando em 
triunfo. 
Na arquibancada, o cara do sum ergueu as mos por silncio. 
Boa diverso, ele berrou. Mas nada que eu j no tenha visto antes. O que mais voc 
tem, Luke, Filho de Hermes? 
Luke apertou a mandbula. Eu podia apostar que ele no gostou de ser chamado de filho 
de Hermes. Ele odiava seu pai. Mas ele se levantou calmamente. Seus olhos brilhavam. 
Alis, ele parecia estar de muito bom humor. 
Lorde Antaeus, disse Luke, alto o suficiente para a multido ouvir. Voc tem sido 
um excelente anfitrio! Ficaremos felizes de entret-lo, para agradecer o favor de poder 
passar pelo seu territrio. 
Um favor que eu ainda no concedi, Antaeus grunhiu. Eu quero diverso! 


Luke fez uma reverncia. Acredito que tenho algo mais interessante do que centauros 
para lutar em sua arena agora. Tenho um irmo seu. Ele apontou para mim. Percy 
Jackson, filho de Poseidon. 
A platia comeou a me vaiar e a jogar pedras em mim, a maioria eu consegui desviar, 
mas uma me acertou na bochecha e fez um grande corte. 
Os olhos de Antaeus brilharam. Um filho de Poseidon? Ento ele deve lutar bem! Ou 
morrer bem! 
Se a morte dele lhe agradar, disse Luke, voc deixar nossos exrcitos cruzarem seu 
territrio? 
Talvez! disse Antaeus. 
Luke no pareceu satisfeito com o talvez. Ele me fitou, como se estivesse me 
avisando que era bom eu morrer de forma espetacular, ou eu teria srios problemas. 
Luke! gritou Annabeth. Pare com isso. Deixe-nos ir! 
Ele pareceu not-la pela primeira vez. Pareceu ficar atortoado por um momento. 
Annabeth? 
Tem tempo suficiente para as lutas femininas depois, interrompeu Antaeus. 
Primeiro, Percy Jackson, que armas voc ir escolher? 
A dracaenae me empurrou para o meio da arena. 
Eu encarei Antaeus. Como voc pode ser filho de Poseidon? 
Eu sou seu filho favorito! Antaeus estrondou. Contemple, meu templo para o Treme 
Terra, foi construdo com os esqueletos de todos aqueles que eu matei em seu nome! 
Em breve voc se juntar a eles! 
Eu olhei horrorizado para todas as caveiras  centenas delas  e o estandarte de 
Poseidon. Como esse podia ser um templo para o meu pai? Meu pai era um cara legal. 
Ele nunca me pediu um carto de Dia dos Pais, muito menos a caveira de algum. 
Percy! gritou Annabeth. A me dele  Gaea! Gae  
Seu guarda Lestrigo colocou a mo sobre a boca dela. Sua me  Gaea. A deusa da 
terra. Annabeth estava tentando me dizer que aquilo era importante, mas eu no sabia o 
porqu. Talvez seja s porque o cara tinha dois deuses como pais. Isso devia torn-lo 
mais difcil de matar. 
Voc  louco, Antaeus, disse. Se voc acha que isso  um bom tributo, voc no sabe 
nada sobre Poseidon. 
A multido gritava insultando-me, mas Antaeus ergueu a mo por silncio. 
Armas, ele insistiu. E ento veremos como voc morre. Voc tem machados? 
Escudos? Redes? Lanadores de Chamas? 
Apenas minha espada, eu disse. 
Risadas surgiram dos monstros, mas imediatamente Contracorrente apareceu em minhas 
mos, e algumas das vozes na multido ficaram nervosas. A lmina de bronze brilhava 
com uma luz fraca. 
Primeiro Round! Antaeus anunciou. Os portes se abriram, e uma dracaenae rastejou 
para fora. Ela tinha um tridente em uma das mos e uma rede pesada na outra  tipo 
clssico de gladiador. Treinei contra essas armas no acampamento por anos. 
Ela experimentou me golpear. Desviei para o lado. Ela jogou sua rede, esperando 
prender a mo que eu segurava a espada, mas eu sa de lado facilmente, cortei seu 
tridente ao meio, e deferi um golpe com Contracorrente numa fenda em sua armadura. 
Com um gemido doloroso, ela vaporizou, e os gritos da multido cessaram. 
No! gritou Antaeus. Muito rpido! Voc deve esperar para matar. S quando eu der 
a ordem! 
Eu olhei para Annabeth e Rachel. Eu tinha que achar um jeito de libert-las, talvez 
distrair seus guardas. 



Bom trabalho, Percy. Luke sorriu. Voc melhorou o uso da espada. Eu lhe concedo 
essa. 
Segundo Round! rugiu Antaeus. E mais devagar desta vez! Mais diverso! Espere 
pela minha ordem para poder matar algum. OU ENTO! 
Os portes abriram novamente, e desta vez um jovem guerreiro saiu. Ele era um pouco 
mais velho do que eu, por volta dos dezesseis. Ele tinha um cabelo preto brilhante, e seu 
olho esquerdo era coberto por um tapa-olho. Ele era magro e rijo de forma que sua 
armadura grega pendia solta. Ele apoiou sua espada no cho, ajustou seu escudo, e ps 
seu capacete de crina de cavalo. 
Quem  voc? perguntei. 
Ethan Nakamura, ele respondeu. Eu tenho que matar voc. 
Por que voc est fazendo isso? 
Ei! um monstro gritou das arquibancadas. Parem de falar e lutem! 
Os outros concordaram. 
Eu tenho que me colocar  prova, Ethan me disse.  o nico jeito de ser aceito. 
E com isso ele atacou. Nossas espadas se encontraram no ar e a platia gritou. Aquilo 
no parecia certo. Eu no queria lutar para divertir um monte de monstros, mas Ethan 
Nakamura no estava me dando muita escolha. 
Ele pressionou avanando. Ele era bom. Ele nunca esteve no Acampamento Meio-
Sangue, que eu saiba, mas ele fora treinado. Ele desviou meu golpe e quase me 
derrubou com seu escudo, mas eu pulei pra trs. Ele atacou, eu rolei para um lado. Ns 
trocamos estocadas e desvios, um experimentando o estilo de luta do outro. Tentei me 
manter no lado cego de Ethan, mas no ajudou muito. Ele parecia estar lutando com um 
olho s h bastante tempo, porque ele era excelente guardando seu lado esquerdo. 
Sangue! gritavam os monstros. 
Meu oponente olhou para a platia. Essa era sua fraqueza, percebi. Ele precisava 
impressionar a platia, eu no. 
Ele soltou um grito raivoso de batalha e me atacou, mas eu desviei sua lmina e me 
afastei, deixando-o vir atrs de mim. 
Buu! vaiou Antaeus. Fique e lute. 
Ethan me pressionou, mas eu no tinha problema em me defender, mesmo sem um 
escudo. Ele estava vestido para se defender  armadura pesada e escudo  o que 
tornava cansativo atacar. Eu era um alvo mais fcil, mas tambm era mais leve e mais 
rpido. A multido foi a loucura, gritando reclamaes e tacando pedras. Estvamos 
lutando h quase cinco minutos e no havia nenhuma gota de sangue. 
Finalmente Ethan cometeu seu erro. Ele tentou me acertar na barriga, e eu prendi o 
punho de sua espada com o meu e torci. Sua espada caiu no cho. Antes que ele pudesse 
se recuperar, eu bati com a base da minha espada em seu capacete e o derrubei. Sua 
armadura pesada me ajudou mais que ele. Ele caiu de costas, atordoado e cansado. 
Coloquei a ponta da minha espada em seu peito. 
Termine com isso, Ethan grunhiu. 
Eu olhei para Antaeus. Seu rosto vermelho estava rgido de desgosto, mas ele ergueu 
sua mo e fez o polegar para baixo. 
Esquece. Eu abaixei minha espada. 
No seja idiota, grunhiu Ethan. Eles vo matar ns dois. 
Eu estendi minha mo. Relutantemente, ele a segurou. Eu o ajudei a levantar. 
Ningum desonra os jogos! rugiu Antaeus. Suas cabeas serviro como tributo a 
Poseidon! 



Olhei para Ethan. Quando voc tiver chance, corra. Depois me virei para Antaeus. 
Por que voc mesmo no luta comigo? Se voc tem a proteo do Pai, venha aqui 
embaixo e prove! 
Os monstros murmuraram nas arquibancadas. Antaeus deu uma olhada em volta, e 
aparentemente viu que no tinha escolha. Ele no podia dizer no sem parecer um 
covarde. 
Eu sou o melhor lutador do mundo, rapaz, ele avisou. Venho lutando desde o 
primeiro Pancrcio! 
Pancrcio? perguntei. 
Ele quer dizer as lutas at a morte, disse Ethan. Sem regras. Sem barreiras. 
Costumava ser um esporte Olmpico. 
Valeu pela cola, eu disse. 
De nada. 
Rachel me olhava com olhos bem abertos. Annabeth mexia sua cabea loucamente, a 
mo do Lestrigo continuava tapando sua boca. 
Apontei minha espada para Antaeus. O vencedor leva tudo! Se eu vencer, somos todos 
libertados. Se voc ganhar, morremos. Jure pelo Rio Styx! 
Antaeus gargalhou. Isso no vai demorar muito. Eu juro de acordo com as suas 
condies! 
Ele saltou por sobre a grade para dentro da arena. 
Boa sorte, Ethan me disse. Voc vai precisar. Depois ele se afastou rapidamente. 
Antaeus estalou seus dedos. Ele sorriu ironicamente, e eu vi que at mesmo seus dentes 
tinham tatuagens de ondas, o que devia tornar a escovao aps as refeies bem 
dolorosa. 
Armas? ele perguntou. 
Ficarei com minha espada. Voc? 
Ele mostrou suas mos enormes e mexeu os dedos. Eu no preciso de mais nada! 
Mestre Luke, voc ser o juiz desta vez. 
Luke sorriu para mim. Com prazer. 
Antaeus atacou. Eu rolei por debaixo de suas pernas e apunhalei sua coxa por trs. 
Arghhhhhh! ele gritou. Mas onde deveria estar sangrando, havia um jorro de areia, 
como se eu tivesse quebrado o lado de uma ampulheta. Ela caiu no cho de terra, e a 
terra comeou a rodear suas pernas, quase como um molde. Quando a terra caiu, a ferida 
havia desaparecido. 
Ele atacou de novo. Por sorte eu tinha alguma experincia em lutar com gigantes. 
Desviei para o lado desta vez e golpeei embaixo de seu brao. A lmina de 
Contracorrente estava enterrada at o punho em suas costelas. Essa era a boa notcia. A 
m notcia foi que Contracorrente foi puxada de minha mo quando o gigante se virou, e 
eu fui jogado atravs da arena, desarmado. 
Antaeus gritou de dor. Esperei que ele se desintegrasse. Nenhum monstro jamais 
sobreviveu a um ataque direto da minha espada assim. A lmina de bronze celestial 
tinha que ter destrudo sua essncia. Mas Antaeus apalpou suas costelas, puxou a espada 
e jogou-a para trs. Mais areia jorrou da ferida, mas de novo a terra veio e a cobriu. 
Areia envolvia seu corpo todo at os ombros. Assim que a terra caiu, Antaeus estava 
bem. 
Agora voc v porque eu nunca perco, semideus! grunhiu Antaeus. Venha c e me 
deixe esmag-lo. Prometo que ser rpido! 
Antaeus estava entre mim e minha espada. Desesperado, olhei para ambos os lados, e 
notei os olhos de Annabeth. 



A terra, pensei. O que Annabeth tinha tentado me dizer? A me de Antaeus era Gaea, a 
me terra, a deusa mais antiga de todas. O pai de Antaeus podia ser Poseidon, mas Gaea 

o mantinha vivo. Eu no poderia feri-lo enquanto ele estivesse tocando a terra. 
Eu tentei rode-lo, mas Antaeus antecipou meus movimentos. Ele bloqueou meu 
caminho, rindo. Ele estava s brincando comigo agora. Ele tinha me encurralado. 
Eu olhei para as correntes que pendiam do teto, suspendendo as caveiras de seus 
oponentes. De repente tive uma ideia. 
Eu fintei para o outro lado. Antaeus me bloqueou. A multido zombou e gritou para 
Antaeus acabar comigo, mas ele estava se divertindo muito. 
Garoto insignificante, ele disse. No  digno de ser filho do deus do mar! 
Senti minha caneta retornar ao meu bolso, mas Antaeus no sabia disso. Ele ainda 
achava que Contracorrente estava na terra atrs dele. Ele acharia que minha inteno era 
conseguir a espada. No era muita vantagem, mas era tudo o que eu tinha. 
Eu investi para frente, abaixando-me para que ele pensasse que eu ia rolar por debaixo 
de suas pernas de novo. Enquanto ele estava parado, preparado para me pegar como 
uma bola, eu pulei o mximo que podia  chutando seu antebrao, subindo por seu 
ombro como se fosse uma rampa, pisando em sua cabea. Ele fez o que se esperava. Ele 
se endireitou indignado e gritou Ei! Eu pulei, usando a sua fora para me catapultar na 
direo do teto. Eu segurei o topo de uma corrente, e os crnios e os ganchos soavam 
estridentes abaixo de mim. Enrosquei minhas pernas nas correntes, do jeito como 
costumava fazer com as cordas na aula de Educao Fsica. Puxei Contracorrente e 
arrebentei a corrente ao lado. 
Desa aqui, covarde! praguejou Antaeus. Ele tentou me agarrar, mas eu j estava fora 
de alcance. Segurando pela minha linda vida, eu gritei, Venha aqui me pegar! Ou voc 
 muito gordo e lento? 
Ele pegou impulso e tentou me pegar de novo. Ele segurou uma corrente e tentou subir. 
Enquanto ele se esforava, eu desci minha corrente cortada, o gancho primeiro. Precisei 
de duas tentativas, mas finalmente eu o prendi na tanga de Antaeus. 
WAAA! ele gritou. Rapidamente eu escorreguei a corrente livre pela argola da minha 
prpria corrente, puxei, e firmei o mximo que podia. Antaeus tentou voltar ao cho, 
mas seu corpo estava suspenso pela sua tanga. Ele teve que se segurar em outras 
correntes com ambas as mos para evitar ficar de cabea pra baixo. Rezei para que as 
correntes e a tanga aguentassem por mais alguns segundos. Enquanto Antaeus 
praguejava e se segurava, eu me mexi pelas correntes, balanando como se fosse algum 
tipo de macaco maluco. Eu dava giros com os ganchos das correntes. Eu no sei como 
eu fiz aquilo. Minha me sempre disse que eu tenho um dom para emaranhar as coisas. 
Alm disso, eu estava desesperado para salvar meus amigos. De qualquer forma, em 
poucos minutos o gigante estava suspenso sobre o cho, grunhindo entre correntes e 
ganchos, indefeso. Eu pulei no cho, ofegante e suado. Minhas mos estavam 
machucadas pela escalada. 
Desa-me daqui! Antaeus exigiu. 
Solte-o! Luke ordenou. Ele  o nosso anfitrio! 
Eu destampei Contracorrente. Eu vou solt-lo. 
Eu acertei o gigante no estmago. Ele rugiu, e areia derramou, mas ele estava muito 
longe para tocar o cho, e a terra no se ergueu para ajud-lo. Antaeus simplesmente se 
dissolveu, esvaindo-se pouco a pouco, at no sobrar mais nada alm de correntes 
vazias, uma grande tanga de linho em um gancho, e um monte de caveiras sorridentes 
danando sobre mim como se elas finalmente tivessem um motivo pra sorrir. 
Jackson! Luke gritou. Eu j devia ter te matado h muito tempo! 

Voc cansa, lembrei a ele. Agora nos deixe ir, Luke. Tivemos um acordo 
juramentado com Antaeus. Eu sou o vencedor. 
Ele fez o que eu esperava. Ele disse, Antaeus est morto. Seu juramento morre com 
ele. Mas como eu estou me sentindo piedoso hoje, eu o matarei bem rpido. 
Ele apontou para Annabeth. Poupe a garota. Sua voz falhou um pouco. Eu quero 
falar com ela antes  antes de nossa grande vitria. 
Cada monstro na multido puxou sua arma ou mostrou suas garras. Ns estvamos 
encurralados. Desesperadamente em desvantagem. 
Foi quando senti uma coisa em meu bolso  uma sensao gelada, um frio crescendo 
mais e mais. O apito canino. Meus dedos se fecharam em volta dele. Por dias eu evitei 
usar o presente de Quintus. Tinha que ser uma armadilha. Mas agora... Eu no tinha 
escolha. Eu o tirei de meu bolso e soprei. No fez nenhum som enquanto estilhaava-se 
em pedaos de gelo, derretendo na minha mo. 
Luke riu. O que isso deveria fazer? 
Atrs de mim surgiu um grito de surpresa. O gigante Lestrigo que guardava Annabeth 
voou por mim e chocou-se contra parede. 


AROOOOF. 
Kelli, a empousa, gritou quando um mastim negro de mais de duzentos quilos a pegou 
como um brinquedo para mastigar e a lanou pelo ar, direto no colo de Luke. A Sra 
OLeary rosnou, e as duas guardas dracaenae se afastaram. Por um momento os 
monstros na plateia foram pegos de surpresa. 
Vamos l! Eu gritei para meus amigos. Aqui, Senhora OLeary! 
A sada mais longe! gritou Rachel. Aquele  o caminho certo! 
Ethan Nakamura pegou sua deixa. Juntos corremos pela arena e pela sada mais 
distante, a Sra OLeary logo atrs de ns. Enquanto corramos, eu podia ouvir os sons 
desorganizados de um exrcito inteiro tentando pular das arquibancadas e nos seguir. 




QUINZE 



ROUBAMOS ALGUMAS ASAS LEVEMENTE USADAS 


Por aqui! Rachel gritou. 
Por que deveramos seguir voc? Annabeth exigiu. Voc nos levou direto para 
aquela armadilha da morte! 
Aquele era o caminho que vocs precisavam seguir. disse Rachel. Agora  este. 
Venham! 
Annabeth no pareceu contente com isso, mas ela correu conosco. Rachel parecia saber 
exatamente para onde estava indo. Ela passava pelos corredores e sequer hesitava nas 
encruzilhadas. Uma vez ela disse, Abaixem-se! e todos ns nos abaixamos quando 
um grande machado passou por cima de nossas cabeas. Ento continuamos como se 
nada tivesse acontecido. 
Perdi a conta de quantas voltas fizemos. No paramos para descansar at que chegamos 
a uma sala do tamanho de um ginsio, com velhas colunas de mrmore segurando o 
teto. Eu parei na porta, tentando ouvir sons de perseguio, mas no havia nada. 
Aparentemente tnhamos despistado Luke e seus seguidores no labirinto. 
Foi ai que percebi mais uma coisa: a Sra OLeary tinha sumido. Eu no sabia quando 
ela tinha desaparecido. Eu no sabia se ela tinha se perdido, ou se fora capturada por 
monstros ou algo assim. Meu corao virou chumbo. Ela havia salvo nossas vidas, e eu 
nem ao menos esperei pra ter certeza se ela estava nos seguindo. 
Ethan despencou no cho. Vocs so loucos. Ele tirou seu capacete. Seu rosto 
brilhava por causa do suor. 
Annabeth ofegou. Eu me lembro de voc! Voc era um dos garotos indeterminados no 
chal de Hermes, anos atrs. 
Ele olhou para ela. , e voc  Annabeth. Eu me lembro. 
O que  o que aconteceu com seu olho? 
Ethan desviou o olhar, e tive a sensao que aquele era um assunto que ele no 
discutiria. 
Voc deve ser o meio-sangue do meu sonho, eu disse. O que os amigos de Luke 
encurralaram. Afinal, no era o Nico. 
Quem  Nico? 
No importa, Annabeth disse rapidamente. Por que voc estava tentando se unir ao 
lado errado? 
Ethan sorriu desdenhosamente. No h lado certo. Os deuses nunca se importaram 
conosco. Por que eu no deveria? 
Se juntar a um exrcito que te obriga a lutar at a morte por diverso? disse Annabeth. 
Puxa, eu ia querer. 
Ethan lutou para ficar de p. No vou discutir com voc. Valeu pela ajuda, mas eu 
estou fora dessa. 
Vamos procurar Ddalo, eu disse. Venha conosco. Quando conseguirmos chegar l, 
voc ser bem vindo de volta ao acampamento. 
Vocs realmente so loucos se pensam que Ddalo vai ajudar vocs. 
Ele tem que ajudar, disse Annabeth. Ns o faremos ouvir. 
Ethan bufou. , bem. Boa sorte com isso. 
Eu agarrei seu brao. Voc vai andar pelo labirinto sozinho? Isso  suicdio. 



Ele olhou para mim mal controlando a raiva. Seu tapa-olho estava desgastado nas 
bordas e sua roupa preta desbotada, como se ele a estivesse usando h muito, muito 
tempo. 
Voc no deveria ter me poupado, Jackson. Piedade no tem lugar nesta guerra. 
Ento ele correu para escurido, pelo caminho por onde tnhamos vindo. 


*** 

Annabeth, Rachel e eu estvamos to exaustos que montamos acampamento ali mesmo, 
na enorme sala. Encontrei uns gravetos secos e fizemos uma fogueira. Sombras 
danavam nas colunas erguendo-se em volta de ns como rvores. 
Algo estava errado com o Luke, Annabeth murmurou, cutucando o fogo com sua 
faca. Voc notou como ele estava agindo? 
Ele parecia muito satisfeito pra mim, eu disse. Como se ele tivesse passado um 
timo dia torturando heris. 
Isso no  verdade! Havia algo de errado com ele. Ele parecia... nervoso. Ele disse a 
seus monstros para me pouparem. Ele queria me dizer algo. 
Provavelmente, Oi Annabeth! Sente aqui comigo e assista enquanto eu dilacero os 
seus amigos. Ser divertido! 
Voc  impossvel, Annabeth resmungou. Ela embainhou sua faca e olhou para 
Rachel. Ento, para qual direo agora, Sacagawea? 
Rachel no respondeu imediatamente. Ela ficara mais quieta desde a arena. Agora, 
sempre que Annabeth fazia um comentrio sarcstico, Rachel nem se incomodava em 
responder. Ela havia queimado a ponta de um graveto no fogo e o estava usando para 
desenhar figuras de cinzas no cho, desenhos dos monstros que vimos. Com poucos 
riscos, ela desenhou uma dracaena perfeitamente. 
Seguiremos o caminho, ela disse. A claridade no cho. 
A claridade que nos levou direto para uma armadilha? perguntou Annabeth. 
Deixe-a em paz Annabeth, eu disse. Ela est fazendo o melhor que pode. 
Annabeth se levantou. A fogueira est apagando. Vou procurar mais gravetos enquanto 
vocs combinam estratgias. E ela marchou para as sombras. 
Rachel desenhou outra figura com seu graveto  um Antaeus em cinzas pendurado por 
suas correntes. 
Annabeth normalmente no  assim, eu disse a ela. No sei qual  o problema dela. 
Rachel ergueu suas sobrancelhas. Voc tem certeza que no sabe? 
O que voc quer dizer? 
Garotos, ela murmurou. Totalmente cegos. 
Ei, no venha pegar no meu p tambm! Olha, eu sinto muito por t-la envolvido 
nisso. 
No, voc estava certo, ela disse. Eu posso ver o caminho. No consigo explicar, 
mas eu vejo claramente. Ela apontou para a outra sada da sala, para a escurido. A 
oficina  para aquele lado. O corao do labirinto. Estamos bem perto agora. No sei 
por que o caminho nos levou por aquela arena. Eu... eu sinto muito por aquilo. Pensei 
que voc fosse morrer. 
Parecia que ela estava prestes a chorar. 
Ei, eu normalmente estou prestes a morrer, prometi. No se sinta mal. 
Ela estudou meu rosto. Ento voc faz isso todo vero? Luta com monstros? Salva o 
mundo? Voc nunca faz, sei l, coisas normais? 
Eu nunca havia pensando nisso por esse ngulo. A ltima vez que eu tive algo parecido 
com uma vida normal foi... bem, nunca. Meio-sangues se acostumam com isso, eu 



acho. Talvez no com isso, mas... mudei de posio desconfortavelmente. E quanto a 
voc? O que voc faz normalmente? 
Rachel deu de ombros. Eu pinto. Leio muito. 
Ok, pensei. At aqui o placar era zero em coisas em comum. 
E quanto a sua famlia? 
Eu pude sentir sua blindagem mental se erguendo, como se esse no fosse um assunto 
seguro. 
Ah... eles so apenas, voc sabe, famlia. 
Voc disse que eles no notariam se voc fosse embora. 
Ela abaixou seu graveto de desenhar. Uau, eu estou muito cansada. Eu vou dormir um 
pouco, tudo bem? 
Ah, claro. Desculpe se eu... 
Mas Rachel j estava se aninhando, fazendo de sua mochila seu travesseiro. Ela fechou 
seus olhos e deitou bem quieta, mas eu tinha a sensao de que ela no estava realmente 
dormindo. 
Poucos minutos depois, Annabeth voltou. Ela jogou mais alguns gravetos na fogueira. 
Ela olhou para Rachel, e depois para mim. 
Eu fico com a primeira vigia, ela disse. Voc deveria dormir tambm. 
Voc no precisa agir assim. 
Assim como? 
Assim... deixa pra l. Eu me deitei, sentindo-me miservel. Estava to cansado que 
assim que fechei os olhos peguei no sono. 


*** 

Em meus sonhos eu ouvia risadas. Frias, speras risadas, como facas sendo afiadas. 
Eu estava parado na ponta de um penhasco nas profundezas do Trtaro. Abaixo de mim 
a escurido fervia como uma sopa de tinta. 
To perto da sua destruio, heroizinho, a voz de Cronos censurou. E ainda no 
consegue ver. 
A voz estava diferente de antes. Parecia quase fsica agora, como se ele estivesse 
falando de um corpo slido ao invs de... o que quer que ele fosse na sua condio 
fatiada. 
Eu tenho muito a agradecer a voc, disse Cronos. Voc assegurou minha volta. 
As sombras na caverna ficaram mais escuras e pesadas. Eu tentei me afastar da borda do 
penhasco, mas era como nadar em leo. O tempo desacelerou. Minha respirao quase 
parou. 
Um favor, Cronos disse. O Senhor dos Tits sempre cumpre seus dbitos. Quem 
sabe uma olhada nos amigos que voc abandonou... 
A escurido me envolveu, e eu estava em uma caverna diferente. 
Corra! Tyson disse. Ele vinha correndo pela sala. Grover vinha logo atrs dele. Havia 
um chiado no corredor de onde eles vieram, e a cabea de uma enorme cobra apareceu 
na caverna. Digo, essa coisa era to grande que seu corpo mal cabia no tnel. Suas 
escamas eram cnicas. Sua cabea era retangular como um diamante, e seus olhos 
amarelos brilhavam de dio. Quando ela abriu sua boca, suas presas eram to grandes 
quanto Tyson. 
Ela tentou acertar Grover, mas ele saiu do caminho. A cobra abocanhou um punhado de 
terra, enchendo a boca. Tyson pegou uma rocha e jogou no monstro, acertando entre 
seus olhos, mas ela s recuou e sibilou. 
Ela vai comer voc! gritou Grover para Tyson. 


Como voc sabe? 
Ela acabou de me dizer! Corra! 
Tyson se atirou para um lado, mas a cobra usou sua cabea como um basto e o 
derrubou. 
No! Grover gritou. Mas antes que Tyson pudesse recuperar seu equilbrio, a cobra o 
envolveu e comeou a apert-lo. 
Tyson resistiu, empurrando com toda a sua imensa fora, mas a cobra apertava mais. 
Grover batia freneticamente com sua flauta na cobra, mas era como bater em uma 
parede de pedra. 
A caverna inteira tremeu quando a cobra flexionou seus msculos, estremecendo para 
superar a fora de Tyson. 
Grover comeou a tocar sua flauta, e estalactites comearam a cair do teto. A caverna 
inteira parecia prestes a desmoronar... 


*** 

Eu acordei com Annabeth chacoalhando meu ombro. Percy, acorde! 
Tyson  Tyson est com problemas! eu disse. Temos que ajud-lo! 
Prioridades primeiro, ela disse. Terremoto! 
Sem dvida alguma, o quarto estava tremendo. Rachel! gritei. 
Seus olhos abriram imediatamente. Ela pegou sua mochila, e ns trs corremos. 
Estvamos quase chegando ao tnel mais distante, quando uma coluna gemeu e caiu. 
Continuamos correndo enquanto toneladas de mrmore despencavam atrs de ns. 
Corremos para o corredor e entramos a tempo de ver outras colunas desabarem. Uma 
nuvem de poeira branca nos rodeou, e continuamos correndo. 
Quer saber? disse Annabeth. Eu gosto deste caminho afinal. 
No demorou muito para vermos luz  frente  como luz eltrica normal. 
L, disse Rachel. 
Ns a seguimos por um grande corredor de ao inoxidvel, como eu imaginei que eles 
tivessem numa estao espacial ou algo assim. Luzes fluorescentes brilhavam no teto. O 
cho era de um metal retalhado. 
Estava to acostumado com a escurido que tive que apertar meus olhos. Annabeth e 
Rachel pareciam plidas na iluminao ofuscante. 
Por aqui, disse Rachel, comeando a correr. Estamos perto! 
Est errado! Annabeth disse. A oficina deveria estar na seo mais antiga do 
labirinto. Aqui no pode ser  
Ela hesitou, porque tnhamos chegado a portas duplas de metal. 
Escrito no ao, no nvel dos olhos, havia um grande e azul . 
Chegamos, Rachel anunciou. A oficina de Ddalo. 


*** 

Annabeth apertou o smbolo nas portas e elas se abriram com um silvo. 
Demais para uma arquitetura antiga, eu disse. 
Annabeth fechou a cara. Entramos juntos. 
A primeira coisa que me atingiu foi a luz do dia  um sol resplandecente atravessava 
janelas imensas. No  muito bem o que voc espera no corao de uma masmorra. A 
oficina era como o estdio de um artista, com um p direito de trs metros e luzes 
industriais, cho de pedras polidas, e bancadas ao longo das janelas. Uma escada em 
espiral dava para o segundo andar do loft. Meia dzia de cavaletes mostrava diagramas 


feitos a mo de prdios e mquinas que pareciam esboos de Leonardo da Vinci. Vrios 
laptops estavam espalhados sobre as mesas. Jarras de vidro com um leo verde  Fogo 
Grego  impregnavam uma prateleira. Havia invenes tambm  mquinas de metal 
estranhas que eu no conseguia entender. Uma era uma cadeira de bronze com fios 
eltricos atados a ela, como algum tipo de dispositivo de tortura. No outro canto havia 
um ovo enorme de metal, aproximadamente do tamanho de um homem. Tinha um 
relgio de pndulo que parecia ser feito totalmente de vidro, assim voc podia ver todas 
as engrenagens funcionando. E pendurados na parede havia vrios pares de asas de 
bronze e prata. 
Di immortals, Annabeth murmurou. Ela correu para o cavalete mais prximo e olhou 
os esboos. Ele  um gnio. Olhe as curvas deste prdio! 
E um artista, disse Rachel com admirao. Essas asas so incrveis! 
As asas pareciam mais avanadas do que as que eu vira em meus sonhos. As penas eram 
mais rigorosamente entrelaadas. Ao invs dos lacres de cera, faixas autoadesivas 
corriam dos lados. 
Mantive minha mo em Contracorrente. Aparentemente Ddalo no estava em casa, 
mas a oficina parecia como se tivesse sido usada recentemente. Os laptops estavam com 
seus protetores de tela. Um muffin de mirtilo pela metade e uma xcara de caf estavam 
em cima de uma escrivaninha. 
Eu fui at a janela. A vista era incrvel. Eu reconheci as Montanhas Rochosas  
distncia. Estvamos alto sobre as colinas, no mnimo uns cento e cinquenta metros, e 
abaixo um vale surgia, coberto por uma poro de plats e rochas e agulhas de pedra. 
Parecia que uma criana enorme estivera construindo uma cidade de brinquedo com 
blocos do tamanho de arranha-cus, e depois decidiu derrubar com tudo. 
Onde estamos? perguntei. 
Colorado Springs, uma voz disse atrs de ns. O Jardim dos Deuses. 
Parado na escada em espiral acima de ns, com sua arma desembainhada, estava nosso 
professor de esgrima desaparecido, Quintus. 

*** 

Voc, disse Annabeth. O que voc fez com Ddalo? 
Quintus sorriu vagamente. Acredite em mim, minha querida. Voc no vai querer 
conhec-lo. 
Olhe aqui, Senhor Traidor, Annabeth grunhiu. Eu no lutei com uma mulher drago, 
um homem com trs corpos, e uma esfinge psictica para ver voc. Agora, onde est 
DDALO? 
Quintus desceu as escadas, segurando sua espada de lado. Ele estava vestindo jeans e 
botas e sua camiseta de conselheiro do Acampamento Meio-Sangue, o que parecia um 
insulto agora que sabamos que ele era um espio. Eu no sabia se eu era capaz de 
venc-lo numa luta de espadas. Ele era muito bom. Mas achei que deveria tentar. 
Voc acha que eu sou um agente de Cronos, ele disse. E que trabalho pra Luke. 
Bem, d, disse Annabeth. 
Voc  uma garota inteligente, disse ele. Mas voc est errada. Eu trabalho apenas 
para mim mesmo. 
Luke mencionou voc, eu disse. Geryon sabia sobre voc tambm. Voc esteve em 
seu rancho. 
Claro, respondeu ele. Eu j estive em quase todos os lugares. Inclusive aqui. 
Ele passou por mim como se eu no representasse perigo algum e parou de frente a 
janela. 



A vista muda dia-a-dia, ele meditou.  sempre algum lugar elevado. Ontem foi um 
arranha-cu com vista para Manhattan. Um dia antes, tinha uma linda viso do Lago 
Michigan. Mas continua voltando para o Jardim dos Deuses. Acho que o Labirinto gosta 
daqui. Um nome adequado, suponho. 
Voc j esteve aqui antes, falei. 
Ah, sim. 
 uma iluso l fora? perguntei. Uma projeo ou algo assim? 
No, Rachel murmurou.  real. Estamos mesmo no Colorado. 
Quintus a considerou. Voc tem uma viso clara, no tem? Voc me lembra de uma 
outra garota mortal que eu conheci uma vez. Outra princesa que veio a sofrer. 
Chega de jogos, eu disse. O que voc fez com Ddalo? 
Quintus olhou para mim. Meu rapaz, voc precisa de aulas com sua amiga de como ver 
claramente. Eu sou Ddalo. 


*** 

Eu poderia ter dado um monte de respostas, de Eu j sabia a MENTIROSO! ou , 
claro, e eu sou Zeus. 
Mas a nica coisa que eu consegui pensar em dizer foi, Mas voc no  um inventor!  
um espadachim! 
Sou ambos, Quintus disse. E um arquiteto. E um estudioso. E tambm jogo basquete 
muito bem para um cara que s comeou com dois mil anos de idade. Um artista de 
verdade tem que ser bom em muitas coisas. 
Isso  verdade, disse Rachel. Como eu que posso pintar com meus ps to bem 
quanto com as mos. 
Viu s? Quintus disse. Uma garota com vrios talentos. 
Mas voc no se parece com Ddalo, protestei. Eu o vi em um sonho, e... De 
repente um horrvel pensamento me atingiu. 
Sim, Quintus disse. Voc finalmente adivinhou a verdade. 
Voc  um autmato. Voc se fez um novo corpo. 
Percy, disse Annabeth desconfortavelmente, isso no  possvel. Aquilo  aquilo 
no pode ser um autmato. 
Quintus riu. Voc sabe o que Quintus quer dizer, minha querida? 
O quinto, em latim. Mas  
Este  o meu quinto corpo. O espadachim ergueu seu antebrao. Ele pressionou seu 
cotovelo e parte de seu pulso se abriu com um estalo  um painel retangular em sua 
pele. Debaixo dela, engrenagens de bronze zuniam. Fios brilhavam. 
Isso  incrvel! disse Rachel. 
Isso  estranho, falei. 
Voc achou um jeito de transferir seu animus para uma mquina? disse Annabeth. 
Isso... no  normal. 
Ah, eu asseguro a voc, minha querida, ainda sou eu. Ainda sou o Ddalo. Nossa me, 
Atena, faz questo de que eu nunca me esquea disso. Ele puxou a gola da sua 
camiseta. Na base de seu pescoo havia a marca que eu j tinha visto antes  o desenho 
de um pssaro negro tatuado em sua pele. 
O estigma do assassino, disse Annabeth. 
Por seu sobrinho, Perdix, adivinhei. O garoto que voc empurrou da torre. 
O rosto de Quintus escureceu. Eu no o empurrei. Eu s  
Fez com que ele perdesse o equilbrio, eu disse. Voc o deixou morrer. 



Quintus contemplou as montanhas prpuras pela janela. Eu me arrependo do que eu 
fiz, Percy. Eu estava com raiva e amargo. Mas eu no posso desfazer isso, e Atena 
nunca me deixa esquecer. Assim que Perdix morreu, ela o transformou em um pequeno 
pssaro  uma perdiz. Ela tatuou o formato do pssaro no meu pescoo como um 
lembrete. No importa qual corpo eu tome, a marca surge em minha pele. 
Eu olhei para seus olhos, e percebi que ele era o mesmo homem que eu vira em meus 
sonhos. Seu rosto estava completamente diferente, mas a mesma alma estava l  a 
mesma inteligncia e toda a tristeza. 
Voc  mesmo Ddalo, decidi. Mas por que voc foi para o acampamento? Por que 
nos espionar? 
Para ver se o seu acampamento valia a pena ser salvo. Luke me contou uma verso da 
histria. Preferi tirar minhas prprias concluses. 
Ento voc conversou com Luke. 
Ah, sim. Vrias vezes. Ele  bastante persuasivo. 
Mas agora voc viu o acampamento! Annabeth persistiu. E voc sabe que ns 
precisamos da sua ajuda. Voc no pode deixar Luke passar pelo Labirinto! 
Ddalo apoiou sua espada sobre a bancada. O Labirinto no  mais meu para que eu o 
controle, Annabeth. Eu o criei, sim. De fato, ele est ligado  minha fora vital. Mas eu 
permiti que ele vivesse e crescesse por ele mesmo. Esse  o preo que pago por 
privacidade. 
Privacidade de qu? 
Dos deuses, ele disse. E da morte. Eu tenho vivido por dois milnios, minha querida, 
me escondendo da morte. 
Mas como voc consegue se esconder de Hades? perguntei. Quero dizer... Hades tem 
as Frias. 
Elas no sabem tudo, ele disse. Ou veem tudo. Voc as enfrentou, Percy. Voc sabe 
que  verdade. Um homem esperto pode se esconder por muito tempo, e eu me entoquei 
muito fundo. S o meu maior inimigo ainda me persegue, e mesmo ele eu impedi. 
Voc quer dizer Minos, falei. 
Ddalo assentiu. Ele me caou incansavelmente. Agora que ele  um juiz dos mortos, 
ele adoraria mais do que tudo ter a mim na sua frente, para poder me punir por meus 
crimes. Depois que as filhas de Ccalo o mataram, o fantasma de Minos comeou a me 
torturar em meus sonhos. Ele prometeu que me caaria. Fiz a nica coisa que podia. Eu 
me retirei do mundo completamente. Eu desci para o meu Labirinto. Eu decidi que essa 
seria minha ltima realizao: eu enganaria a morte. 
E voc enganou, Annabeth maravilhou-se, por dois mil anos. Ela parecia meio 
impressionada, apesar das coisas horrveis que Ddalo tinha feito. 
Foi a que um latido alto ecoou do corredor. Eu ouvia os ba-BUMP, ba-BUMP, ba-
BUMP de grandes patas, e a Sra OLeary entrou na oficina. Ela lambeu meu rosto uma 
vez, e depois quase nocauteou Ddalo com um salto entusiasmado. 
A est minha velha amiga! Ddalo disse, acariciando a Sra OLeary atrs das 
orelhas. Minha nica companhia por esses longos anos solitrios. 
Voc a deixou me salvar, eu disse. Aquele apito realmente funcionou. 
Ddalo assentiu. Claro que funcionou, Percy. Voc tem um bom corao. E eu sabia 
que a Sra OLeary gostava de voc. Eu queria te ajudar. Talvez eu  eu me sentisse 
culpado tambm. 
Culpado pelo qu? 
Essa sua pergunta seria em vo. 
O qu? disse Annabeth. Mas voc ainda pode nos ajudar. Voc tem que nos ajudar! 
D para ns o fio de Ariadne, ento Luke no o pegar. 



Sim... o fio. Eu disse ao Luke que os olhos de uma mortal vidente so os melhores 
guias, mas ele no acreditou em mim. Ele estava to focado na ideia de um item 
mgico. E o fio funciona. No  to preciso quanto a sua amiga aqui, talvez. Mas  bom 

o suficiente. Bom o suficiente. 
Onde ele est? Annabeth falou. 
Com Luke, disse Ddalo tristemente. Me desculpe, minha querida. Mas vocs esto 
atrasados vrias horas. 
Com um calafrio percebi que Luke estava de muito bom humor na arena. Ele j havia 
pegado o fio de Ddalo. Seu nico obstculo fora a arena principal, e eu tinha dado 
conta dela por ele matando Antaeus. 
Cronos me prometeu liberdade, Quintus disse. Uma vez que Hades for derrubado, 
ele me entregaria o Mundo Inferior. Eu reclamarei meu filho caro. Eu farei o certo com 
o pobre jovem Perdix. Eu verei a alma de Minos atirada no Trtaro, onde no poder 
mais me incomodar. E eu no terei mais que fugir da morte. 
Essa  sua ideia brilhante? Annabeth gritou. Voc deixar Luke destruir o 
acampamento, matar centenas de semideuses, e depois atacar o Olimpo? Voc trar o 
mundo todo abaixo s pra conseguir o que quer? 
Sua causa est perdida, minha querida. Eu vi isso assim que comecei a trabalhar no seu 
acampamento. No tem como voc deter a fora de Cronos. 
Isso no  verdade! disse Annabeth chorando. 
Estou fazendo o que devo fazer, minha querida. A oferta era muito boa para recusar. 
Me desculpe. 
Annabeth empurrou um dos cavaletes. Desenhos arquitetnicos se espalharam pelo 
cho. Eu costumava admirar voc. Voc era o meu heri! Voc  voc construiu 
coisas incrveis. Voc resolveu problemas. Agora... eu no sei o que voc . Filhos de 
Atena deveriam ser sensatos, no somente inteligentes. Talvez voc seja s uma 
mquina. Voc deveria ter morrido h dois mil anos atrs. 
Ao invs de se irritar, Ddalo inclinou sua cabea. Voc deveria avisar seu 
acampamento. Agora que Luke tem o fio  
De repente a Sra OLeary ergueu suas orelhas. 
Tem algum vindo! Rachel avisou. 
As portas da oficina foram abertas, e Nico foi jogado para frente, suas mos 
acorrentadas. Ento Kelli e dois Lestriges marcharam logo atrs dele, seguidos pelo 
fantasma de Minos. Ele parecia quase slido agora  um plido rei barbado com olhos 
frios e filamentos de Nvoa em volta de suas roupas. 
Ele fixou seu olhar em Ddalo. A esta voc, meu velho amigo. 
Ddalo cerrou a mandbula. Ele olhou para Kelli. O que significa isso? 
Luke mandou seus cumprimentos, disse Kelli. Ele achou que voc gostaria de ver 
seu antigo empregador Minos. 
Isto no fazia parte do nosso acordo, Ddalo disse. 
Isso no importa, Kelli disse. Mas ns j temos o que queremos de voc, e agora 
temos outros acordos para honrar. Minos pediu algo mais de ns, em troca de entregar 
este jovem semideus. Ela correu um dedo sob o queixo de Nico. Ele ser bem til. E 
tudo o que Minos pediu em troca foi a sua cabea, velho. 
Ddalo empalideceu. Traio. 
Acostume-se com isso, Kelli disse. 
Nico, eu disse. Voc est bem? 
Nico assentiu sombriamente. Eu  eu sinto muito, Percy. Minos me disse que voc 
estava em perigo. Ele me convenceu a retornar para o labirinto. 
Voc estava tentando nos ajudar? 

Eu fui enganado, ele disse. Ele enganou a todos ns. 
Eu olhei para Kelli. Cad o Luke? Por que ele no est aqui? 
A demnio sorriu para mim como se estivesse dividindo uma piada particular. Luke 
est... ocupado. Est se preparando para o ataque. Mas no se preocupe. Temos mais 
amigos a caminho. E nesse meio tempo, acho que terei um lanche maravilhoso! Suas 
mos se tornaram garras. Seu cabelo ficou em chamas e suas pernas na sua forma real 

 uma perna de burro, e outra de bronze. 
Percy, sussurrou Rachel, as asas. Voc acha que  
Pegue-as, eu disse. Tentarei te arrumar um tempo. 
E com isso, todo o Hades veio a tona. Annabeth e eu atacamos Kelli. Os gigantes foram 
direto na direo de Ddalo, mas a Sra OLeary pulou para defend-lo. Nico foi 
empurrado para o cho e lutou com suas correntes enquanto o esprito de Minos se 
lamuriava, Mate o inventor! Mate-o! 
Rachel pegou as asas da parede. Ningum prestou qualquer ateno nela. Kelli golpeou 
Annabeth. Eu tentei alcan-la, mas o demnio era rpido e mortal. Ela derrubou mesas, 
quebrou invenes, e no nos deixava nos aproximar. Pelo canto do olho, eu vi a Sra 
OLeary cravar suas presas no brao de um gigante. Ele gritou de dor e a girou, 
tentando sacudi-la. Ddalo pegou sua espada, mas o segundo gigante esmagou a 
escrivaninha com um soco e a espada saiu voando. Uma jarra de Fogo Grego caiu no 
cho, chamas verdes se espalharam rapidamente. 
Para mim! Minos gritou. Espritos da morte! Ele ergueu suas mos fantasmagricas 
e o ar comeou a zunir. 
No! Nico gritou. Ele estava em p agora. Ele de algum jeito conseguiu retirar suas 
algemas. 
Voc no me controla, jovem tolo, Minos caoou. Todo este tempo, eu tenho 
controlando voc! Uma alma por outra alma, sim. Mas no ser sua irm que voltar 
dos mortos. Serei eu, assim que eu matar o inventor! 
Espritos comearam a aparecer ao redor de Minos  formas tremulantes que 
lentamente se multiplicaram, solidificando-se em soldados de Creta. 
Eu sou o filho de Hades, Nico insistiu. V embora! 
Minos riu. Voc no tem nenhum poder sobre mim. Eu sou o senhor dos espritos! O 
rei fantasma! 
No. Nico sacou sua espada. Eu sou. 
Ele fincou sua lmina negra no cho, e ela deslizou pela rocha como manteiga. 
Nunca! Minos comeou a sumir. Eu no vou  
O cho tremeu. As janelas bateram e se partiram em pedaos, deixando uma exploso 
de ar fresco. Uma fissura se abriu no cho da oficina, e Minos e todos os seus espritos 
foram sugados para o vcuo com um lamento horrvel. 
As ms noticias: a luta continuava ao nosso redor, e eu me deixei distrair. Kelli me 
atacou to rpido que no tive tempo de me defender. Minha espada escorregou para 
longe e eu bati minha cabea com fora em uma bancada quando ca. Minha viso 
embaou. Eu no conseguia levantar os braos. 
Kelli gargalhou. Seu gosto deve ser incrvel! 
Ela mostrou suas presas. Ento de repente seu corpo enrijeceu. Ela arregalou seus olhos 
vermelhos. Ela ofegou. Sem... Esprito... Escolar.... 
E Annabeth tirou sua faca das costas da empousa. Com um grito horrvel, Kelli se 
dissolveu em vapor dourado. 
Annabeth me ajudou a levantar. Ainda me sentia tonto, mas no tnhamos tempo a 
perder. A Sra OLeary e Ddalo ainda estavam lutando com os gigantes, e eu podia 
ouvir gritos nos tneis. Mais monstros estavam chegando na oficina. 

Temos que ajudar Ddalo! eu disse. 
No temos tempo, Rachel disse. Muitos esto vindo! 
Ela j tinha ajustado as asas em si mesma e estava fazendo o mesmo com Nico, que 
parecia plido e suado por causa de sua luta com Minos. As asas se prenderam 
imediatamente s suas costas e braos. 
Agora voc! ela disse para mim. 
Em segundos, Rachel, Annabeth, Nico e eu tnhamos ajustado em ns asas acobreadas. 
Eu j podia sentir meu corpo sendo levado pelo vento atravs das janelas. O Fogo 
Grego estava queimando as mesas e os mveis, subindo pela escada em espiral. 
Ddalo! gritei. Venha! 
Ele estava ferido em centenas de lugares  mas ele estava sangrando leo dourado ao 
invs de sangue. Ele tinha encontrado sua espada e estava usando parte de uma mesa 
esmagada como escudo contra os gigantes. Eu no vou deixar a Sra OLeary! ele 
disse. Vo! 
No havia tempo para discutir. Mesmo que ficssemos, eu no tinha certeza se 
poderamos ajudar. 
Nenhum de ns sabe como voar! Nico protestou. 
tima hora para se aprender, falei. 
E juntos, ns quatro pulamos pela janela direto para o cu aberto. 




DEZESSEIS 



EU ABRO UM CAIXO 

Pular de uma janela a mais de trinta metros acima do cho normalmente no  minha 
ideia de diverso. Especialmente quando estou usando asas de bronze e batendo meus 
braos como um pato. 

Eu mergulhei em direo ao vale e s pedras vermelhas abaixo. Eu tinha certeza que iria 
virar uma mancha de graxa no Jardim dos Deuses, quando Annabeth gritou de algum 
lugar acima de mim, Estique seus braos! Mantenha-os estendidos. 
A pequena parte do meu crebro que no estava engolida pelo pnico a escutou e meus 
braos responderam. Assim que eu os estiquei, as asas endureceram, pegaram o vento, e 
minha descida desacelerou. Eu planei para baixo, mas num ngulo controlado, como 
uma pipa mergulhando. 
Experimentalmente, bati minhas asas uma vez. Fiz arcos no cu, o vento assoviando no 
meu ouvido. 
! gritei. A sensao era inacreditvel. Depois de pegar o jeito delas, eu senti como se 
as asas fossem parte do meu corpo. Eu podia planar e girar e mergulhar do jeito que eu 
quisesse. 
Eu virei e vi meus amigos  Rachel, Annabeth e Nico  espiralando acima de mim, 
brilhando na luz do sol. Atrs deles, a fumaa ondeava pela janela da oficina de Ddalo. 
Aterrissem! Annabeth gritou. Essas asas no vo durar para sempre. 
Quanto tempo? Rachel perguntou. 
Eu no quero descobrir! Annabeth disse 
Ns arremetemos para baixo em direo ao Jardim dos Deuses. Eu fiz um crculo 
completo em volta de uma das agulhas rochosas e assustei um casal de alpinistas. Ento 
ns quatro planamos ao longo do vale, sobre a estrada, e aterrissamos sobre o terrao do 
centro de visitantes. Estava no fim da tarde, e o lugar parecia bem vazio, mas ns 
desatamos nossas asas o mais rpido que pudemos. Olhando para elas pude ver que 
Annabeth estava certa. As faixas autoadesivas que prendiam as asas nas nossas costas j 
estavam derretendo, e ns estvamos perdendo penas de bronze. Parecia um 
desperdcio, mas no podamos consert-las e no podamos deix-la por ali perto dos 
mortais, ento ns enfiamos as asas nos cestos de lixo fora da cafeteria. 
Eu usei o binculo de turista para olhar para a colina onde a oficina de Ddalo estivera, 
mas ela tinha desaparecido. Sem mais fumaa. Sem janelas quebradas. Apenas um lado 
de uma colina. 
A oficina se mudou, Annabeth adivinhou. E no temos como saber pra onde. 
Ento, o que vamos fazer agora? perguntei. Como voltamos para o labirinto? 
Annabeth olhou fixamente para o Pikes Peak  distancia. Talvez no possamos. Se 
Ddalo morreu... ele disse que sua fora vital estava ligada ao labirinto. A coisa toda 
pode ter sido destruda. Talvez isso pare a invaso de Luke. 
Eu pensei sobre Grover e Tyson, ainda l em baixo em algum lugar. E Ddalo mesmo 
ele tendo feito algumas coisas terrveis e colocado todo mundo que eu gosto em risco, 
parecia uma terrvel maneira de morrer. 
No, disse Nico. Ele no morreu. 
Como voc pode ter certeza? perguntei. 


Eu sei quando as pessoas morrem.  uma sensao que tenho, como um zumbido no 
meu ouvido. 
E sobre Tyson e Grover, ento? 
Nico balanou a cabea. Isso  mais difcil. Eles no so humanos ou meio-sangues. 
Eles no tm almas mortais. 
Ns temos que ir para a cidade, Annabeth decidiu. Nossas chances de encontrar uma 
entrada para o labirinto sero maiores. Temos que voltar para o acampamento antes de 
Luke e seu exrcito. 
Ns poderamos apenas pegar um avio, Rachel disse. 
Estremeci. Eu no voo. 
Mas voc acabou de voar. 
Aquilo foi um voo baixo, eu disse, e mesmo assim foi arriscado. Voar realmente alto 


 esse  o territrio de Zeus. Eu no posso fazer isso. Alm do que, ns no temos 
tempo para um voo. O labirinto  o jeito mais rpido de voltar. 
Eu no queria dizer, mas eu estava esperando que talvez, apenas talvez, nos 
encontrssemos Grover e Tyson ao longo do caminho 
Ento ns precisamos de um carro para nos levar de volta a cidade, Annabeth disse. 
Rachel olhou para o estacionamento. Fez uma careta, como se ela estivesse a ponto de 
fazer algo de que se arrependeria. Eu vou cuidar disso. 
Como? Annabeth questionou. 
Apenas confie em mim. 
Annabeth parecia inquieta, mas assentiu. Ok, eu vou comprar um prisma na loja de 
presente, tentar fazer um arco-ris, e enviar uma mensagem de ris para o 
acampamento. 
Eu vou com voc, Nico disse. Estou faminto. 
Eu vou ficar com Rachel ento, eu disse. Encontro vocs no estacionamento. 
Rachel franziu as sobrancelhas como se no me quisesse com ela. Isso me fez sentir um 
pouco mal, mas eu a segui para o estacionamento mesmo assim. 
Ela se dirigiu para um carro preto grande estacionado no canto do estacionamento. Era 
um Lexus com motorista, como o tipo que eu sempre via andando ao redor de 
Manhattan. O motorista estava na frente, lendo um jornal. Ele usava um terno preto e 
gravata. 
O que voc vai fazer? perguntei a Rachel. 
Apenas espere aqui, ela falou miseravelmente. Por favor. 
Rachel marchou direto para o motorista e falou com ele. Ele franziu a testa. Rachel 
disse mais alguma coisa. Ele ficou plido e apressadamente dobrou seu jornal. Ele 
assentiu e procurou por seu celular. Depois de uma breve chamada, ele abriu a porta 
traseira do carro para Rachel entrar. Ela apontou na minha direo, e o motorista 
balanou sua cabea um pouco mais, como Sim, senhorita. Qualquer coisa que quiser. 
Eu no podia imaginar porque ele estava agindo to perturbado. 
Rachel voltou para me pegar bem quando Annabeth e Nico apareceram de volta da loja 
de presentes. 
Eu falei com Quron, Annabeth disse. Eles esto fazendo o seu melhor para se 
preparar para a batalha, mas ele ainda nos quer de volta. Eles vo precisar de todos os 
heris que possam ter. Ns encontramos uma carona? 
O motorista estar pronto quando ns estivermos, Rachel disse. 
O motorista estava agora falando com outro cara em calas caqui e camisa plo, 
provavelmente o cliente que tinha alugado o carro. O cliente estava reclamando, mas eu 
podia ouvir o motorista dizer, Sinto muito, senhor. Emergncia. Eu requisitei outro 
carro para o senhor. 

Vamos, Rachel disse. Ela nos conduziu para o carro e entrou sem nem mesmo olhar o 
homem perturbado que o alugara. Um minuto mais tarde ns estvamos cruzando a 
estrada. Os assentos eram de couro. Tinham espao de sobra para as pernas. O banco 
traseiro tinha televises de tela plana acopladas ao encosto de cabea e um frigobar, 
estocado com garrafas de gua, refrigerantes, e petiscos. Ns comeamos a escolher. 
Para onde, Srta. Dare? o motorista perguntou. 
No tenho certeza ainda, Robert, ela disse. Ns s precisamos dirigir pela cidade e, 
h, olhar ao redor. 
Qualquer coisa que voc disser, senhorita. 
Eu olhei para Rachel. Voc conhece esse cara? 
No. 
 Mas ele largou tudo para ajud-la. Por qu? 
Apenas mantenha seus olhos abertos, ela disse. Me ajude a olhar. 
O que no respondeu exatamente a minha pergunta. 
Ns dirigimos atravs do Colorado Springs por uma meia hora e no vimos nada que 
Rachel considerasse uma possvel entrada do labirinto. Eu estava muito ciente do ombro 
de Rachel pressionado contra o meu. Eu continuei me perguntando quem ela era 
exatamente, e como ela podia ir at um chofer ao acaso e imediatamente conseguir uma 
carona. 
Aps aproximadamente uma hora ns decidimos dirigir para o norte atravs de Denver, 
pensando que talvez uma cidade maior tivesse mais chance de ter uma entrada do 
labirinto, mas estvamos todos ficando nervosos. Estvamos perdendo tempo. 
Ento, bem quando estvamos saindo do Colorado Springs, Rachel deu um pulo. Saia 
da estrada! 
O motorista olhou de relance para trs. Senhorita? 
Eu vi algo, acho. Saia daqui. 
O motorista desviou pelo trnsito e pegou a sada. 
O que voc viu? perguntei, porque estvamos bem fora da cidade agora. No havia 
nada ao redor exceto colinas, pastagens, e algumas propriedades agrcolas dispersas. 
Rachel fez o motorista virar para esta estrada de terra pouco promissora. Ns passamos 
por uma placa rpido demais para que eu conseguisse ler, mas Rachel disse, Museu 
Ocidental de Minerao & Indstria. 
Para um museu, aquilo no parecia grande coisa  uma pequena casa como uma antiga 
estao rodoviria, algumas brocas e bombas e ps velhas em exposio l fora. 
L. Rachel apontou para um buraco ao lado de uma colina prxima  um tnel 
tapado e com correntes. Uma antiga entrada de mina. 
Uma entrada para o labirinto? Annabeth perguntou. Como voc pode ter certeza? 
Bem, olhe para isso! Rachel disse. Quero dizer... eu posso ver que , ok? 
Ela agradeceu ao motorista e ns todos samos. Ele no pediu por dinheiro nem nada. 
Voc tem certeza que ficar bem, Srta. Dare? Eu ficaria feliz em ligar para o seu  
No! Rachel disse. No, srio. Obrigada, Robert. Mas ns estamos bem. 
O museu parecia estar fechado, ento ningum nos incomodou enquanto ns 
escalvamos a colina at o eixo da mina. Quando ns chegamos  entrada, eu vi a marca 
de Ddalo gravada no cadeado, mas como Rachel pode ter visto algo to minsculo l 
da estrada, eu no fazia ideia. Eu toquei o cadeado e as correntes caram. Ns chutamos 
algumas tbuas e entramos. Para melhor ou pior, ns estvamos de volta ao labirinto. 


*** 


Os tneis de terra viraram pedra. Eles fizeram curva e se bifurcaram, basicamente 
tentando nos confundir, mas Rachel no tinha problema em nos guiar. Ns falamos pra 
ela que precisvamos voltar para Nova York, e ela sequer parou quando os tneis 
ofereceram escolha. 
Para minha surpresa, Annabeth e Rachel comearam uma conversa enquanto 
andvamos. Annabeth perguntou a ela mais sobre sua vida, mas Rachel foi evasiva, 
ento elas comearam a conversar sobre arquitetura. Acontece que Rachel sabia alguma 
coisa sobre isso por estudar artes. Elas falaram sobre diferentes tipos de fachadas em 
edifcios de Nova York  Voc viu esse, bl bl bl, assim eu fui para trs e andei 
ao lado de Nico em um silncio desconfortvel. 
Obrigado por vir atrs de ns, eu falei para ele enfim. 
Os olhos de Nico se estreitaram. Ele no pareceu irritado como ele costumava  apenas 
desconfiado, cuidadoso. Eu devia a voc pelo rancho, Percy. Alm do que... eu queria 
ver Ddalo por mim mesmo. Minos estava certo por um lado. Ddalo devia morrer. 
Ningum deveria ser capaz de evitar a morte por tanto tempo. No  natural. 
Era disso que voc estava atrs o tempo todo, eu disse. Negociar a alma de Ddalo 
pela da sua irm. 
Nico andou mais uns cinquenta metros antes de responder. No tem sido fcil, sabe. 
Tendo apenas os mortos como companhia. Saber que eu nunca serei aceito pelos vivos. 
Apenas os mortos me respeitam, e eles s fazem isso por medo. 
Voc poderia ser aceito, eu disse. Voc poderia ter amigos no acampamento. 
Ele me fitou. Voc realmente acredita nisso, Percy? 
Eu no respondi. A verdade era, eu no sabia. Nico sempre foi um pouco diferente, mas 
desde a morte de Bianca, ele se tornou quase... assustador. Ele tinha os olhos de seu pai 


 aquele intenso, manaco fogo que fazia voc suspeitar que ele ou era um gnio ou um 
louco. E o jeito como ele banira Minos, e chamara a si mesmo de rei dos fantasmas  
foi meio que impressionante, mas me deixou desconfortvel tambm. 
Antes que eu pudesse imaginar o que falar pra ele, eu trombei com Rachel, que tinha 
parado na minha frente. Ns tnhamos chegado a uma encruzilhada. O tnel continuava 
a frente, mas tinha um tnel lateral virando para a direita  um eixo circular esculpido 
em rocha vulcnica. 
O que  isso? perguntei 
Rachel olhou fixamente para o tnel escuro abaixo. No opaco feixe da lanterna, seu 
rosto parecia com o de um dos espectros de Nico. 
 esse o caminho? Annabeth perguntou. 
No, Rachel disse nervosamente. Nem um pouco. 
Por que ns paramos ento? perguntei. 
Escutem, Nico disse. 
Eu ouvi o vento vindo pelo tnel, como se a sada estivesse prxima. E eu senti um 
cheiro de algo vagamente familiar  algo que me trouxe ms lembranas. 
Eucaliptos, falei. Como na Califrnia. 
No ltimo inverno, quando enfrentamos Luke e o tit Atlas no topo do Monte 
Talmapais, o ar tinha esse cheiro. 
Tem algo mau nesse tnel, Rachel disse. Algo muito poderoso. 
E o cheiro da morte, Nico adicionou, o que me fez sentir bem melhor. 
Annabeth e eu trocamos olhares 
A entrada de Luke, ela adivinhou. Para o monte tris  o palcio dos tits. 
Eu tenho que conferir, eu disse. 
Percy, no. 

Luke pode estar bem ali, falei. Ou... ou Cronos. Eu tenho que descobrir o que est 
acontecendo. 
Annabeth hesitou. Ento ns todos iremos. 
No, eu disse.  muito perigoso. Se eles descobrirem sobre Nico, ou Rachel, seria 
um problema. Cronos poderia us-los. Voc fica aqui e cuida deles. 
O que eu no disse: eu tambm estava preocupado sobre Annabeth. Eu no confiava no 
que ela faria se visse Luke de novo. Ele a enganara e manipulara vezes demais antes. 
Percy, no, Rachel disse. No v l sozinho. 
Serei rpido, prometi. No farei nada estpido. 
Annabeth tirou seu bon dos Yankees do seu bolso. Pelo menos leve isto. E tenha 
cuidado. 
Obrigado. Eu me lembrei da ltima vez que Annabeth e eu nos separamos, quando ela 
me dera um beijo de boa sorte no Monte Sta. Helena. Desta vez, tudo o que eu ganhei 
foi o bon. 
Eu o coloquei. Aqui vai o nada. E eu me esgueirei pelo escuro tnel de pedra. 


*** 

Antes mesmo de chegar  sada escutei vozes: o rosnado, o som de latidos dos demnios 
aquticos, os telequines. 
Pelo menos ns recuperamos a lmina, um disse. O mestre ainda ir nos 
recompensar. 
Sim! Sim! o segundo guinchou. Recompensas sem limites! 
Outra voz, esta mais humana, Hum, sim, bem, isso  timo. Agora se vocs j 
terminaram comigo  
No, meio-sangue! o telequine disse. Voc deve nos ajudar a fazer a apresentao.  
uma grande honra! 
Nossa, obrigado, o meio-sangue disse, e eu percebi que era Ethan Nakamura, o garoto 
que fugira depois de eu ter salvado sua vida infeliz na arena. 
Eu penetrei na direo do fim do tnel. Eu tinha que lembrar a mim mesmo que estava 
invisvel. Eles no deviam ser capazes de me ver. 
Uma corrente de ar frio me atingiu quando emergi. Eu estava parado prximo ao topo 
do monte Tam. O oceano pacfico se espalhava abaixo, cinza sob um cu nebuloso. 
Aproximadamente seis metros colina abaixo, dois telequines estavam colocando algo 
sobre uma grande rocha  algo longo e fino embrulhado em um pano preto. Ethan os 
ajudava a abrir. 
Cuidado, tolo, o telequine censurou. Um toque, e a lmina vai separar sua alma do 
seu corpo. 
Ethan engoliu em seco nervosamente. Talvez eu deixe voc desembrulhar isso ento. 
Eu olhei de relance para o pico de montanha, onde uma fortaleza de mrmore preto 
assomava, justamente como eu vira em meus sonhos. Ela me lembrava um mausolu 
desproporcional, com paredes com mais de quinze metros de altura. Eu no tinha ideia 
de como os mortais no percebiam que ela estava aqui. Mas ento, tudo abaixo do cume 
parecia distorcido pra mim, como se houvesse um vu grosso entre mim e a metade de 
baixo da montanha. Havia mgica acontecendo aqui  Nvoa realmente poderosa. 
Acima de mim, o cu rodopiava em uma nuvem enorme em forma de funil. Eu no 
podia ver Atlas, mas eu podia ouvi-lo gemer na distncia, ainda lutando sob o peso do 
cu, pouco alm da fortaleza. 
L! o telequine disse. Reverentemente, ele ergueu a arma, e meu sangue virou gelo. 


Era uma foice  uma lmina de dois metros de comprimento curva como uma lua 
crescente, com um punho de madeira envolvido em couro. A lmina tremeluzia em duas 
cores diferentes  ao e bronze. Era a arma de Cronos, a que ele usara para fatiar seu 
pai, Urano, antes dos deuses a tirarem dele e cortarem Cronos em pedaos, atirando-o 
no Trtaro. Agora a arma foi forjada novamente. 
Ns devemos consagr-la em sangue, o telequine disse. Ento voc, meio-sangue, 
ajudar a apresent-la quando o lorde acordar. 
Eu corri para a fortaleza, minha pulsao martelando nas minhas orelhas. Eu no queria 
chegar em qualquer lugar perto daquele mausolu preto horrvel, mas eu sabia o que eu 
tinha que fazer. Eu tinha que impedir Cronos de se erguer. Essa poderia ser minha nica 
chance. Eu me precipitei atravs de um ptio escuro e para dentro do salo principal. O 
assoalho brilhava como um mogno suave  preto puro e mesmo assim cheio de luz. 
Esttuas de mrmore pretas se alinhavam na parede. Eu no reconheci os rostos, mas eu 
sabia que estava olhando para as imagens dos tits que comandaram antes dos deuses. 
No final da sala, entre dois braseiros de bronze, havia um estrado. E sobre o estrado, o 
sarcfago dourado. 
O cmodo estava silencioso exceto pelo crepitar do fogo. Luke no estava aqui. 
Nenhum guarda. Nada. 
Estava muito fcil, mas eu me aproximei do estrado. 
O sarcfago era justamente como eu me lembrava  com mais ou menos trs metros de 
comprimento, muito grande para um humano. 
Fora esculpido com cenas elaboradas de morte e destruio, retratos dos deuses sendo 
atropelados por bigas, templos e os famosos pontos de referncia do mundo sendo 
esmagados e queimados. O caixo inteiro emanava uma urea extremamente fria, como 
se eu estivesse andando dentro de um freezer. Minha respirao comeou a fumegar. 
Eu saquei Contracorrente e senti conforto com o peso familiar da espada em minha 
mo. 
Todas as vezes em que eu me aproximara de Cronos antes, sua voz maligna havia falado 
em minha mente. Por que ele estava silencioso agora? Ele tinha sido retalhado em mil 
pedaos, cortado com sua prpria foice. O que eu encontraria se abrisse essa tampa? 
Como eles podiam fazer um corpo novo para ele? 
Eu no tinha respostas. Eu apenas sabia que, se ele estava a ponto de se erguer, eu tinha 
que atac-lo antes que ele pegasse sua foice. Eu tinha que pensar numa maneira de 
impedi-lo. Eu parei ao lado do caixo. A tampa era decorada mais intricadamente do 
que as laterais  com cenas de carnificina e poder. No meio estava uma inscrio 
entalhada em letras mais antigas que o grego, uma lngua de magia. Eu no pude ler, 
exatamente, mas eu sabia o que estava escrito: CRONOS, SENHOR DO TEMPO. 
Minha mo tocou a tampa. As pontas dos meus dedos ficaram azuis. Gelo envolveu a 
minha espada. 
Ento eu ouvi barulhos atrs de mim  vozes se aproximando. Era agora ou nunca. 
Eu empurrei a tampa dourada e ela caiu no cho com um enorme WHOOOOM! Ergui 
minha espada, pronto para golpear. Mas quando eu olhei para dentro, no compreendi o 
que eu estava vendo. Pernas mortais, vestidas em calas cinza. Uma camiseta branca, 
mos dobradas sobre seu estmago. Faltava um pedao do seu peito  um limpo 
buraco negro do tamanho de uma ferida de bala, bem onde seu corao devia estar. Seus 
olhos estavam fechados. Sua pele estava plida. Cabelo louro e uma cicatriz que 
atravessava o lado esquerdo de seu rosto. 
O corpo no caixo era Luke. 

**** 


Eu devia t-lo apunhalado bem ali. Eu devia ter baixado a ponta de Contracorrente com 
toda minha fora. 
Mas eu estava muito chocado. Eu no entendia. Por mais que eu odiasse Luke, por mais 
que ele tivesse me trado, eu apenas no entendia porque ele estava no sarcfago, e 
porque ele parecia muito, muito morto. 
Ento as vozes dos telequines estavam bem atrs de mim. O que aconteceu! um dos 
demnios gritou quando viu a tampa. Eu tropecei para longe do estrado, esquecendo que 
estava invisvel, e me escondi atrs de uma coluna quando eles se aproximaram. 
Cuidado! o outro demnio advertiu. Talvez ele se mexa. Ns devemos apresentar os 
presentes agora. Imediatamente! 
Os dois telequines se arrastaram para frente e se ajoelharam, levantando a foice em seu 
embrulho. Meu senhor, um disse. Seu smbolo de poder foi refeito. Silncio. Nada 
aconteceu no caixo. 
Seu idiota, o outro telequine murmurou. Ele exige o meio-sangue primeiro. 
Ethan deu um passo pra trs. Opa, o que vocs querem dizer, ele me exige? 
No seja um covarde! o primeiro telequine silvou. Ele no exige a sua morte. Apenas 
sua submisso. Prometa a ele o seu servio. Renuncie aos deuses. Isso  tudo. 
No! gritei. Isso era uma coisa estpida de se fazer, mas eu entrei pelo cmodo e tirei 

o bon. Ethan, no! 
Invasor! Os telequines revelaram seus dentes de foca. O mestre ir lidar com voc 
logo. Depressa, menino! 
Ethan, eu pedi, no os escute. Me ajude a destru-lo. 
Ethan se virou para mim, seu tapa-olho se misturando com as sombras em seu rosto. 
Sua expresso era algo como piedade. Eu disse para no me poupar, Percy. Olho por 
olho, voc j ouviu esse ditado? Eu aprendi o que isso quer dizer do jeito difcil  
quando eu descobri meu parente divino. Eu sou filho de Nmesis, deusa da vingana. E 
foi para isso que eu fui feito. 
Ele se virou para o estrado. Eu renuncio aos deuses! O que eles j fizeram por mim? 
Eu os verei serem destrudos. Eu servirei Cronos. 
O prdio ribombou. Uma faixa de luz azul surgiu do assoalho aos ps de Ethan 
Nakamura. Ela vagou para o caixo e comeou a tremeluzir, como uma nuvem de 
energia pura. Ento ele desceu at o sarcfago. 
Luke se sentou ereto. Seus olhos se abriram, e eles no eram mais azuis. Eram 
dourados, da mesma cor que o caixo. O furo em seu peito no estava mais l. Ele 
estava completo. Ele pulou para fora do caixo facilmente, e onde seus ps tocaram o 
cho, o mrmore congelou como crateras de gelo. Ele olhou Ethan e os telequines com 
aqueles horrveis olhos dourados, como se ele fosse um beb recm-nascido, incerto 
sobre o que via. Ento olhou para mim, e um sorriso de reconhecimento se alastrou pela 
sua boca. 
Esse corpo foi bem preparado. Sua voz era como uma navalha passando sobre minha 
pele. Era Luke, mas no Luke. Debaixo de sua voz estava um outro som mais horrvel 
 um antigo, frio som como metal raspando contra rocha. Voc no pensa assim, 
Percy Jackson? 
Eu no podia me mover. Eu no podia responder. 
Cronos jogou sua cabea para trs e gargalhou. A cicatriz em seu rosto ondulou. 
Luke o temia, a voz do tit disse. Seu orgulho e dio foram ferramentas poderosas. 
Mantiveram-no obediente. Por isso eu te agradeo. 

Ethan desmoronou aterrorizado. Ele cobriu seu rosto com as mos. Os telequines 
tremeram, levantando a foice. 
Finalmente eu encontrei coragem. Eu investi contra a coisa que costumava ser Luke, 
mirando minha lmina direto em seu peito, mas sua pele desviou o golpe como se fosse 
feita de ao puro. Ele me olhou com divertimento. Ento ele agitou sua mo, e eu voei 
atravs do cmodo, batendo de encontro a uma coluna. Eu me esforcei para ficar em p, 
piscando as estrelas para fora dos meus olhos, mas Cronos j tinha agarrado o punho da 
sua foice. 
Ah muito melhor, ele disse. Mordecostas, foi como Luke a chamou. Um nome 
apropriado. Agora que ela foi forjada novamente, ela de fato ir morder de novo. 
O que voc fez com Luke? Eu gemi. 
Cronos ergueu sua foice. Ele me serve com todo o seu ser, como eu exigi. A diferena 
, ele temia voc, Percy Jackson. Eu no. 
Ento foi quando eu corri. No houve nenhum pensamento sobre isso. Nenhum debate 
em minha mente sobre  nossa, ser que eu devo ficar e lutar de novo? No, eu 
simplesmente corri. 
Mas meus ps pareciam chumbo. O tempo desacelerou em torno de mim, como se o 
mundo estivesse virando gelatina. Eu tinha sentido isso uma vez antes, e eu sabia que 
era o poder de Cronos. Sua presena era to forte que podia dobrar o prprio tempo. 
Corra, pequeno heri, ele gargalhou. Corra! 
Eu olhei de relance para trs e o vi se aproximar bem devagar, balanando sua foice 
como se estivesse adorando senti-la em suas mos novamente. Nenhuma arma no 
mundo poderia par-lo. Nenhuma quantidade de bronze celestial. 
Ele estava a trs metros de distncia quando ouvi. PERCY! 
A voz de Rachel. 
Algo voou por mim, e uma escova de plstico azul atingiu Cronos no olho. 
Ow! ele gritou. Por um momento foi somente a voz de Luke, cheia de surpresa e dor. 
Meus membros ficaram livres e eu corri direto para Rachel, Nico, e Annabeth, que 
estavam parados no salo de entrada, seus olhos cheios de receio. Luke? Annabeth 
chamou. O que  
Eu a agarrei pela camisa e a arrastei atrs de mim. Eu corri como eu nunca havia corrido 
antes, direto para fora da fortaleza. Ns estvamos quase de volta  entrada do labirinto 
quando ouvi o berro da mais alta voz do mundo  a voz de Cronos, voltando ao 
controle. ATRS DELES! 
No! Nico gritou. Ele juntou suas mos com fora, e um pedao denteado de rocha do 
tamanho de um caminho de oito rodas irrompeu do cho bem na frente da fortaleza. O 
tremor que isso causou foi to poderoso que as colunas dianteiras do edifcio vieram 
abaixo. Eu ouvi gritos abafados dos telequines l dentro. Poeira ondeava por toda parte. 
Ns mergulhamos no labirinto e continuamos correndo, o uivo do senhor tit sacudindo 

o mundo inteiro atrs de ns. 

DEZESSETE 



O DEUS DESAPARECIDO FALA 

Ns corremos at ficarmos exaustos. Rachel nos desviou de armadilhas, mas no 
tnhamos um destino em mente  apenas para longe daquela montanha negra e do 
rugido de Cronos. 
Ns paramos em um tnel de rocha branca mida, como se fosse parte de uma caverna 
natural. Eu no ouvia nada atrs de ns, mas eu no me senti nem um pouco mais 
seguro. Eu ainda podia me lembrar daqueles anormais olhos dourados me encarando no 
rosto de Luke, e da sensao de que meus membros estavam lentamente se 
transformando em pedra. 
Eu no posso ir mais longe, Rachel arfou, apertando seu peito. 
Annabeth chorou o tempo todo enquanto estivemos correndo. Agora ela desmoronou e 
ps a cabea entre os joelhos. Seus soluos ecoavam no tnel. 
Nico e eu sentamos perto um do outro. Ele soltou sua espada perto da minha e respirou 
vacilante. 
Que droga, ele disse, o que eu achei que resumia as coisas muito bem. 
Voc salvou nossas vidas, falei. 
Nico limpou a sujeira do rosto. Culpe as garotas por me arrastarem. Foi a nica coisa 
em que elas concordaram. Ns tnhamos que ajudar ou voc ia bagunar as coisas. 
Que bom que elas cofiam tanto em mim, eu iluminei a caverna com a minha lanterna. 
gua escorria das estalactites como uma chuva em cmera lenta. Nico... voc, h, meio 
que se entregou. 
O que voc quer dizer?. 
Aquela parede de pedra negra? Foi realmente impressionante. Se Cronos no sabia 
quem voc era antes, agora ele sabe  um filho do Mundo Inferior. 
Nico franziu as sobrancelhas. Grande coisa. 
Deixei cair a lanterna. Imaginei que ele estava apenas tentando esconder o quanto ele 
estava assustado, e eu no podia culp-lo. 
Annabeth levantou a cabea. Seus olhos estavam vermelhos de chorar. O que... o que 
havia de errado com Luke? O que fizeram com ele? 
Contei a ela o que eu vira no caixo, o modo como o ltimo pedao do esprito de 
Cronos entrou no corpo de Luke quando Ethan Nakamura se comprometeu em servi-lo. 
No, Annabeth disse. Isso no pode ser verdade. Ele no poderia  
Ele se entregou a Cronos, falei. Sinto muito, Annabeth. Mas Luke se foi. 
No! ela insistiu. Voc viu quando Rachel o acertou. 
Assenti, olhando Rachel com respeito. Voc acertou o Senhor dos Tits no olho com 
uma escova de cabelo de plstico azul. 
Rachel parecia embaraada. Era a nica coisa que eu tinha. 
Mas vocs viram, Annabeth insistiu. Quando a escova o acertou, por apenas um 
segundo, ele ficou atordoado. Ele recuperou os sentidos. 
Ento Cronos no havia se estabelecido no corpo, ou o que seja, eu disse. Isso no 
significa que Luke estava no controle. 
Voc quer que ele seja mau,  isso? Annabeth gritou. Voc no o conheceu antes, 
Percy. Eu conheci! 
Qual  o seu problema? rebati. Por que voc ainda o defende? 



Opa, vocs dois, Rachel disse. Parem com isso! 
Annabeth se virou para ela. Fique fora disso, garota mortal! Se no fosse por voc... 
O que quer que ela fosse dizer, sua voz quebrou. Ela abaixou a cabea e soluou 
miseravelmente. Eu queria confort-la, mas no sabia como. Eu ainda me sentia 
atordoado, como se o efeito cmera lenta de Cronos tivesse afetado meu crebro. Eu 
apenas no conseguia compreender o que eu vira. Cronos estava vivo. E o fim do 
mundo provavelmente estava bem prximo. 
Temos que ir andando, disse Nico. Ele vai mandar monstros atrs de ns. 
Ningum estava em forma para correr, mas Nico estava certo. Eu me ergui com 
dificuldade e ajudei Rachel a se levantar. 
Voc fez bem l atrs, eu disse a ela. 
Ela esboou um fraco sorriso. , bem. Eu no queria que voc morresse. Ela corou. 
Quero dizer... s por que, voc sabe. Voc me deve um monte de favores. Como eu 
vou cobrar se voc morrer? 
Eu me ajoelhei perto de Annabeth. Ei, sinto muito. Temos que ir. 
Eu sei, ela disse. Eu estou... eu estou bem. 
Ela claramente no estava bem. Mas ela ficou de p, e comeamos a nos afastar pelo 
Labirinto de novo. 
De volta a Nova York, eu disse. Rachel, voc pode  
Eu congelei. Alguns metros a nossa frente, minha lanterna encontrou um pedao de 
tecido vermelho pisoteado e deixado no cho. Era um bon Rasta: o que Grover sempre 
usava. 


*** 

Minhas mos tremiam quando peguei o bon. Parecia ter sido pisoteado por uma bota 
enlameada gigantesca. Depois de tudo que tinha acontecido hoje, eu no podia suportar 
a ideia de que algo pudesse ter acontecido com Grover tambm. 
Ento eu notei outra coisa. O cho da caverna estava lamacento e mido por causa da 
gua que caa das estalactites. Havia pegadas enormes como as de Tyson, e outras 
menores  cascos de bode  indo pela esquerda. 
Ns temos que segui-los, eu disse. Eles foram por aquele caminho. Isto deve ser 
recente. 
E quanto ao Acampamento Meio-Sangue? Nico falou. No h tempo. 
Ns temos que ach-los, Annabeth insistiu. Eles so nossos amigos. 
Ela pegou o bon pisoteado de Grover e seguiu adiante. 
Eu segui preparado para o pior. O tnel era traioeiro. Ele inclinava em ngulos 
esquisitos, e estava viscoso pela umidade. Metade do tempo estvamos escorregando e 
derrapando ao invs de andar. 
Finalmente chegamos  base de uma encosta e nos encontramos em uma grande caverna 
com enormes colunas de estalagmite. Pelo centro do lugar corria um rio subterrneo, e 
Tyson estava sentado na beirada, embalando Grover em seu colo. Os olhos de Grover 
estavam fechados. Ele no se mexia. 
Tyson! gritei. 
Percy! Venha rpido! 
Ns corremos at ele. Grover no estava morto, graas aos deuses, mas seu corpo todo 
tremia como se ele estivesse congelando at a morte. 
O que aconteceu? perguntei. 



Muitas coisas, Tyson murmurou. Cobra grande. Cachorros grandes. Homens com 
espadas. Mas ento... ns chegamos perto daqui. Grover estava agitado. Ele correu. A 
chegamos a este lugar, e ele caiu. Desse jeito. 
Ele disse alguma coisa? perguntei. 
Ele disse, Estamos perto. Ento ele bateu a cabea nas rochas. 
Eu me ajoelhei perto dele. A nica vez que eu vira Grover desmaiar foi no Novo 
Mxico, quando ele tinha sentido a presena de Pan. 
Eu iluminei as paredes da caverna com minha lanterna. As rochas brilharam. Na outra 
extremidade havia uma entrada para outra caverna, flanqueada por colunas gigantescas 
de cristal, que pareciam diamantes. E alm da entrada... 
Grover, eu disse. Acorde. 
Uhhhhhhhh. 
Annabeth se ajoelhou perto dele e jogou gua gelada do rio em seu rosto. 
Caramba! Suas plpebras tremeram. Percy? Annabeth? Onde... 
Est tudo bem, eu disse. Voc desmaiou. A presena foi demais para voc. 
E-eu me lembro. Pan. 
, eu disse. Algo poderoso est bem atrs daquela entrada. 


*** 

Eu fiz umas apresentaes rpidas, j que Tyson e Grover ainda no conheciam Rachel. 
Tyson disse a Rachel que ela era bonita, o que fez as narinas de Annabeth dilatarem 
como se ela fosse soprar fogo. 
De qualquer forma, falei. Vamos, Grover. Se apie em mim. 
Annabeth e eu o ajudamos a se levantar, e juntos atravessamos o rio subterrneo. A 
correnteza era forte. A gua chegava s nossas cinturas. Eu desejei ficar seco, o que  
uma habilidade bem til, mas isso no ajudava os outros, e eu ainda podia sentir o frio, 
como se estivssemos avanando por um monte de neve. 
Eu acho que estamos nas Cavernas Carlsbad, Annabeth disse, seus dentes batendo. 
Talvez uma parte inexplorada. 
Como voc sabe? 
Carlsbad  no Novo Mxico, ela disse. Isso explicaria o inverno passado. 
Eu assenti. O episdio do desmaio de Grover ocorreu quando passamos pelo Novo 
Mxico. Foi onde ele se sentira mais perto do poder de Pan. 
Samos da gua e continuamos andando. Conforme as colunas de cristal ficavam 
maiores, eu comecei a sentir o poder emanando do cmodo adiante. Eu j tinha ficado 
na presena de deuses antes, mas isto era diferente. Minha pele formigou com energia 
viva. Meu cansao sumiu, como se eu tivesse tido uma tima noite de sono. Eu podia 
sentir que estava ficando mais forte, como uma daquelas plantas em vdeo de tempo 
acelerado. E o aroma vindo de dentro da caverna no era nada parecido com o de um 
subterrneo frio e mido. Cheirava a rvores e flores e um dia morno de vero. 
Grover choramingou de emoo. Eu estava atordoado demais pra andar. Mesmo Nico 
parecia sem palavras. Ns entramos na caverna, e Rachel disse, Oh, uau. 
As paredes brilhavam com cristais  vermelho, verde e azul. Em luzes curiosas, lindas 
plantas cresciam  orqudeas gigantes, plantas em formato de estrela, vinhas 
estourando com frutas laranjas e roxas que penetravam entre os cristais. O cho da 
caverna estava coberto de musgo. Acima, o teto era mais alto que uma catedral, 
brilhando como uma galxia de estrelas. No centro da caverna havia uma cama no estilo 
romano, a madeira banhada em ouro com o contorno de um U curvado, com almofadas 
de veludo. 


Animais descansavam em volta dela  mas eram animais que no deveriam estar vivos. 
Havia um pssaro Dod, algo que parecia o resultado de um cruzamento entre um tigre 
e um lobo, um roedor gigante que parecia a me de todos os porquinhos da ndia, e 
perambulando atrs da cama, pegando frutas com sua tromba, havia um mamute coberto 
de l. 
Na cama jazia um velho stiro. Ele nos observou conforme nos aproximvamos, seus 
olhos to azuis quanto o cu. Seu cabelo enrolado era branco assim como a sua barba 
pontuda. At o pelo de bode em suas pernas estava polvilhado de cinza. Seus chifres 
eram enormes  marrons polidos e curvados. De jeito nenhum ele conseguiria escondlos 
sob um bon como Grover fazia. Em volta de seu pescoo havia um conjunto de 
flautas de madeira. 
Grover caiu de joelhos diante da cama. Lorde Pan! 
O deus sorriu gentilmente, mas havia tristeza em seus olhos. Grover, meu querido, 
bravo stiro. Eu esperei um tempo muito longo por voc. 
Eu... me perdi, Grover se desculpou. 
Pan riu. Era um som maravilhoso, como a primeira brisa da primavera, enchendo toda a 
caverna com esperana. O lobo-tigre suspirou e descansou sua cabea no joelho do 
deus. O pssaro Dod bicou a pata do deus afetuosamente, fazendo um barulho estranho 
no fundo do seu bico. Eu podia jurar que ele estava cantarolando Its a Small World. 
Mesmo assim, Pan parecia cansado. Toda a sua imagem tremeluzia como se ele fosse 
feito de Nvoa. 
Percebi que meus amigos estavam se ajoelhando. Eles tinham olhares receosos em seus 
rostos. Ajoelhei tambm. 
Voc tem um pssaro Dod cantante, eu disse estupidamente. 
Os olhos do deus cintilaram. Sim, esta  Dede. Minha pequena atriz. 
Dede, a Dod, pareceu ofendida. Ela bicou o joelho de Pan e cantarolou algo que 
parecia uma marcha fnebre. 
Este  o lugar mais lindo de todos! Annabeth disse.  melhor do que qualquer prdio 
j planejado. 
Estou feliz que tenha gostado, minha querida, Pan disse.  um dos ltimos lugares 
selvagens. Receio que meu domnio acima tenha se encerrado. Apenas pedaos 
remanescem. Minsculos pedaos de vida. Este deve permanecer intocado... por mais 
um pouco. 
Meu senhor, Grover falou, por favor, o senhor deve retornar comigo! Os ancies 
jamais acreditaro em mim! Eles ficaro radiantes! Voc pode salvar a natureza! 
Pan ps a mo na cabea de Grover e embaraou seu cabelo enrolado. Voc  to 
jovem, Grover. To bom e verdadeiro. Acho que escolhi bem. 
Escolheu? Grover disse. E-eu no entendo. 
A imagem de Pan tremeu, momentaneamente transformando-se em fumaa. O 
porquinho da ndia gigante foi pra debaixo da cama com um guincho terrvel. O mamute 
peludo grunhiu nervoso. Dede escondeu a cabea sob a sua asa. Ento Pan se formou 
novamente. 
Eu dormi vrias eras, o deus disse miseravelmente. Meus sonhos tm sido sombrios. 
Eu acordo de forma intermitente, e a cada vez fico desperto por menos tempo. Agora 
estamos prximos do fim. 
O qu? Grover balbuciou. Mas no! O senhor est bem aqui! 
Meu querido stiro, Pan falou. Eu tentei dizer ao mundo, dois mil anos atrs. Eu 
anunciei para Lysas, um stiro muito parecido com voc. Ele morava em feso, e ele 
tentou espalhar a notcia. 


Annabeth arregalou os olhos. A velha estria. Um marinheiro passando pela costa de 
feso ouviu uma voz gritando da margem, Diga a eles que o grande deus Pan est 
morto. 
Mas no era verdade! Grover disse. 
Sua espcie nunca acreditou, Pan disse. Vocs queridos, teimosos stiros se 
recusaram a aceitar minha morte. E eu os amo por isso, mas vocs apenas adiaram o 
inevitvel. Vocs apenas prolongaram minha longa, dolorosa passagem, meu obscuro 
sono crepuscular. Isso deve acabar. 
No! a voz de Grover tremeu. 
Querido Grover, Pan disse. Voc deve aceitar a verdade. Seu companheiro, Nico, ele 
entende. 
Nico assentiu devagar. Ele est morrendo. Ele deveria ter morrido h muito tempo. 
Isto... isto  mais como uma memria. 
Mas deuses no podem morrer, Grover disse. 
Eles podem desaparecer, Pan disse, quando tudo que eles prezam se foi. Quando eles 
param de ter poder, e seus lugares sagrados desaparecem. A natureza, meu querido 
Grover,  to pequena agora, to despedaada, que nenhum deus pode salv-la. Meu 
domnio acabou.  por isso que preciso que voc leve uma mensagem. Voc deve voltar 
ao Conselho. Voc deve contar aos stiros, e s drades, e aos outros espritos da 
natureza, que o grande deus Pan est morto. Conte sobre a minha partida. Pois eles tem 
que parar de esperar que eu os salve. Eu no posso. A nica salvao vocs mesmos 
devem fazer. Cada um de vocs deve  
Ele parou e franziu a testa para o pssaro dod, que comeara a cantarolar de novo. 
Dede, o que voc est fazendo? Pan exigiu. Voc est cantando Kumbaya de novo? 
Dede olhou para cima inocentemente e piscou seus olhos amarelos. 
Pan suspirou. Todo mundo  um cnico. Mas como eu dizia, meu querido Grover, cada 
um de vocs deve se dedicar ao meu chamado. 
Mas... no! Grover soluou. 
Seja forte, Pan disse. Voc me achou. E agora deve me libertar. Voc deve carregar 
meu esprito. Ele no pode ser mais carregado por um deus. Ele deve ser tomado por 
todos vocs. 
Pan olhou diretamente para mim com seus claros olhos azuis, e eu percebi que ele no 
estava falando apenas de stiros. Ele se referia a meio-sangues, tambm, e humanos. 
Todo mundo. 
Percy Jackson, o deus disse. Eu sei o que voc viu hoje. Eu conheo suas dvidas. 
Mas eu lhe dou esta notcia: quando a hora chegar, voc no ser dominado pelo medo. 
Ele se virou para Annabeth. Filha de Atena, sua hora est chegando. Voc 
desempenhar um grande papel, porm pode no ser o papel que voc espera. 
Ento ele olhou para Tyson. Mestre Ciclope, no desanime. Os heris raramente esto 
 altura das nossas expectativas. Mas voc, Tyson  seu nome viver entre os ciclopes 
por geraes. E Srta. Rachel Dare... 
Rachel hesitou quando ele disse seu nome. Ela virou o rosto, como se fosse culpada de 
alguma coisa, mas Pan apenas sorriu. Ele estendeu a mo numa bno. 
Eu sei que voc acredita que no pode corrigir as coisas, ele disse. Mas voc  to 
importante quanto seu pai. 
Eu Rachel vacilou. Uma lgrima escorreu por sua bochecha. 
Eu sei que voc no cr nisso agora, Pan disse. Mas procure por oportunidades. Elas 
viro. 
Finalmente ele se virou novamente para Grover. Meu querido stiro, Pan disse 
amavelmente, voc carregar minha mensagem? 



E-eu no posso. 
Voc pode, Pan disse. Voc  o mais forte e o mais corajoso. Seu corao  
verdadeiro. Voc acreditou em mim mais do que qualquer um j acreditou, por isso  
voc que deve levar a mensagem, e deve ser o primeiro a me libertar. 
Eu no quero. 
Eu sei, o deus disse. Mas meu nome, Pan... originalmente significava rstico. Voc 
sabia disso? Mas com os anos ele passou a significar tudo. O esprito da natureza deve 
passar para todos vocs agora. Voc deve dizer a todos que conhece: se voc quer 
encontrar Pan, leve o esprito de Pan. Refaa a natureza, um pouco de cada vez, cada 
um no seu canto do mundo. Voc no pode esperar que ningum, nem mesmo um deus, 
faa isso por voc. 
Grover limpou os olhos. Ento vagarosamente ele se levantou. Eu passei minha vida 
toda procurando por voc. Agora... eu o liberto. 
Pan sorriu. Obrigado, querido stiro. Minha bno final. 
Ele fechou os olhos, e o deus se dissolveu. Nvoa branca se dividiu em punhados de 
energia, mas esse tipo de energia no era assustadora como o poder azul que eu vira em 
Cronos. Ela encheu o lugar. Um anel de fumaa veio direto para a minha boca, e para a 
de Grover e a dos outros. Mas acho que um pouco mais foi para a de Grover. Os cristais 
escureceram. Os animais nos deram um olhar triste. Dede, o Dod, suspirou. Ento 
todos eles ficaram cinza e se desintegraram em poeira. As vinhas murcharam. E ns 
ficamos sozinhos numa caverna escura com uma cama vazia. 
Eu liguei minha lanterna. 
Grover respirou fundo. 
Voc... voc est bem? perguntei a ele. 
Ele parecia mais velho e mais triste. Ele pegou seu bon com Annabeth, limpou a lama, 
e o firmou em sua cabea encaracolada. 
Ns devemos ir agora, ele disse, e contar a eles. O grande deus Pan est morto. 




DEZOITO 



GROVER CAUSA UMA DEBANDADA 

A distncia era mais curta no Labirinto. Ainda assim, quando Rachel nos trouxe de 
volta a Times Square, eu me sentia como se tivssemos corrido o caminho todo desde o 
Novo Mxico. Ns samos pelo poro do Marriott e paramos na calada sob a brilhante 
luz do dia de vero, cerrando os olhos para o trnsito e a multido. 
Eu no conseguia escolher o que parecia mais surreal  Nova York ou a caverna de 
cristal onde eu vira um deus morrer. 
Eu nos guiei at um beco, onde eu pudesse conseguir um bom eco. Ento assoviei o 
mais alto que pude, cinco vezes. 
Um minuto depois, Rachel ofegou. Eles so lindos! 
Um bando de pgasos desceu do cu, mergulhando entre os arranha cus. Blackjack 
estava na liderana, seguido por quatro de seus amigos brancos. Ei chefe! Ele falou em 
minha cabea. Voc sobreviveu! 
, eu disse a ele. Tenho sorte nisso. Escuta, precisamos de uma carona para o 
acampamento, rpido. 
Essa  a minha especialidade! Ah cara, voc trouxe aquele Ciclope com voc? Ei, 
Guido! Como esto suas costas hoje? 


O pgaso Guido gemeu e se queixou, mas acabou concordando em levar Tyson. Todos 
comearam a montar  exceto Rachel. 
Bem, ela me disse. Acho que  isso ento. 
Eu assenti desconfortavelmente. Ambos sabamos que ela no poderia ir para o 
acampamento. Eu olhei para Annabeth, que fingia estar bastante ocupada com seu 
pgaso. 
Obrigado, Rachel, eu disse. No teramos conseguido sem voc. 
Eu no teria deixado essa passar. Quero dizer, exceto por quase ter morrido, e por 
Pan... Sua voz vacilou. 
Ele disse alguma coisa sobre o seu pai, eu me lembrei. O que ele quis dizer? 
Rachel mexia nas alas de sua mochila. Meu pai... O trabalho do meu pai. Ele  meio 
que um empresrio famoso. 
Voc quer dizer que... voc  rica? 
Bem, sou. 
Ento foi assim que voc conseguiu o motorista pra nos ajudar? Voc s disse o nome 
do seu pai e  
Sim, Rachel me cortou. Percy... a rea do meu pai  urbanismo. Ele viaja o mundo 
todo, procurando por pedaos de reas no urbanizadas. Ela tomou flego 
instavelmente. A natureza. Ele  ele a compra. Eu odeio isso, mas ele a derruba e 
constri prdios horrveis e shoppings centers. E agora que eu vi Pan... a morte de 
Pan... 
Ei, voc no pode se culpar por aquilo. 
Voc no sabe o pior de tudo. E-eu no gosto de falar da minha famlia. Eu no queria 
que voc soubesse. Me desculpe. Eu no devia ter dito nada. 
No, eu disse. Tudo bem. Olhe, Rachel, voc foi incrvel. Voc nos guiou pelo 
labirinto. Voc foi muito corajosa. Essa  a nica coisa que eu vou julgar em voc. Eu 
no me importo com o que seu pai faz. 



Rachel me olhou grata. Bem... se voc sentir vontade de dar umas voltas com uma 
mortal de novo... voc pode me ligar ou algo assim. 
Hum, . Claro 
Suas sobrancelhas se encontraram. Eu acho que pareci desanimado ou algo assim, mas 
no era o que eu pretendia. Eu s no sabia o que dizer com todos os meus amigos a 
minha volta. E eu acho que meus sentimentos ficaram bem bagunados nos ltimos 
dias. 
Quero dizer... eu gostaria disso, eu disse. 
Meu nmero no est na lista, ela disse. 
Eu tenho. 
Ainda na sua mo? De jeito nenhum. 
No. Eu meio que... memorizei. 
Seu sorriso voltou vagarosamente, mas bem mais feliz. At mais, Percy Jackson. V 
salvar o mundo por mim, ok? 
Ela voltou pela Stima Avenida e desapareceu na multido. 


*** 

Quando me virei para os cavalos, Nico estava tendo problemas. Seu pgaso ficava 
recuando, relutante em deix-lo montar. 
Ele cheira que nem gente morta! O pgaso reclamou. 
Ei, cara. Blackjack disse. Vamos, Porkpie. Um monte de semideuses cheira mal. No  
culpa deles. Oh-uh, eu no estou falando de voc, chefe. 


Vo sem mim! Nico disse. Eu no quero voltar para aquele acampamento de 
qualquer forma. 
Nico, eu disse, precisamos da sua ajuda. 
Ele cruzou os braos e franziu o cenho. Ento Annabeth ps a mo em seu ombro, 
Nico, ela disse. Por favor. 
Vagarosamente, sua expresso se suavizou. Tudo bem, ele disse relutante. Por voc. 
Mas eu no vou ficar. 
Eu levantei uma sobrancelha para Annabeth, tipo, Desde quando Nico te escuta? Ela 
mostrou a lngua pra mim. 
Pelo menos tnhamos todos em cima dos pgasos. Disparamos para o ar, e logo 
estvamos sobrevoando o rio East com Long Island se espalhando a nossa frente. 


*** 

Ns descemos no meio da rea dos chals e imediatamente fomos encontrados por 
Quron, pelo barrigudo stiro Silenus, e um grupo de arqueiros do chal de Apolo. 
Quron levantou uma sobrancelha quando viu Nico, mas se eu esperava que ele ficasse 
surpreso com nossas ltimas notcias, sobre Quintus ser Ddalo e a volta de Cronos, eu 
estava enganado. 
Eu temia isso, Quron disse. Devemos nos apressar. Espero que vocs tenham 
atrasado o Senhor dos Tits, mas sua vanguarda ainda continuar avanando. Eles 
estaro ansiosos por sangue. A maioria de nossas defesas j est posicionada. Venham! 
S um momento, Silenus exigiu. E quanto  procura por Pan? Voc est quase duas 
semanas atrasado, Grover Underwood! Sua licena de buscador est revogada! 
Grover respirou fundo. Ele ficou ereto e olhou nos olhos de Silenus. Licenas de 
buscador no importam mais. O grande deus Pan est morto. Ele se foi e nos deixou seu 
esprito. 


O qu? O rosto de Silenus ficou vermelho vivo. Profanaes e mentiras! Grover 
Underwood, terei voc exilado por falares isso! 
 a verdade, eu disse. Estvamos l quando ele morreu. Todos ns. 
Impossvel! Vocs so todos mentirosos! Destruidores da natureza! 
Quron estudou o rosto de Grover. Falaremos disso mais tarde. 
Falaremos disso agora! disse Silenus. Devemos lidar com isso  
Silenus, Quron o cortou. Meu acampamento est sob ataque. A questo Pan tem 
esperado por dois mil anos. Temo que tenha que esperar mais um pouco. Presumindo 
que estaremos aqui esta noite. 
E com essa observao feliz, ele se curvou e galopou na direo do bosque, deixando-
nos para segui-lo o melhor que pudssemos. 


*** 

Era a maior operao militar que eu j tinha visto no acampamento. Todos estavam na 
clareira, vestidos com armaduras de combate completas, mas desta vez no era pra 
capturar a bandeira. O chal de Hefesto tinha colocado armadilhas em volta da entrada 
do Labirinto  arame cortante, fendas preenchidas com potes de Fogo Grego, fileiras 
de estacas afiadas para desviar golpes. Beckendorf estava manejando duas grandes 
catapultas do tamanho de caminhes, j armadas e apontadas para o Punho de Zeus. O 
chal de Ares estava na linha de frente, organizados em falanges com Clarisse dando 
ordens. Os chals de Hermes e Apolo estavam espalhados pela floresta com arcos 
preparados. Muitos se posicionaram nas rvores. At as drades estavam armadas com 
arcos, e os stiros trotavam em volta com bastes de madeira e escudos feitos de cascas 
de rvores resistentes. 
Annabeth foi juntar-se aos seus irmos do chal de Atena, que tinha montado uma tenda 
de comando e estava dirigindo as operaes. Uma bandeira cinza com uma coruja 
rodopiava do lado de fora da tenda. Nosso chefe de segurana, Argo, estava de guarda 
na entrada. As crianas de Afrodite estavam correndo endireitando as armaduras de 
todos  volta e oferecendo-se para pentear a crina embaraada dos cavalos. At as 
crianas de Dioniso tinham arrumado o que fazer. O prprio deus ainda no estava  
vista, mas seus filhos, os gmeos loiros, estavam correndo, providenciando garrafas de 
gua e caixas de suco para os guerreiros suados. 
Parecia um bom comeo, mas Quron murmurou perto de mim. No  o suficiente. 
Pensei no que tinha visto no Labirinto, todos os monstros na arena de Antaeus, e o 
poder de Cronos que senti no Mt. Tam. Meu corao afundou. Quron tinha razo, mas 
esse era o mximo que podamos reunir. Pela primeira vez desejei que Dioniso estivesse 
aqui, mas mesmo que ele estivesse, eu no sabia se ele poderia fazer muita coisa. 
Quando se tratava de guerra, os deuses eram proibidos de interferir diretamente. 
Aparentemente os Tits no ligavam muito para restries como essa. 
Mais pra extremidade da clareira, Grover estava falando com Juniper. Ele segurava suas 
mos enquanto ele contava nossa histria. Lgrimas esverdeadas formaram-se em seus 
olhos quando ela ouviu as notcias sobre Pan. 
Tyson ajudou as crianas de Hefesto a preparar as defesas. Ele pegou rochas e as 
empilhou perto das catapultas como munio. 
Fique comigo, Percy, Quron disse. Quando a luta comear, eu quero que voc 
espere at sabermos com o que estamos lidando. Voc deve ir para onde precisarmos de 
mais reforos. 
Eu vi Cronos, eu disse, ainda atordoado pelo fato. Eu olhei direto nos olhos dele. Era 
Luke... mas tambm no era. 


Quron correu seu dedo ao longo da corda do seu arco. Ele tinha olhos dourados, 
imagino. E na sua presena, o tempo parecia tornar-se lquido. 
Assenti. Como ele conseguiu tomar um corpo mortal? 
Eu no sei, Percy. Deuses tm assumido a forma de mortais por eras, mas realmente se 
tornar um... fundir a forma divina com a mortal. No sei como isso pde ser feito sem a 
forma de Luke se tornar cinzas. 
Cronos disse que seu corpo havia sido preparado. 
Eu sinto calafrios s de pensar o que isso quer dizer. Mas talvez isso v limitar o poder 
de Cronos. Por um tempo, pelo menos, ele est confinado  forma humana. Ela os 
mantem juntos. Com sorte ela tambm ir restringi-lo. 
Quron, e se ele liderar o ataque  
Eu acho que no, meu rapaz. Eu sentiria se ele estivesse por perto. No tenho dvidas 
que  isso que ele planeja, mas acredito que voc criou inconvenincias para ele, quando 
voc ps abaixo sua sala do trono em cima dele. Ele olhou para mim 
reprovadoramente. Voc e seu amigo Nico, filho de Hades. 
Um bolo se formou na minha garganta. Sinto muito, Quron. Eu sei que devia contado. 
 s que  
Quron levantou sua mo. Eu entendo porque voc no contou, Percy. Voc se sentiu 
responsvel. Tentou proteg-lo. Mas, meu rapaz, para sobrevivermos a esta guerra, 
devemos confiar uns nos outros. Devemos... 
Sua voz vacilou. O cho abaixo de ns estava tremendo. 
Todos na clareira pararam o que estavam fazendo. Clarisse vociferou uma nica ordem. 
Juntar escudos! 
Ento o exrcito do Senhor dos Tits explodiu do Labirinto. 


*** 

Eu j estive em lutas antes, mas essa era uma batalha em escala completa. A primeira 
coisa que vi foi uma dzia de lestriges saindo do cho, gritando to alto que minhas 
orelhas pareciam que iam explodir. Eles carregavam escudos que eram carros 
achatados, e bastes que eram troncos de rvores com espinhos na ponta. Um dos 
gigantes berrou para a falange de Ares, esmagando-a pelo lado com seu basto, e o 
chal inteiro foi arremessado, uma dzia de guerreiros jogados para o ar como bonecas 
de trapo. 
Fogo! Beckendorf gritou. As catapultas entraram em ao. Duas pedras foram 
arremessadas na direo dos gigantes. Uma foi desviada por um escudo deixando 
apenas um amassado, j a outra pegou um Lestrigo no peito, e o gigante caiu. Os 
arqueiros de Apolo atiraram uma saraivada, dzias de flechas que ficaram espetadas nas 
armaduras dos gigantes como porcos-espinhos. Vrias encontraram frestas nas 
armaduras, e alguns gigantes vaporizaram com o toque do bronze celestial. 
Mas quando parecia que os Lestriges estavam para ser derrotados, uma nova massa 
surgiu do labirinto: trinta, talvez quarenta dracaenae em armaduras de combate 
completas, segurando lanas e redes. Elas se dispersaram em todas as direes. 
Algumas atingiram as armadilhas que o chal de Hefesto havia deixado. Uma ficou 
presa nas estacas, tornando-se um alvo fcil para os arqueiros. Outras caram na 
armadilha de arame, e potes de Fogo Grego explodiram em chamas verdes, engolindo 
vrias das mulheres cobra. Mas muitas continuavam se aproximando. Os guerreiros de 
Atena e Argo correram ao seu encontro. Eu vi Annabeth sacar sua espada e atacar uma 
delas. Perto dali, Tyson estava montado em um gigante. De algum jeito ele conseguira 


subir nas costas do gigante e estava batendo em sua cabea com um escudo de bronze 

 BONG!BONG!BONG! 
Quron atirava flecha aps flecha calmamente, derrubando um monstro a cada tiro. Mas 
mais inimigos continuavam a vir do labirinto. Finalmente um cachorro infernal  que 
no era a Sra. OLeary  saltou do tnel e seguiu direto para os stiros. 
V! Quron gritou para mim. 
Eu destampei Contracorrente e ataquei. 
Enquanto eu corria pelo campo de batalha, eu vi coisas horrveis. Um meio-sangue 
inimigo lutava contra um filho de Dioniso, mas no era bem uma disputa. O inimigo o 
apunhalou no brao e bateu no topo de sua cabea com o punho da espada, e o filho de 
Dioniso caiu. Outro guerreiro inimigo atirava flechas chamejantes nas rvores, deixando 
nossos arqueiros e as drades em pnico. 
Uma dzia de dracaenae saiu da briga principal de repente e rastejaram pelo caminho 
que levava para o acampamento, como se elas soubessem aonde estavam indo. Se elas 
conseguissem, iriam pr fogo no acampamento inteiro, completamente sem oposio. 
A pessoa mais prxima era Nico di ngelo. Ele apunhalou um telequine, e sua lmina 
preta stygiana absorveu a essncia do monstro, sugando sua energia at no sobrar nada 
alm de poeira. 
Nico! gritei. 
Ele olhou para onde eu estava apontando, viu as mulheres serpentes, e entendeu 
imediatamente. 
Ele respirou fundo e ergueu sua espada preta. Sirvam-me, ele chamou. 
A terra tremeu. Uma fissura abriu na frente das dracaenae, e uma dzia de guerreiros 
zumbis saiu da terra  cadveres horrveis em roupas militares de todas as pocas  
revolucionrios americanos, centuries romanos, cavalaria napolenica em cavalos 
esqueleto. Como se fossem um, eles sacaram suas espadas e atacaram as dracaenae. 
Nico caiu de joelhos, mas eu no tinha tempo para me assegurar se ele estava bem. 
Eu me aproximei do cachorro infernal, que estava empurrando os stiros para dentro da 
floresta. A fera atacou um stiro, que saiu de seu caminho, mas acertou outro que era 
muito lento. O escudo de madeira do stiro se partiu quando ele caiu. 
Ei! eu gritei. 
O co infernal se virou. Ele grunhiu e saltou. Ele teria me rasgado em pedaos, mas 
enquanto eu caia, meus dedos se fecharam em uma jarra de argila  um dos potes de 
Fogo Grego de Beckendorf. Eu joguei a jarra no estmago do cachorro infernal, e a 
criatura se foi em chamas. Eu me afastei, ofegando. 
O stiro que tinha sido atacado no estava se mexendo. Eu fui at ele para checar, mas 
ento ouvi a voz de Grover: Percy! 
A floresta tinha comeado a pegar fogo. Chamas rugiam a trs metros da rvore de 
Juniper, e Grover e Juniper estavam ficando loucos tentando salv-la. Grover tocava 
uma msica da chuva em sua flauta. Juniper tentava desesperadamente apagar o fogo 
batendo nele com seu xale, mas isso s estava piorando as coisas. 
Eu corri na direo deles, pulando lutas, passando por baixo de pernas de gigantes. A 
gua mais prxima era o riacho, a meio quilmetro de distncia... mas eu tinha que fazer 
alguma coisa. Eu me concentrei. Houve um puxo nas minhas entranhas, um rudo em 
meus ouvidos. Ento uma onda de gua veio avanando entre as rvores. Ela extinguiu 
o fogo, molhando Juniper, Grover e praticamente todos os outros. 
Grover cuspiu um bocado de gua. Valeu, Percy! 
Sem problema! Eu corri de volta para a batalha, e Grover e Juniper me seguiram. 
Grover tinha um basto nas mos, e Juniper uma vara  como um chicote antigo. Ela 
parecia muito irritada, como se ela fosse aoitar as costas de algum. 

Bem quando pareceu que a batalha tinha se equilibrado de novo  como se 
pudssemos ter uma chance  um grito agudo e sobrenatural ecoou do Labirinto, um 
som que eu j ouvira antes. 
Kamp se atirou para o cu, suas asas de morcego totalmente estendidas. Ela pousou no 
topo do Punho de Zeus e analisou a carnificina. Seu rosto estava repleto com uma 
alegria sombria. As cabeas de animais mutantes grunhiram em sua cintura. Cobras 
sibilavam e se enrolavam em volta das suas pernas. Em sua mo direita ela segurava 
uma bola de fios brilhantes  o fio de Ariadne  mas ela o colocou na boca de um 
leo em sua cintura e puxou suas espadas curvas. As lminas brilhavam em um tom de 
verde com veneno. Kamp berrou em triunfo, e alguns dos campistas gritaram. Outros 
tentaram correr e foram pisoteados por cachorros infernais ou gigantes. 
Di Immortales! Quron gritou. Ele mirou uma flecha rapidamente, mas Kamp 
pareceu sentir sua presena. Ela alou voou com uma velocidade incrvel, e a flecha de 
Quron passou inofensivamente por sua cabea. 
Tyson se soltou do gigante que ele tinha batido at deixar inconsciente. Ele correu para 
as nossas linhas, gritando, Fiquem! No corram dela! Lutem! 
Mas ento um cachorro infernal pulou sobre ele, e Tyson e o cachorro saram rolando. 
Kamp pousou na tenda de comando de Atena, achatando-a. Eu corri at ela e encontrei 
Annabeth a meu lado, acompanhando-me, com sua espada na mo. 
Ento  isso, ela disse. 
Provavelmente. 
Foi bom lutar com voc, Cabea de Alga. 
Idem. 
Juntos nos lanamos no caminho do monstro. Kamp sibilou e golpeou em nossa 
direo. Eu desviei, tentando distra-la, enquanto Annabeth ia para o ataque, mas o 
monstro parecia capaz de lutar com ambas as mos independentemente. Ela bloqueou a 
espada de Annabeth, e Annabeth teve que pular para trs para desviar da nuvem de 
veneno. S de estar perto da coisa era como se estivssemos em uma neblina cida. 
Meus olhos queimavam. Meus pulmes no conseguiam ar suficiente. Eu sabia que no 
conseguiramos manter nossa posio por mais que alguns segundos. 
Venham! eu gritei. Precisamos de ajuda! 
Mas nenhuma ajuda veio. Todos estavam cados, ou lutando por suas vidas, ou 
assustados demais para se aproximarem. Trs das flechas de Quron brotaram no peito 
de Kamp, mas ela s rugiu mais alto. 
Agora! Annabeth disse. 
Juntos ns atacamos, desviando dos ataques do monstro, entrando na sua guarda, e 
quase... quase conseguimos apunhalar Kamp no peito, mas uma grande cabea de urso 
atacou de sua cintura, e tivemos que pular para trs para evitar sermos mordidos. 

Slam! 

Minha vista escureceu. Depois s sabia que eu e Annabeth estvamos no cho. O 
monstro tinha seus ps em nossos peitos, nos prendendo. Centenas de cobras 
deslizavam acima de mim, sibilando como se fossem risadas. Kamp levantou sua 
espada esverdeada, e eu sabia que eu e Annabeth estvamos sem opes. 
Ento, atrs de mim, algo uivou. Uma parede de escurido atingiu Kamp, mandando o 
monstro para o lado. E a Sra OLeary estava parada a nossa frente, rosnando ferozmente 
para Kamp. 
Boa garota! disse uma voz familiar. Ddalo estava lutando por sua sada do Labirinto, 
jogando monstros para esquerda e para direita, como se ele estivesse abrindo caminho 
em nossa direo. Perto dele, havia outra pessoa  um gigante familiar, muito maior do 


que os Lestriges, com centenas de braos ondulando, cada um segurando um grande 
pedao de pedra. 
Briares! Tyson gritou admirado. 
Salve, irmozinho! Briares berrou. Fique firme! 
E enquanto a Sra OLeary saa do caminho, o de Cem-Mos atirou uma rajada de rochas 
em Kamp. As pedras pareciam aumentar de tamanho quando deixavam a mo de 
Briares. Havia tantas, que era como se metade da terra tivesse aprendido a voar. 


BOOOOOM! 

Onde momentos antes estivera Kamp, encontrava-se uma montanha de pedras, quase 
to alta quanto o Punho de Zeus. O nico sinal de que o monstro j existira eram duas 
pontas de espada verde saindo das fendas. 
Vivas vieram dos campistas, mas nossos inimigos ainda no estavam derrotados. Uma 
das dracaenae gritou, Masssssacrem elessss! Matem a todossss ou Cronosss vai 
esssfolar vocsss vivossss! 
Aparentemente, aquela ameaa era mais assustadora do que ns. Os gigantes avanaram 
numa ltima tentativa desesperada. Um surpreendeu Quron com uma rajada de vento 
em suas pernas traseiras, e ele cambaleou e caiu. Seis gigantes gritaram com alegria e 
avanaram. 
No! gritei, mas eu estava muito longe para ajudar. 
Ento aconteceu. Grover abriu sua boca, e o som mais horrvel que eu jamais ouvira 
saiu dela. Era como se o som de uma trombeta de cobre tivesse sido aumentado mil 
vezes  o som de puro medo. 
Como se fossem um, as tropas de Cronos derrubaram suas armas e correram por suas 
vidas. Os gigantes passaram por cima das dracaenae tentando chegar ao labirinto 
primeiro. Telequines e cachorros infernais e meio-sangues inimigos disputavam para ir 
logo atrs deles. O tnel se fechou, e a batalha estava acabada. A clareira estava quieta, 
exceto pelo fogo nas rvores, e o choro dos feridos. 
Eu ajudei Annabeth a se levantar. Corremos at Quron. 
Voc est bem? perguntei. 
Ele estava deitado de lado, tentando em vo se levantar. Que embaraoso, ele 
murmurou. Acho que ficarei bem. Felizmente, no atiramos em centauros com 
pernas... ai! ... pernas quebradas. 
Voc precisa de ajuda, Annabeth disse. Eu vou trazer um mdico do chal de 
Apolo. 
No, Quron insistiu. H feridos mais graves para atender agora. Vo! Estou bem. 
Mas, Grover... mais tarde teremos que conversar sobre como voc fez aquilo. 
Aquilo foi incrvel, concordei. 
Grover corou. Eu no sei de onde veio aquilo. 
Juniper o abraou firmemente. Eu sei! 
Antes que ela pudesse dizer mais, Tyson chamou, Percy, rpido!  o Nico! 


*** 

Havia fumaa ondulando de suas roupas pretas. Seus dedos estavam fechados, e a 
grama ao seu redor havia se tornado amarela e morrido. 
Eu o virei o mais suavemente que pude e coloquei minha mo gentilmente sobre seu 
peito. Seu corao estava batendo devagar. Pegue um pouco de nctar! eu gritei. 
Um dos campistas de Ares veio mancando e me entregou um cantil. Eu derramei um 
pouco da bebida mgica na boca de Nico. Ele se engasgou e gaguejou, mas suas 
plpebras se abriram. 


Nico, o que aconteceu? perguntei. Voc pode falar? 
Ele concordou fracamente. Nunca tentei convocar tantos antes. E-eu ficarei bem. 
Ns o ajudamos a sentar e demos a ele mais um pouco de nctar. Ele piscou para todos 
ns, como se ele estivesse tentando se lembrar quem ramos, e ento ele focou em 
algum atrs de mim. 
Ddalo, ele sussurou. 
Sim, meu rapaz, o inventor disse. Eu cometi um erro terrvel. Eu vim corrigi-lo. 
Ddalo tinha uns poucos arranhes que estavam sangrando um leo dourado, mas ele 
parecia melhor do que muitos de ns. Aparentemente seu corpo autmato curava-se 
rapidamente. Sra. OLeary estava atrs dele, lambendo as feridas da cabea de seu dono, 
ento o cabelo de Ddalo estava engraado. Briares estava em p ao seu lado, cercado 
por um grupo de stiros e campistas admirados. Ele parecia um pouco envergonhado, 
mas estava dando autgrafos em armaduras, escudos e camisetas. 
Eu encontrei o de Cem-Mos enquanto vinha pelo labirinto, Ddalo explicou. 
Parecia que ele teve a mesma ideia, vir ajudar, mas ele estava perdido. Ento ns nos 
juntamos. Ambos viemos acertar as coisas. 
! Tyson pulava pra cima e pra baixo. Briares! Eu sabia que voc viria! 
Eu no sabia, o de Cem-Mos disse. Mas voc me fez lembrar quem eu sou, Ciclope. 
Voc  o heri. 
Tyson corou, mas eu dei umas palmadinhas em suas costas. Eu sei disso h muito 
tempo, falei. Mas, Ddalo... o exrcito Tit ainda est l embaixo. Mesmo sem o fio, 
eles voltaro. Eles encontraro um jeito mais cedo ou mais tarde, com Cronos 
liderando. 
Ddalo guardou sua espada. Voc tem razo. Enquanto o Labirinto existir, seus 
inimigos podero us-lo. E  por isso que o Labirinto no pode existir mais. 
Annabeth o fitou. Mas voc disse que o labirinto est ligado  sua fora vital! 
Enquanto voc estiver vivo  
Sim, minha jovem arquiteta, Ddalo concordou. Quando eu morrer, o labirinto 
morrer tambm. Ento eu tenho um presente para voc. 
Ele puxou uma mochila de couro de suas costas, abriu-a, e tirou um laptop prata  um 
dos que eu tinha visto na oficina. Na parte de cima havia o smbolo . 
azul. 
Meu trabalho est aqui, ele disse. Foi tudo o que consegui salvar do fogo. Notas de 
projetos que eu nunca comecei. Alguns dos meus projetos favoritos. Eu no pude 
desenvolv-los nos ltimos milnios. Eu no ousei revel-los para o mundo mortal. Mas 
talvez voc os ache interessantes. 
Ele estendeu o laptop para Annabeth, que o olhava como se fosse ouro slido. Voc 
est me dando isso? Mas  inestimvel! Ele vale... eu nem sei quanto! 
Uma pequena compensao pelo modo como agi, Ddalo disse. Voc estava certa, 
Annabeth, sobre as crianas de Atena. Devemos ser sbios, e eu no fui. Um dia voc 
ser uma arquiteta melhor do que eu jamais fui. Pegue minhas idias e as aperfeioe.  


o mnimo que posso fazer antes de morrer. 
Ei, eu disse. Morrer? Mas voc no pode simplesmente se matar. Isso  errado. 
Ele balanou sua cabea. No to errado quanto me esconder dos meus crimes por dois 
mil anos. Genialidade no  desculpa para o mal, Percy. Minha hora chegou. Eu devo 
encarar meu castigo. 
Voc no conseguir um julgamento justo, Annabeth disse. O esprito de Minos vai 
estar no julgamento  
Eu aceitarei o que vier, ele disse. E confiarei na justia do Mundo Inferior, como ela 
.  tudo que podemos fazer, no ? 
Ele olhou direto para Nico, e o rosto de Nico escureceu. 

Sim, ele disse. 
Voc levar minha alma como compensao, ento? Ddalo perguntou. Voc 
poderia us-la para reclamar sua irm. 
No, Nico disse. Eu o ajudarei a libertar seu esprito. Mas Bianca morreu. Ela deve 
permanecer onde est. 
Ddalo assentiu. Muito bem, filho de Hades. Voc est se tornando sbio. 
Ento ele se virou para mim. Um ltimo favor, Percy Jackson. Eu no posso deixar a 
Sra. OLeary sozinha. E ela no deseja voltar ao Mundo Inferior. Voc cuidar dela? 
Eu olhei para a enorme cachorra negra, que choramingava tristemente, ainda lambendo 


o cabelo de Ddalo. Eu estava pensando que o apartamento da minha me no permitia 
cachorros, especialmente cachorros maiores que o apartamento, mas eu disse, Sim,  
claro que vou. 
Ento eu estou pronto para ver meu filho... e Perdix, ele disse. Eu devo dizer a eles o 
quanto eu me arrependo. 
Annabeth tinha lgrimas em seus olhos. 
Ddalo se virou para Nico, que sacou sua espada. De incio fiquei com medo que Nico 
fosse matar o velho inventor, mas ele simplesmente disse, Sua hora chegou h muito 
tempo. Fique livre e descanse. 
Um sorriso de alvio surgiu no rosto de Ddalo. Ele congelou feito uma esttua. Sua 
pele ficou transparente, revelando as engrenagens de bronze e os maquinrios zumbindo 
dentro de seu corpo. Ento a esttua virou cinzas e se desintegrou. 
Sra. Oleary ganiu. Eu acariciei sua cabea, tentando confort-la o melhor que eu podia. 
A terra tremeu  um terremoto que provavelmente podia ser sentido em todas as 
maiores cidades pelo pas  conforme o labirinto desmoronava. Em algum lugar, eu 
esperava, os remanescentes da fora de ataque Tit foram enterrados. 
Eu olhei em volta para o massacre na clareira, e para os rostos cansados de meus 
amigos. 
Venham, eu disse a eles. Temos trabalho a fazer. 

DEZENOVE 



O CONSELHO FICA FENDIDO 


Houve despedidas demais. 
Aquela noite foi a primeira vez que eu vi as mortalhas do acampamento serem usadas 
em corpos, e isso no  algo que eu queira ver de novo. 
Entre os mortos, Lee Fletcher do chal de Apolo fora abatido pela clava de um gigante. 
Ele foi enrolado em uma mortalha dourada sem decorao. O filho de Dioniso, que cara 
lutando com um meio-sangue inimigo, estava enrolado em uma mantilha prpura 
bordada com videiras. Seu nome era Castor. Eu estava envergonhado por t-lo visto 
pelo acampamento por trs anos e nunca ter me incomodado em aprender seu nome. Ele 
tinha dezessete anos. Seu irmo gmeo, Pollux, tentou dizer algumas palavras, mas 
engasgou e apenas segurou a tocha. Ele acendeu a pira fnebre no meio do anfiteatro, e 
em segundos a fila de mortalhas foi envolvida pelo fogo, mandando fumaa e centelhas 
para as estrelas. 
Ns passamos o dia seguinte cuidando dos feridos, que era quase todo mundo. Os 
stiros e drades trabalhavam para reparar o dano nos bosques. 
Ao meio-dia, o Conselho dos Ancies de Casco Fendido convocou uma reunio de 
emergncia na sua clareira sagrada. Os trs stiros ancies estavam l, junto com 
Quron, que estava na forma de cadeira de rodas. Sua perna quebrada ainda estava se 
curando, ento ele iria ficar confinado  cadeira por alguns meses, at a perna estar forte 

o suficiente para aguentar seu peso. A clareira estava cheia de stiros e drades e niades 
fora da gua  centenas deles, ansiosos para ouvir o que iria acontecer. Juniper, 
Annabeth, e eu ficamos em p ao lado de Grover. 
Silenus queria exilar Grover imediatamente, mas Quron o persuadiu a pelo menos ouvir 
as evidncias primeiro, ento ns contamos a todos o que tinha acontecido na caverna 
de cristal, e o que Pan dissera. Depois vrias testemunhas da batalha descreveram o som 
estranho que Grover fez, que expulsou o exercito Tit de volta para o subterrneo. 
Era o pnico, insistiu Juniper. Grover invocou o poder do deus da natureza. 
Pnico? perguntei. 
Percy, Quron explicou, durante a primeira guerra dos deuses e tits, Lorde Pan 
liberou um horrvel grito que afugentou o exrcito inimigo. Isto   isto era seu maior 
poder  uma onda massiva de medo que ajudou os deuses a ganhar o dia. Veja, a 
palavra pnico foi nomeada pensando em Pan. E Grover usou aquele poder, invocando-
o de dentro de si mesmo. 
Ridculo! Silenus urrou. Sacrilgio! Talvez o deus selvagem nos tenha favorecido 
com uma beno. Ou talvez a msica de Grover seja to ruim que assustou o inimigo! 
No foi isso, senhor, Grover disse. Ele soou muito mais calmo do que eu estaria se 
tivesse sido insultado daquela maneira. Ele deixou seu esprito passar para todos ns. 
Ns precisamos agir. Cada um de ns deve trabalhar para renovar a natureza, para 
proteger o que ainda existe. Ns temos que espalhar a notcia. Pan est morto. No h 
ningum alm de ns. 
Depois de dois mil anos procurando,  nisso que voc quer que acreditemos? Silenus 
gritou. Nunca! Ns temos que continuar a busca! Exilem o traidor! 
Alguns dos stiros mais velhos murmuraram concordando. 

Uma votao! Silenus exigiu. Quem acreditaria nesse jovem stiro ridculo, de 
qualquer forma? 
Eu acreditaria, disse uma voz familiar. 
Todos se viraram. Andando a passos largos para o interior da clareira estava Dioniso. 
Ele usava um terno preto formal, ento eu quase no o reconheci, uma gravata prpura e 
uma camisa violeta, seu cabelo encaracolado cuidadosamente penteado. Seus olhos 
estavam vermelhos como sempre, e seu rosto arredondado estava corado, mas ele 
parecia estar sofrendo mais pela perda do que pela abstinncia de vinho. 
Os stiros se levantaram respeitosamente e se curvaram quando ele se aproximou. 
Dioniso abanou a mo e uma nova cadeira cresceu do cho perto de Silenus  um trono 
feito de videiras. Dioniso se sentou e cruzou suas pernas. Ele estalou os dedos e um 
stiro se apressou a frente com um prato de queijo e bolachas e uma Coca Diet. 
O deus do vinho olhou em volta para a multido reunida. Sentiram minha falta? Os 
stiros caram em si concordando e se curvando. Oh, sim, muito senhor! 
Bem, eu no senti falta deste lugar! Dioniso respondeu rispidamente. Eu trago ms 
notcias, meus amigos. Notcias malignas. Os deuses menores esto trocando de lado. 
Morfeu foi para o lado inimigo. Hecate, Jano e Nmesis tambm. Zeus sabe quantos 
mais. 
Trovo ressoou na distncia. 
Veja isso, Dioniso disse. At Zeus no sabe. Agora, eu quero ouvir a histria do 
Grover. Novamente, do comeo. 
Mas, meu senhor, Silenus protestou.  s bobagem! 
Os olhos de Dioniso flamejaram com um fogo arroxeado. Eu acabei de saber que meu 
filho Castor est morto, Silenus. Eu no estou de bom humor. Voc faria bem em me 
alegrar. 
Silenus engoliu seco, e fez um sinal para que Grover comeasse novamente. Quando 
Grover terminou, Sr. D assentiu. Isso soa exatamente como o tipo de coisa que Pan 
faria. Grover est certo. A busca  fatigante. Vocs devem comear a pensar por vocs 
mesmos. Ele se virou para um stiro. Traga-me algumas uvas descascadas, agora! 
Sim, senhor! O stiro saiu correndo. 
Ns temos que exilar o traidor! Silenus insistiu. 
Eu digo no, Dioniso respondeu. Esse  o meu voto. 
Eu voto no tambm, Quron acrescentou. 
Silenus endureceu o queixo teimosamente. Todos a favor do exlio? 
Ele e os dois outros velhos stiros levantaram suas mos. 
Trs a dois, Silenus disse. 
Ah, sim, Dioniso disse. Mas infelizmente para voc, o voto de um deus conta como 
dois. E como eu votei contra, estamos empatados. 
Silenus levantou, indignado. Isso  um ultraje! O conselho no pode ficar em um 
impasse. 
Ento que ele seja dissolvido! Sr. D disse. Eu no ligo. 
Silenus se curvou rigidamente e, junto com seus dois amigos, saiu da clareira. 
Cerca de vinte stiros foram com eles. O resto ficou por perto murmurando 
desconfortavelmente. 
No se preocupem, Grover disse a eles. Ns no precisamos do conselho para nos 
dizer o que fazer. Ns podemos descobrir sozinhos. 
Ele contou a eles novamente as palavras de Pan  como eles deviam salvar a natureza 
um pouco de cada vez. Ele comeou a dividir os stiros em grupos  quais iriam para 
os parques nacionais, quais iriam procurar pelos ltimos lugares selvagens, quais iriam 
defender os parques nas grandes cidades. 



Bem, Annabeth me disse, Grover parece estar amadurecendo. 

*** 

Depois naquela tarde eu encontrei Tyson na praia, falando com Briares. Briares estava 
construindo um castelo de areia com cerca de cinquenta de suas mos. Ele no estava 
realmente prestando ateno no trabalho, mas suas mos construram uma fortaleza com 
trs torres, paredes fortificadas, um fosso e uma ponte levadia. 
Tyson estava desenhando um mapa na areia. 
V para esquerda nos corais, ele disse a Briares. Desa direto quando voc achar um 
navio afundado. Depois, cerca de uma milha a oeste, passando do cemitrio das sereias, 
voc vai comear a ver fogos queimando. 
Voc est dando a ele direes para as forjas? perguntei. 
Tyson fez que sim com a cabea. Briares quer ajudar. Ele vai ensinar os Ciclopes 
maneiras que ns esquecemos, como fazer melhores armas e armaduras. 
Eu quero ver os Ciclopes, Briares concordou. Eu j no quero mais ficar sozinho. 
Eu duvido que voc v ficar sozinho l embaixo, eu disse um pouco melanclico, 
porque eu jamais estivera no reino de Poseidon. Eles vo mant-lo bem ocupado. 
A face de Briares mudou para uma expresso feliz. Ocupado soa bem! Eu queria que 
Tyson pudesse ir tambm. 
Tyson corou. Eu preciso ficar aqui com meu irmo. Voc vai se sair bem, Briares. 
Obrigado. 
O de Cem-Mos balanou minha mo cerca de cem vezes. Ns vamos nos encontrar 
novamente, Percy. Eu sei disso! 
Ento ele deu em Tyson um grande abrao de polvo e avanou para o oceano. Ns 
assistimos at sua enorme cabea desparecer nas ondas. 
Eu dei um tapinha nas costas de Tyson. Voc o ajudou muito. 
Eu s falei com ele. 
Voc acreditou nele. Sem Briares, ns nunca teramos vencido Kamp. 
Tyson sorriu largamente. Ele arremessa boas rochas! 
Eu gargalhei. . Ele arremessa rochas muito boas. Vamos, grando. Vamos jantar. 


*** 

Foi bom ter um jantar normal no acampamento. Tyson sentou comigo na mesa de 
Poseidon. O pr do sol sobre o Estreito de Long Island estava lindo. As coisas no 
voltariam ao normal por um bom tempo, mas quando eu fui at a fogueira e joguei parte 
da minha refeio para as chamas como oferenda a Poseidon, eu senti como se eu 
tivesse muito pelo que ser grato. Meus amigos e eu estvamos vivos. O acampamento 
estava salvo. Cronos tinha sofrido um contratempo, pelo menos por um tempo. 
A nica coisa que me incomodava era Nico, sozinho nas sombras nos limites do 
pavilho. Ofereceram a ele um lugar na mesa de Hermes, e mesmo na mesa principal 
com Quron, mas ele recusara. 
Depois do jantar, os campistas se dirigiram para o anfiteatro, onde o chal de Apolo 
prometera um incrvel karaok para animar nossos espritos, mas Nico se virou e 
desapareceu entre as rvores. Decidi que era melhor segui-lo. Quando passei pela 
sombra das rvores, percebi quo escuro estava ficando. Eu nunca ficara assustado na 
floresta antes, apesar de saber que l havia uma poro de monstros. Ainda assim, eu 
pensei sobre a batalha de ontem, e imaginei se um dia eu poderia caminhar naqueles 
bosques novamente sem relembrar o horror de tanta luta. 


Eu no podia ver Nico, mas depois de alguns minutos de caminhada vi um brilho  
frente. Primeiro pensei que Nico tivesse acendido uma tocha. Conforme eu me 
aproximava, percebi que o brilho era um fantasma. A tremeluzente forma de Bianca di 
Angelo estava parada na clareira, sorrindo para seu irmo. Ela disse algo para ele e 
tocou sua face  ou tentou. Ento sua imagem se desfez. 
Nico se virou e me viu, mas ele no parecia com raiva. 
Dizendo adeus, ele disse com a voz rouca. 
Ns sentimos sua falta no jantar, falei. Voc poderia ter sentado comigo. 
No. 
Nico, voc no pode perder todas as refeies. Se voc no quer ficar com Hermes, 
talvez eles possam fazer uma exceo e coloc-lo na Casa Grande. Eles tm uma poro 
de quartos. 
Eu no vou ficar, Percy. 
Masvoc no pode simplesmente sair.  muito perigoso l fora para um meio-
sangue sozinho. Voc precisa treinar. 
Eu treino com os mortos, ele disse sem emoo. Este acampamento no  pra mim. 
H uma razo para eles no colocarem um chal para Hades aqui, Percy. Ele no  bem-
vindo, no mais do que  no Olimpo. Eu no perteno. Eu tenho que ir. 
Eu queria discutir, mas parte de mim sabia que ele estava certo. Eu no gostava disso, 
mas Nico teria que encontrar seu prprio, sombrio caminho. Eu me lembrei da caverna 
de Pan, como o deus da natureza se dirigiu a cada um de ns individualmente... exceto 
Nico. 
Quando voc vai? perguntei. 
Agora mesmo. Eu tenho toneladas de perguntas. Como quem era minha me? Quem 
pagou para eu e Bianca irmos para a escola? Quem era o advogado que nos tirou do 
Ltus Hotel? Eu sei nada sobre meu passado. Eu preciso descobrir. 
Faz sentido, admiti. Mas eu espero que ns no tenhamos que ser inimigos. 
Ele baixou os olhos. Eu sinto muito, eu era um pirralho. Eu devia ter te escutado sobre 
Bianca. 
Falando nisso eu tirei algo do meu bolso. Tyson encontrou isso enquanto 
estvamos limpando o chal. Pensei que voc podia querer. Eu ergui uma miniatura de 
chumbo de Hades  a pequena esttua de Mythomagic que Nico abandonara quando 
fugiu do acampamento no ltimo inverno. 
Nico hesitou. Eu no jogo mais isso.  para crianas. 
Ele tem quatro mil pontos de ataque, lancei a isca. 
Cinco mil, Nico corrigiu. Mas somente se seu oponente atacar primeiro. 
Eu sorri. Talvez esteja bem ser criana de vez em quando. Eu joguei para ele a 
esttua. 
Nico a estudou na palma da mo por alguns segundos, ento a colocou no bolso. 
Obrigado. 
Eu estendi minha mo. Ele a sacudiu relutantemente. A mo dele estava fria como gelo. 
Eu tenho uma poro de coisas para investigar, ele disse. Algumas delas bem, se 
eu aprender algo til, eu te aviso. 
Eu no estava certo sobre o que ele queria dizer, mas assenti. Mantenha contato, Nico. 
Ele se virou e adentrou na floresta. As sombras pareciam se inclinar para ele enquanto 
ele andava, como se elas estivessem procurando por sua ateno. Uma voz atrs de mim 
disse, L vai um jovem muito problemtico. 
Eu me virei e encontrei Dioniso parado l, ainda em seu terno preto. 
Ande comigo, ele disse. 
Para onde? perguntei desconfiado. 



Somente at a fogueira, ele disse. Eu estava comeando a me sentir melhor, ento 
pensei em falar com voc um pouco. Voc sempre consegue me irritar. 
Hum, obrigado. 
Ns andamos pelo bosque em silncio. Eu notei que Dioniso estava andando no ar, seu 
sapato preto polido pairava a uns dois centmetros do cho. Imaginei que ele no queria 
suj-los. 
Ns tivemos muitos traies, ele disse. As coisas no parecem boas para o Olimpo. 
Ainda assim voc e Annabeth salvaram este acampamento. Eu no tenho certeza se 
deveria agradec-lo por isso. 
Foi um esforo em grupo. 
Ele deu de ombros. Mesmo assim, eu suponho que tenha sido quase competente, o que 
vocs dois fizeram. Eu achei que voc deveria saber  isso no foi uma perda total. 
Ns alcanamos o anfiteatro e Dioniso apontou para a fogueira do acampamento. 
Clarisse estava sentada ombro a ombro com um grande garoto hispnico que estava 
contando a ela uma piada. Era Chris Rodriguez, o meio-sangue que ficara louco no 
labirinto. 
Eu me virei para Dioniso. Voc o curou? 
Loucura  minha especialidade. Foi bem simples. 
Mas voc fez algo legal. Por qu? 
Ele levantou uma sobrancelha. Eu sou legal! Eu simplesmente escorro bondade, Perry 
Johansson. Voc no tinha notado? 
H  
Talvez eu tenha sentido a perda pela morte do meu filho. Talvez eu achasse que esse 
garoto Chris merecia uma segunda chance. De qualquer forma, isso pareceu melhorar o 
humor de Clarisse. 
Por que voc est me contando isso? 
O deus do vinho suspirou. Oh, Hades, se eu soubesse. Mas lembre-se garoto, um ato 
bondoso s vezes pode ser to poderoso quanto uma espada. Como um mortal, eu nunca 
fui um grande guerreiro ou atleta ou poeta. Eu s fazia vinho. As pessoas da minha vila 
riam de mim. Elas diziam que eu nunca conseguiria nada. Olhe para mim agora. Por 
vezes pequenas coisas podem se tornar realmente grandes. 
Ele me deixou sozinho para pensar naquilo. E enquanto eu observava Clarisse e Chris 
cantarem uma cano estpida de acampamento juntos, de mos dadas na escurido, 
onde eles achavam que ningum podia v-los, eu tive que sorrir. 




VINTE 



MINHA FESTA DE ANIVERSRIO TOMA UM RUMO SOMBRIO 

O resto do vero pareceu estranho porque foi muito normal. As atividades dirias 
continuaram: arco e flecha, alpinismo, cavalgar pgasos. Ns jogamos capture a 
bandeira (apesar de todos termos evitado o Punho de Zeus). Ns cantamos na fogueira e 
corremos com bigas e pregamos peas nos outros chals. Eu passei muito tempo com 
Tyson, brincando com a Sra. OLeary, mas ela ainda uivava durante a noite quando se 
sentia solitria sem seu antigo dono. Annabeth e eu estvamos nos evitando. Eu estava 
feliz por estar com ela, mas isso tambm meio que machucava, e machucava quando eu 
no estava com ela tambm. 
Eu queria falar com ela sobre Cronos, mas eu no podia fazer isso sem mencionar Luke. 
E esse era o assunto que eu no podia levantar. Ela me cortaria sempre que eu tentasse. 
Julho passou, com fogos de artifcio no dia 4 na praia. Agosto ficou to quente que os 
morangos comearam a assar nos campos. Finalmente, o ltimo dia de acampamento 
chegou. A carta padronizada de sempre apareceu em minha cama depois do caf da 
manh, alertando que as harpias da limpeza me devorariam se eu permanecesse l 
depois do meio-dia. 
s dez horas eu estava no topo da colina Meio-Sangue, esperando pela van do 
acampamento que me levaria at a cidade. Eu tinha feito preparativos para deixar a Sra. 
OLeary no acampamento, onde Quron me prometera que cuidaria dela. Tyson e eu nos 
revezaramos visitando-a durante o ano. 
Eu tinha esperanas que Annabeth fosse comigo de van para Manhattan, mas ela apenas 
veio para me ver ir embora. Ela disse que tinha programado permanecer no 
acampamento um pouco mais. Ela ajudaria Quron at que a perna dele estivesse 
totalmente recuperada, e continuaria estudando o notebook de Ddalo, que a absorveu 
pelos ltimos dois meses. Ento ela iria direto para casa do pai em So Francisco. 
H uma escola particular l para onde eu vou, ela disse. Eu provavelmente vou 
detestar, mas... ela deu os ombros. 
, bem, me liga, ok? 
Claro, ela disse sem confiana. Eu vou manter meus olhos abertos para 
L estava de novo. Luke. Ela no conseguia sequer dizer o nome dele sem abrir uma 
grande caixa de dor e preocupao e raiva. 
Annabeth, falei. O que era o resto da profecia? 
Ela fixou o bosque  distncia, mas no disse nada. 
Do labirinto sem fim voc deve se aprofundar na escurido, eu relembrei. O morto, 

o traidor, e o desaparecido se erguero. Ns erguemos muitos dos mortos. Ns 
salvamos Ethan Nakamura, que acabou sendo um traidor. Ns erguemos o esprito de 
Pan, o desaparecido. Annabeth sacudiu a cabea como se quisesse que eu parasse. 
Pela mo do rei fantasma voc se erguer ou cair, eu a pressionei. Esse no era 
Minos, como eu tinha pensado. Era Nico. Por ter escolhido ficar ao nosso lado, ele nos 
salvou. E o ato final da criana de Atena acontecer  esse era Ddalo. 
Percy  
Com o ltimo suspiro do heri ser destrudo. Isso faz sentido agora. Ddalo morreu 
para destruir o labirinto. Mas o qual era a ltima  

E para algo pior que a morte um amor ser perdido. Annabeth tinha lgrimas nos 
olhos. 
Esta era a ltima linha, Percy. Voc est feliz agora? 
O sol parecia mais frio do que a um momento atrs. Ah, falei. Ento Luke  
Percy, eu no sabia de quem a profecia estava falando. Eu-eu no sabia se Ela 
vacilou desamparadamente. Luke e eu... por anos, ele foi o nico que realmente se 
importou comigo. Eu pensei 
Antes que ela pudesse continuar, um lampejo de luz apareceu prximo a ns, como se 
algum tivesse aberto uma cortina de ouro no ar. 
Voc no tem nada pelo que se desculpar, minha querida. De p na colina havia uma 
mulher alta em um vestido branco, seus cabelos negros tranados sobre o ombro. 
Hera, Annabeth disse. 
A deusa sorriu. Voc encontrou as respostas, como eu sabia que faria. Sua misso foi 
um sucesso. 
Um sucesso? Annabeth disse. Luke se foi. Ddalo est morto. Pan est morto. Como 
isto   
Nossa famlia est a salvo, Hera insistiu. Esses outros esto melhores mortos, minha 
querida. Estou orgulhosa de voc. 
Eu fechei meus punhos. Eu no podia acreditar no que ela estava dizendo. Foi voc 
quem pagou Geryon para nos deixar passar pelo rancho, no foi? 
Hera deu os ombros. O vestido dela brilhava nas cores do arco-ris. Eu queria apresslos 
no seu caminho. 
Mas voc no se importou com Nico. Voc estava feliz em v-lo sendo entregue para 
os Tits. 
Oh, por favor. Hera balanou a mo negativamente. O filho de Hades disse ele 
mesmo. Ningum o quer por perto. Ele no se encaixa. 
Hefesto estava certo, rosnei. Voc somente se importa com a sua famlia perfeita, 
no com pessoas reais. 
Os olhos dela ficaram perigosamente brilhantes. Cuidado com a lngua, filho de 
Poseidon. Eu o guiei mais do que sabe no labirinto. Eu estava do seu lado quando voc 
enfrentou Geryon. Eu fiz sua flecha voar certeira. Eu o enviei para a ilha da Calypso. Eu 
abri o caminho para a montanha do Tit. Annabeth, minha querida, certamente voc v 


o quanto eu ajudei. Eu apreciaria um sacrifcio pelos meus esforos. 
Annabeth ficou parada como uma esttua. Ela poderia ter agradecido. Poderia ter 
prometido jogar algum churrasco no braseiro para Hera e esquecer a coisa toda. Mas ela 
firmou o queixo teimosamente. Ela estava como quando enfrentou a Esfinge  como se 
ela no fosse aceitar uma resposta fcil, mesmo que isso a colocasse em srios 
problemas. Eu me dei conta de que isso era uma das coisas que eu mais gostava em 
Annabeth. 
Percy est certo. Ela virou as costas para a deusa.  voc a que no se encaixa, 
Rainha Hera. Ento na prxima vez, obrigada... mas no, obrigada. 
O sorriso de escrnio de Hera era pior que o da empousa. Sua forma comeou a brilhar. 
Voc vai se arrepender por este insulto, Annabeth. Voc vai se arrepender muito 
disso. 
Eu desviei meus olhos quando a deusa se transformou em sua verdadeira forma divina e 
desapareceu em uma exploso de luz. 
O topo da colina estava pacfico novamente. No p do pinheiro Peleus, o drago, 
cochilava embaixo do Velocino de Ouro como se nada tivesse acontecido. 
Me desculpe, Annabeth me disse. E-eu devo voltar. Eu vou manter contato. 

Oua, Annabeth  eu pensei sobre o Monte Santa Helena, a Ilha de Calypso, Luke e 
Rachel Elizabeth Dare, e sobre como de repente tudo ficara to complicado. Eu queria 
falar para Annabeth que eu realmente no queria ficar to distante dela. 
Ento Argo buzinou na estrada abaixo, e eu perdi minha chance. 
 melhor voc ir andando, Annabeth disse. Se cuida, Cabea de Alga. 
Ela correu colina abaixo. Eu a observei at ela alcanar os chals. Ela no olhou para 
trs nem uma vez. 


*** 

Dois dias depois foi meu aniversrio. Eu nunca fiz propaganda da data, porque ela 
sempre caa exatamente depois do acampamento, ento nenhum dos meus amigos de 
acampamento podia vir normalmente, e eu no tinha tantos amigos mortais. Alm disso, 
ficar mais velho no parecia algo para celebrar uma vez que eu tinha sobre mim uma 
grande profecia que dizia que eu iria destruir ou salvar o mundo quando fizesse 
dezesseis. Agora eu estava fazendo quinze. Eu estava ficando sem tempo. 
Minha me me fez uma pequena festa em nosso apartamento. Paul Bayck veio, mas 
tudo bem porque Quron havia manipulado a Nvoa para convencer todos na Goode 
High School que eu no tivera nada a ver com a exploso da sala de msica. Agora Paul 
e as outras testemunhas estavam convencidos que Kelli fora uma louca, lder de torcida 
arremessadora de explosivos, enquanto eu tinha sido simplesmente um inocente 
espectador que havia entrado em pnico e fugido da cena. Eu ainda teria permisso para 
comear como calouro na Goode ms que vem. Se eu quisesse manter meu recorde de 
ser chutado de uma escola todos os anos, teria que tentar com mais vontade. 
Tyson veio para minha festa tambm, e minha me cozinhara dois bolos azuis extras s 
para ele. Enquanto Tyson ajudava minha me a encher os bales de festa, Paul Bayck 
me pediu para ajud-lo na cozinha. 
Enquanto ns estvamos servindo o ponche, ele disse, Eu soube que sua me te 
inscreveu para aulas de direo nesse outono. 
.  legal. Eu mal posso esperar. 
Sinceramente, eu tinha andado excitado sobre conseguir minha licena, mas acho que 
meu corao j no estava nisso, e Paul podia perceber. De uma maneira estranha ele 
me lembrava Quron s vezes, como se ele pudesse olhar para voc e realmente ver seus 
pensamentos. Eu acho que era aquela aura de professor. 
Voc teve um vero difcil, ele disse. Imagino que voc perdeu algum importante. 
E... problemas com garotas? 
Eu o encarei. Como voc sabe disso? A minha me  
Ele levantou as mos. Sua me no disse nada. E eu no vou me intrometer. Eu apenas 
sei que h algo diferente com voc, Percy. Voc deve ter muita coisa acontecendo que 
eu no consigo entender. Mas eu tambm j tive quinze anos, e apenas estou 
adivinhando pela sua expresso... Bem, voc teve um tempo difcil. 
Eu confirmei com a cabea. Eu prometera a minha me que contaria a Paul a verdade 
sobre mim, mas agora no pareceu a hora. Ainda no. Eu perdi dois amigos no 
acampamento que eu vou, falei. Quero dizer, no amigos ntimos, mesmo assim  
Eu sinto muito. 
. E, h, acho que sobre essa coisa de garota 
Aqui. Paul me passou um pouco de ponche. Ao seu aniversrio de quinze anos. E a 
um ano melhor por vir. 
Ns brindamos com nossos copos de papel e bebemos. 


Percy, eu meio que me sinto mal dando mais uma coisa pra voc pensar, Paul disse. 
Mas eu queria perguntar algo. 
Sim? 
Sobre garotas. 
Eu franzi a testa. O que voc quer dizer? 
Sua me, Paul disse. Eu estou pensando em propor a ela... 
Eu quase derrubei meu copo. Voc quer dizer... casar com ela? Voc e ela? 
Bem, essa era a ideia geral. Isso estaria bem pra voc? 
Voc est pedindo minha permisso? 
Paul coou sua barba. No sei se  uma permisso, mas ela  sua me. E sei que voc 
est passando por muita coisa. Eu no me sentiria bem se no falasse com voc sobre 
isso primeiro, de homem pra homem. 
De homem pra homem, repeti. Isso soou estranho. Eu pensei sobre Paul e minha me, 
como ela sorria e ria mais quando ele estava por perto, e como Paul tinha sado de seu 
caminho para me colocar no ensino mdio. Eu me peguei dizendo, Eu acho que  uma 
grande ideia, Paul. V em frente. 
Ele deu um sorriso enorme. Sade, Percy. Vamos nos juntar  festa. 


*** 

Eu estava me preparando para assoprar as velas quando a campainha tocou. 
Minha me franziu a testa. Quem pode ser? 
Era estranho, porque nosso novo prdio tinha um porteiro, mas ele no tinha ligado nem 
nada. Minha me abriu a porta e arquejou. 
Era o meu pai. Ele estava vestindo uma bermuda e uma camisa havaiana e sandlias de 
couro, como ele sempre usa. Sua barba preta fora cuidadosamente aparada e seus olhos 
verde-mar brilhavam. Ele usava um chapu gasto decorado com iscas de pesca. Ele 
dizia CHAPU DE PESCARIA DA SORTE DE NETUNO. 
Pos Minha me se interrompeu. Ela estava corando at a raiz dos cabelos. Hum, 
ol. 
Ol, Sally, Poseidon disse. Voc parece linda como sempre. Posso entrar? 
Minha me fez um chiado que pode ter sido tanto um Sim como Ajuda. Poseidon 
tomou como um sim e entrou. 
Paul estava olhando de um lado para outro entre ns, tentando ler nossas expresses. 
Finalmente ele deu um passo  frente. Oi, eu sou Paul Bayck. 
Poseidon levantou suas sobrancelhas enquanto eles apertavam as mos Baiacu, voc 
disse? 
Ah, no. Bayck, na verdade. 
Ah, sim, Poseidon disse. Uma pena. Eu que gosto de baiacu. Eu sou Poseidon. 
Poseidon?  um nome interessante. 
Sim, eu gosto dele. Eu j fui chamado de outros nomes, mas eu prefiro Poseidon. 
Como o deus dos mares. 
Bem como isso, sim. 
Bem! minha me interrompeu. Hum, ns estamos to felizes que voc pde vir. 
Paul, este  o pai de Percy. 
Ah. Paul assentiu, embora ele no parecesse muito satisfeito. Claro. 
Poseidon sorriu para mim. A est voc, meu garoto. E Tyson, ol, filho! 
Papai! Tyson pulou atravs da sala e deu em Poseidon um grande abrao, que quase 
derrubou seu chapu de pescaria. 
O queixo de Paul caiu. Ele encarou minha me. Tyson 酔 



No  meu, ela prometeu.  uma longa histria. 
Eu no podia perder a festa do dcimo quinto aniversrio de Percy, Poseidon disse. 
Pois, se fosse em Esparta, Percy seria um homem hoje! 
Isso  verdade, Paul disse. Eu costumava ensinar histria antiga. 
Os olhos de Poseidon brilharam. Esse sou eu. Histria antiga. Sally, Paul, Tyson 
vocs se importariam se eu pegasse Percy emprestado por um momento? 
Ele ps seu brao em volta de mim e me dirigiu at a cozinha. 


*** 

Assim que ns ficamos sozinhos, seu sorriso desapareceu. 
Voc est bem, meu garoto? 
. Eu estou bem. Acho. 
Eu ouvi histrias, Poseidon disse. Mas eu queria ouvi-las diretamente de voc. 
Conte-me tudo. 
Ento eu contei. Foi meio desconcertante, porque Poseidon ouvia to intensamente. 
Seus olhos nunca deixaram minha face. Sua expresso no mudou durante todo tempo 
que eu falei. Quando terminei, ele assentiu devagar. 
Ento Cronos realmente est de volta. No vai demorar muito antes que a guerra esteja 
sobre ns. 
E sobre Luke? perguntei. Ele realmente se foi? 
Eu no sei, Percy. Isso  muito perturbador. 
Mas o corpo dele  mortal. Vocs no poderiam simplesmente destrui-lo? 
Mortal, talvez, mas h algo diferente em Luke, meu garoto. Eu no sei como ele foi 
preparado para hospedar a alma do Tit, mas ele no ser morto facilmente. E ainda 
assim, temo que ele deva ser morto se ns formos enviar Cronos de volta ao abismo. Eu 
terei que pensar nisso. Infelizmente, eu tenho outros problemas para cuidar. 
Eu lembrei o que Tyson me dissera no comeo do vero. 
Os velhos deuses do mar? 
Correto. A batalha veio at mim antes, Percy. Na verdade, eu no posso ficar muito 
tempo. Mesmo agora o oceano est em guerra consigo mesmo.  tudo que eu posso 
fazer para impedir os furaces e tornados de destrurem seu mundo da superfcie, a luta 
 to intensa. 
Me deixe descer l, falei. Me deixe ajudar. 
Os olhos de Poseidon se enrugaram quando ele sorriu. Ainda no, meu garoto. Eu sinto 
que voc ser necessrio aqui. O que me lembra... Ele fez surgir um dlar de areia e o 
apertou na minha mo. Seu presente de aniversrio. Gaste sabiamente. 
Hum, gastar um dlar de areia? 
Oh, sim. No meu tempo, voc podia comprar bastante coisa com um dlar de areia. 
Penso que voc ir descobrir que ele ainda compra muita coisa, se usado na situao 
correta. 
Que situao? 
Quando a hora chegar, Poseidon disse, eu acho que voc saber. 
Eu fechei minha mo em volta do dlar de areia, mas algo estava realmente me 
incomodando. 
Pai, falei, quando eu estava no labirinto, eu conheci Antaeus. Ele disse... bem, ele 
disse que era seu filho favorito. Ele decorou sua arena com caveiras e  
Ele as dedicou a mim, Poseidon completou. E voc est imaginando como algum 
poderia fazer algo to horrvel em meu nome. 
Eu assenti desconfortavelmente. 



Poseidon colocou sua mo bronzeada no meu ombro. Percy, seres inferiores fazem 
coisas horrveis em nome dos deuses. Isso no significa que ns deuses aprovamos. O 
modo como nossos filhos e filhas agem em nossos nomes... bem, isso geralmente diz 
mais sobre eles do que sobre ns. E voc, Percy,  meu filho favorito. 
Ele sorriu e, naquele momento, s estar ali naquela cozinha com ele foi o melhor 
presente que eu j ganhei. Ento minha me me chamou da sala de estar. 
Percy? As velas esto derretendo! 
 melhor voc ir, Poseidon disse. Mas, Percy, tem uma ltima coisa que voc 
deveria saber. Aquele incidente no Monte Santa Helena... 
Por um segundo eu achei que ele estava falando sobre Annabeth ter me beijado, e eu 
corei, mas ento me dei conta que ele estava falando sobre algo muito maior. 
As erupes continuam, ele disse. Tfon est se agitando.  muito provvel que logo, 
em alguns meses, talvez um ano no mximo, ele ir escapar de sua priso. 
Eu sinto muito, disse. Eu no queria  
Poseidon ergueu sua mo. No  sua culpa, Percy. Teria acontecido mais cedo ou mais 
tarde, com Cronos acordando os monstros antigos. Mas tome cuidado, se Tfon 
acordar... no ser como nada que voc j enfrentou antes. A primeira vez que ele 
apareceu, todas as foras do Olimpo quase no foram suficientes para lutar contra ele. E 
quando ele se rebelar novamente, vir aqui, para Nova York. Ele vir diretamente para o 
Olimpo. 
Esse era justamente o tipo de notcia maravilhosa que eu queria receber no meu 
aniversrio, mas Poseidon deu algumas palmadinhas nas minhas costas como se tudo 
estivesse bem. Eu devo ir. Aproveite seu bolo. 
E simplesmente assim ele se transformou em nvoa e foi varrido atravs da janela por 
uma morna brisa marinha. 

*** 

Demorou um pouco para convencer Paul que Poseidon tinha sado pela escada de 
incndio, mas como pessoas no desaparecem no ar, ele no teve escolha a no ser 
acreditar. 
Ns comemos bolo azul e sorvete at que no podamos comer mais nada. Ento 
jogamos uma poro de jogos de festa como charadas e Banco Imobilirio. Tyson no 
entendia as charadas. Ele ficava gritando a resposta que estava tentando mostrar por 
mmica, mas acabou que ele era muito bom em Banco Imobilirio. Ele me tirou do jogo 
nas primeiras cinco rodadas e comeou a falir minha me e Paul. Eu os deixei jogando e 
fui para o meu quarto. 
Eu deixei uma fatia de bolo azul intocada no meu criado-mudo. Depois tirei meu colar 
do Acampamento Meio-Sangue e deixei no parapeito. Havia trs contas agora, 
representando meus trs veres no acampamento  um tridente, o Velocino de Ouro, e 

o ltimo: um intricado labirinto, simbolizando a Batalha do Labirinto, como os 
campistas comearam a cham-la. Imaginei o que a conta do prximo ano seria, se eu 
ainda estivesse por perto para receb-la. Se o acampamento sobrevivesse at o prximo 
vero. 
Olhei para o telefone do lado da minha cama. Eu pensei em ligar para Rachel Elizabeth 
Dare. Minha me havia me perguntado se tinha mais algum que eu queria convidar, e 
eu havia pensado na Rachel. Mas no liguei. No sei porqu. A ideia me fez ficar quase 
to nervoso quanto uma porta no Labirinto. 
Eu apalpei meus bolsos e esvaziei minhas coisas  Contracorrente, um leno, minha 
chave do apartamento. Ento apalpei o bolso da minha camisa e senti um pequeno 

volume. Eu no tinha sequer percebido isso, mas estava usando a camisa branca de 
algodo que Calypso me dera em Ogygia. Eu tirei um pequeno pedao de pano, 
desembrulhei, e encontrei o galho de enlace lunar. Era um pequeno ramo, murcho 
depois de dois meses, mas eu ainda podia sentir um leve cheiro do jardim encantado. 
Isso me deixou triste. 
Eu me lembrei do ltimo pedido de Calypso para mim: Plante um jardim em Manhattan 
para mim, sim? Eu abri a janela e pisei na sada de incndio. 
Minha me mantinha uma caixa para flores l fora. Na primavera ela geralmente a 
enchia de flores, mas agora era tudo terra, esperando por algo novo. Estava uma noite 
clara. A lua estava cheia sobre a Rua Oitenta e Dois. Eu plantei o ramo seco de enlace 
lunar com cuidado na terra e o molhei com um pouco de nctar do meu cantil de 
acampamento. 
No princpio nada aconteceu. 
Ento, diante dos meus olhos, uma pequena planta prateada germinou no solo  um 
beb enlace lunar, crescendo na morna noite de vero. 
Bela planta, uma voz disse. 
Eu pulei. Nico di Angelo estava parado na sada de incndio bem ao meu lado. Ele 
simplesmente apareceu l. 
Desculpe, ele disse. No quis te assustar. 
Tudo  tudo bem. Quero dizer o que voc est fazendo aqui? 
Ele tinha crescido um pouco nos ltimos dois meses. O cabelo dele era uma grande 
confuso preta. Ele usava uma camiseta preta, jeans pretos, e um novo anel prateado 
com formato de caveira. Sua espada de ao stygiano estava pendurada do seu lado. 
Eu explorei um pouco, ele disse. Achei que voc gostaria de saber, Ddalo recebeu 
sua punio. 
Voc o viu? 
Nico assentiu. Minos queria ferv-lo em fondue de queijo por uma eternidade, mas 
meu pai tinha outras ideias. Ddalo ir construir passarelas e rampas de acesso no 
Asfdelos por todo o tempo. Isso vai ajudar a diminuir o trnsito congestionado. Na 
verdade, eu acho que o velho homem est bem feliz com isso. Ele ainda est 
construindo. Ainda criando. E ele pode ver seu filho e Perdix nos finais de semana. 
Isso  bom. 
Nico bateu em seu anel prateado. Mas essa no  a verdadeira razo de eu ter vindo. Eu 
descobri algumas coisas. Quero lhe fazer uma oferta. 
O qu? 
O modo para vencer Luke, ele disse. Se eu estiver certo,  a nica maneira de voc 
ter uma chance. 
Eu respirei fundo. Ok. Estou ouvindo. 
Nico olhou dentro do meu quarto. As sobrancelhas dele enrugaram. Aquilo ... aquilo  
bolo de aniversrio azul? 
Ele soou faminto, talvez um pouco desejoso. Imaginei se a pobre criana alguma vez 
tivera uma festa de aniversrio, ou se ele j fora convidado para uma. 
Entre e coma um pouco de bolo e sorvete, falei. Parece que ns temos muito que 
conversar. 



 
